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domingo, 25 novembro, 2007
Primeira eleitora

 ato de solicitar o direito de voto foi pensado. Tornar-se a primeira eleitora da América Latina, por sua vez, não foi planejado.
A professora Celina Guimarães Viana foi a primeira mulher a ter o direito de voto não apenas no Rio Grande do Norte, sendo a pioneira de toda a América Latina a dar entrada no pedido de inclusão do seu nome no alistamento eleitoral, exatamente um mês depois de sancionada a Lei de nº 660, de 25 de outubro de 1927, pelo então governador José Augusto Bezerra de Medeiros.
O então governador regulamentou o fim da “distinção de sexo” para o exercício do voto e que impedia o voto feminino no Estado.
Em 25 de novembro de 1927, há exatos 80 anos, Celina dava entrada com seu pedido e teria naquele mesmo dia a autorização do juiz Israel Ferreira Nunes, então juiz eleitoral de Mossoró, em substituição ao dr. Eufrásio de Oliveira, mandando incluir o nome da requerente na lista geral de eleitores deste município, tornando-se assim a pioneira do voto feminino.
Vale ressaltar que a primeira mulher a requerer a inclusão no alistamento eleitoral não foi Celina. Um dia antes dela, a professora Júlia Alves Barbosa entrou com o pedido em Natal, porém teve seu deferimento retardado pelo juiz por causa da sua condição de solteira e por isso teve a autorização publicada apenas em 1º de dezembro de 1927. Neste caso, o fato de Celina ser casada e ter um grande respeito da sociedade da época favoreceu para que o despacho saísse rápido.
Sobre a intenção de solicitar o alistamento, ela teria dito que tudo não passou de uma idéia de seu marido, o professor e advogado Eliseu Viana.
“Eu não fiz nada. Tudo foi obra de meu marido, que empolgou-se na campanha de participação da mulher na política brasileira e, para ser coerente, começou com a dele, levando meu nome de roldão. Jamais pude pensar que, assinando aquela inscrição eleitoral, o meu nome entraria para a história. E aí estão os livros e os jornais exaltando a minha atitude. O livro de João Batista Cascudo Rodrigues – A mulher Brasileira Direitos Políticos e Civis – colocou-me nas alturas. Até o cartório de Mossoró, onde me alistei, botou uma placa rememorando o acontecimento. Sou grata a tudo isso que devo exclusivamente ao meu saudoso marido”, disse Celina em entrevista dada a Walter Wanderley, escritor da biografia de Eliseu Viana.
Não é improvável que Eliseu tenha tido influência em sua atitude, no entanto muitos historiadores e pesquisadores consideram que Celina, como mulher esclarecida e conhecedora de uma grande participação feminina na vida do Estado, acham difícil que ela não tenha se sentido orgulhosa pelo alistamento e destacam seu empenho mesmo sabendo que em uma cidade pequena, numa época em que a sociedade era dominada pelo machismo como a exemplo de todo o país, pedir para votar poderia ter suas conseqüências.

Atuante
Não se sabe ao certo qual era a atuação de Celina pelos direitos políticos e civis das mulheres antes da Lei estadual e antes do primeiro voto feminino. Mas, são muitos os relatos que mostram que Celina Guimarães era uma mulher à frente de seu tempo e que muitos de seus feitos, especialmente como educadora, acabaram sendo esquecidos ou encobertos pela “fama do primeiro voto feminino”. Celina Guimarães era mais do que a primeira eleitora.
O pesquisador Geraldo Maia possui um acervo de fotos e amplo material que conta a vida de Celina Guimarães e de seu esposo, Eliseu Viana. Ele explica que, numa época em que as escolas disciplinavam seus alunos com palmatórias, há registros de que Celina as abolia e usava outros mecanismos, inclusive o teatro para atrair a atenção de seus alunos. Junto com Eliseu Viana, criou textos de peças, montou figurino e realizou apresentações com fins de educar e entreter.
“Quando falamos da professora Celina Guimarães, lembramos apenas do pioneirismo no voto feminino. Esquecemos, muitas vezes, de lembrar a grande profissional que ela foi no campo da educação de jovens, qualidade essa que fez com que o seu nome fosse inscrito no Livro de Honra da Instrução Pública, o que significava, na época, o reconhecimento pelos bons serviços prestados ao Estado do Rio Grande do Norte”, ressalta.
Outro fato interessante é que Celina teria sido a primeira pessoa a, de repente, mostrar o que era futebol em Mossoró.
“Na década de 20, o futebol estava longe de ser um esporte conhecido e Celina Guimarães, para fazer a vontade de jovens rapazes estudantes que demonstraram interesse no jogo, chegou a traduzir um manual em inglês, onde continha as regras, levar os rapazes ao descampado e ensiná-los a jogar, de apito na boca. Certamente era uma mulher diferente, especial”, ressalta Geraldo Maia.
A verdade é que ela teria se engajado mesmo, muito mais na conscientização de outras mulheres para que se interessassem em se alistar e a votar, depois da conquista do primeiro voto. Ainda no final de 1927, Celina Guimarães elaborava e distribuía panfletos com texto em que pedia que as mulheres tomassem a iniciativa de votar.
Um deles dizia: “Alistai mulheres mossoroenses, a fim de contribuirdes para o progresso do vosso município, do vosso Estado, do vosso Brasil”. E assinava em seguida o texto.
Em 1928, apenas 15 mulheres potiguares, as primeiras do país, votaram nas eleições para o Senado Federal e Celina estava entre elas. No entanto, seus votos não foram contados diante da alegação apresentada pela Comissão de Poderes de que as mulheres teriam direito ao voto apenas para disputas internas no RN, com base na Lei 660.
Depois disso, elas lançaram manifesto à nação pleiteando a concretização do direito que lhes assistia e o de legibilidade para qualquer cargo público.
Foi por causa do pioneirismo de Celina que uma das mais renomadas lutadoras pelo direito do voto para mulheres da época, Bertha Lutz, que em 1924 já havia criado em São Paulo a Federação para o Progresso Feminino, conheceu Celina. As duas ficaram amigas, trocaram correspondências, estimulando para que a luta pelo voto feminino fosse permanente até a sua conquista em 1934.

Prova
O pesquisador Geraldo Maia conta que apesar de muito se propagar o pioneirismo mossoroense em relação ao voto feminino há um documento importante que está sendo destruído pelo tempo.
O documento original em que está o despacho do juiz Israel Ferreira Nunes, incluindo o nome de Celina na lista geral de eleitores, escrito a bico de pena em papel almaço, encontra-se no Museu Histórico “Lauro da Escóssia”, em avançado estado de desgaste. E é esse o único documento que prova o pioneirismo de Mossoró.
“Temo muito pelo Estado de vários documentos, mas este de uma maneira especial”, lamenta o pesquisador, que espera que o município possa realizar a recuperação deste documento enquanto ainda é possível.

Exposição
Para lembrar os 80 anos da conquista do primeiro voto feminino da América Latina por Celina Guimarães, o Museu Lauro da Escóssia, através da diretora Maria Lúcia Escóssia, com apoio do pesquisador Geraldo Maia, elaborou uma exposição de fotos de Celina Guimarães, a maioria delas cedidas por familiares, em que mostra a primeira eleitora ao lado do marido, dos filhos e em diferentes fases de sua vida.
Quem quiser conferir as 25 fotos, o museu está aberto à visitação do público no horário das 8h às 11h e das 14h às 17h, sendo que no sábado o funcionamento é até meio-dia.

Extraído do Jornal de Fato.

http://www.defato.com/


postado por 48534 as 01:26:20 #
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