
Fica mais distante promessa de Quinquinha para levar calçamento a 100% da cidade
MANGA - O prefeito deste município, Quinquinha Sá (PPS), tinha estabelecido a meta de universalizar a pavimentação das ruas da cidade até o final deste segundo mandato, em 2012. O projeto, ambicioso, foi para a geladeira depois do estouro da crise financeira global e o prefeito foi obrigado a rever sua meta de “calçar” todo o perímetro urbano do município.
Depois de 13 meses de mandato, a administração vive um choque de realidade: mantido o ritmo que se observa até aqui, Quinquinha vai enfrentar dificuldades até mesmo para pavimentar o Arvoredo, o bairro que priorizou para receber esse benefício sob o argumento de que abriga a parcela da população mais carente da cidade. Cerca de 10 logradouros receberam a pavimentação com paralelepípedos naquela região da cidade, o que não cobre nem a metade da área útil do bairro.
Mas o problema é outro: com exceção da área central da cidade, que no caso de Manga corresponde a uma espécie de “cidade baixa”, há demandas por urbanização em quase todos os bairros e o governo municipal parece não demonstrar mais capacidade para realizar a economia de guerra que resultou em cerca do R$ 1,5 milhão que teria sido utilizado no asfaltamento do Bairro Santo Antônio, na saída Sul da cidade.
Fica cada vez mais patente que, com crise ou sem crise, não será possível bater a tal meta de levar o calçamento a 100% das ruas da cidade com recursos próprios. Havia um erro de cálculo nas boas intenções do prefeito, mesmo que o horizonte apontasse para o céu de brigadeiro do pré-crise. O jeito é apelar para convênios com outras esferas de governo. Por sinal, os recursos para a urbanização de parte do Bairro Arvoredo durante o ano de 2009 vieram do governo do Estado.
O prefeito descartou, há algum tempo, a possibilidade de utilizar massa asfáltica na urbanização das ruas da cidade. O principal argumento para a medida seria o de evitar a evasão de divisas do município, o que sempre ocorre quando uma empresa de fora do município é contratada para realizar o asfaltamento.
“Vamos utilizar mão-de-obra própria e contratar os serviços por aqui mesmo para evitar que o dinheiro do município vá embora e, o que é pior, dê empregos para pessoas de outras regiões do Estado”, disse Quinquinha ao Blog em entrevista publicada sob o título de “Asfalto, tô fora”, em maio do ano passado.
Sinais trocados
Diferentemente do que ocorria em administrações passadas, o atual prefeito tenta convencer a população a pagar o IPTU com o argumento de que o imposto será revertido em obras para a população. Não há dados disponíveis sobre o resultado da campanha realizada com esse apelo, mas é certo que não há uma cultura estabelecida entre a população de que o pagamento do imposto vá mesmo se transformar em seu benefício. Boa parte dos proprietários de imóveis prefere deixar os valores cobrados migrarem para a chama dívida ativa.
O fato é que a própria administração emite sinais contraditórios quando cobra o pagamento do IPTU e opta por levar o benefício do calçamento para áreas de urbanização mais recente, como é o caso do Bairro Arvoredo, em detrimento de setores mais antigos (bairros Tamuá e JK, só para ficar em dois exemplos) que, em tese, deveriam ser contemplados antes com a implantação da melhoria. Uma das vantagens mais imediatas da chegada do calçamento é a valorização do imóvel. Se o benefício não chega, a população descrê da capacidade de planejamento e execução do poder público.

















