O Evangelho e o Marketing
Há mais de 20 anos, atuo no mercado competitivo e tanto como administrador de empresas quanto como professor universitário, cada vez mais noto as semelhanças entre o mercado competitivo empresarial e o mercado competitivo evangélico. Observando as estratégias utilizadas pelas empresas para conquistarem clientes, crescerem no mercado e aumentarem seus faturamentos, e comparando-as com as “estratégias de Deus” utilizadas por boa parte das igrejas evangélicas, quem também visam conquistarem membros, crescerem em quantidade de pessoas e aumentarem suas receitas, vejo que em nada se diferem. Não vejo nada errado no crescimento numérico de uma igreja, o que está errado, são os métodos e as motivações que levam muitos pastores (que se autodenominam líderes) a competirem entre si, para ver quem tem mais membros, quem tem mais templos, quem tem mais células, quem tem mais batismos, e no final das contas, o grande objetivo é conseguir mais prestígio, mais fama, e é claro, mais dinheiro. Será que Deus está realmente preocupado com quantas pessoas estão sentadas nas cadeiras de uma igreja? Com quantas células funcionam mecanicamente com a obsessão de se multiplicarem a qualquer custo, numa clara motivação de quantidade e não de qualidade? Na verdade o que vemos hoje, na maioria das igrejas chamadas evangélicas, é a luta pelo poder, poder de controlar o povo, quer seja com os dogmas, usos, costumes, liturgias e manias e farisaísmo dos assembleianos, ou com o liberalismo irresponsável dos chamados neo-pentecostais, onde tudo pode, tudo é liberado, desde que hajam generosas contribuições e participações em campanhas, não em busca da unção de Deus, mas principalmente da prosperidade financeira, do prestígio e do “sucesso”. Você já pensou em qual é o propósito que Deus tem para a sua vida? Já parou para estudar a bíblia e ver que o evangelho que Jesus veio nos ensinar nada tem a ver com essas instituições que hoje chamamos de igrejas? O propósito de Deus para você e para mim, é termos uma vida reta, cheia da unção de Deus, vivendo em amor e sendo instrumento de bênção nas vidas das pessoas, ensinando-as a seguirem a Cristo e a viverem em plenitude de vida ou o propósito dEle é sermos membros de igrejas enormes, participarmos de campanhas, buscarmos a prosperidade financeira a qualquer custo, tendo como alvo o “sucesso” pregado em muitos púlpitos ao invés de buscarmos ao Deus que pode nos dar muito mais do que isso? Quanto de Deus há em você? Quanto amor de Deus há em suas atitudes e pensamentos no dia-a-dia? Quantas pessoas estão sendo realmente abençoadas através da sua vida? Que exemplo de vida você tem dado para seus amigos, familiares, clientes, etc.? Já pensou no significado de dizer “sou um cristão”? O que quer dizer a palavra “cristão”? Essa palavra tão difundida nos dia de hoje pode ser traduzida como “pequenos Cristos”, e é exatamente isso que você e eu, que nos denominamos “cristãos” deveríamos ser. Mas então, o que é ser um pequeno cristo? É ir à igreja tantos dias quantos forem possíveis? É vestir-se de “crente” e andar com um semblante de piedoso? É ofertar altos valores nos gasofilácios cada dia mais famintos de fartas contribuições? É freqüentar cultos, cantar, levantar as mãos e achar que isso é louvar a Deus? É dizer à alguém faminto “vou orar por você” sem se importar com o que ele realmente precisa? Ser um cristão é muito mais do que isso, e às vezes, não é nada disso! Jesus pregava, orava com doentes e oprimidos, ensinava o evangelho e anunciava a chegada do Reino de Deus; além de acolher pessoas, andar com elas, reuni-las e fazerem-nas sentirem-se irmãs umas das outras, e, sobretudo, deixando a elas claro que o maior poder de testemunho que teriam neste mundo viria exclusivamente da capacidade que tivessem de amarem-se umas às outras — “para que o mundo creia”. No que você tem crido? Em que tipo de Deus você crê e está servindo? Muitos chamados cristãos, não servem a Deus, apenas negociam com Ele como se ele fosse um vendedor de curas, prosperidade financeira e sucesso! Meu querido, esse Deus que é “vendido” nas instituições religiosas de hoje, nada tem a ver com o Deus da bíblia, assim como esse evangelho marqueteiro e interesseiro que temos visto, em nada se parece com o evangelho que Jesus nos ensinou. Não vim aqui para criticar instituições ou pessoas, mas para tentar abrir seus olhos, pois muitos têm trocado o privilégio de buscar a Deus, de conhecê-lo e viver em intimidade com Ele, por profecias (que muitas vezes tem muito mais da carne do que do Espírito), por campanhas, sacrifícios disfarçados de “jejuns estranhos”, “barganhas celestiais”, quando na verdade, o que Deus quer é que tenhamos uma vida vivida no amor dEle, com simplicidade, mas com resultados grandiosos na vida de todos aqueles que nos cercam e também na nossa vida. “Buscai o Reino de Deus em primeiro lugar...” O que você tem buscado? O Reino de Deus ou “as riquezas que existem no Reino, sem se comprometer e sem buscar uma intimidade com o Rei do Reino? Jesus não criou nenhuma instituição religiosa, nem mesmo uma religião, Ele “apenas” viveu em amor, dedicando tempo às pessoas, cuidando delas, ajudando-as, ensinando-as a seguirem uma vida abundante, Ele fez tudo isso vivendo, sendo exemplo e não apenas pregando em grandes púlpitos. Você tem andado no propósito de Deus para a sua vida? Que Deus te dê entendimento e coragem para agir e viver uma vida no amor e na unção do “Eu Sou”.
No amor do Senhor,
Pê-érri Mauricio Grasseschi
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