
Será que Itamar tem uma bola de cristal?
Ainda há quem sonhe em ver o governador Aécio Neves (PSDB) na disputa pela sucessão do presidente Lula, nem que para isso tenha que apelar para sinais improváveis e raciocínios um tanto quanto, como vou dizer?, sofisticados.
O anúncio de que o ex-presidente Itamar Franco (PPS) vai disputar uma vaga ao Senado é um deles. Para alguns entusiastas da candidatura presidencial de Aécio, o fato de Itamar ter aceitado disputar a eleição para o Senado mesmo sabendo que as duas vagas disponíveis já teriam “donos” potenciais poderia esconder, quem sabe, alguma boa surpresa para os mineiros no horizonte eleitoral, onde as nuvens mudam a todo momento e ao sabor dos ventos, como já dizia o "raposa" Magalhães Pinto.
É que Itamar não é exatamente um estreante em política e, reza a lógica, não aceitaria disputar o Senado sabendo da condição de quase imbatíveis atribuída ao próprio Aécio Neves e ao vice-presidente José de Alencar (PR), até aqui também candidatos ao mesmo cargo. Caso eles entrem mesmo na disputa, as duas vagas senatoriais abertas em Minas já teriam “dono”. E daí? E daí que Itamar pode enxergar o que os simples mortais ainda não perceberam: Aécio pode mudar de ideia e entrar na sucessão presidencial, no que tornaria viável a conquista de uma das vagas que “sobraria” para o Senado.
Itamar manteve uma longa conversa com o neto de Tancredo Neves antes de avisar que vai disputar o Senado e os únicos cenários possíveis do retorno do governador de Minas para entrar na disputa presidencial seria aquele da desistência do seu colega de São Paulo, o também tucano José Serra, ou uma mudança de rumo na sua decisão mais do que reiterada de não aceita ser vice.
O resultado da pesquisa CNT/Sensus divulgada há alguns dias, que aponta o empate técnico entre o governador Serra e Dilma Roussef (PT), reforçaria a tese de que Serra pode “amarelar” e desistir da eleição presidencial. Como, aliás, ele já o fez em 2006, com a diferença de que agora teria uma reeleição praticamente assegurada para continuar no Palácio dos Bandeirantes.
O governo até torce para isso acontecer, mas tem um problema. Serra chega a vencer no primeiro turno, se a eleição fosse hoje, claro, num dos cenários explorados pela pesquisa, aquele em que o deputado federal Ciro Gomes (PSB-SP) não aparece entre os nomes oferecidos para a análise do eleitor. Mas a vida dos tucanos não anda nada fácil.
A candidata de Lula encosta em Serra com risco de ultrapassá-lo para quando abril chegar e o PSDB paga o alto preço dos estragos das chuvas torrenciais no Estado e da aliança com o Democratas de Gilberto Kassab, na capital. Começa o ano eleitoral na defensiva e, para piorar, persite na teimosia de não se declarar candidato.
O outro entrave seria a disposição do próprio Aécio Neves em topar ser o nome a enfrentar Lula e o PT com o curto espaço de manobra para a formação de alianças. Vai ver Itamar sabe mais do que consegue captar a vã sabedoria dos mortais comuns. De concreto, o fato de que o assunto ganha espaços nos bastidores da polítca e as especulações chegam as páginas dos grandes jornais nas análises dos colunistas. Aqui e ali, insinuações de que Aécio não vai deixar o cavalo arreado passar na sua frente. Itamar deve saber.

















