Cinema digital -Em breve em um cinema perto de você
Durante a Mostra Cinema Conquista, além das exibições dos filmes, está sendo ministrado cursos, oficinas e seminários. Um dos cursos foi sobre "Cinema Digital" com o renomado professor Luiz Gonzaga Assis de Luca*.
Embora ainda não se fale muito sobre o assunto na imprensa, o cinema digital, assim como a tv e o rádio, são realidades que em alguns anos vão mudar as formas e possibilidades de comunicação. Dentre outras coisas, o cinema digital promete decretar o fim da pirataria, e o uso dos cinemas para a exibição de outros conteúdos além de filmes.
Gonzaga falou ao Núcleo um pouco sobre o cinema digital, confira:
NÚCLEO -O que a realidade do Cinema Digital vai representar na vida do povo?
Gonzaga - Você vai exibir filmes com uma qualidade muito melhor, com uma sonorização muito melhor, e principalmente para esse mercado, a partir de 2009, terão os filmes em terceira dimensão (3D). São tecnologias que dificilmente chegarão muito rápido à sua casa, ou seja, vai demorar 10 anos, até porque são equipamentos muito caros, muito sofisticados, que estão muito longe do que seria a alta definição doméstica.
O que tem também é que se exibe no cinema hoje basicamente filmes. Com o digital você vai exibir conteúdos, porque você vai poder exibir jogos de futebol, shows, até poder fazer eventualmente um jogo de videogame entre 02 cidades diferentes ao mesmo tempo. O cinema vai tender a deixar de ser um exibidor de filmes pra ser um exibidor de conteúdo, é uma grande mudança.
NÚCLEO - Será possível piratear um filme, filmando a tela de cinema, como é feito hoje?
Gonzaga - Quanto à pirataria, na realidade a indústria está criando uma série de mecanismos para não permiti-la, como a criptografia, que é praticamente impossível de burlar, porque na realidade esta criptografia não é fixa, ela muda por aparelho e é dedicado à aparelhos, ou seja, a criptografia de um cinema não é igual ao do outro. Tem o sistema de chaves digitais, senhas.. E até bloqueadores de filmagem, assim como existe o bloqueador de telefone, este não vai permitir que a tela seja filmada.
Mas de toda forma, a questão da pirataria, ela reduz também por outra questão principal, ou seja, a pirataria ocorre em maior intensidade porque o tempo do lançamento entre o cinema e do vídeo é muito longo, e aí a pirataria vai ter dificuldades, porque que alguém vai comprar o pirata sendo que ele pode alugar com uma alta qualidade pelo mesmo preço? Então, na realidade, a pirataria é conseqüência do delay, dessa demora que existe entre o lançamento no cinema e nos outros veículos. A tendência a longo prazo é que ela deixe de existir em cada vez menos tempo [entre o lançamento de um filme no cinema e em DVD].
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*Luiz Gonzaga Assis de Luca, Graduado em Administração Pública, doutorou-se em Ciências da Comunicação na USP (Universidade de São Paulo). Participou da rearticulação do movimento cineclubista em meados da década de 70, sendo um dos fundadores do Cineclube da GV e da Federação Paulista de Cineclubes. Foi um dos jovens executivos que fizeram da Embrafilme a líder de mercado, tendo dirigido a sua distribuidora por três anos. Após a experiência na "estatal do cinema", trabalhou na produção de desenhos-animados, licenciamento de personagens e foi, ainda, um pioneiro na distribuição de videocassete doméstico. Há mais de quinze anos atua no setor de exibição cinematográfica, ocupando atualmente o cargo de diretor de relações institucionais do Grupo Severiano Ribeiro, a maior empresa exibidora de capital nacional. Foi colunista do Jornal do Vídeo e tem publicado textos em diversas revistas especializadasÉ diretor-secretário da FNEEC (Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas). Fez parte das comissões de seleção de projetos para produção e comercialização de filmes da TV Cultura, do BNDES e da Petrobrás. É professor do curso de pós-graduação Film & Television Business da Fundação Getúlio Vargas e da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).







