HOMENAGEM PÓSTUMA À SOCIEDADE, INSERIDA NAS TREVAS ATRAVÉS DOS DEMÔNIOS MANIQUEU E AGOSTINIANO (*) Raul Mareco A arquitetura de uma sociedade se elabora a partir da união de todas as fontes de políticas públicas teorizadas pelos cientistas e colocadas em prática, através da regulamentação de direito das Leis, pelos detentores dos poderes, em todas as suas esferas. A observância nos moldes sociais nos faz sugerir uma análise a qual absolutamente aponta para uma construção e conseqüente desconstrução das inúmeras identidades sociais que se inserem – ou são inseridas – em uma coletividade. Portanto, segundo Vera Teles, doutora em Serviço Social pela PUC-SP, “o princípio organizador da política social deve ser a cidadania. A avaliação da eficiência e eficácia da política social deve passar pelo confronto com o principio da cidadania, assim como a implementação de novas políticas. (...) O estudo, análise e definição da política social a partir do paradigma da cidadania implica em vincular a cidadania aos direitos sociais. E implica, também, em vincular a cidadania à democracia”. A premissa que se submeteu no parágrafo anterior, caro leitor, é uma breve sistematização de como uma sociedade deve ser regida pelos nossos representantes, tanto no Executivo, Legislativo e Judiciário. Porém, um fator preponderante vem alargando cada vez mais as discussões sobre a condução social: o poder pode viciar negativamente, e, por conseguinte, propor risco à sociedade. Esta observação foi delineada nas leituras do cientista político Ulrich Beck, que insere esta argumentação no que denominou de ‘modernidade reflexiva’. Foi como Marli Navarro apontou em seu artigo científico ‘Percepção de risco e cognição: reflexão sobre a sociedade de risco, para a revista on-line Ciências e Cognição, de 30 de novembro de 2005. “Consideramos que a partir de novos contextos reflexivos gerados pelos impactos da perspectiva do risco, novos padrões cognitivos estão se delineando para nortear tomadas de decisões, abrangendo desde as mais amplas no âmbito dos governos, às mais cotidianas da vida dos indivíduos”. Estes mesmos padrões cognitivos que deveriam definitivamente ser norteados para uma fragmentação social embasada em teorias situacionais que envolvem uma sistemática cidadã, de teor favorável, estão sendo processados ao contrário, através de comparações que nos remetem aos céus e às trevas, a Belzebu e a Deus, ou mais detalhadamente, através de puro maniqueísmo, a religião babilônica em que se acreditava no antagonismo entre o bem e o mal, termo utilizado comumente nos dias atuais. Pois bem, está instalada a guerra maniqueísta, a sociedade de risco. A homeostase (equilíbrio) da sociedade está posta às dúvidas, através de mensagens subliminares – e não às claras como se deveria – divulgadas em meios eletrônicos de informação que articulam uma nova e vil manifestação a respeito dos cidadãos: de que todos, eu, você, todos, somos reles almas penadas vagando ao léu, sem qualquer forma de aproximação com os fatos que nos circundam. E já que o tema se descerra em contos ‘demoníacos’, somos estúpidos, caro leitor, assim como outro famoso demônio, o agostiniano, que segundo o Mestre e meu professor em tempos de Faculdade, Ivan Carlo de Oliveira, comparado ao demônio maniqueu, dono de refinada malícia, o demônio agostiniano é estúpido. Joga um jogo difícil, mas pode ser derrotado completamente pela inteligência e pela observação. Agora, está instalada a guerra agostiniana. O risco está aí, neste jogo desnecessário entre o ‘mocinho’ e o ‘vilão’, ironizando a inteligência e a insensatez. A sociedade, mesmo sem estas comparações irrelevantes, está indubitavelmente adentrando na realidade post-mortem, na feitura desorganizada e incoerente dos pilares sociais, principalmente delegada aos que estão envoltos na famigerada miséria a qual permite a construção das visíveis desigualdades. A nossa coletividade, cara alma penada, há muito está sendo direcionada aos reais malefícios e incongruências, infelizmente enfatizados pelos verdadeiros Belzebus e demais criaturas demoníacas que insistem em menosprezar a consciência alheia. Amém. Apocalipse, p. 617, cap. 19 e 20, ver. 20 e 21. “E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no ardente lago de fogo e enxofre”. (*) Raul Mareco é Jornalista.
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