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sexta, 28 março, 2008
Fico com o nosso...

Há quem prefira os cinemões hollywoodianos, outros a densidade político-dramática da Nouvelle Vougue, mas eu fico com a sétima arte nacional.

Já estava para me arriscar nas linhas de texto cinematográficas há muito tempo. Os últimos 2 anos, cuja minha participação nas salas de cinema aumentou consideravelmente, mostraram uma maturidade única na produção do país.

Dramas, comédias, documentários, todas as facetas foram bem interpretadas, com uma mistura equilibrada de simplicidade com subjetividade. Não somos mais uma indústria de filmes sobre favela, ou sobre desigualdade social, fomos além. A crítica escrachada de Claúdio Assis (Baixio das Bestas), o questionamento de uma junventude que ainda busca se colocar nesse novo cenário social com Jorge Durán (Proibido Proibir), o toque político com os Sílvios, Da-rin e Tendler, nos documentários "Hércules 56" e "Encontro com Milton Santos", respectivamente. Obviamente, teria que citar muitos outros, porém não caberia nesse pequeno rascunho.

Essa sensibilidade, que dá forma à roteiros com diálogos ricos e subjetivos, personagens prospectivos e todo um enredo que faz dos problemas sociais novas reflexões para debates que fogem a linearidade das produções tradicionais.

Agora quem realmente me trouxe ao computador foi Laís Bodanzky com a complexidade singela de "Chega de Saudade". Um filme que mostra a alegria do povo brasileiro, e como a relação entre amizade, música, nostalgia e amor se traduz em único lugar aonde inúmeros sonhos e frustações se fundem, montando uma história tão simples quanto densa na qual, emoção e  felicidade são gestos tão pequenos que passam longe do concretismo objetivista que enche as salas hoje em dia.

A nostalgia de Leonardo Villar, a maestria de Tônia Carreiro, as frustrações de Betty Faria, as ilusões de Maria Flor, o amor de Cássia Kiss e o galanteio de Stepan Necessian, formam um quebra-cabeça extremamente bem trabalhado por Laís e Luiz Bolognesi (roteirista).

Passeando por uma trilha sonora impecável, os personagens se envolvem em relacionamentos tão fortes que tentar medir sentimentos seria sofismar sobre fatos que beiram a perfeição.

A direção de fotografia também vale destaque, o mestre, Walter Carvalho dá traços sensíveis à sequências de pés e mãos que dão alma ao filme.

Realmente imperdível, impossível não sentir orgulho do nosso cinema. Nossos olhos, tão adestrados cinematograficamente, agradecem esse colírio, graças a deus, genuínamente brasileiro.



postado por 51120 as 12:57:05




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