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quinta, 22 novembro, 2007
   
entrevista

Entrevista com Cláudio Assis

Por Fernanda Castro e Rafael Carvalho

Um cineasta provocador. Assim se pode definir o pernambucano Cláudio Assis. Mesmo ainda em seu segundo longa-metragem, ele já deu o tom de seu trabalho ao fazer filmes de forte crítica social, como em Amarelo Manga. Falamos rapidamente com ele que compareceu na noite de quarta para apresentar seu visceral Baixio das Bestas.

De onde surgiu a idéia de realizar Baixio das Bestas?

Surgiu há muito tempo. Quando eu tava fazendo Amarelo Manga, a gente teve essa idéia. Partimos para fazer a Febre do Rato, mas resolvemos fazer o Baixio. O Amarelo Manga é um filme mais urbano, totalmente urbano, e a gente resolveu fazer esse na Zona da Mata, que é um lugar onde ninguém nunca filmou, na zona canavieira. O único filme que fala dessa região é o Menino de Engenho do Walter Lima Jr., mas é um filme inocente, meio romântico. Também a idéia era outra, baseada na história do José Lins do Rego.

O senhor falou que tinha um filme que ia fazer...

O senhor é a puta que pariu, pode colocar isso aí.

3. Certo, é o costume. Mas tem um filme que foi interrompido, vai ser retomado?

Estamos somente em fase de captação de recursos.

O Amarelo Manga é um filme forte e o Baixio das Bestas também segue essa mesma fórmula. Por que esse tipo de cinema?

Porque é o que eu sei fazer. O cinema é feito para pensar, para discutir e não para ficar brincando somente de triângulo amoroso. Já tem muita novela da Globo, muita gente fazendo. Acho que o cineasta tem que fazer uma coisa mais séria, mais honesta.

Mas é um pensar mais forte para o público, você provoca na verdade.

Eu quero que o público pense. Para mim, cinema que se preza é feito para pensar. Você sair da sala sem saber nada, sem pensar nada não interessa.

Você acha que no Brasil faltam filmes assim com essa temática mais forte?

Sim, falta. Mas acho que está vindo uma geração aí que está fazendo um cinema bom. Existe lógico os da Globo Filmes, da Conspiração, etc. Mas tem uma galera fazendo bons filmes e está mudando a cara do cinema brasileiro.

Esse tipo de cinema é mais difícil para o público receber por ser até mais verdadeiro e as pessoas estão acostumadas a outro tipo de cinema no Brasil.

Não, não. Existe um público que é viciado, porque esses meios de comunicação incitam um olhar. Mas não é por conta disso. O cinema nacional só não é mais visto porque não existe divulgação, não existem salas de cinema populares. Nós colocamos R$ 200 mil reais para divulgar o filme. Quando vem a Globo Filme e põe milhões, vem uma major, uma empresa internacional e lança um filme no Brasil como O Homem-Aranha com 700 cópias. A gente lança com 10, outros filmes brasileiros são lançados com quatro cópias, então ninguém vai ver o filme. Não que o povo não vá. O Amarelo Manga nós colocamos a entrada a um real durante nove dias e deu 13 mil pessoas. Porque era um real. Agora a R$ 15, em alguns lugares R$ 30, o público vai passear no shopping.

Como surgiu a parceria com o Hilton Lacerda (roteirista de Amarelo Manga e Baixio das Bestas)?

A gente trabalhou no Texas Hotel (curta-metragem de 1999), nós somos amigos. E é ele quem está roteirizando a Febre do Rato também.

A que se de a força do cinema Pernambucano que está crescendo no Brasil?

A gente luta muito. É uma coisa que vem de mais de 15 anos que a gente vem lutando. E o filme a gente faz com vontade, com querer, levando a sério. Não estamos pegando dinheiro público para fazer mercantismo, é para fazer cinema honesto, por isso nosso cinema é verdadeiro. E isso acontece em várias artes, não só no cinema. Na música também, nas artes plásticas. As pessoas levam muito a sério o que faz.

E tem boa aceitação nos festivais tanto aqui no Brasil como fora do país.

Sim. Baixio das Bestas foi premiado na França, em Rotterdã, com o Tiger Award, primeiro filme brasileiro que ganhou o prêmio. E assim vai, está sendo vendo para a Espanha, Alemanha, Itália. E o público de lá adora. É sensacional.


postado por 63471 as 03:47:38 #
   
   
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