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quinta, 04 novembro, 2010
"MEU RETRATINHO"


Centro de gravidade

TEXTO PUBLICADO EM 30/10/2010

A despeito do jeito brigão e da cara de mau que mostrou no engajado papel de principal cabo eleitoral da candidata Dilma Rousseff, o presidente Lula tem andado emotivo nos últimos dias (na foto ao lado, em foto de arquivo). Chora à toa, em cenas que devem se repetir mais amiúde nos próximos 60 dias, tempo que resta ao petista na cadeira presidencial. Lula tem dado sucessivos sinais do quão difícil será deixar o Palácio do Planalto depois de oito anos. Ele quer ficar, mas o relógio aponta para a porta da rua.
 
Não serve de consolo o fato bem provável de que Lula vai transferir a faixa presidencial para pessoa de sua predileção. Não mesmo. Daqui a pouco será preciso colocar o pé no meio-fio e retornar à condição de simples mortal, sem os apupos de assessores nem avião para cruzar oceanos, além de holofotes ligados a cada vez que sai de casa. Casa, por sinal, que já não é mais um palácio. Um ex-presidente é também um sem-palácio. 

Até chegar a hora de pegar o boné, o presidente vive a tal sensação de agonia do pato manco (lame duck) que alguém lembrou esta semana, se não estou enganado o escritor Ruy Castro na Folha de S.Paulo. Pato manco, vale um adendo, é a expressão da língua inglesa para presidentes em final de mandato. Em geral, a perplexidade diante do estado meio assim de catatonia, entre a agitação das boas lembranças e saudades do tempo que ficou para trás e a angústia com o vazio que se apresenta logo adiante.
 
Muito já se especulou sobre o futuro próximo do ainda presidente Lula. Há versões para todos os gostos, desde aquela em que ele iria para um cargo de representação e alta relevância em organismo internacional, até a opção mais óbvia da possível criação de um certo Instituto Luiz Inácio Lula da Silva, mais adequada aos afazeres e não fazeres de ex-presidentes, ainda que pouco comum na tradição da política brasileira.
 
Mas há versões mais populistas aventadas pelo próprio Lula em prosa de palanques: ele vai se dedicar a viajar do Oiapoque ao Chuí para ser um “fiscal voluntário” do futuro governo Dilma ou, em hipótese mais prosaica, vai gastar o tempo livre em visitas de comprade às casas de todos os brasileiros para tomar uma “branquinha” ou um café bem quente. Coisas do Lula.
 
De concreto, há a constatação de que, a partir desta segunda-feira, quando se confirmar aquilo que as pesquisas repetidamente indicam, a saber, a eleição da primeira mulher presidente da República na história do país, o centro da gravidade política começa a migrar de Lula para Dilma. Decerto, muito mais rápido do que supõe os cuidados do cerimonial, vai se impor o momento em que a presidente eleita arrisca a falar por si mesma.
 
De início, com todas as ressalvas de gratidão ao antecessor, a quem sabidamente deve o cargo, até cair a inevitável ficha do seu próprio protagonismo. Se essa travessia é penosa para Lula, no caso de Dilma Rousseff é terreno dos mais minados. Mas é imperativo que a roda gire, pois os salões do poder acomodam toda sorte de plantonista sempre alerta para lembrar quem é que manda no pedaço doravante. Não há ser humano imune aos encantamentos das próprias possibilidades.
 
O fim da Era Lula tem tudo para ganhar contornos de melodrama. O “pai dos pobres” se prepara para sair de cena diante do dilema explícito de que queria ficar. Em benefício do presidente há que se recordar que não faltou quem lhe sugerisse o caminho fácil do casuísmo que lhe garantisse a permanência. Lula afastou essa tentação, embora no íntimo talvez soubesse que seria difícil o momento de dizer adeus. Ele queria mesmo era ficar, como deixado transparecer a assessores mais próximos como mostram notas de jornais, nunca desmentidas.    

A melhor tradução desse desejo foi o mote usado por Lula no último programa de TV da companheira Dilma. Cabeça pendida para o lado, Lula lembrou, não sem certo pesar, de que, pela primeira vez em cinco eleições, o seu retratinho não estaria na urna. Em seguida concitou o eleitor a votar em sua candidata: "votando no retratinho da Dilma, você vai estar votando um pouquinho em mim". Há um certo clima de “não diga adeus, diga até logo”, no ar. Ambiente propício a especulações. Lula tem tudo para continuar no centro  das atenções.   

Clique aqui para ver Lula em prantos durante entrevista ao Jornal da Record.


postado por 38839 as 11/04/2010 06:34:10 #
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