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quarta, 20 fevereiro, 2008
E agora??

E Fidel renunciou!!!Claro que as mudanças já alardeadas na mídia ainda não irão ocorrer, até porque Fidel ainda é vivo e seu irmão, Raúl, é quem está no poder por enquanto.

Romantismo e complexidade podem adjetivar o comandante. Líder da Revolução que derrubou a ditadura, bancada pelos EUA, de Batista e tendo em Che seu principal companheiro, Castro começou em 1959 sua saga de transformar utopias em realidades.

O esvaziamento do modelo Soviético e o triunfalismo neoliberal do final de século XX fizeram com que a Ilha, que ja sofrera embargos de EUA e União Européia, entrasse em uma situação econômica não muito confortável. O coro dos neoliberais, embasado em algumas medidas autoritárias de Fidel, foi endossado pela crise financeira que o país passava, fazendo de Cuba exemplo de péssima gestão para os moldes capitalistas que emergiam no planeta.

Como todos sabemos, economia e bem-estar social andam em vias diferentes, assim, os índices de desenvolvimento humano são de dar inveja para um sistema que vive isolado do planeta há quase 50 anos.

Cuba ocupa o 51º lugar (http://hdr.undp.org/en/statistics/), à frente de Brasil, Russia e Romênia, por exemplo. O índice, que envolve variantes como expectativa de vida, PIB per capita e analfabetismo, mostra claramente como a fuga de capital da Ilha não atingiu diretamente a atuação legítima do Estado em fornecer serviços básicos de qualidade à população.

No excelente documentário de Camila Guzmán, "Cortina de Açucar", a diretora que é filha de um cineasta chileno (Patrício Guzmán) exilado em Cuba por conta da ditadura de Pinochet, mostra como a geração nascida pós 59 viveu no país. Ela e seus amigos relatam os tempos de ouro do apoio da União Soviética e a posterior crise do regime socialista. Ao mesmo tempo em que vivem claramente uma queda de padrão financeiro ainda sonham e admiram todo o romantismo e o sonho de uma sociedade mais igualitária.

Outra referência interessante é o filme "Cidade Perdida", do ator cubano Andy Garcia, mostrando a situação baseada em sua própria vida, o diretor retrata a saída de seus pais de Cuba para Miami durante o regime de Castro e como, mesmo tendo uma vida estabilizada nos EUA, ele ainda vive e respira a utopia cubana revolucionária.

O grande debate que agora é montado nos traz uma questão complicada: Como vai ficar a economia cubana pós-Fidel?

Com a falta de apoio da URSS, os anos que se seguiram foram difíceis, somente um pouco amenizados economicamente com a chegada, nos anos 90, de grandes investimentos turísticos e hoteleiros no país. Além disso, a partir da chegada de Hugo Chávez ao poder, e dos seus petrodólares, Cuba teve uma sobrevida de capital.

Muitos analistas apostam na transição "Chinesa", ou seja, uma economia aberta ao mercado estrangeiro, porém, com a mão forte do Estado ainda norteando as principais decisões políticas do país, ou ainda, se posicionar como as nações do leste europeu totalmente adaptadas as mudanças neoliberais. Complicado será a aceitação da própria população a uma nova forma de sistema socioeconômico. O espírito de mercado, competição, monopólios entre outros aspectos capitalistas não são enraizados na sociedade caribenha como no resto do mundo.

Uma coisa é certa, Fidel, como disse Lula, é um mito, um mito vivo, que lutou por um sonho romântico que acabou se esvaziando e sendo engolido pela arrogância direitista. A retórica sofista de um regime autoritário e com falta de liberdade se perde diante das mudanças sociais realmente alicerçadas que deram a Ilha uma consciência social que passa longe dos grandes modelos de sistema no qual se baseiam a maioria das populações que se auto-entitulam "em desenvolvimento".

Se algum dia for a Cuba repare na frase do aeroporto que diz: " Esta noite 200 milhões de crianças vão dormir na rua, nenhuma em Cuba". 



postado por 51120 as 06:46:02




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