Tu, pessoa comum
Lula saiu em defesa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Não ficou claro se a pedido da parte mais interessada. Sarney está sob fogo cruzado, como se sabe, pelo espantoso número de parentes que conseguiu pendurar na folha de pagamento do Senado e pela série de crises que a instituição atravessa desde que ele derrotou o PT na disputa pela presidência da Casa. “Sarney tem história suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum", disse Lula no seu desagravo ao aliado peemedebista.
Lula, como também é sabido, tem uma espécie de licença para dizer o que bem quer, ainda que nem sempre os seus ditos façam lá muito sentido. Para jogar um pouco de refrigério na desdita do amigo Sarney, Lula saiu-se com essa de que o presidente do Senado não é qualquer um. Fere preceito que só com muito custo e relativo pouco tempo de uso na história da moderna democracia tornou-se um ideal a buscar: o de que todos os homens são iguais e, no caso da nossa norma constitucional, que todos são semelhantes perante a lei. Sarney, a quem Lula já chamou de ladrão e grileiro, certamente não pertence ao rol da maioria dos mortais. É político com mandato, categoria que se acha acima do bem e do mal e isenta de prestar contas dos seus desmandos.

















