África – Brasil: Um Elo de Herança Ancestral
África – Brasil: Um Elo de Herança Ancestral
sábado, 17 novembro, 2007
A MUSICALIDADE DO CANDOMBLÉ NA FORMAÇÃO DA CULTURA BRASILEIRA DE AFRODESCENDÊNCIA


Durante quase quatro séculos, negros africanos foram caçados e levados ao Brasil para trabalhar como escravos. Separados para sempre de suas famílias, de seu povo, do seu solo (de fato apenas alguns poucos conseguiram retornar depois da abolição da escravidão), os africanos foram aos poucos se adaptando a uma nova língua, novos costumes, novo país. Foram se misturando com os brancos europeus colonizadores e com os índios da terra, formando a população brasileira e sua cultura. Como aconteceu em outros países da América, a contribuição dos africanos na formação do Brasil foi essencial tanto na composição física da população quanto na conformação do que viria a ser sua cultura, que inclui dimensões como língua, culinária, religião, música, estética, valores sociais e estruturas mentais. Muitos foram os povos africanos representados na formação brasileira, os quais podem ser classificados em dois grandes grupos lingüísticos: os sudaneses e os bantos.

As diferentes etnias chegaram ao Brasil em distintos momentos, predominando os bantos até o século XVIII e depois os sudaneses, sempre ao sabor da demanda por mão-de-obra escrava que variava de região para região, de acordo com os diferentes ciclos econômicos de nossa história, e do que se passava na África em termos do domínio colonial europeu.

Nas últimas décadas do regime escravista, os sudaneses iorubás eram predominantes na população negra de Salvador, a ponto de sua língua funcionar como uma espécie de língua geral para todos os africanos ali residentes, inclusive bantos. Nesse período, a população negra, formada de escravos, negros libertos e seus descendentes, conheceu melhores possibilidades de integração entre si, com maior liberdade de movimento e maior capacidade de organização. O cativo já não estava preso ao domicílio do senhor, trabalhava para clientes como escravo de ganho, e não morava mais nas senzalas isoladas nas grandes plantações do interior, mas se agregava em residências coletivas concentradas em bairros urbanos próximos de seu mercado de trabalho. Foi quando se criou no Brasil, num momento em que tradições e línguas estavam vivas em razão de chegada recente, o que talvez seja a reconstituição cultural mais bem acabada do negro no Brasil, capaz de preservar-se até os dias de hoje: a religião afro-brasileira.

E como parte integrante do culto, e ao mesmo tempo como elemento constitutivo do cotidiano do negro, preservou-se no Brasil um dos mais ricos filões culturais da África: a música, mais especificamente, a música religiosa, com seus ritmos, instrumentos e formas de composição poética.

Assim, em diversas cidades brasileiras da segunda metade do século XIX, surgiram grupos organizados que recriavam no Brasil cultos religiosos que reproduziam não somente a religião africana, mas também outros aspectos da sua cultura na África. Nascia a religião afro-brasileira dos orixás, voduns e inquices, chamada candomblé primeiro na Bahia e depois pelo país afora, tendo também recebido nomes locais, como xangô em Pernambuco, tambor-de-mina no Maranhão, batuque no Rio Grande do Sul. Os principais criadores dessas religiões foram negros das nações iorubás ou nagôs, especialmente os provenientes de Oió, Lagos, Queto, Ijexá, Abeocutá e Iquiti, e os das nações fons ou jejes, sobretudo os mahis e os daomeanos. Floresceram na Bahia, em Pernambuco, Alagoas, Maranhão, Rio Grande do Sul e, secundariamente, no Rio de Janeiro.

Entoaram letras em língua ritual de origem banta, hoje muito deturpada e misturada com palavras do português, soando os tambores com as palmas das mãos e dedos, enquanto os iorubás e fons-descendentes o fazem com varetas, os candomblés angola e congo, como são chamados os templos bantos, cantam um tipo de música que soa muito familiar aos ouvidos dos não-iniciados. Pois foi justamente da música sacra desse candomblé banto que mais tarde se formou, no plano da cultura profana do Rio de Janeiro, um gênero de música popular que veio a ser uma importante fonte da identidade nacional brasileira nos decisivos anos 30 do século XX: o samba.

Por muito tempo o candomblé e as outras formas regionais de culto afro-brasileiro permaneceram mais ou menos confinados a seus locais de origem. Mas logo no início, com o fim da escravidão, muitos negros haviam migrado da Bahia para o Rio de Janeiro, levando consigo sua religião de orixás, de modo que na então capital do país reproduziu-se um vigoroso candomblé de origem baiana, que se misturou com formas de religiosidade negra locais, todas com influências de sincretismos católicos, e com o espiritismo kardecista, originando-se a chamada macumba carioca e pouco mais tarde, nos anos 20 e 30 do século passado, a umbanda. A umbanda e o samba constituíram-se mais ou menos na mesma época, ambos frutos do mesmo processo de valorização da mestiçagem que caracterizou aqueles anos e de construção de uma identidade mestiça para o Brasil.

No Brasil verificou-se um grande retorno à Bahia, com a redescoberta de seus ritmos, seus sabores culinários e toda a cultura dos candomblés. As artes brasileiras em geral (música, cinema, teatro, dança, literatura, artes plásticas) ganharam novas referências, o turismo das classes médias do Sudeste elegeu novo fluxo em direção a Salvador e demais pontos do Nordeste. O candomblé se esparramou muito rapidamente por todo o país, deixando de ser um religião exclusiva de negros, a música baiana de inspiração negra fez-se consumo nacional, a comida baiana, nada mais que comida votiva dos terreiros, foi para todas a mesas, e assim por diante. Ia-se completando, agora de modo escancarado, uma retomada da influências africanas na cultura brasileira, a partir dos terreiros de candomblé, que lá pelos anos 20 e 30 já tinha dado à luz, sem dizer exatamente de onde vinha, a música popular brasileira considerada a mais legítima.

 


postado por E. M. Nações Unidas as 17.11.07 # 237 comentários
domingo, 16 setembro, 2007
GALERIA DOS POETAS AFRODESCENDENTES


SOU NEGRO

A Dione Silva

Sou Negro
meus avós foram queimados
pelo sol da África
minh'alma recebeu o batismo dos tambores atabaques, gonguês e agogôs

Contaram-me que meus avós
vieram de Loanda
como mercadoria de baixo preço plantaram cana pro senhor do engenho novo
e fundaram o primeiro Maracatu.

Depois meu avô brigou como um danado nas terras de Zumbi
Era valente como quê
Na capoeira ou na faca
escreveu não leu
o pau comeu
Não foi um pai João
humilde e manso

Mesmo vovó não foi de brincadeira
Na guerra dos Malês
ela se destacou

Na minh'alma ficou
o samba
o batuque
o bamboleio
e o desejo de libertação...

(Solano Trindade)


postado por E. M. Nações Unidas as 16.09.07 # 1 comentários
quarta, 29 agosto, 2007
HISTÓRIAS DE MAMA ÁFRICA - OS GÊMEOS QUE FIZERAM A MORTE DANÇAR


OS GÊMEOS QUE FIZERAM A MORTE DANÇAR

Na velha aldeia de Ifá tudo transcorria normalmente. Todos faziam seu trabalho, as lavouras davam seus bons frutos, os animais procriavam, crianças nasciam fortes e saudáveis.  

Mas um dia, a Morte resolveu concentrar ali sua colheita. Aí tudo começou a dar errado. As lavouras ficaram inférteis, as fontes e correntes de água secaram, o gado e tudo o que era bicho de criação definharam.

Já não havia o que comer e beber. No desespero da difícil sobrevivência, as pessoas se agrediam umas às outras, ninguém se entendia, tudo virava uma guerra. As pessoas começaram a morrer aos montes.

Instalada ali no povoado, a Morte vivia rondando todos, especialmente aspessoas fracas, velhas e doentes. A Morte roubava essas pessoas e as levava para o outro mundo, longe da família e dos amigos.

A Morte tirava a vida delas. Na aldeia morria-se de todas as causas possíveis: de doença, de velhice, e até mesmo ao nascer. Morria-se afogado, envenenado, enfeitiçado. Morria-se por causa de acidentes, maus-tratos e violência. Morria-se de  fome, principalmente de fome. Mas também de tristeza, de saudade e até de amor.

A Morte estava fazendo o seu grande banquete. Havia luto em todas as casas. Todas as famílias choravam seus mortos.  

O rei mandou muitos emissários falar com a malvada, mas a Morte sempre respondia que não fazia acordos. Que ia destruir um por um, sem piedade. Se alguém fosse forte o suficiente para enfrentá-la, que tentasse, mas seu fim seria ainda muito mais sofrido e penoso. Ela mandou dizer ao rei, por fim:

“Para não dizerem que sou muito rabugenta, até concordo em dar uma chance à  aldeia.”

E ria e escarrava ao mesmo tempo, dizendo:

“Basta que uma pessoa me obrigue a fazer o que não quero. Se alguém aqui me fizer agir contra a minha vontade, eu irei embora.”

Depois, cuspindo nos seus interlocutores, completou:

“Mas só vou dar essa oportunidade a uma única pessoa. Não vou dar nem a

duas, nem a três.”

E foi-se embora dali, saboreando antecipadamente mais uma vitória.  

Mas quem se atreveria a enfrentar a Morte? Quem, se os mais bravos guerreiros estavam mortos ou ardiam de febre em suas últimas horas de vida? Quem, se os  mais astutos diplomatas havia muito tinham partido?

Foi então que dois meninos, os Ibejis, os irmãos gêmeos Taió e Caiandê, que os fofoqueiros da cidade diziam ser filhos de Ifá, resolveram pregar uma peça na horrenda criatura.

Antes que toda a aldeia fosse completamente dizimada, eles resolveram dar umbasta aos ataques da Morte. Decidiram os Ibejis:

“Vamos dar um chega-pra-lá nessa fedorenta figura.” 

Os meninos pegaram o tambor mágico, que tocavam como ninguém, e saíram à procura da Morte. Não foi difícil achá-la numa estrada próxima, por onde ela perambulava em busca de mais vítimas. Sua presença era anunciada, do alto, por  um bando de urubus que sobrevoavam a incrível peçonhenta. E o cheiro, ah, o cheiro! A fedentina que a Morte produzia à sua volta faria vomitar até uma estatueta de madeira.

Os meninos se esconderam numa moita e, tapando o nariz com um lenço, esperaram que ela se aproximasse. Não tardou e a Morte foi chegando.

Os irmãos tremeram da cabeça aos pés. Ainda escondidos na moita, só de olhar para ela sentiram como os pêlos dos seus braços se arrepiavam.

A pele era branca, fria e escamosa; o cabelo, sem cor, desgrenhado e quebradiço. Sua boca sem dentes expelia uma baba esbranquiçada e purulenta. Seu hálito era de um fedor tremendo. Mas podia-se dizer que a Morte estava feliz e contente.

Ela estava até cantando! Pudera, tendo ceifado tantas vidas e tendo tantas outras para extinguir. Mas o canto da Morte era tão cavernoso e desafinado que os passarinhos que ainda sobreviviam silenciavam como se fossem mudos brinquedos de pedra.

O canto da Morte, se é que podemos chamar aquele ruído de canto, era tão desconfortável e medonho que os cachorros esqueléticos uivavam feito loucos e os gatos magrelos bufavam e se arrepiavam todos.  

Nesse momento, numa curva do caminho, enquanto um dos irmão ficava escondido, o outro saltou do mato para a estrada, a poucos passos da Morte.

Saltou com seu tambor mágico, que tocava sem cessar, com muito ritmo. Tocava com toda a sua arte, todo o seu vigor. Tocava com determinação e alegria. Tocava bem como nunca tinha tocado antes. A Morte se encantou com  o ritmo do  menino que, com seu passo trôpego, ensaiou um dança sem graça.

E lá foi ela, alegre como  ninguém, dançando atrás do menino e de seu tambor, ele na frente, ela atrás. 

O espetáculo era grotesco, a dança da Morte era, no mínimo, patética. Nem vou contar como foi a cena: cada um que imagine por conta própria. E é bem fácil imaginar.

Bem; lá ia o menino tocador e atrás ia a Morte.

Passou-se uma hora, passou-se outra e mais outra. O menino não fazia nenhuma pausa e a Morte começou a se cansar. O sol já ia alto, os dois seguiam pela estrada afora, e o tambor sem parar, tá tá tatá tá tá tatá.

O dia deu lugar à noite e o tambor sem parar, tá tá tatá tá tá tatá. E assim ia a coisa, madrugada adentro. O menino tocava, a Morte dançava. O menino ia à frente, sempre ligeiro e folgazão.

A Morte seguia atrás, exausta, não agüentando mais. “Pára de tocar, menino,  vamos descansar um pouco”, ela disse mais de uma vez. Ele não parava.

“Pára essa porcaria de tambor, moleque, ou hás de me pagar com a vida”, ela ameaçou mais de uma vez. E ele não parava.

“Pára que eu não agüento mais”, ela implorava. E ele não parava.  

Taió e Caiandê eram gêmeos idênticos. Ninguém sabia diferenciar um do outro, muito menos a Morte, que sempre foi cega e burra. Pois bem, o moleque que a Morte via tocando na estrada sem parar não era sempre o mesmo menino.

Uma hora tocava Taió, enquanto Caiandê seguia por dentro do mato. Outra hora, quando Taió estava cansado, Caiandê, aproveitando um curva da estrada, substituía o irmão no tambor.

Taió entrava no mato e acompanhava a dupla sem se deixar ver. No mato o Irmão que descansava podia fazer xixi, beber a água depositada nas folhas dos arbustos, enganar a fome comendo frutinhas silvestres.

Os gêmeos se revezavam e a música não parava nunca, não parava nem por um minuto sequer. Mas a Morte, coitada, não tinha substituto, não podia parar, nem  descansar, nem um minutinho só.

E o tambor sem cessar, tá tá tatá tá tá tatá. Ela já nem respirava:

“Pára, pára, menino maldito.”

Mas o menino não parava. E assim foi, por dias e dias. Até os urubus já tinham deixado de acompanhar a Morte, preferindo pousar na copa de umas árvores secas. E o tambor sem parar, tá tá tatá tá tá tatá, uma hora Taió, outra hora Caiandê. 

Por fim, não agüentando mais, a aparição gritou:

“Pára com esse tambor maldito e eu faço tudo o que me pedires.”

O menino virou-se para trás e disse:

“Pois então vá embora e deixe a minha aldeia em paz.”

“Aceito”, berrou a nauseabunda, vomitando na estrada.

O menino parou de tocar e ouviu a Morte dizer:

“Ah! que fracasso o meu. Ser vencida por um simples pirralho.” Então ela virou-se e foi embora. Foi para longe do povoado, mas foi se lastimado:

“Eu me odeio. Eu me odeio.”

Só as moscas acompanhavam a Morte, circundando sua cabeça descarnada.

Tocando e dançando, os gêmeos voltaram para a aldeia para dar a boa notícia. Foram recebidos de braços abertos. Todos queriam abraçá-los e beijá-los. Em pouco tempo a vida normal voltou a reinar no povoado, a saúde retornou às  casas e  a alegria reapareceu nas ruas.

Muitas homenagens foram feitas aos valentes Ibejis.  Mesmo depois de transcorrido certo tempo, sempre que Taió e Caiandê passavam  na direção do mercado, havia alguém que comentava:

“Olha os meninos gêmeos que nos salvaram.”

E mais alguém complementava:

“Que a lembrança de sua valentia nunca se apague de nossa memória.”

Ao que alguém acrescentava:

“Mas eles não são a cara do Adivinho?”


postado por E. M. Nações Unidas as 29.08.07 # 0 comentários
quarta, 25 julho, 2007
AS PALAVRAS COMO MEMÓRIA ANCESTRAL - A INFLUÊNCIA AFRICANA NA LÍNGUA PORTUGESA 2


Atividade de Produção Textual selecionada dos alunos Jéssica Maguelli e Paulo Victor da Turma: 604.

A QUIZOMBA DE NHÔ BENTO

Na boteca de Nhô Bento

Ouve-se grande azoeira,

É fuzuê por todo lado:

Cantoria, falatório e brincadeira,

Cheiro gostoso de quitute:

É acarajé, moqueca e guiasado.

A mulata Luanda mexe o tempero

Ao som de um batuque bem brasileiro,

Com o caxixi amarrado na canela,

Mexe, mexe e requebra,

Sem derrubar a caçamba

E sem deixar cair a gamela.

Nhô Bento bate o tambor.

Todo mundo a a roda.

É gente bamba na palma da mão.

A mulata cai no samba

E levanta a poeira do chão.


postado por E. M. Nações Unidas as 25.07.07 # 0 comentários
GALERIA DOS POETAS AFRICANOS 2


POESIA AFRICANA

Lá no horizonte
o fogo
e as silhuetas escuras dos imbondeiros
de braços erguidos
No ar o cheiro verde das palmeiras queimadas

Poesia africana

Na estrada
a fila de carregadores bailundos
gemendo sob o peso da crueira
No quarto
a mulatinha dos olhos meigos
retocando o rosto com rouge e pó de arroz
A mulher debaixo dos panos fartos remexe as ancas
Na cama
o homem insone pensando
em comprar garfos e facas para comer à mesa

No céu o reflexo
do fogo
e as silhuetas dos negros batucando
de braços erguidos
No ar a melodia quente das marimbas

Poesia africana

E na estrada os carregadores
no quarto a mulatinha
na cama o homem insone

Os braseiros consumindo
consumindo
a terra quente dos horizontes em fogo.

Agostinho Neto (Angola)


postado por E. M. Nações Unidas as 25.07.07 # 2 comentários
segunda, 16 julho, 2007
PEQUENA ÁFRICA - DA PEDRA DO SAL À CIDADE DO SAMBA


A Saúde foi o local do Rio de Janeiro onde existiam os mercados de escravos, as "casas de engorda" e toda a infra-estrutura do comércio escravagista nos séculos XVIII e XIX. A Pedra do Sal, que fica no pé do Morro da Conceição, no mesmo bairro, nas cercanias da Praça Mauá, era o local conhecido como “Pequena África” onde os negros eram negociados como escravos logo que desembarcavam no Porto do Rio de Janeiro, vindos da África e da Bahia. Mais tarde, livres, fizeram ali seu ponto para rituais, cultos religiosos, pastoris, batuques e rodas de capoeira. Sambistas e chorões, como João da Baiana, Donga e Pixinguinha também se reuniam na Pedra do Sal.

A Pedra do Sal, assim chamada devido ao sal que ali era desembarcado e comercializado, foi o berço do Samba e do Chorinho carioca no final do século XIX. O ponto de encontro do ritmo carioca era um ambiente recheado de inspirações vivas de grupos de samba, ranchos e grupos carnavalescos.

O Samba nasceu efetivamente dos terreiros da região portuária sob contribuições decisivas das músicas que eram cantadas e, sobretudo, das reuniões ali promovidas. Tendo a cidade sido durante muito tempo o foco das migrações internas do Brasil, o samba beneficiou-se dessa fusão que absorveu durante anos características importantes das manifestações culturais trazidas pelos negros e daqueles nascidos em terras brasileiras como resultado das contribuições africanas, indígenas e portuguesas. Por isso a Saúde é reconhecida como berço da cultura popular carioca.

Dos moradores do lugar destacam-se Machado de Assis, um dos maiores escritores brasileiros, nascido no morro do Livramento e João da Baiana, compositor e percussionista carioca, introdutor do pandeiro no samba.

Nas décadas de 20 e 30, os ranchos de carnaval atingiram o auge. Deixaram de ser a manifestação popular da Pedra do Sal e passaram a fazer sucesso nas camadas mais altas da sociedade.

Foram em bairros como Saúde, Gamboa, Providência e Santo Cristo, que também se originou e se definiu o botequim. O gênero surgiu a partir das antigas "botecas"- pequenos armazéns de secos e molhados em que se encontrava de tudo. Os cariocas costumavam passar pelas "botequinhas" para completar as compras que faziam nas feiras, e aproveitavam para degustar alguns tira-gostos, acompanhados de um vinho. Sem ser restaurantes, essas casas, uma mistura de armazém e bar, criaram um estilo que sobrevive em todo o país, com alguns exemplares autênticos remanescentes dos velhos tempos.

Embora situados a muito poucos minutos do burburinho da Praça Mauá, da Central do Brasil e da Avenida Rio Branco, um dos maiores eixos de circulação do centro da cidade do Rio de Janeiro, os bairros da Saúde, Gamboa, Providência e Santo Cristo refletem, pela vida de sua população, uma significativa distância comportamental do restante da cidade, revelada em hábitos, padrões de comportamento e formas de uso do espaço público não mais encontrados no restante da cidade. A imagem cultural do local é preservada e transmitida pela permanência das festas coletivas, das cadeiras nas calçadas e das conversas nos fins de tarde.

O reconhecimento da Pedra do Sal como patrimônio cultural do Estado do Rio de Janeiro e o seu conseqüente tombamento permite que se compreenda que este local tem herança cultural ancestral de grande importância para a cultura negra carioca que lá, hoje, fez despontar todo encanto e magia da Cidade do Samba e do carnaval do Rio de Janeiro.


postado por E. M. Nações Unidas as 16.07.07 # 0 comentários
quarta, 04 julho, 2007
AS ÁFRICAS QUE COLOREM A CULTURA DO BRASIL 7


A CAPOEIRA NÃO É BRINCADEIRA

O Brasil a partir do século XVI foi palco de uma das maiores violências contra um povo. Mais de dois milhões de negros foram trazidos da África, pelos colonizadores portugueses, para se tornarem escravos nas lavouras da cana-de-açúcar.Tribos inteiras foram subjugadas e obrigadas a cruzar o oceano como animais em grandes galeotas chamadas de navios negreiros. Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro foram os portos finais da maior parte desse tráfico. Ao contrário do que muitos pensam, os negros não aceitavam pacificamente o cativeiro; a história brasileira está cheia de episódios onde os escravos se rebelaram contra a humilhante situação em que se encontravam. A cultura africana sofre modificações face à nova realidade. Os escravos foram se rebelando e criando formas de resistência como os quilombos; comunidades organizadas pelos negros fugitivos, em locais de difícil acesso. Geralmente em pontos altos das matas. O maior desses quilombos estabeleceu-se em Permambuco no século XVII, numa região conhecida como Palmares. Lá uma espécie de Estado africano foi formado com pequenas povoações chamadas mocambos e com uma hierarquia onde no ápice encontrava-se o rei Ganga-Zumbi. Palmares pode ter sido o berço das primeiras manifestações de uma luta de defesa pessoal em forma de dança - a Capoeira – herança dos negros bantos de Angola que lá viveram.

Desenvolvida para ser uma defesa, a Capoeira foi sendo ensinada aos negros ainda cativos, por aqueles que eram capturados e voltavam aos engenhos. Para não levantar suspeitas, os movimentos da luta foram sendo adaptados às cantorias e aos ritmos das músicas africanas para que parecessem uma dança e para que se preservasse a herança banto. Assim, como no Candomblé, cercada de segredos, a Capoeira ganhou a malícia dos escravos de "ganho" e dos freqüentadores da zona portuária. Na Cidade de Salvador, capoeiristas organizados em bandos provocavam arruaças nas festas populares e reforçavam o caráter marginal da luta. Símbolo de Identidade, solidariedade e resistência durante décadas, a Capoeira foi perseguida e proibida no Brasil. A liberação da sua prática deu-se apenas na década de 30, quando uma variação da Capoeira (mais para o esporte do que manifestação cultural) foi apresentada ao então presidente, Getúlio Vargas que a considerou uma modalidade esportiva brasileira.

A capoeira possui três estilos que se diferenciam nos movimentos e no ritmo musical de acompanhamento. O estilo mais antigo, criado na época da escravidão, é a capoeira angola. As principais características deste estilo são: ritmo musical lento, golpes jogados mais baixos (próximos ao solo) e muita malícia. O estilo regional caracteriza-se pela mistura da malícia da capoeira angola com o jogo rápido de movimentos, ao som do berimbau e do caxixi. Os golpes são rápidos e secos, sendo que as acrobacias não são utilizadas. Já o terceiro tipo de capoeira é o contemporâneo, que une um pouco dos dois primeiros estilos. Este último estilo de capoeira é o mais praticado na atualidade.


postado por E. M. Nações Unidas as 04.07.07 # 0 comentários
segunda, 02 julho, 2007
BRASIL - UMA ALMA DE REALEZA E CULTURA AFRODESCENDENTE ABENÇOADA PELOS DEUSES


O costume de se escravizar seres humanos já era antigo, e já existia na África, entre nações africanas inimigas. Os exploradores espanhóis e lusitanos aderiram ao costume, vendo nele um negócio lucrativo para a economia européia durante a colonização. Na África, homens e mulheres, crianças, antes livres; guerreiros, artesãos, caçadores, príncipes e reis e soberanos africanos, eram capturados, por ataques planejados, acorrentados e embarcados nos porões dos tumbeiros para o Novo Mundo. Eram trazidos do Sudão, de Serra Leoa, da Guiné, da Costa do Marfim, da Nigéria, do Congo, de Angola, de Moçambique. Eram etnias diferentes, pessoas que falavam línguas diferentes, que tinham costumes diferentes e que adoravam deuses diferentes. Durante 400 anos, toda a economia do Brasil foi sustentada pelo trabalho escravo. Os maus tratos e a noção de que tais pessoas eram menos do que humanas eram a regra. Todavia, aos poucos, a Alma Africana foi se fundindo com a Alma luso-indígena, tanto em termos culturais, quanto em termos biológicos. Surgiu então uma cultura brejeira e houve um tempo em que a população negra e mulata do Brasil era quase três vezes superior à população mais nitidamente caucasiana. Era a afrodescendência formando a base étnico-cultural do Brasil. O ritmo musical africano, alegre e lúdico, produziu uma infinidade de formas artísticas brasileiras, antes não existentes na África. A culinária sagrada africana, toda ela voltada para os deuses, para os Orixás, entidades dos elementos e forças criadoras-ancestrais, tornou-se profana e se somou à culinária indígena do milho, da mandioca e do peixe, produzindo iguarias gastronômicas inigualáveis. A influência africana produziu ainda modificações mais acentuadas na língua nativa, criando uma forma de português tupinizado e africanizado peculiar ao Brasil. Todo brasileiro nativo tem, na cor da sua pele, e na sua ginga corporal ou mental, a presença indisfarçável de nossos ancestrais negros. O folclore, as artes, a literatura, a forma poética de falar, a postura física, a morenice, o suingue, a tendência carinhosa e informal de falar empregando diminutivos, tudo isto é o pedaço africano da nossa Alma Brasileira, algo que está totalmente enraizado em nosso corpo etérico, por destino dos Deuses. Nossa alma africana nos ensina, por exemplo, a dignidade e a alegria mesmo diante do sofrimento e do preconceito.


postado por E. M. Nações Unidas as 02.07.07 # 0 comentários
ÁFRICA - CELEIRO DE REALEZA, AVENTURAS E CONQUISTAS 4


Rei de Songhay (1464 - 1492)
Quando Sunni Ali Ber chegou ao poder, Songhay era um pequeno reino no Sudão ocidental. Mas durante seu reinado de vinte e oito anos, esse reino se transformou no maior e mais poderoso império da África Ocidental. Sunni Ali Ber organizou um exército notável e com esta força feroz, o rei guerreiro ganhou várias batalhas. Ele derrotou os nômades, aumentou as rotas de comércio, conquistou aldeias, e ampliou seu domínio. Ele capturou Timbuktu, trazendo para o império de Songhay um centro mais amplo de cultura de comércio, e bolsa de estudos muçulmano.


postado por E. M. Nações Unidas as 02.07.07 # 0 comentários
quinta, 28 junho, 2007
A CULTURA DO HIP-HOP


A cultura Hip-Hop é formada pelos seguintes elementos: O rap, o graffiti e o break.

Rap - rhythm and poetry, ou seja, ritmo e poesia, que é a expressão musical-verbal da cultura negra da periferia.

Graffiti - que representa a arte plástica, expressa por desenhos coloridos feitos por graffiteiros, nas ruas das cidades espalhadas pelo mundo.

Break Dance - que representa a dança e a expressão do corpo. Os três elementos juntos compõe a cultura hip-hop.

O termo hip hop, alguns dizem que foi criado em meados de 1968 por Afrika Bambaataa. Ele teria se inspirado em dois movimentos cíclicos, ou seja, um deles estava na forma pela qual se transmitia a cultura negra dos guetos americanos, a outra estava justamente na forma de dançar popular na época, que era saltar (hop) movimentando os quadris (hip)...

Se existe alguém responsável pela criação da música Break Beat, foram Kool D.J. Herc, Afrika Bambaataa e Grand Master Flash, os que vieram depois só ajudaram a construir o que chamamos de HIP-HOP.

O RAP:

Como já disse anteriormente rap quer dizer ritmo e poesia. Ao contrário de que muitos pensam e dizem por aí, o rap foi criado na Jamaica e não nos Estados Unidos... Por volta de 1960 na Jamaica existiam os "sound systems" muitos populares na ilha, pois sem dinheiro a população dos guetos ia para as ruas e ficava escutando músicas nesses "sound systems" que eram na época algo como hoje em dia é um trio elétrico para nós aqui, só que em escalas bem menores...Daí então com as músicas com ritmos jamaicanos rolando os "toaster" que eram como os mc's (mestre de cerimônias de hoje) ficavam falando frases e discursos sobre as carências da população, os problemas econômicos, a violência nas favelas, enfim sobre a dificuldade em geral da classe baixa dos guetos.

A ida desta nova forma de música para América até então, aconteceu no início de 1970, pois vários jamaicanos tiveram que deixar a ilha do Caribe e emigrarem para a América por problemas econômicos e políticos, trazendo em sua bagagem toda a sua experiência naquele ritmo dos guetos da Jamaica. Daí então com a divulgação do novo estilo de se fazer música até então, desconhecido por lá, começou a surgir grupos de rap por todo gueto de NY.

 O GRAFFITI:

O graffiti em si não há uma citação na história do hip-hop onde ele começou primeiro, ou de que forma foram criadas letras e formas de se desenhar, mas há quem diga que ele foi o primeiro elemento a ser formado. Naquela época, gangues disputavam demarcando becos, muros e trens com seus nomes. Aos poucos a demarcação foi tomando segundo plano para uma verdadeira e nova forma de expressão artística, onde garotos com seus elementos futuristas ditavam novos estilos com o bico do ‘spray’.

 O HIP HOP NO BRASIL

O nome HIP HOP surgiu no Brasil na década de 80. Ainda não existiam movimentos que retratavam exatamente o fundamento, o significado na íntegra desta cultura, porque todo aquele povo da época (a grande maioria) desconhecia este nome HIP HOP. O que na época foi propagado e muito na mídia, era a febre chamada BREAK DANCE.

Break era a dança do momento na época, que jamais deixou de ser um elemento importantíssimo e imprescindível para o crescimento do movimento no Brasil.

Sendo assim: 1984, foi o ano oficial da chegada da Dança de Rua no Brasil e o surgimento dos B.Boyings, Poppings e Lockings.

Dizem que existiram pessoas isoladas que já começaram a dançar em meados de 1983, mas foi mesmo em 1984 que a mídia, através dos jornais, documentários, revistas, comerciais de TV e filmes que propagou em massa a chegada da nova dança.

Em todos os lugares via-se pessoas com roupas coloridas, óculos escuros, tênis de botinha, luvas, bonés e um enorme rádio gravador mostrando os primeiros passos, do que se tornaria mais tarde uma cultura bem mais complexa. São os chamados rappers.

Na terra brasilis o hip hop na década de 80, contou também com as equipes de Som, estilo black music, como: Chic Show, Black Mad e Zimbabwe e algumas revistas. E é claro dos discos que apareciam na galeria da rua 24 de maio, com o intuito de divulgar o movimento da cultura musical das ruas e da periferia.

Os 4 elementos do Hip Hop são:

- O BREAK: representa o corpo através da dança;

- O MC : a consciência, o cérebro;

- O DJ: a alma, essência e raiz;

- O GRAFFITI: a expressão da arte, o meio de comunicação...

 


postado por E. M. Nações Unidas as 28.06.07 # 22 comentários
quarta, 27 junho, 2007
FUNK, HIP-HOP & RAP – O RITMO DA CULTURA NEGRA DA PERIFERIA NA CONSTRUÇÃO DE SUA REAL IDENTIDADE


Neste início de século, podemos observar que a juventude vem buscando, cada vez mais, na linguagem simbólica, a principal e mais evidente forma de comunicação e expressão de seus sentimentos; tal está presente na maneira com que expressam seus comportamentos e se posicionam diante de si mesmos e da sociedade.

Esse fenômeno é claramente constatado na cultura negra das ruas, nas escolas ou nos locais onde os jovens se reúnem em busca de diferentes expressões culturais de interesse, como a música, a dança, a moda, o teatro, etc; e se tornam visíveis, através do corpo, dos estilos de roupas e de sua linguagem.

É esse jovem que busca no mundo um espaço privilegiado de práticas, representações, símbolos e rituais para que possam demarcar a sua real IDENTIDADE.

Longe do olhar de reprovação de uma sociedade preconceituosa, esses jovens, principalmente os de afrodescendência, querem atuar como verdadeiros protagonistas no seu próprio meio, construindo uma IDENTIDADE de si mesmos, dos seus grupos e do mundo que os cerca.

Nesse contexto, a música, especificamente nos estilos RAP, FUNK e HIP-HOP, é a atividade que tem um papel importante na construção destes jovens como cidadãos, pois os envolve e os mobiliza. Muitos deles formam grupos musicais das mais variadas tendências, estabelendo e vivenciando trocas de experiências, divertindo, criando, enfim, descobrindo os segredos de ser jovens capazes de mobilizar os recursos culturais da sociedade atual.

Este fenômeno não é privilégio apenas entre os jovens de classe favorecida.

Nas periferias, constatamos uma grande onda cultural protagonizada por muitos grupos dos setores juvenis. Ao contrário da imagem preconceiotuosa criada pela sociedade a respeito dos jovens pobres e negros, nuitas das vezes relacionada à questão da violência e da marginalidade, eles também se posicionam como produtores culturais. Entre eles, a música é o principal produto de consumo e, a partir dela, constroem a sua IDENTIDADE e os seus valores como jovem, negro e pobre, querendo, assim conquistar, sem qualquer tipo de exclusão ou preconceito, o seu espaço e a sua cidadania.


postado por E. M. Nações Unidas as 27.06.07 # 0 comentários
domingo, 13 maio, 2007
13 DE MAIO COM MUITO AXÉ - SALVE OS PRETOS-VELHOS DE ZAMBI! SALVE ANGOLA! SALVE A GUINÉ!


Dia de Preto-Velho

“Nêgo está moiado de suó, mas tá feliz porque Deus o liberto (bis); Ô sinhá, sinhá, segura a chibata num deixa batê, faz uma prece prá nêgo morrê, nêgo num qué mais sofrê (bis)”.

O dia 13 de maio vem celebrar louvação aos Pretos-Velhos que são espíritos de velhos africanos ou descendentes destes que viveram nas senzalas e, como escravos, morreram no tronco ou de velhice.

Pretos-Velhos têm grande importância na preservação da cultura de afrodescendência porque são eles que mantém a herança da tradição oral, da culinária e da medicina rústica aliada ao misticismo - receitando auxílios, remédios e tratamentos caseiros para os males do corpo e da alma. Sábios, ternos e pacientes, dão o amor, a fé e a esperança aos "seus filhos". A despeito de sua idade avançada tiveram, o poder e o segredo de viver longamente, apesar da rudeza do cativeiro demonstrando qualidades insuperáveis para suportar as agruras da vida, conseqüentemente são espíritos guias de elevada sabedoria, trazendo esperança e quietude aos anseios da consulência que os procuram para amenizar suas dores; são mandingueiros poderosos, com seu olhar perscrutador sentados em seu banquinho, fumando seu cachimbo, benzendo com seu ramo de arruda, aspergindo sua água fluidificada, assim demandam contra o baixo astral para aniquilar os perigosos kiumbas. 

São os Mestres da sabedoria e da humildade. Através de suas várias experiências, em inúmeras vidas, entenderam que somente o Amor constrói e une a todos, que a matéria nos permite existir e vivenciar fatos e sensações, mas que a mesma não existe por sí só, nós é que a criamos para estas experiências, e que a realidade é o espírito. Com humildade, apesar de imensa sabedoria, nos auxiliam nesta busca, com conselhos e vibrações de amor incondicional. Também são Mestres dos elementos da natureza, a qual utilizam em suas benzeduras.


postado por E. M. Nações Unidas as 13.05.07 # 21 comentários
sábado, 05 maio, 2007
A CULTURA DOS VODUNS


A palavra vodum é de origem Ewe/Fon (Jeje) e significa força divina, espírito, força espiritual. É usada pelo povo do oeste da África para designar os deuses e ancestrais divinizados.
No século XVIII o rei Agajá de Dahomé consolidou as crenças de vários clãs e aldeias, formando uma “sociedade espiritual dos Voduns”onde pessoas especiais eram preparadas para ler oráculos e fazer fórmulas mágicas usando elementos da flora, da fauna e do reino mineral.
Quando foi estabelecido o grande reino de Dahomé, lá não existia o culto de Voduns. Nessa época, o atual rei sentia a necessidade de uma assistência espiritual que o ajudasse a combater os problemas que atormentavam o seu reino e o seu povo. Solicitou, portanto, a presença de  um bokono (adivinho) e pediu que esse consultasse os oráculos.
A conselho dos oráculos mandou vir de diversas regiões os Voduns e construiu seus templos. Com isso Dahomé passou a sitiar diversos clãs e aldeias de Voduns. Anos mais tarde, o rei Agajá fez a consolidação, como já foi dito.
No período do tráfico negreiro, muitos daomeanos foram levados para o Novo Mundo e com eles a cultura e o rito dos Voduns.
Os Voduns cultuados no Brasil são originários da África, sua práticas e tradições se mantiveram intactas como era no Dahomé (hojel Benin) desde o começo dos tempos.
Com a escravidão, a nação Jeje sofreu baixa quanto a preservação de sua cultura. Os mais antigos preferiram levar para o túmulo seus conhecimentos a passá-los aos que poderiam perpetuar os Voduns no Brasil.
Dos filhos de Jeje que ficaram perdidos, sem conhecimento sobre Voduns, uns mudaram de nação e outros resolveram investigar, buscar, pesquisar suas origens, identidade e levantar a bandeira da nação.
Hoje, graças a essas pessoas, a nação Jeje voltou a crescer e a seguir a cultura que foi deixada pelos escravos. Hoje, encontramos kwes e pessoas que realmente sabem o Culto dos Voduns, esses aprenderam a passar seus conhecimentos e não deixar que sua cultura se perca.
E uma coisa que se deve aprender é a diferença entre Voduns e Orixás - Vodum é Vodum, Orixá é Orixá; Oya não é Vodum Jô. Aziri não é Oxum, Naetê não é Yemanja, etc.
Assim como na África, também no Brasil, os Orixás são cultuados dentro dos templos de Vodum, mas isso não os transforma em Voduns, eles são considerados deuses estrangeiros e são tão respeitados e venerados quanto os Voduns. Não existe discriminação nenhuma em relação aos dois tipos de divindades (Voduns/Orixás). Em templos de Orixás, também encontramos Voduns feitos, a única diferença é que no Jeje, não mudamos os nomes dos Orixás onde Oya, Yansã são conhecida exatamente como Oya, Yansã. Já os Voduns em templos de Orixás mudam de nome, por exemplo, Vodum Dan/Bessen recebe o nome de Oxumarê, Sakpata recebe o nome de Obaluaê, etc. Esse diferença também é registrada na Nigéria, então, não é “coisa de brasileiro”.
Os Voduns são agrupados por famílias; Savaluno, Dambirá, Davice, Hevioso; que se subdividem em linhagens.
A sociedade daomeana é patrilinear e polígena, isto é, dá-se por linha paterna; o homem é casado com diversas mulheres. A sociedade organiza-se em sibs, grupos de irmãos que têm a mesma mãe e o mesmo pai, sem base territorial própria e subdividem-se em famílias.
No Brasil, as casas de santo cultuam todas as famílias, porém, os Voduns são interligados entre si com comportamentos, costumes, gostos e atitudes sempre gerados pelo ancestre ou chefe de da casa.
O Brasil herdou vastos panteões de divindades que ficaram regionalizados de maneira que somente alguns Voduns tiveram domínio nacional.

postado por E. M. Nações Unidas as 05.05.07 # 21 comentários
quinta, 03 maio, 2007
BELEZA ÉTNICA - A EXUBERÂNCIA AFRICANA


Mesmo sendo pouco conhecido, o continente africano é sem dúvida um dos mais belos do planeta.
A exuberância se faz presente no vestuário típico de algumas regiões por meio de roupas com cores, digamos, pouco discretas.

Cores fortes ou em tons pastéis ou terracota, turbantes, tranças, bijouterias grandes confeccionadas com sementes, cascas de árvore, contas coloridas,  ossos ou metal e muita exuberância nos penteados marcam o jeito de se vestir africano.

Se o continente é quente, os tons do vestuário acompanham o clima com as cores fortes e vibrantes estampadas na grande diversidade de padronagem de tecidos  misturadas à beleza natural da terra e do povo africano.


postado por E. M. Nações Unidas as 03.05.07 # 0 comentários
terça, 23 janeiro, 2007
A ÁFRICA NO CARNAVAL 2007 - "Odoyá, Iemanjá; Saluba, Nanã; Eparrê, Oyá; Oraye Yê o, Oxum; Oba Xi, Obá"


“Candaces”

“Falar de Candace... É preciso olhar pra trás para ir pra frente. Porque atrás de nós tem um espelho e é nele que está nossa cara verdadeira. Nosso espelho é um espelho de Rainhas. Rainhas-Mães, Rainhas Guerreiras. Candaces. Somos herdeiros dessas Rainhas, temos a fala de nossos ancestrais”. (Trecho da peça Candaces – A Reconstrução do Fogo)

A partir desta inspiração inicial, o Salgueiro vem desvendar em seu enredo a história das Candaces, dinastia de rainhas da África Oriental que comandaram, antes da era cristã, um dos mais prósperos impérios do continente.

Mais do que uma linhagem de rainhas, Candace torna-se um conceito, através do qual a força da mulher negra se faz presente em lutas, conquistas e no legado matriarcal que venceu o tempo e as distâncias.

Baseados em mitos e episódios históricos, vimos reverenciá-las na forma mais viva de manifestação cultural do nosso país. Pedimos licença, bênção e proteção para apresentar a saga de mulheres africanas e afro-descendentes que mantêm em comum o laço de soberania real e espiritual sobre seus povos, estabelecendo um elo imaginário de ascendência e descendência com as rainhas Candaces, personagens centrais do nosso enredo.

As Mães Feiticeiras

Do grande continente africano trazemos não só a origem, mas também toda uma crença ancestral que exalta a figura feminina como a grande provedora que principiou a vida do Homem.

Um desses mitos conta que no início de tudo, ligadas às origens da Terra, havia as Mães Feiticeiras. Donas do destino da humanidade, elas eram o ventre do mundo. Conhecedoras dos segredos da vida, continham em si a capacidade de manipular os opostos e, assim, manter o equilíbrio do universo. Traziam consigo a força criadora e criativa do planeta. Raízes de um misticismo que abrigava em sua sabedoria a dualidade do cosmos, detinham o poder sobre a vida e a morte, o bem e o mal, o amor e a cólera, o princípio e o fim.

As Ascendentes Candaces

Do mito à história, através do exemplo de duas grandes rainhas da Antigüidade, exaltamos o comando de mulheres negras sobre seus povos. Assim, evocamos a primeira ascendente Candace: Mekeda, ou Rainha de Sabá.

Reino das mil fragrâncias, confluência das culturas árabe e africana. Sabá era uma terra rica e mantinha uma sociedade matrilinear, em que o poder era passado aos descendentes pela via feminina. Ali viveu a exuberante Rainha Negra. Atraída pela fama de riqueza e sabedoria que envolvia Salomão, o rei dos judeus, Mekeda adentrou Jerusalém com uma comitiva de camelos, levando uma infinidade de aromas e grande quantidade de ouro e pedras preciosas. Desse encontro nasceu a reverência à mulher que cativou com beleza, inteligência e diplomacia um dos soberanos mais importantes de sua época.

Do Oriente, rumo ao império dos faraós, surge mais um exemplo do poder feminino negro. Nefertiti reinou no Egito por mais de uma década durante o apogeu de uma civilização que iria influenciar toda a humanidade. Reverenciada por sua beleza, governou ao lado de Amenófis IV (Akhenaton) com status equivalente ao dele. Juntos, implementaram reformas culturais e religiosas, dentre elas o culto ao Deus Sol Aton. Foi imortalizada em templos mais do que qualquer outra rainha egípcia.

Candaces

Ao sul do Egito, banhado pelo Nilo, havia o Império Meroe. Era governado por uma dinastia de soberanas negras que exerciam o poder civil e militar. Imortalizadas pela história como Candaces, estas bravas guerreiras nasceram sob o signo da coragem para ocupar posição de poder e prestígio. Numa forma de conexão com as tradições matriarcais da África, reinavam sobre seu povo por direito próprio, e não da qualidade de esposas.

Viviam o apogeu de uma era de esplendor e fartura, abençoadas pelo grande rio e impulsionadas pelo comércio com o Oriente Médio. A localização do império permitia um intenso intercâmbio com outros povos – hebreus, assírios, persas, gregos e indianos. Em suas terras, ricas em ferro e metais preciosos, ergueram-se pirâmides e fortalezas.

Seus exércitos usavam armas de ferro e cavalaria, ferramentas e habilidades herdadas dos povos núbios, que lhes davam vantagem no campo de batalha. A idolatria daquela civilização pelos cavalos era tanta que estes animais eram enterrados junto com seus guerreiros, para serví-los por toda a eternidade. Esta imagem, misto de homem e cavalo, alcançou a Grécia, inspirando o surgimento da figura mitológica do Centauro. Na religião, cultuavam Apedemek, Deus da guerra e da vitória, representado por um homem com cabeça de leão.

A prosperidade de Meroe, que deu prosseguimento ao domínio Núbio na região, atraiu a ira dos senhores do mundo, o Império Romano. Aqui tem início o episódio que marcou a história das Candaces.

Líderes de um movimento de resistência contra o poderio bélico dos invasores, enfrentaram o forte exército, aliando técnicas de guerrilha e diplomacia. Uniram seu povo na luta contra o jugo romano movidas pela sede de justiça e liberdade.

Após a invasão de Petronius, a Rainha Candace esperou que as tropas do general adormecessem e os surpreendeu com um ataque. Este movimento abriu a possibilidade para uma negociação diplomática, comandada pela soberana negra. O resultado foi a retirada dos soldados romanos e a demarcação do território de Meroe, devolvendo a paz ao seu povo. Assim foi escrito o mais importante episódio que marcou a nobre dinastia de guerreiras naquele império africano.

Mas os exemplos de comando e resistência de bravas negras continuaram a florescer por outras eras e civilizações. Para além de seus próprios domínios, emergiu a saga das Candaces, Rainhas-Mães que se fizeram deusas, reinando na crença de suas descendentes espalhadas pela Terra, porta-vozes da sua luta por toda a história.

As Descendentes

Várias luas se ergueram e se puseram no céu do continente negro. Um dia, rainhas e princesas de tribos e reinos se viram obrigadas ao trabalho forçado no novo mundo. Mas foi ali que fizeram multiplicar o sangue Candace. Em uma terra tão distante, ligadas ao passado, mulheres negras geraram o valor da bravura herdade de suas ancestrais.

A palavra liberdade ganhou um significado mítico no Brasil, dando um novo sentido à vida levada entre a clausura e o trabalho forçado. A bravura da dinastia Candace foi eternizada pela tradição oral africana, que tratou de espalhar aos quatro cantos os grandes feitos das suas soberanas, inspirando a luta de guerreiras que subverteram a força dos seus senhores e lutaram pela liberdade.

Para elas, ser livre era também reverenciar seus costumes, reviver o passado soberano, encenar a memória dos seus antepassados. Em folguedos, foram eternizadas na glória real da corte negra. No novo continente, há o despertar para o misticismo trazido do outro lado do Atlântico. A construção da identidade africana no Brasil encontra nas celebrações e ritos toda uma reverência à mulher como mediadora entre os deuses e a humanidade.

Na Bahia, as escravas ganhadeiras vendiam o excedente de produção em feiras e mercados como em sua terra natal. O lucro era poupado para comprar suas alforrias e a dos maridos, tornando-as mulheres com voz ativa.

No chão brasileiro, era revivida a tradição das feiras iorubanas, um espaço não só para trocas de mercadorias, mas também para trocas simbólicas. A mulher concentrava o poder de fechar negócios, disseminar notícias, modas, receitas, músicas, e, sobretudo, aconselhar.

Assim, tornaram-se as grandes mães negras, sacerdotisas que tiveram suprimido o poder real na África, mas que passaram a exercer o poder espiritual no novo mundo.

Os elos entre arte e religião se tornaram mais fortes. As mães de santo se transformavam em mães de samba. Tia Ciata, a mais conhecida, era respeitada por sua sabedoria religiosa. Celebrava os orixás em cerimônias em sua própria casa, que sucediam festas regadas a muita música, batuques e quitutes. Um misto de consagração da música e dos deuses afro-brasileiros.

Salve as Candaces do Candomblé, evocadas na saudação às entidades femininas.

Odoyá, Iemanjá!, rainha das águas do mar;
Saluba, Nanã!, deusa da Terra;
Eparrei, Iansã!, senhora dos raios;
Orayê-yê o, Oxum!, guardiã da beleza e do amor;
Oba-xi, Obá!, senhora das águas revoltas.

Celebração de religião e do puro prazer de dar ao corpo o gingado malemolente, fruto da persistência destas rainhas, sacerdotisas, baianas, pastoras, mães negras do carnaval.

A Imortalidade

Mulher. Negra. Gênero e raça. São as Candaces dos nossos dias, herdeiras do laço afro e da missão de semear esperança na Terra. Provedoras da força que nos acompanha desde os primeiros passos. Detentoras do relicário da arte em prol do coletivo.

Majestade, soberana, guardiã da sagrada chama da vida, dona do carnaval. Derrama teu talento ao interpretar a história da raça; enfeitiça os sentidos com tua beleza negra, libertando corpo e alma. Eleva-te ao panteon das matriarcas ancestrais da África e invoca a Candace dentro de ti. Resgata a força feminina das guerreiras imortais, Rainhas-Mães de todos os tempos, para abençoar e iluminar teus filhos, emanando o Axé, poder vital da bondade e do afeto, energia que comanda o mundo.

Hoje, recontamos as glórias de quem um dia cumpriu seu destino e fez história, revivida sempre que alguém invocar teu nome. Salve as Candaces! Raça e gênero num só coração.

Renato Lage, Márcia Lavia e Diretoria Cultural

LETRA DO SAMBA-ENREDO

CANDACES

Majestosa África
Berço dos meus ancestrais
Reflete no espelho da vida
A saga das negras e seus ideais
Mães feiticeiras, donas do destino...
Senhoras do ventre do mundo
Raiz da criação
Do mito a história
Encanto e beleza
Seduzindo a realeza

Candaces mulheres, guerreiras.
Na luta... Justiça e liberdade
Rainhas soberanas
Florescendo pra eternidade


Novo mundo, novos tempos.
O suor da escravidão
A bravura persistiu
Aportaram em nosso chão
Na Bahia... Alforria
Nas feiras tradição
Mães de santo, mães do samba!
Pedem proteção
E nesse canto de fé
Salgueiro traz o axé
E faz a louvação

Odoyá Iemanjá; Saluba Nanã!
Eparrei Oyá;
Orayê Yê o, Oxum!
Oba Xi Obá.

Ouça um trecho do samba. Acesse:

www.salgueiro.com.br


postado por E. M. Nações Unidas as 23.01.07 # 3 comentários
quarta, 10 janeiro, 2007
A ÁFRICA NO CARNAVAL 2007 - "SOU QUILOMBOLA, BEIJA-FLOR"


"ÁFRICAS: DO BERÇO REAL À CORTE BRASILIANA"

INTRODUÇÃO

Celebrar a África é, acima de tudo, um momento de memória, o resgate da herança que vem reafirmar o nosso compromisso genético.
É um instante precioso, de lembrança ao povo brasileiro mestiço, esse povo brasileiro que é também africano.
É uma exaltação a todos que viveram o horror do cativeiro, mas que não deixaram aprisionar o espírito, a alma africana, a fibra que une o indivíduo à ancestralidade.
O objetivo, porém, foge da narrativa do sofrimento vivido nas terras de escravidão; o avesso dessa história vem coroar a majestade africana.
Falamos não apenas de uma África, este enredo faz emergir muitas Áfricas, cacos de um mesmo pote que na diáspora ocorrida nas travessias dos tumbeiros, vieram se espalhar pelo novo mundo e que nessas terras de exílio, os filhos e filhas da África-Mãe tiveram que colar, juntando fragmentos das suas e de outras Áfricas originárias, pincelando com tintas e vernizes dessa nova terra, criando assim novos potes, novas Áfricas.
Assim como quartinhas, nelas foram guardando suas identidades tribais, suas crenças, costumes, lembranças, ferramentas da reconstrução de suas humanidades.
Mostramos em desfile a África-Mãe e sua gênese, a realidade e a realeza e outras tantas Áfricas realizadas, onde, de uma forma ou de outra, existiram reis e príncipes, rainhas e princesas, de reinados e reisados, de cortes e cortejos.
Por isso, a Beija-Flor que é, uma entre tantas outras pequenas Áfricas, vem tecer o fio da memória, evocando sua ancestralidade para unir dois mundos: - A África real e a Corte Brasiliana.

SINOPSE

Voa Beija-Flor em seu sonho alado, a cintilar na imensidão do universo de Olorum e faz rufar tambores ancestrais, explodindo em luz como sopro divino da mágica da criação. E no espaço disperso, abrindo caminhos de Legbará, no vento, nos leva na viagem do tempo ao berço real da humanidade, Baobá da vida no esplendor de seu despertar.
Resplandece qual visão aos olhos do imenso infinito e traz Oduduá, iluminado mito, unindo quatro elementos para dar forma e movimento a obra de Obatalá. Da vida em transformação, faz surgir o mundo, a África, a majestade viva, fervilhante dádiva, diva sob o sol dourado coroada de poder e nobreza, soberana mítica e mística altiva alteza, coberta pelo manto ébano da noite, na pele negra de seus filhos e com a cabeça erguida, ungida do axé dos orixás.
Hoje o samba vem mostrar seu legado e faz do pranto lembranças distantes, das lágrimas, pérolas e diamantes, do sofrimento e da resistência, o seu rico tesouro.
Vem transformar o banzo, o sentimento acorrentado num elo forte de ouro, uma aliança com Aruanda, da trajetória dos tumbeiros, criar uma odisséia de bravura de quem venceu o inferno mar, na travessia da Calunga levar uma oferenda como quem se entrega ao destino no doce abraço de Iemanjá e no violento jogo do oceano, uma dança a cada onda, vislumbrando no horizonte a esperança de outra África por encontrar.
Que se abram os braços do Brasil, os portões das senzalas, pequenas Áfricas de quintais; que se iluminem os terreiros à luz da “Lua de Luanda” para reinarem na noite seus bravos guerreiros que sob o braço do açoite não se curvaram jamais. Que se torne a luta pela liberdade, a volta por cima da capoeira e que o ferro que marca e fere, forje a África brasileira.
Ave Bahia! Na graça de todos os santos da África pois o sangue e o suor te fazem sagrada e as correntes do cativeiro te bordam um manto de fé, com a nobreza de princesa de Nação Nagô, de alma africana livre, embalando o berço do Candomblé.
Que se faça aportar Mina Jeje à Cidade dos Azulejos, tão azuis quanto as águas profundas desse grande mar, Agoê revolto que separa as terras de Agongolo, dessa África de cá. Que faça morada dos espíritos, dos tambores da noite e da realeza de Daomé, que seja o trono místico da escrava-rainha, essa ilha África imaginária, a terra da encantaria, dos Voduns, da feitiçaria, das divindades da terra e do ar. O gomé do gentio, a corte do além, impregnada de magia e transbordada de fé.
Que venha nos mostrar as trilhas ocultadas nas brenhas das matas dos “Cafundós” do Brasil, os caminhos de determinação e coragem, da fuga para a libertação. Ser mais um quilombola guerreiro nas Áfricas deste sertão, formando assim um grande exército, uma livre nação, guardiã de Zumbi dos Palmares, anjo negro, rei da luta e rompimento, consciência e razão.
Louvado seja “Galanga do Congo”, negro Francisco, Chico-Rei, escravo das minas dessa Vila África, Rica. Que o ouro guardado em seus cabelos venha coroar de fato a sua africana realeza e que ele venha dourar também a liberdade de tantos irmãos de seu sangue nobre, que o pranto derramado no templo da escravidão se transforme em rosário de lágrimas de alegria ao lavar suas almas com a consciência negra, o orgulho, sua eterna alforria.
Abençoado se torne esse novo mundo, o grande reino de todas as Áfricas a desfilar seus cortejos, seus reinados e reisados, sob o céu protegido por Deus em seus diversos nomes. Que em seu solo venha brotar uma árvore vida, de raízes que se entrelacem e unam novamente suas partes, que a sua sombra abrigue a lembrança, como dança, que em sua volta bailem: Afoxés, Jongos, Maculelês e Caxambus, que a sua copa se torne a grande coroa da Congada e que seus ramos formem nações de frutos-reis e de flores-rainhas de livres e lindos Maracatus.
E pousa enfim de seu vôo, minha escola majestosa, nesta “África Pequena” que a gente do Rio resolveu assim batizar. Terra dos “Zungus”, do “Rei das Ruas”, do “Príncipe Negro”, Dom Obá.
Oh! Cidade Maravilhosa, do Samba, da “Rainha Ciata”e dos bambas, de tantas Áfricas a reinar. Receba, assim, Mãe soberana, a reverência de todos os súditos dessa Corte Brasiliana e permita que a mais bela entre todas as Áfricas de Samba, a Princesa Nilopolitana, como Beija-Flor te beijar.

Assinado pela Comissão de Carnaval do GRES Beija-Flor de Nilópolis

LETRA DO SAMBA-ENREDO:

Olodumaré, o Deus maior, o Rei Senhor
Olorum derrama a sua alteza na Beija-Flor
Oh! Majestade negra, Oh! Mãe da liberdade
África: O baobá da vida Ilê Ifé
Áfricas:Realidade e realeza, axé
Calunga cruzou o mar
Nobreza a desembarcar na Bahia
A fé nagô-yorubá,
Um canto pro meu orixá tem magia
Machado de Xangô, Cajado de Oxalá
Ogum yê, o onirê, ele é Odara

É Jeje, é Jeje, é querebentã
A luz que vem de Daomé, Reino de Dan
Arte e cultura Casa da Mina
Quanta bravura, negra divina!


Zumbi é rei
Jamais se entregou, rei guardião
Palmares hei de ver pulsando em cada coração
Galanga, pó de ouro e a remissão enfim
Maracatu chegou rainha ginga
Gamboa, a pequena África de Obá
Da Pedra do Sal viu despontar a Cidade do Samba
Então dobre o run
Pra Ciata d`Oxum imortal
Soberana do meu carnaval na princesa nilopolitana
Agoyê o mundo deve o perdão
A quem sangrou pela história
Áfricas de luta e de glória

Sou quilombola Beija-Flor
Sangue de rei, comunidade
Obatalá anunciou:
Já raiou o sol da liberdade

Ouça um trecho do samba no site:

www.beija-flor.com.br


postado por E. M. Nações Unidas as 10.01.07 # 20 comentários
sexta, 01 dezembro, 2006
2 DE DEZEMBRO: VIVA O SEMBA E VAMOS CAIR NO SAMBA


"Quem não gosta de samba bom sujeito não é / É ruim da cabeça ou doente do pé / Eu nasci com o samba, no samba me criei / E do danado do samba eu nunca me separei". ( Dorival Caymmi)

No dia 02 de dezembro festejamos o Dia Nacional do Samba e é por este motivo que vimos saudar e demonstrar o nosso apoio a este movimento que revelou grandes nomes para a música popular brasileira. Que o digam os saudosos Ismael Silva, Tia Ciata,  Cartola, Nelson Cavaquinho, Zé Keti, Noel Rosa e Ary Barroso, que viveram o surgimento e o apogeu do samba . Hoje, a chama do samba continua ainda mais viva na voz de Martinho da Vila, Paulinho da Viola, Jorge Aragão, Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Alcione e tantos outros que representam o valor e a dignidade deste gênero cujas origens estão enraizadas na África.

O detalhe primordial nessa história toda é que ninguém falou melhor sobre o samba do que o próprio samba.

02 de Dezembro não é a data de nascimento de Tia Ciata. Também não é quando gravaram "Pelo Telefone". Muito menos quando Ismael Silva e os bambas do Estácio fundaram a "Deixa Falar". O Dia Nacional do Samba surgiu por iniciativa de um vereador baiano, Luis Monteiro da Costa, para homenagear Ary Barroso pelo seu sucesso "Na Baixa do Sapateiro", mas nunca havia posto os pés na Bahia. Esta foi a data em que ele visitou Salvador pela primeira vez. e festa foi se espalhando pelo Brasil e virou uma comemoração nacional.


postado por E. M. Nações Unidas as 01.12.06 # 3 comentários
domingo, 26 novembro, 2006
SALVE A BAIANA ! AXÉ BAHIA DO ACARAJÉ!


BAIANA - UM SÍMBOLO DA ANCESTRALIDADE E DA CULTURA

No dia 25 de novembro, o Pelourinho fica mais bonito, quando cerca de 400 baianas de acarajé, com seus trajes típicos, esbanjando simpatia e carisma, são as personagens principais das festividades em homenagem ao dia do símbolo tanto cantado por Caymmi e retratado por Jorge Amado e Caribé. A data é comemorada intensamente por estas mulheres que são o símbolo mais forte da cultura popular baiana, um verdadeiro “cartão-postal” da Bahia.

O dia da baiana abre o calendário oficial de festas da cidade. A data, comemorada há 13 anos, movimenta o Centro Histórico com missa na Igreja de N. S. do Rosário dos Pretos, no Pelourinho, além de manifestações culturais no Memorial das Baianas. O ponto alto da festa é a missa realizada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos .

Depois da missa, tradicionalmente as baianas  seguem em cortejo para o Memorial das Baianas, localizado no Belvedere da Praça da Sé e caem no samba de roda para comemorar com muita alegria a homenagem. Não é a toa que a baiana exerce tanto fascínio sobre os turistas e os baianos. O jeito meigo e a hospitalidade que lhes são peculiares cativam qualquer um, sem falar na sua indumentária, rica em detalhes e adereços, que foi imortalizada na figura da baiana estilizada com a internacional Carmem Miranda. Baiana de verdade tem quem ter torço, bata, pano de costa, saia rodada, anágua, sandália e os adereços que incluem as contas do orixá.

As africanas vendedoras de comida foram as primeiras baianas que Salvador conheceu ainda na época da colônia. Alforriadas ou escravas de ganho, elas vendiam de porta em porta, beijus, cuzcuz, bolinhos e outras iguarias da culinária afro-baiana. Saiam impecavelmente vestidas com batas, saias brancas, torso e pano da costa, enfeitadas de colares, brincos e pulseiras (os balandangãs) e colocavam os tabuleiros equilibrados na cabeça. Até a comida mais famosa de Salvador, o acarajé, era vendida de porta em porta.
Na sua origem, o acarajé só podia ser vendido exclusivamente pelas filhas de santo de Iansã (Santa Bárbara no sincretismo entre o Catolicismo e o Candomblé), em cumprimento à obrigação do seu Orixá, que determinava inclusive o tempo em que essa obrigação deveria ser mantida. O preparo dos bolinhos – uma massa de feijão fradinho, cebola e sal frita no azeite de dendê - era feito dentro do próprio terreiro de Candomblé, de onde a baiana saía com todos os preceitos que a situação exigia, ostentando um colar de contas vermelhas para simbolizar que era filha de Iansã.

Há mais ou menos 50 anos, vender acarajé tornou-se um meio de vida para a população afro-descendente de Salvador, ligada ou não ao Candomblé.


postado por E. M. Nações Unidas as 26.11.06 # 21 comentários
sexta, 10 novembro, 2006
ZUMBI - A CONSCIÊNCIA NEGRA DA RESISTÊNCIA E DA LIBERDADE


Vinte de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. A data - transformada em Dia Nacional da Consciência Negra pelo Movimento Negro Unificado em 1978 - não foi escolhida ao acaso, e sim como homenagem a Zumbi, líder máximo do Quilombo de Palmares e símbolo da resistência negra, assassinado em 20 de novembro de 1695.

O Quilombo dos Palmares foi fundado no ano de 1597, por cerca de 40 escravos foragidos de um engenho situado em terras pernambucanas. Em pouco tempo, a organização dos fundadores fez com que o quilombo se tornasse uma verdadeira cidade. Os negros que escapavam da lida e dos ferros não pensavam duas vezes: o destino era o tal quilombo cheio de palmeiras.

Com a chegada de mais e mais pessoas, inclusive índios e brancos foragidos, formaram-se os mocambos, que funcionavam como vilas. O mocambo do macaco, localizado na Serra da Barriga, era a sede administrativa do povo quilombola. Um negro chamado Ganga Zumba foi o primeiro rei do Quilombo dos Palmares.

Alguns anos após a sua fundação,o Quilombo dos Palmares foi invadido por uma expedição bandeirante. Muitos habitantes, inclusive crianças, foram degolados. Um recém-nascido foi levado pelos invasores e entregue como presente a Antônio Melo, um padre da vila de Recife.

O menino, batizado pelo padre com o nome de Francisco, foi criado e educado pelo religioso, que lhe ensinou a ler e escrever, além de lhe dar noções de latim, e o iniciar no estudo da Bíblia. Aos 12 anos o menino era coroinha. Entretanto, a população local não aprovava a atitude do pároco, que criava o negrinho como filho, e não como servo.

Apesar do carinho que sentia pelo seu pai adotivo, Francisco não se conformava em ser tratado de forma diferente por causa de sua cor. E sofria muito vendo seus irmãos de raça sendo humilhados e mortos nos engenhos e praças públicas. Por isso, quando completou 15 anos, o franzino Francisco fugiu e foi em busca do seu lugar de origem, o Quilombo dos Palmares.

 Após caminhar cerca de 132 quilômetros, o garoto chegou à Serra da Barriga. Como era de costume nos quilombos, recebeu uma família e um novo nome. Agora, Francisco era Zumbi. Com os conhecimentos repassados pelo padre, Zumbi logo superou seus irmãos em inteligência e coragem. Aos 17 anos tornou-se general de armas do quilombo, uma espécie de ministro de guerra nos dias de hoje.

Com a queda do rei Ganga Zumba, morto após acreditar num pacto de paz com os senhores de engenho, Zumbi assumiu o posto de rei e levou a luta pela liberdade até o final de seus dias. Com o extermínio do Quilombo dos Palmares pela expedição comandada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, em 1694, Zumbi fugiu junto a outros sobreviventes do massacre para a Serra de Dois Irmãos, então terra de Pernambuco.

Contudo, em 20 de novembro de 1695 Zumbi foi traído por um de seus principais comandantes, Antônio Soares, que trocou sua liberdade pela revelação do esconderijo. Zumbi foi então torturado e capturado. Jorge Velho matou o rei Zumbi e o decapitou, levando sua cabeça até a praça do Carmo, na cidade de Recife, onde ficou exposta por anos seguidos até sua completa decomposição.

“Deus da Guerra”, “Fantasma Imortal” ou “Morto Vivo”. Seja qual for a tradução correta do nome Zumbi, o seu significado para a história do Brasil e para o movimento negro é praticamente unânime: Zumbi dos Palmares é o maior ícone da resistência negra ao escravismo e de sua luta por liberdade. Os anos foram passando, mas o sonho de Zumbi permanece e sua história é contada com orgulho pelos habitantes da região onde o negro-rei pregou a liberdade.


postado por E. M. Nações Unidas as 10.11.06 # 1 comentários
sexta, 27 outubro, 2006
AS ÁFRICAS QUE COLOREM A CULTURA DO BRASIL 6


O Congado

O Congado ou Congada é a herança de uma manifestação da religiosidade popular em forma de préstitos (cortejos) que vem sendo transmitida de geração a geração, de maneira que se conserve as suas tradições encontrada em quase todo o Brasil. Apesar de sua origem bem controvertida, as raízes do congado estão na África, principalmente nos povos bantus. No Triângulo Mineiro, onde se concentra a maioria dos ternos (grupos) do Brasil, o folguedo do congado é considerado como originário de Chico Rei. É a lembrança da luta do rei negro pela libertação de seus irmãos. A festa normalmente tem seu período de realização nos meses de Maio a Outubro.

No Congado, os antepassados, as almas dos escravos, o fundador das irmandades religiosas, reis, rainhas e capitães falecidos são lembrados e reverenciados.

A cultura congadeira é sempre fiel à ancestralidade e em cada região apresenta uma diversidade.

Quanto a sua instrumentação, há variação de para região, havendo destaque para a percussão, estimulando muitos momentos de bailados vigorosos e manobras complicadas. Há congos de sainhas, com estandartes, grande quantidade de caixas, com chapéus de fitas, com manejos de bastões e espadas (alguns grupos exibindo exemplares dos Exércitos dos tempos do Império e início da República). 
Às vezes, possuem reinado (rei, rainha, vassalagem),  envolvendo parte dramática, com embaixadas e lutas.

A festa do Congado normalmente tem seu período de realização nos meses de Maio a Outubro. As embaixadas são dançadas em homenagem à Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia.


postado por E. M. Nações Unidas as 27.10.06 # 0 comentários
terça, 24 outubro, 2006
SONHO AFRICANO - TELA E POESIA NUMA COMBINAÇÃO PERFEITA


Magnífico trabalho artístico que combina pintura em tela e poesia. Esta produção conjunta tem como autoras as Professoras Eneida (tela) e Sônia Maria(poesia) que a fizeram especialmente para a nossa Mostra de Trabalhos .


postado por E. M. Nações Unidas as 24.10.06 # 21 comentários
quarta, 11 outubro, 2006
ÁFRICA - A CULTURA CONTADA EM VERSOS 4


Sonho de liberdade

Pense como era triste

Em um lindo amanhecer

Ver os negros na senzala

Sem ter ao menos o que comer

Por que ser espancado,

Apenas por não ter a mesma cor

De quem se achava o seu senhor?

E enquanto isso...

Muitas crianças nasciam

Sem nem ao menos saber...

O que era liberdade

O que era  o amor !

Pessoas vendidas como mercadorias

Por seus próprios irmãos

Sofrendo em silêncio

Profundo banzo no coração

Hoje, mesmo que alguns acreditem

Que não há mais escravidão, 

Ainda existem lugares do mundo

Onde sofrem esses nossos irmãos.

Só espero que em breve e de verdade

Haja total liberdade

E em todos os cantos do mundo

Amor, Justiça e Igualdade!

 Marcelo Augusto – Turma : 601


postado por E. M. Nações Unidas as 11.10.06 # 22 comentários
terça, 19 setembro, 2006
AS PALAVRAS COMO MEMÓRIA ANCESTRAL - A INFLUÊNCIA AFRICANA NA LÍNGUA PORTUGUESA 2


A seguir, a seleção de um dos trabalhos de produção textual desenvolvido por uma das professoras de Língua Portuguesa que trabalhou toda a questão da influência e da herança africana no vocabulário da Língua Portuguesa do Brasil que se faz presente nos seguintes aspectos: culinária, dia-a-dia, religiosidade e crenças, utensílios, danças e folguedos, artefatos e instrumentos musicais.

A atividade foi desenvolvida obedecendo as seguintes etapas:

  1. Exibição do "Vídeo Nota Dez".
  2. Exibição do vídeo "Mojubá 1".
  3. Aula expositiva sobre a influência africana na formação da nossa cultura, etnia e língua.
  4. Apresentação do livreto "A Memória das Palavras" aos alunos.
  5. Pesquisa na Internet - Palavras de Origem Africana na Língua Portuguesa.
  6. Proposta aos alunos de produções textuais livres, nas quais eles usaria de sua imaginação e criatividade, empregando em seus textos as palavras de herança africana com toda propriedade.
  7. Revisão e Correção das produções textuais.
  8. Apresentação oral das produções textuais.

O FUZUÊ DO CAMUNDONGO

Ontem cheguei a meu ilê um tanto borocoxô, com aquela vontade de que mamãe me fizesse um cafuné, mas infelizmente não pude tê-lo, porque estava em seu cafofo completamente assustada por ter visto, embaixo de sua cama, um camundogo muito do esperto e ágil.

Vocês nem imaginam o que havia acontecido: foi um banzé daqueles, o maior fuzuê. Mamãe gritava muito e todos que passavam pela rua ouviam todo o auê em nosso ilê. Ela, com medo, arremessava  trecos e cacarecos   sobre o bichinho inofensivo, que só estava ali pra comer os restinhos e migalhas de comida na caçamba do passsarinho que estava sobre o parapeito da janela.

Quando, finalmente, consegui abrir a porta do cafofo, mamãe havia tido um chilique. O lugar parecia um mafuá. O camundongo, quando me viu, escapou capenga por debaixo da porta. Coitado do bichinho! Ele tinha sido atingido por uma estatueta feita da madeira do baobá. Olhei pela janela e vi que os vizinhos estavam fuxicando e fazendo o maior furdunço sobre o lelelê que tinha se passado lá em nosso ilê, todo esse estardalhaço só por causa de um animal catita.

Mayara Almeida, Ana Beatriz Silva, Thais Braga, Hugo Gomes (Turma: 602)

                                                            


postado por E. M. Nações Unidas as 19.09.06 # 13 comentários
sábado, 16 setembro, 2006
ÁFRICA - A CULTURA CONTADA EM VESRSOS 3


CANTO À ÁFRICA ANCESTRAL 

Vou viajando no tempo

Ao Berço Real da humanidade

Rufam tambores ancestrais,

Olorum abre os caminhos

Com um sopro suave de vento

E a magia dos orixás

Para o negro continente:

África – a mítica mística majestade

Coroada de ébano e nobreza,

Uma dádiva de Aruanda,

Baobá ungido de vida e beleza

Iluminado pela lua de Luanda

Em seu tronco, a força e o axé

Que cruzou a imensa calunga

Numa odisséia de banzo, de dor e de fé

Negra África-Rainha, agoiê!

Que fez da Bahia o seu Ilê,

O seu mais novo reinado

Com seus povos Jejes e Bantus

No corpo e na alma, a Luz de todos os santos

África-Mãe guerreira

Que não se curvou ao açoite

Teu sangue deixou cultura, história e herança

Nos quilombos, resistência e energia

Um manto te envolveu na cor da noite

Na dança do jongo, maculelê e capoeira

Uma kizomba de esperança:

Liberdade e Igualdade

Era tudo que negro queria.

Autor: Prof Nilton B. Filho


postado por E. M. Nações Unidas as 16.09.06 # 22 comentários
quarta, 13 setembro, 2006
SABEDORIA DE CARÁTER POPULAR: COLETÂNEA DE PROVÉRBIOS AFRICANOS - PARTE 4


 "Uma vaca tem que pastar onde ela está amarrada”.

  "Você não pode construir uma casa para o verão do ano passado”.

"Depois de uma ação tola vem o remorso”.

"Como a ferida inflama o dedo, o pensamento inflama a mente”.

"Nem mel adoçará não adoçará  o pão duro e  seco."

"Amor é como um bebê: precisa ser tratado com ternura”.

 "É a água calma e silenciosa que afoga um homem”.

"Tenha parentesco com a hiena, e todas as hienas serão suas amigas”.

 "A ruína de uma nação começa nas casas de seu povo”.

"Quando o galo está bêbado, esquece-se do gavião”.

"Quem casa com a beleza casa-se com um problema”.

"Não há nenhum remédio para curar ódio”.

"O dinheiro é mais afiado do que uma espada”.

"Um provérbio é o cavalo que pode levar alguém rapidamente à descoberta de idéias”.

"O homem avarento está como um boi gordo: ele só dará a gordura quando for privado de sua vida."


postado por E. M. Nações Unidas as 13.09.06 # 0 comentários
AS ÁFRICAS QUE COLOREM A CULTURA DO BRASIL 5


TAMBOR DE CRIOULA - ENTRA NA RODA, Ô NÊGA!

O tambor de crioula é sem dúvida uma dança que nos veio no bojo da escravidão negro-africana nos fins do século XVII e não tem nenhuma conotação ritual. É um simples batuque, caracterizado, do ponto de vista coreográfico.

Um dos rituais mais populares na cultura afro-maranhense é o Tambor de Crioula, uma manifestação baseada na música e dança sensual e excitante que mistura fé e diversão. O Tambor de Crioula é, sem dúvida, uma herança que nos veio no bojo da escravidão negro-africana e não tem nenhuma conotação ritual é apenas uma homenagem em louvor a São Benedito organizada ao ar livre em qualquer época do ano para celebrar datas, momentos marcantes ou pagar promessas.

Ao tornar-se uma dança mais urbana os homens passam somente a tocar e cantar e as mulheres entram nas brincadeiras. Na época em que era praticado pelos homens, a característica do tambor de crioula era a pernada.

Hoje, os coreiros reúnem-se em um círculo, com homens tocando tambor e cantando as toadas enquanto as mulheres interegem e dançam, fazendo uma roda, em cujo centro evolui apenas uma delas. O momento alto da evolução é a "punga" ou umbigada: batem de frente com a barriga naquela que está no centro da roda, saúdam uma companheira e a convidam para dançar; punga é uma forma de convite para que outra dançarina assuma a evolução no centro da roda.

O Tambor de Crioula é ritimado por 3 tambores, sempre tocados com a mão, formando uma parelha e que recebem os nomes de grande ou roncador (faz a marcação para a punga), meião ou socador (responsável pelo ritmo) e pequeno ou crivador (faz o repicado). A matraca também é usada para cadenciar as coreiras da roda.

As músicas podem ser improvisadas ou de domínio popular, uma espécie de louvação às coisas boas da vida, ao dono da festa ou ao santo festejado. Grandes saias rodadas e estampadas, torsos na cabeça, pulseras e colares, além da blusa branca de renda, compõem o alegre vestuário do tambor de crioula.

Nos tempos da escravidão era no Maranhão o folguedo predileto dos negros.


postado por E. M. Nações Unidas as 13.09.06 # 0 comentários
sábado, 09 setembro, 2006
ÁFRICA - A CULTURA CONTADA EM VERSOS 2


Valor da Raça 

Se a pele é branca,

Onde está a diferença?

No corpo, na alma, na cultura, na crença?

Se a pele é negra,

O que dela se pensa

Ainda está longe da igualdade

Brasil, terra imensa

Onde o negro escreveu sua história

De luta, de raça e valor

Buscando dignidade e glória

Hoje o negro no Brasil

Quer liberdade sim, senhor!

Autora: Jéssica Arruda (6a série)


postado por E. M. Nações Unidas as 09.09.06 # 6 comentários
sexta, 08 setembro, 2006
HISTÓRIAS DE MAMA ÁFRICA - A LENDA DAS ERVAS


Como Ossain recebeu de Orunmilá o nome das plantas.

Ifá foi consultado por Orunmilá que estava partindo da terra para o céu e que estava indo apanhar todas as folhas. Quando Orunmilá chegou ao céu Olódùmaré disse, eis todas as folhas que queria pegar o que fará com elas ? Òrùnmílá respondeu que iria usá-las para beneficio dos seres humanos da Terra.
Todas as folhas que Òrunmílá estava pegando, Orunmilá carregaria para a Terra. Quando chegou à pedra Àgbàsaláààrin ayé lòrun (pedra que se encontra no meio do caminho entre o céu e a terra) então Orunmilá encontrou Ossãe e perguntou:
— Ossain onde vai?
Ossain disse:
— "Vou ao céu, vou buscar folhas e remédios".
Orunmilá disse que já havia ido buscar folhas no céu para benefício dos seres humanos da terra. Disse, olhe todas essas folhas, Ossain pode apenas arrebatar todas as folhas. Ele poderia fazer remédios (feitiços) com elas porém não conhecia seus nomes.
Foi Orunmilá quem deu nome a todas as folhas. Assim Orunmilá nomeou todas as folhas naquele dia. Ele disse, você Ossain carregue todas as folhas para a terra, volte, e iremos para terra juntos. Foi assim que Orunmilá entregou todas as folhas para Ossain naquele dia. Foi ele quem ensinou a Ossain o nome das folhas apanhadas.
Olodumaré deu a Ossain todo o poder das folhas, o qual ele guardava em uma cabaça pendurada em um galho de árvore.
Um dia Xangô se queixou a sua mulher Oyá , deusa dos ventos, que só Ossain conhecia o segredo de cada uma das folhas e que os demais Orixás estavam no mundo sem possuir nenhuma planta. Oyá levantou sua saia e agitou-a, um vento violento começou a soprar e derrubou a cabaça de Ossain no chão quebrando-a.
Ossain, ao perceber o que aconteceu, gritou – Ewéo! (Oh! As folhas! As Folhas!), mas não pôde impedir que os demais Orixás pegassem as folhas e as dividisse entre eles, mas os Orixás não tinham o conhecimento das ervas e até hoje precisam de Ossain para usá-las em seus rituais, ficando seu segredo a salvo.


postado por E. M. Nações Unidas as 08.09.06 # 22 comentários
sexta, 01 setembro, 2006
DANÇA AFRICANA – TUDO É MOTIVO PRA UMA KIZOMBA


O reconhecimento crescente da importância da cultura africana na sociedade e no mundo contribui para o desenvolvimento de uma forte expressão da mesma promovendo a sua divulgação e inserção nas sociedades por ela influenciadas. Assim surge esta preocupação generalizada com aspectos ligada à cultura africana, sobretudo na sua valorização como meio de transmissão dos usos e costumes desde o passado ao presente, com a sua ligação para o futuro.

Trataremos aqui, neste artigo, de uma das tradições mais antigas nas sociedades da África Sub-saariana – a dança, tradição esta que vem sendo preservada como uma ponte de comunicação com as energias cósmicas, graças à herança da oralidade.

A preservação da herança ancestral é a força cultural dos povos africanos em plena diversidade de ritmos, transmissão da cultura dos antepassados e o retrato do dia-a-dia nas aldeias africanas.

Nas danças africanas, o corpo é o principal instrumento de expressão, já que, de acordo com a sabedoria ancestral, é através dele que se manifestam as energias do cosmo e da natureza que se está invocando.

Na dança africana, cada parte do corpo movimenta-se com um ritmo diferente. Os pés seguem a base musical, acompanhados pelos braços que equilibram o balanço dos pés. O corpo pode ser comparado a uma orquestra que, tocando vários instrumentos, harmoniza-os numa única sinfonia de sentidos. Nas danças africanas o contato contínuo dos pés nus com a terra é fundamental para absorver as energias que levam ao encontro com a divindade.

A dança nas sociedades tribais africanas até hoje representa uma força de expressão em todo tipo de festividade, ritual ou cerimônia.

Considerando a dança tribal como uma das tradições mais antigas do mundo, por ser de origem pré-histórica, este tipo de manifestação teve papel importante no registro história africana. Essas danças eram feitas com o som do batuque como primeiro instrumento que também servia como comunicador ou sinalizador.

As coreografias eram bastante sincronizadas e harmônicas em sua execução, normalmente as danças eram coletivas e feitas em círculos ou linhas retas ou diagonais.

Tudo era motivo para ser celebrado ou festejado com danças – a guerra, a caça, a sucessão do trono, o casamento, o nascimento, a cerimônia da circuncisão, o heroísmo, a colheita, a chuva, a morte e as energias da natureza.

Já durante os séculos XIV, XV e XVI, as culturas africanas passaram a sofrer alterações devido à influência da cultura européia através dos colonos que tomaram parte do continente.

As danças africanas se fazem numa mistura de sons, canções, batuques, ritmos e movimentos tradicionais com um toque de cores, expressões, gingado, espontaneidade e sensualidade dos corpos em movimento rítmico harmonioso.


postado por E. M. Nações Unidas as 01.09.06 # 12 comentários
quarta, 30 agosto, 2006
AS ÁFRICAS QUE COLOREM A CULTURA DO BRASIL 4


O LUNDU

O Lundu nasceu em Angola e Congo. Originariamente era um dança trazida pelos escravos nos primeiros anos da escravidão.

A primeira referência escrita sobre esta dança data de 1780 - uma carta escrita por um antigo governador de Pernambuco ao Governo português, sobre danças de negros brasileiros denunciadas ao Tribunal de Inquisição. Nela o Lundu é descrito como dança de caráter licencioso e indecente, ferindo as normas da moral e dos bons costumes, passando então a ser perseguido pelas autoridades.

O Lundu, depois disso, para que fosse preservado, aliou elementos musicais de origens branca e negra, tornando-se o primeiro gênero afro-brasileiro da canção popular. Realmente, essa interação de melodia e harmonia de inspiração européia com a rítmica africana se constituiria em um dos mais fascinantes aspectos da música brasileira.

Situado, pois, nas raízes de formação dos nossos gêneros afros, processo que culminaria com o advento do samba, o Lundu foi originalmente uma dança sensual praticada por negros e mulatos em rodas de batuque, só se fixando como canção no final do século XVIII.

Em princípio, foi uma dança lúbrica e ardente dos negros, tendo depois, no século XIX, passado para os salões com feição brejeira, afinal se perdendo na transformação incessante de novas formas como o maxixe, o corta-jaca e a modinha.

O Lundu, cujo nome é oriundo do instrumento musical de percussão africano, é uma música alegre e buliçosa, de versos satíricos, maliciosos, variando bastante nos esquemas formais.

O Lundu foi a primeira forma de música negra que a sociedade brasileira aceitou e por ele o negro deu à nossa música algumas características importantes.

No Brasil é uma manifestação popular muito apreciada na Ilha de Marajó e em São Luis do Maranhão.

Na dança, homens e mulheres com indumentárias estampadas e coloridas batendo palmas e requebrando, ao som de lundus (tambores) atabaques, pandeiros e bandolins, formam um circulo. Uma moça entra no centro da roda e dança, evoluindo em graciosos e sensuais volteios, arregaçando a saia rodada em movimentos rápidos. Um dos homens sente a sua atenção despertada pelos seus requebros e segue seus movimentos. Depois de longas voltas, a mulher suspende a saia, fazendo-a descer sobre a cabeça do homem com quem dança E a volúpia apodera-se dos dançarinos, até que a dança termina com a mulher que, ao jogar-se nos braços do homem, cobre o rosto com seu lenço, para ocultar a sua emoção.


postado por E. M. Nações Unidas as 30.08.06 # 0 comentários
ÁFRICA - A CULTURA CONTADA EM VESRSOS 1


ÁFRICA

Grande Continente habitado

Por diferentes povos

Terra de grandes civilizações

Uma diversidade de cultura

Num misto de raças e religiões

Sejam negros, brancos ou muçulmanos

Uma mistura de línguas e nações

África de rara beleza

Das história que nos contam

Terra do sol e de nobreza 

Com seus reis, rainhas, deuses e heróis

Em aventuras que encantam.

Autor: Danilo de Souza Tavares - 6a Série


postado por E. M. Nações Unidas as 30.08.06 # 24 comentários
terça, 29 agosto, 2006
A SABEDORIA ANCESTRAL DOS PROVÉRBIOS NA PRODUÇÃO DE TEXTOS


Produção de Histórias com moral a partir do estudo dos Provérbios de Origem Africana

Atividade desenvolvida na 7a série por uma das professoras de Língua Portuguesa que consistiu das seguintes etapas:

  • Dinâmica de grupo com tirinhas contendo provérbios de origem africana.
  • Exibição dos vídeos "Nota Dez" e "Reporter Record - Um Passeio pela África".
  • Leitura e explicação dos provérbios fornecidos na coletânea extraída da Internet.
  • Escolha de um provérbio de preferência dos grupos.
  • Atividade de produção de histórias ilustradas com fundo moral  baseado no provérbio africano escolhido.

    A seguir, uma das produções selecionadas que trata da questão das diferenças:

    DEFEITOS

    Vamos contar a história de uma garota chamada Roberta, ou melhor, Beta como era chamada por seus familiares e amigos.

    Beta era linda e muito popular no colégio e na rua onde morava, por isso se achava perfeita. Estava sempre rodeada de amigos por causa de sua popularidade.

    Certo dia, entrou uma novata em sua turma no colégio de nome Sebastiana que era inteligente e aplicada, porém não conseguia fazer amigos; a sua timidez, o seu rosto feio e a cor negra de sua pele eram um obstáculo na aproximação das outras colegas.

    Assim que Roberta a viu, aproximou-se e foi logo perguntando-lhe com ar de zombaria o seu nome. Ao ouvir o nome da garota, Beta e suas amigas se puseram a rir e a fazer todo tipo de gozação com Sebastiana que, daquele dia em diante, não teve mais sossego, tendo que tolerar todo tipo de preconceito e provocação. Todos os dias, ela era motivo de risadas no colégio.

    Quando os professores anunciaram as datas das provas de final de ano, foi um rebuliço no colégio. Os alunos ficaram agitados e ansiosos, já que eram provas decisivas. Só Sebastiana não se abalou, pois tinha certeza de sua responsabilidade com os estudos e de sua capacidade.

    Chegado o primeiro dia das provas finais, muitos estavam tão ansiosos e preocupados que até esqueceram -se de Sebastiana, que, ao contrário, sentia-se tranqüila e segura. Já Roberta, a tão popular e assediada garota do colégio, só quis saber de sair e se divertir com os amigos nas festinhas e no shopping. Sequer estudou qualquer das matérias.

    E no dia do resultado das provas, para a indignação e infelicidade de Beta e sua turma, Sebastiana tinha sido aprovada com as melhores notas de todo o colégio, provando que a dignidade supera qualquer tipo de preconceito ou diferença.

    Foi então que Roberta percebeu que não era perfeita e que beleza e popularidade não são o bastante.

    Moral: "Um camelo não zomba da corcunda de outro camelo"

    Autoras: Andréia Emiliano, Cíntia Mendes, Evellyn Marer e Karina dos Santos.


  • postado por E. M. Nações Unidas as 29.08.06 # 0 comentários
    sexta, 25 agosto, 2006
    ÁFRICA - CELEIRO DE REALEZA, AVENTURAS E CONQUISTAS 3


    SHAMBA BOLONGONGO

    Rei Africano da Paz (1600 - 1620)

    Saudado como um dos maiores monarcas do Congo, o Rei Shamba não teve desejo maior do que preservar a paz, que é refletida em uma comum citação sua: "Não nenhum homem, nem mulher, nem criança. Eles não são as crianças de Chembe (Deus), e eles não têm o direito de viver? " Ele freqüentemente viajava para aldeias distantes que usavam sua faca com lâmina de madeira, reconhecida como um meio exclusivo de armamento do estado. Shamba também era notável em promover artes e barcos, e por projetar uma forma complexa e extremamente democrática de governo que caracteriza um sistema de empecilhos e equilíbrios. O governo era dividido em setores que incluíam o exército, filiais judiciais e administrativas que representavam todas as pessoas de Bushongo.


    postado por E. M. Nações Unidas as 25.08.06 # 0 comentários
    quarta, 23 agosto, 2006
    JORNAL DA ÁFRICA - CURIOSIDADES


    Esta seção do Jornal da África reuniu algumas curiosidades sobre o continente, a cultura africana e a cultura de afrodescendência.

    Esta atividade vem sendo desenvolvida a partir da exibição dos vídeos "Nota Dez","Mojubá" e  "Uma Aventura Pela África" do Reporter Record,  por uma das professoras de Geografia que reune seu grupo de alunos para as pesquisas na S. L. e no LAB de Informática e para a confecção e montagem do mural.

    A cada quinzena o conteúdo do trabalho é atualizado.


    postado por E. M. Nações Unidas as 23.08.06 # 0 comentários
    sábado, 19 agosto, 2006
    AXEXÊ: O MITO DA MORTE E O RESPEITO E A REVERÊNCIA AOS ANCESTRAIS


    A MORTE COMO CELEBRAÇÃO DA ETERNIDADE

    Na cultura africana, a morte com idade avançada e um funeral digno (com muita festa) são sinônimos de uma boa morte e uma celebração à vida eterna. Em vista disso, muitas aldeões preparam, de antemão, o seu próprio funeral, guardando dinheiro e encarregando pessoas para se ocuparem da cerimônia fúnebre.

    A morte de um membro da tribo não interessa somente à sua família ou ao grupo de parentes e amigos, mas envolve todos os aldeões. Por isso, quando morre um membro na aldeia, a família não pode publicar a sua morte ou manifestar seu sentimento de desconsolo antes que a notícia seja comunicada ao chefe da aldeia. Será ele que, em seguida, dará ordens ao ogan para que convoque a população na praça pública, debaixo de uma baobá, lugar do anúncio oficial de qualquer notícia importante.

    O som do "tambor-falante" (uma linguagem codificada ao som do tambor, que é ritmado com sons alternados) é entendido à distância e cada aldeão deixa imediatamente seus afazeres, mesmo estando na roça, para participar do anúncio da partida de um dos seus, para a "Aldeia dos Ancestrais". Somente depois que a notícia é dada, todos os presentes, do menor ao maior, para manifestar seus sentimentos de pesar, terão que chorar um pouco, nem que sejam "lágrimas de crocodilo". Em seguida, um ancião consola a todos e juntos vão para a casa do falecido.

    Chegando lá, os anciãos tomarão as providências mais urgentes para o bom andamento do funeral: quem vai lavar o cadáver, quem vai cavar a sepultura, qual a religião que o falecido praticava, para que sua crença seja respeitada, quem vai organizar a dança fúnebre, quem vai se encarregar da festa, quem vai dar a notícia às outras aldeias vizinhas. Essa última função é reservada ao chefe e seus notáveis mensageieiros. Só eles podem dar o anúncio oficial da morte de algum membro da aldeia, dando a impressão de que o chefe é o "proprietário" de todos os aldeões.

    Depois de lavado o corpo do defunto, ele é exposto para a visitação dos aldeões. Não existe uma regra única para a exposição do cadáver - isso depende do status social do falecido ou do que ele mais gostava em vida. Se ele era um chefe, será revestido de toda a sua indumentária tradicional e contará com a presença de suas serventes, que passarão o tempo todo espantando as moscas e insetos que se aventurarem a pousar sobre o corpo.

    No caso de uma moça bonita, depois de bem vestida e ornamentada com bijuterias, será exposta sentada numa cadeira, com as costas apoiadas na parede, os olhos abertos e as mãos apoiadas sobre os joelhos. Dessa forma, os visitadores poderão contemplar ainda a sua beleza.

    Nesta postura, acreditam - ela se alegrará com o espetáculo da dança que será feito em sua honra. Quando o falecido é um rapaz que gostava de jogar futebol, terá ao seu lado uma bola, um apito, e seus colegas lhe prestarão uma homenagem, como se estivessem jogando uma partida de futebol.

    Antes do momento do enterro, muitas pessoas trazem uma peça de pano, às vezes de qualidade, para oferecer ao defunto, que será embrulhado nele. Serão estes panos, conforme a crença, que ele apresentará aos seus antepassados que estão em outra vida, dizendo-lhes: "Veja o que meus parentes e amigos me ofereceram; eles foram generosos para comigo". Desta forma, os antepassados continuarão a abençoar e proteger aquela aldeia e todos os seus habitantes.

    As pessoas oferecem também animais domésticos (galo, cabrito, carneiro...), para serem sacrificados em sua honra ou servidos como alimento para os visitantes. Nada daquilo que foi doado poderá ser guardado, tudo deve ser oferecido em sacrifício ou utilizado nos dias que sucederão a cerimônia fúnebre. O termômetro para determinar o quanto uma pessoa foi amada em sua vida terrena é medido pelos dons e pela solenidade da cerimônia fúnebre (dança, música, comida, bebida, visitantes ... ). A duração da cerimônia é de três dias para as mulheres e de quatro dias para os homens. Naturalmente, devido ao intenso calor que reina no solo africano, o sepultamento é feito num espaço de 24 horas.


    postado por E. M. Nações Unidas as 19.08.06 # 0 comentários
    SABEDORIA DE CARÁTER POPULAR: COLETÂNEA DE PROVÉRBIOS AFRICANOS - PARTE 3


    1.      "Não chame a floresta que o abriga de selva”.

    2.      "As lágrimas que descem pelo seu rosto não tiram sua visão”.

    3.      "Se sua língua transformar-se em uma faca, cortará sua boca”.

    4.      "Um pouco de chuva a cada dia encherá os rios até transbordarem”.

    5.      "Até que os leões tenham suas histórias, os contos de caça glorificarão sempre o caçador”.

    6.      "O coração de um homem e o fundo do mar são insondáveis”.

    7.      "Quem faz perguntas, não pode evitar as respostas”.

    8.      "O homem é como palma-vinho: quando jovem, doce, mas sem força; na velhice, forte, mas áspero”.

    9.      "Quando as teias de aranha se juntam, elas podem amarrar um leão”.

    10.  "Quando seu vizinho está errado você aponta um dedo, mas quando é você que está errado esconde”.

    11.  "Se você danificar o caráter de outro, você danifica o seu próprio”.

    12.  "A chuva bate a pele de um leopardo, mas não tira suas manchas”.

    13.  "Quando você é rico, você é odiado; quando você é pobre, você é desprezado”.

    14.  "Deus esconde-se da mente do homem, mas revela-se ao seu coração”.

    15.  "A lua move-se lentamente, mas cruza a cidade”.

     


    postado por E. M. Nações Unidas as 19.08.06 # 0 comentários
    quinta, 17 agosto, 2006
    CONTO DA TRADIÇÃO ORAL AFRICANA 2 - ORIGEM: ANGOLA


    A Serpente de Olumo

    Um jovem, chamado Ayobami, vivia feliz na sua aldeia até ao momento em que, tendo atingido a idade adequada, decidiu, com o consentimento dos pais, arranjar mulher e casar, tudo conforme os preceitos da tribo Omoro.

    Ayobami tinha duas amigas que já conhecia há muito tempo e com as quais passara toda a sua infância: a mais nova chamava-se Olu, a outra Yemesi. Ayobami queria absolutamente casar-se com uma das duas, mas não sabia qual delas escolher. Eram muito diferentes uma da outra, mas igualmente belas.

    Pelo seu lado, as duas jovens amavam Ayobami. O homem era bom trabalhador e excelente caçador; possuía o sentido da justiça, sendo respeitado em toda a aldeia e bastante conhecido nos arredores. Ayobami era rico e bem constituído, teria podido muito bem casar com as duas raparigas ao mesmo tempo; mas a tradição não o permitia. Não conseguindo decidir-se, viam-no ficar longas horas sentado diante da sua cabana, a examinar as vantagens que teria em se casar com uma ou com outra. Quando julgava ter decidido e se levantava para ir anunciar a boa nova a seus pais, pensava imediatamente nas qualidades da outra e voltava a hesitar.

    As duas jovens, por seu lado, rivalizavam em gentileza e em beleza, não estando nenhuma delas disposta a ceder o seu lugar à outra. A última palavra cabia, pois, a Ayobami. Precisava saber, a todo o custo, qual das raparigas o amava mais.

    Uma tarde, enquanto as duas raparigas estavam sentadas ao pé de Ayobami, estando este a refletir nesse problema, uma serpente transparente saiu da floresta de Olumo, uma das colinas da região de Abeokuta. Tinha à cabeça três enfeites, e todo o seu corpo, extremamente comprido, fumegava ligeiramente ao deslizar em silêncio por entre as ervas. Quando chegou perto da fogueira, ergueu-se sobre a cauda e dançou por instantes, enquanto as chamas brilhavam nos seus olhos vermelhos. Todos estes sinais lhe davam uma aparência mágica, e toda a gente reconheceu assim nela uma serpente enfeitiçada e sagrada.

    Ayobami, que estava de costas para a serpente, não a viu chegar, e quando as duas raparigas finalmente a avistaram, já era demasido tarde. Gritaram ao mesmo tempo quando a serpente mordeu Ayobami na coxa, antes de desaparecer na noite. Ela cumprira assim a missão que os deuses lhe tinham confiado.

    Em breve, Ayobami foi obrigado a ir-se deitar no interior da sua cabana. As duas jovens
    despertaram então toda a aldeia. Foram procurar o curandeiro que, reconhecendo nisso um sinal dos deuses, não quis intervir.

    As velhas mandaram, então, ferver imediatamente umas ervas e uns pós, que puseram na ferida, mas sem sucesso. Tudo foi tentado para salvar a vida de Ayobami; contudo, umas horas depois, este acabou por morrer, sem sequer ter voltado a abrir os olhos e, sobretudo, sem ter chegado a dizer qual das duas jovens preferia.

    Ambas se puseram então a chorar a morte do seu amigo. De manhã, Olu, a mais nova, levantou-se e proferiu as seguintes palavras:

    -Sem a existência de Ayobami, a minha vida já não tem sentido. Quando o fogo morre, o fumo desaparece com ele. Não posso viver sem a sua presença. Assim, vou hoje juntar-me a ele na morte.

    E, antes que alguém a tivesse podido impedir, pôs-se a correr através do mato. Encontrou a pista da serpente enfeitiçada, foi ter com ela e, por seu turno, fez com que ela a mordesse. Olu tombou por terra, caindo entre as ervas, e morreu pouco depois, julgando estar aí todo o preço do seu amor.

    Yemesi não sabia o que fazer. Refletiu alguns instantes e, depois, de súbito, decidiu-se. Entrou na cabana de seu pai, pegou na grande catana pendurada numa das paredes, e seguiu igualmente a pista da serpente. Quando a apanhou, e no momento em que erguia a arma para lhe cortar a cabeça, a serpente ergueu-se à sua frente e disse-lhe:

    -Yemesi, não me mates! Se me deixares viver, vou ajudar-te a salvar Ayobami.

    A jovem aceitou e a serpente deu-lhe, então, dois saquinhos, um contendo um pó negro e outro um pó branco.

    -Pega nestes dois sacos e pôe-te em cima do cadáver de Ayobami. Fecha os olhos e lança o pó negro para muito longe, na direção do sol nascente, e o pó branco também para muito longe, na direção do sol poente.

    Yemesi seguiu os conselhos da serpente e, de imediato, Ayobami e Olu foram misteriosamente ressuscitados.

    Ayobami não hesitou mais e escolheu aquela que devia ser a sua esposa para toda a vida.


    postado por E. M. Nações Unidas as 17.08.06 # 6 comentários
    quarta, 16 agosto, 2006
    A MÚSICA COMO HERANÇA DA ORALIDADE NAS SOCIEDADES TRIBAIS AFRICANAS


    Como produto e fato da cultura, a música intervém constantemente em toda a vida de um povo. Ela é feita para acompanhar a vida no esforço cotidiano, na alegria e mesmo na tristeza; por isso, uma aldeia africana sem música é considerada uma aldeia morta.

    Desde os tempos remotos, o homem utiliza a música na sua função social, artística, estética, pedagógica, moral ou simbólica. Em qualquer sociedade, de tradição oral ou escrita, a música desempenha várias funções, complexas, na sua essência. Segundo suas funções sociais, e ao nível geral, as músicas angolanas de tradição oral, assim como as da maioria das sociedades africanas, podem ser distinguidas em dois modos de utilização: por um lado as músicas cerimoniais, socialmente institucionalizadas, e, por outro lado, as músicas não institucionalizadas, coletivas ou individuais.

    Na cultura angolana, as músicas institucionalizadas são praticadas, entre outras, durante:

    - A festa da saída de gêmeos.

    - A realização de tshikUmbì (ritual, ao mesmo tempo, de puberdade para as moças e de circuncisão para os rapazes) entre os Bàwóyi, província de Kabinda.

    - A cerimônia de casamento.

    - A investidura de um chefe tradicional.

    - A festa de Kianda.

    - A saída de máscaras Zìndúngà em Kabinda ou na Lunda Tshokwe.

    - A visita de uma ilustre personagem.

    - A cura de certas doenças (a musicoterapia tradicional).

    - A celebração de cultos fúnebres, onde pode-se ouvir, por exemplo, a música instrumental màsìhílÚ na província do Zaire ou Uíge.

    Estas manifestações figuram entre as mais importantes da vida coletiva dos angolanos. De fato, elas são não só necessárias mas também indispensáveis ao processo social já que permitem à comunidade manter as crenças e os valores da tradição. A comunidade deve conhecê-los e respeitá-los com vista a pactuar com as forças naturais e sobrenaturais.

    Quanto às músicas não institucionalizadas, coletivas ou individuais, elas são de utilização imediata, mas cotidiana. A sua atividade é indeterminada. Na cultura angolana este tipo de música engloba, entre outros:

    - As canções de berço.

    - As danças de simples divertimento, tal como a dança henyenga (província da Huíla), ou a dança infantil nsússà praticada em Kabinda, Congo e Uíge.

    - As canções praticadas durante as orações, as longas marchas, os trabalhos domésticos, os trabalhos coletivos para servirem de estímulo.

    - As lamentações fúnebres.

    - A comunicação de mensagens lingüísticas por meio de tambor.

    FUNÇÃO DOS TEXTOS DAS CANÇÕES

    Os textos das canções veiculam os valores e os conhecimentos próprios de um determinado grupo. Muitas das vezes, aquilo que não pode ser dito por meio de palavras pode ser dito por meio das canções.

    Neste contexto, podemos citar as canções satíricas, as guerreiras, as canções utilizadas na luta de "independência" ou o Blues cantados pelos antigos escravos como expressão dos seus sofrimentos. No entanto, é preciso assinalar que os provérbios ocupam um lugar privilegiado nos textos das canções. Como "veículo da sabedoria das nações, os provérbios exprimem os modelos de comportamento próprios de um grupo".


    postado por E. M. Nações Unidas as 16.08.06 # 0 comentários
    terça, 15 agosto, 2006
    CURIOSIDADES SOBRE A CULTURA AFRICANA E AFRODESCENDENTE 1


    O comércio de escravos trouxe para o Brasil negros de diversas regiões da África para o serviço nas plantações e nos engenhos de açúcar. Quanto às áreas de origem, dois grupos se destacaram: Os bantus e os nagôs (sudaneses) que, efetivamente, a partir de 1530, começou a formar a população brasileira de afro-descendência.

    Bantu é um grupo lingüístico e inclui 274 línguas e dialetos afins. Os bantus, povos rurais, provenientes de Angola, Moçambique e Congo, subdividiam-se em: cambindas, benguelas, congos e angolas. Eram, em sua maioria, agricultores, mas também viviam da caça e da pesca, e conheciam a técnica da metalurgia. Formaram o Reino do Congo que dominava grande parte do noroeste do continente africano. No Brasil, se estabeleceram em MG, GO, RJ E SP.

    Nagô ou iorubano era todo negro da Costa dos Escravos que falava ou entendia o Iorubá - uma língua cantada, que deu origem ao sotaque baiano. Os nagôs vieram das regiões da África Ocidental que compreende, atualmente, a países como Sudão, Nigéria, Benin, Burkina Faso, Costa do Marfim, Gana, Guiné e Togo.

    Os Malês eram povos islamizados de hábitos refinados, provenientes das tribos do norte da Nigéria. Os Alufás ou Mestres Malês encarregavam-se da transmissão da doutrina Islâmica, bem como do ensino da língua e escrita árabes.

    Na África, os Jeje eram os povos Ewe e Fon. A palavra Jeje com origem no do Iorubá "adjeje" significa forasteiro, porém recebeu também uma conotação pejorativa como “inimigo”, por parte dos povos conquistados pelos reis de Daomé. Reino esse situado onde hoje é a República do Benin que obtinha lucro, colaborando com o tráfico de escravos. Quando os daomeanos chegaram ao Brasil como escravos, aqueles que já estavam aqui reconheceram-nos como inimigos. O que passou a ser chamado de nação Jeje no Brasil é o candomblé formado por povos da região de Daomé.

    Durante a escravidão no Brasil, os africanos já aculturados eram chamados de "ladinos". Trabalhavam na casa-grande, realizando tarefas domésticas, onde recebiam um tratamento melhor, e entendiam e falavam o português. Os escravos chamados "boçais" eram os recém-chegados da África e costumavam ser utilizados no trabalho pesado. Além de ensinar a língua, os costumes do branco e informar sobre o sincretismo nos cultos religiosos, os ladinos ensinavam aos boçais a técnica e a rotina do plantio da cana e do fabrico do açúcar.

    As escravas também trabalhavam na roça desde pequenas, catando ervas e enfeixando a cana. Nos engenhos moíam a cana e coziam o melado. Na casa-grande realizavam as tarefas domésticas: cozinhavam, lavavam, costuravam e arrumavam. Na senzala, cuidavam dos maridos e filhos. Algumas escravas eram, também, parteiras ou conheciam os segredos das plantas para curar mazelas e doenças, tornando-se benzedeiras ou curandeiras.

    Com o crescimento da população e da economia urbana, os escravos passaram a ser utilizados em outras funções nas cidades. Empregados ou alugados por seus senhores para produzir, vender ou prestar serviços a terceiros, eram os escravos de ganho. Para complementar o orçamento doméstico de seus senhores, as escravas saíam da cozinha para as ruas com comida feita em casa para ser vendida. Eram as vendedoras ambulantes. Outras, transformavam-se em amas-de-leite, damas de companhia, lavadeiras. Os escravos transformavam-se em ajudantes de armazéns, quitandas e lojas, alfaiates, barbeiros, barqueiros, carpinteiros, carregadores, cavalariços, marceneiros, pedreiros, sapateiros, quitandeiros e vendedores ambulantes.

    A escravidão foi extinta em 1888, mas sua herança permaneceu na sociedade brasileira, na forma de discriminação racial, social e econômica de negros, mulatos e pobres em geral. Os negros encontraram dificuldade para integrar-se à sociedade brasileira após a abolição da escravatura. As reformas agrária e educacional que os abolicionistas pregavam não aconteceram e o acesso dos negros à escola e à terra se tornou difícil. No mercado de trabalho, havia a concorrência com os imigrantes europeus.

    Com os negros, o processo de desagregação do universo de representações foi muito mais violento. Embora o ambiente geográfico brasileiro fosse mais semelhante ao africano que o europeu, a escravidão destruiu completamente o mundo tribal, ao mesmo tempo em que dificultou o desenvolvimento de novas formas de sociabilidade espontânea. Além do mais, reuniu representantes das mais diversas culturas tribais (que, inclusive, não falavam a mesma língua de origem). Apenas em algumas cidades, onde, com o tempo, concentraram-se grandes massas de escravos e libertos, foi possível reunir grupos de origem semelhante, e, através do contato permanente com a África (importações de escravos), reconstituiu-se parte da cultura original, com a organização dos cultos africanos.

    No decorrer do século XX, surgiram inúmeros movimentos e entidades para defender os direitos da população negra e lutar por cidadania plena. Um dos grandes símbolos dessas manifestações é Zumbi, o maior líder do Quilombo dos Palmares. O dia de sua morte, 20 de novembro, foi transformado em Dia Nacional da Consciência Negra.

    Na formação do idioma falado no Brasil, os negros contribuíram não apenas com algumas palavras que enriqueceram o vocabulário, mas também e principalmente com a maneira e ginga de falar, com o jeito aberto e espontâneo de pronunciar as palavras.


    postado por E. M. Nações Unidas as 15.08.06 # 9 comentários
    domingo, 13 agosto, 2006
    A ÁFRICA DIZ O QUE É QUE A BAIANA TEM


    Na Bahia de Todos Os Deuses, com seus trajes pomposos, turbantes (torços), panos da costa, batas (blusa comprida e solta), saias rodadas (brancas ou de estamparia colorida) com muitas anáguas rendadas e engomadas, pulseiras e colares na cor do seu orixá, as negras de ganho criaram um tipo físico que se tornou tradicional. O traje que costumamos chamar de baiano reflete a influência da cultura africana no Brasil aliado ao rebolado e a ginga do corpo. O turbante e os balangandãs indicam elementos da cultura islâmica predominante no Norte da África (Sudão).

    As pencas de balangandãs integraram as roupas tradicionais das negras mucamas dos séculos XVIII e XIX. Balangandã é o ornamento de contas coloridas ou amuleto, em forma de figa, fruta, medalha, moeda, chave ou dente de animal; pendente de argola, broche, brincos ou pulseira de prata, usado pelas baianas em dias festivos. Figas, dentes e guias são usados como amuletos para proteção, louvação ou combater o mau-olhado. A figa, particularmente, é um amuleto em forma de mão fechada, com o polegar entre o indicador e o dedo grande, usado como ornamento pessoal, da casa ou estabelecimento comercial.

    Na África, o pano da costa era apenas um complemento da vestimenta das mulheres negras, e não tinha conotações religiosas. A partir do século XIX, no Brasil, é que começou a ter ligação com as celebrações do Candomblé. Na África, é denominado alaká ou pano de alaká. No Brasil, ficou conhecido como pano da costa porque vinha da Costa do Marfim (África) e também por ser usado nas costas. Os primeiros panos da costa vieram no corpo das escravas, que não tinham roupa e eram vendidas enroladas no pano. Depois, os panos foram tecidos aqui mesmo por escravos ou por seus descendentes, em teares manuais e rústicos vindos para o Brasil no século XVIII. Tecido em tear manual, o pano da costa é formado por tiras de dois metros de comprimento cada uma, com largura variando entre 10 a 15 centímetros. As tiras são depois costuradas uma a uma. Branco não é a cor predominante no pano da costa que, geralmente, é listrado ou bordado em alto-relevo e colorido com padronagens variadas dependendo do orixá de cada nação. Os filhos de santo usam o alaká enrolado no tronco. As mães escravas traziam durante as horas de trabalho seus bebês escanchados (com as pernas em volta da cintura) às costas e presos por um alaká.

    As “baianas” atuais descendentes de africanos (das tribos ioruba, nagô, mina, fula, haussá) são as que mais se esmeram no trajar.

    As nagô, cuja presença maior se nota nos candomblés, são baixas e gordas. Usam cores vivas, berrantes. Saia ampla toda estampada.

    A baiana-mulçumana (do Sudão da África), alta e esguia, usa o traje branco imaculado. Às vezes, no ombro um “pano da Costa” rústico.

    E, hoje, como traje e figura típica da Bahia, tão cantada por Dorival Caymmi, podemos ver a baiana pregoeira com seus coloridos tabuleiros de comidas típicas e doces, nas ruas, ladeiras e praias de Salvador, ou em ritos de Candomblé e Umbanda e festas religiosas, como a Lavagem do Bonfim.

    Em Salvador, no dia 25 de novembro, quando se comemora o Dia da Baiana, é celebrada uma missa na Igeja de N. Sra. do Rosário dos Pretos e manifestações culturais como: Samba de Roda, Capoeira, Olodum e Afoxé, no Memorial das Baianas.

    A baiana é uma figura que traz consigo os elos da herança ancestral africana - a oralidade, a culinária, a crença, o misticismo, a dança, a ginga e, sobretudo, a cor. É preciso ter sangue ancestral pra saber o que é que a baiana tem.

    Por Prof. Nilton


    postado por E. M. Nações Unidas as 13.08.06 # 18 comentários
    NEGRITUDE - UMA QUESTÃO DE VALORIZAÇÃO OU PRECONCEITO ?


    O CONCEITO DE NEGRITUDE

    Define-se negritude como um movimento literário que surgiu em França, na década de trinta, dirigido por L. Senghor, A. Césaire e L. Damas, através do qual se combatia o racismo, o colonialismo e se exaltavam os valores da cultura africana.

    Em fase posterior, o movimento de negritude serviu de base à implementação das doutrinas socialistas, com características particulares, dos líderes africanos Leopold Senghor (n. 1906) do Senegal, Sékou Touré (1922-1984) da Guiné e Julius Nyerere (n. 1922) da Tanzânia.

    Sem a escravização e a colonização dos povos negros da África, a negritude, essa realidade que tantos estudiosos abordam não chegando a um denominador comum, nem teria nascido.

    O seu conceito reúne diversas definições nas áreas cultural, biológica, psicológica, política e em outras. Esta multiplicidade de interpretações está relacionada à evolução e à dinâmica da realidade colonial e do mundo negro no tempo e no espaço. Uns consideram a negritude superada e ineficaz, pois a realidade colonial que a provocou não existe mais. Outros entendem como uma extensão da linguagem racista branca que lhe deu origem: uma mistificação de natureza colonial, daí a sua incapacidade de criar uma ruptura. Em outras palavras, o conceito de negritude assumiu a inferioridade do negro forjada pelo preconceito do branco.

    CONDIÇÕES HISTÓRICAS

    Quando os primeiros europeus desembarcaram na costa africana em meados do século XV, a organização política dos Estados africanos, já tinha atingido um nível de aperfeiçoamento muito alto.

    A ignorância em relação à história antiga dos negros, as diferenças culturais, os preconceitos étnicos entre as duas raças que se confrontam pela primeira vez, tudo isso mais as necessidades econômicas de exploração predispuseram o espírito do europeu a desfigurar completamente a personalidade moral do negro e suas aptidões intelectuais negro torna-se, então, sinônimo de ser primitivo, inferior, dotado de uma mentalidade pré-lógica.

    E, como o ser humano toma sempre o cuidado de justificar a sua conduta, a condição social do negro dos seus pretendidos caracteres menores. No máximo, foram reconhecidos nele os dons artísticos ligados à sua sensibilidade de animal superior. Tal clima de alienação atingirá profundamente o negro, em particular o instruído, que tem assim a ocasião de perceber a idéia que o mundo ocidental fazia dele e do seu povo. Na seqüência, perde a confiança em suas possibilidades e nas da sua raça, e assume os preconceitos criados contra ele. É nesse contexto que nasce a negritude.


    postado por E. M. Nações Unidas as 13.08.06 # 0 comentários
    quarta, 09 agosto, 2006
    AS ÁFRICAS QUE COLOREM A CULTURA DO BRASIL 3


    JONGO - O DESAFIO DE UMA HERANÇA

    Ao serem trazidos para o Brasil, os negros trouxeram como bagagem suas práticas sociais, entre elas: a música, a dança e a religião. A música, para eles, tinha conotação tanto religiosa como festiva e geralmente era associada a dança e ao canto.

    É evidente, que com o passar do tempo, todas estas práticas foram sofrendo modificações ou ajustes, uma vez que, foram mescladas com a cultura do povo que aqui já habitava, passando então, a abordar novos temas. Também foram utilizados para estas evoluções, instrumentos europeus e indígenas, pelo seu fácil acesso e, sobretudo, foi adotada a língua portuguesa, como língua de expressão.

    Uma dessas práticas foi o jongo - uma das mais ricas heranças da cultura negra presente em nossa cultura popular para celebrar São Benedito e os ancestrais negros.

    O jongo era uma "brincadeira", uma dança de roda dos antigos escravos, permitida pelos senhores, já que outros ajuntamentos dos negros, para os brancos, poderiam resultar em movimentos revoltosos. Como o jongo era uma herança trazida da África, os velhos jongueiros transmitiam a tradição aos seus descendentes e, assim, preservou-se essa expressão folclórica até os dias atuais da qual participam homens, mulheres e crianças.

    Jongo é, portanto, uma dança de origem afro-brasileira, da mesma raíz do batuque, ambos ancestrais do samba e do pagode. O Jongo nasceu nas terras por onde andou o café. Surgiu na Baixada Fluminense, subiu a Mantiqueira e se espalhou pelo litoral Atlântico até o Sul da Bahia.

    Na dança participam homens e mulheres alternados. No centro da roda, se posiciona um jongueiro que canta sua canção, o “ponto”, que pode ser cantado, rezado ou murmurado. Os participantes respondem em coro, com compassos fortes, fazendo movimentos laterais e batendo palmas, nos seus lugares. O jongueiro improvisa passos movimentando todo o seu corpo.

    O instrumental é geralmente composto por percussão e instrumentos de folhas de flandres.

    O jongo tem início sempre com uma louvação, acompanhada com muito respeito por todos os participantes, porém não é uma prática fetichista ou ritual.

    As melodias são contruídas com o uso de poucos sons. O jongo tem início sempre com uma louvação, acompanhada com muito respeito por todos os participantes.


    postado por E. M. Nações Unidas as 09.08.06 # 2 comentários
    segunda, 07 agosto, 2006
    OS VALORES DA AFRODESCENDÊNCIA


    O MURAL DA AFRODESCENDÊNCIA

    Este é o resultado de um trabalho que vem sendo feito por uma das professoras de Geografia que, após a exibição dos materiais "Vídeo Nota Dez" e o "Mojubá", promoveu uma discussão sobre o tema que culminou na montagem desta seção do Jornal da África.


    postado por E. M. Nações Unidas as 07.08.06 # 144 comentários
    domingo, 06 agosto, 2006
    ÁFRICA – NATUREZA E CULTURA DE MÃOS DADAS


    Apesar das guerras constantes, da seca, da fome e da miséria que assolam seu povo, a África é um dos lugares mais belos e magníficos do planeta.  Há algum tempo atrás muitos dos animais africanos, foram vítimas de caçadores inconseqüentes e ordinários, o que quase levou a extinção de alguns animais como o Rinoceronte Branco, o Leopardo, o Gorila da Montanha, o Crocodilo, o Elefante, o Búfalo e muitas outras espécies.

    Mas graças a pesquisadores, ecologistas, e conscientização e colaboração das comunidades tribais locais e leis ambientais, foram criadas várias reservas na África que tem como objetivo a preservação da fauna e flora, onde, se pode ver de perto, os animais de grande porte que vivem em plena liberdade e circulam livremente fora da mira de caçadores, numa natureza exótica e exuberante.

    O imaculado continente africano proporciona, em várias regiões, uma aventura incrível e enriquecedora, através de safáris no deserto ou nas savanas – uma experiência única que alia a beleza natural com a riqueza das diversidades culturais e étnicas, tudo se integrando na mais perfeita harmonia como o pôr-do-sol diário abençoado pelos deuses.


    postado por E. M. Nações Unidas as 06.08.06 # 0 comentários
    SER NEGRO, SER BRASILEIRO - UMA QUESTÃO DE CIDADANIA


    A Questão Racial No Brasil

    Aqui no Brasil, o fato de que o trabalho do negro tenha sido, desde os inícios da história dos ciclos econômicos, essencial à manutenção do bem-estar das classes dominantes deu-lhe um papel central na gestação e perpetuação de uma ética conservadora e desigualitária. Os interesses geraram convicções escravocratas arraigadas e mantêm estereótipos que ultrapassam os limites do simbólico e têm incidência sobre os demais aspectos das relações sociais. Por isso, talvez ironicamente, a ascensão, por menor que seja, dos negros na escala social sempre deu lugar ao que chamamos de racismo.

    Agora que chega o século XXI, com a necessidade de se construir uma nação unitária e cidadã, parece não haver dúvidas sobre a consolidação do movimento negro no cenário das lutas sociais contra a cultura racista, a repressão, as injustiças sociais e à hipocrisia dos setores dominantes em relação à IDENTIDADE e à individualidade do que é ser negro no Brasil; a individualidade, sem dúvida, é uma conquista demorada e sofrida, formada de heranças e aquisições culturais, de atitudes aprendidas e inventadas e de formas de agir e de reagir, numa construção da cidadania que, ao mesmo tempo, é étnica, social, emocional e intelectual.

    O combate contra o racismo, chega ao século XXI de modo bastante consciente e atuante. Entretanto, essa conscientização não vem se dando de modo harmônico e consensual, já que, em muitos momentos o próprio movimento negro demonstra fragilidades em relação à sua unidade, principalmente no que se refere à relação classe/raça. E tal problema não é de simples solução, visto que de um lado estão os setores defensores de uma luta anti-racismo desvinculada com a questão de classe social; de outro, colocam em questão que no Brasil, assim como em qualquer outro país capitalista, a situação de classe é determinante nas questões raciais.

    Essa oposição nos faz concluir que haverá sempre um impasse entre classe e raça numa luta eficaz contra o preconceito e o racismo.

    Não é novidade nenhuma para ninguém que a grande maioria dos negros brasileiros está inserida nas classes sociais subalternas. Portanto, não há como não vincular a classe social na questão do racismo.

    Tal impasse poderia até ser justificado, caso o negro brasileiro estivesse inserido nas diversas camadas sociais de modo equilibrado. Desta forma, não haveria como argumentar que o racismo é praticado independentemente da classe social. Isso poderia até acontecer, caso houvesse práticas racistas independentes da condição social dos negros nas várias esferas da sociedade.

    A verdade é que, apesar de toda consolidação do movimento negro no Brasil do século XXI, ainda estamos vivenciando um "apartheid brasileiro" onde ainda são evidentes diferenças étnicas, sociais e econômicas estruturais e seculares, que ficam somente à margem dos debates e discussões, mas não se buscam remédios para que, num futuro próximo, ser negro no Brasil seja, também, ser plenamente brasileiro.


    postado por E. M. Nações Unidas as 06.08.06 # 1 comentários
    sexta, 04 agosto, 2006
    AS IGREJAS DO MESTRE ALEIJADINHO


    Trabalho de gravuras com imagens de massa de modelar produzido por alunos de 8a série, durantes as aulas de Artes Plásticas; retranto, em alto-relevo, os detalhes das igrejas barrocas do Aleijadinho . O ponto de partida para o desenvolvimento do trabalho foi a exibição do vídeo "Heróis de Todo Mundo" e uma aula expositiva sobre a vida e obra de Antônio Francisco Lisboa e o estilo barroco nas artes e arquitetura.


    postado por E. M. Nações Unidas as 04.08.06 # 3 comentários
    quinta, 03 agosto, 2006
    ALEIJADINHO: O MESTRE NEGRO DO BARROCO BRASILEIRO


    Antônio Francisco Lisboa, conhecido por Aleijadinho por causa dos efeitos da doença degenerativa que sofreu e o deformou sem piedade, nasceu dia 29 de Agosto de 1730, em Vila Rica, hoje, Ouro Preto.
    Filho natural de Manuel Francisco Lisboa, arquiteto português, e de Izabel, uma pobre escrava africana.

    O artista passou grande parte da infancia ao lado do pai que era seu conselheiro e se preoculpava com sua educação. Com elee otio aprendeu o ofício da carpintaria e da arquitetura em pedra. Ao observá-los trabalhando, Antônio Francisco, ia nutrindo dentro de si a admiração e otalento pela arte barroca. Aprendeu a desenhar e a pintar à mão livre com João Gomes Batista e, com José Coelho Noronha, aprendeu os segredos da escultura rococó.

    Antônio Francisco Lisboa se tornou um dos mais importantes artistas da História do Brasil. Em pleno ciclo do ouro (século XVIII), encantou a sociedade colonial com suas esculturas, pinturas e obras de arquitetura suntuosas, com detalhes em puro ouro é cheios de curvas arredondadas, formando um conjunto harmonioso.

    E como ironia do destino, o mestre nem mesmo podia freqüentar as igrejas que arquitetou, justamente por causa do preconceito racial da sociedade da época. 

    Nem mesmo a feldade, o preconceito e a doença, que foi deformando-o e lhe tirando os movimentos do corpo, aos poucos, impossibilitaram o trabalho do gênio do Barroco Mineiro. Os doze profetas e a arquitetura das igrejas barrocas de Minas são considerados suas obras mais conhecidas e representativas.

    Para aqueles que querem conhecer um pouco mais sobre Aleijadinho, vale a pena fazer uma viagem para as cidades históricas mineiras.


    postado por E. M. Nações Unidas as 03.08.06 # 14 comentários
    terça, 01 agosto, 2006
    LENDA DA TRADIÇÃO ORAL AFRICANA - ORIGEM: ANGOLA


    Kererê – A Galinha Pintada de Angola

    Numa certa manhã, vinha de cabeça baixa e muito triste uma Kererê, lamentando-se «tô fraca, tô fraca, tô fraca!».

    Resolveu saciar a sede num riacho. Lá deparou-se com uma linda mulher que se banhava e coquete como só ela sabia começou a pintar-se.

    Kererê quando viu aquilo admirou-se: era Dandalunda, aquela que dá brilho às jóias e se banha e pinta antes mesmo de cuidar dos filhos...

    Dandalunda quando percebeu a tristeza daquela ave perguntou-lhe:

     - Porque é essa tristeza Kererê?

    Kererê respondeu-lhe:

    - Entre os meus pares eu sou a mais feia!

    Naquela época Kererê era toda preta...

    Dandalunda então pediu para Kererê se aproximar. Ela pegou em osum amarelo e pintou o seu bico; depois com osum vermelho os brincos. Depois com waji tornou as penas azul escuro e com efum fez as pinturas brancas. E continuou a pintar Kererê. Esta ao ver a sua imagem no abebé de Dandalunda saiu correndo de tanta felicidade cantando "Kuéim, kuéim, kuéim".

    Dandalunda que ainda não tinha terminado de pintar Kererê pediu a Kakulu, divindade dos gêmeos, para que corresse atrás de Kererê e a trouxesse de volta, pois não tinha pintado o seu peito.

    Kererê lá voltou e pediu para que Dandalunda ao invés de pintar o peito lhe desse um colar.

    Dandalunda fez-lhe a vontade e ofereceu-lhe um colar em forma de coroa que Kererê carrega até hoje... e entre os seus pares é a mais linda de todas...

    Tempos depois Kererê voltou e tornou-se o primeiro ser que "tomou" obrigações por aquela que é capaz de modificar todos com a sua doce magia encantada da beleza.

    Kererê, o primeiro ser de cabeça raspada, adornado e pintado por Dandalunda... e é por este motivo que quando um Kererê é sacrificado, os africanos têm que tirar este colar em forma de coroa e coloca-lo em evidência!

    OBS: Kererê é também conhecida por Konquem, "Tô" fraco, Etu ou Galinha d’Angola


    postado por E. M. Nações Unidas as 01.08.06 # 316 comentários
    GALANGA CHICO REI - A TRANFORMAÇÃO DO OURO EM LIBERDADE


    Em meados do século 18, Galanga, rei do Congo, é aprisionado e vendido como escravo. Trazido da África, juntamente com sua família, num navio negreiro, perdera mulher e filhos, com exceção de um. Galanga recebe dos portugueses o codinome de Francisco e, instalando-se em Vila Rica, vai trabalhar nas minas de ouro de um desafeto do governador do lugar. Com o passar do tempo, com as economias obtidas no trabalho aos domingos e dias santos e escondendo pepitas no corpo e nos cabelos, Galanga habilita-se a comprar a alforria de seu filho. Posteriormente, obteve a própria alforria e a dos demais súditos de sua nação que lhe apelidaram de Chico-Rei e, após a desgraça do seu ex-senhor, com a submissão e a solidariedade de seus companheiros e súditos, adquire a riquíssima mina Encardideira, tornando-se o primeiro negro proprietário.
    Casado com a nova rainha, a autoridade e o prestígio do "rei preto" sobre os de sua raça foi crescendo. Ele, com recursos próprios, organiza e se associa à Irmandade do Rosário e Santa Efigênia para ajudar outros negros a comprarem sua liberdade. Por ocasião da festa dos Reis Magos, em janeiro, e na de Nossa Senhora do Rosário, em outubro, havia grandes folguedos típicos, que foram generalizadas com o nome de "Reisados". Nestas festas, Chico-Rei, de coroa e cetro, e sua corte apareciam lá pelas 10 horas, pouco antes da missa cantada,
    apresentando-se com a rainha, os príncipes, os dignatários de sua realeza, cobertos de ricos mantos e trajes de gala bordados a ouro, precedidos de batedores e seguidos de músicos e dançarinos, batendo caxambus, pandeiros, marimbás e ganzás e entoando cânticos africanos.


    postado por E. M. Nações Unidas as 01.08.06 # 1 comentários
    ÁFRICA - CELEIRO DE REALEZA, AVENTURAS E CONQUISTAS 2


    N'ZINGHA M'BANDE

    Rainha Amazona de Matamba, África Ocidental (1582 - 1663)
    Muitas mulheres estiveram entre as grandes dirigentes da África, inclusive esta rainha angolana que era uma astuta diplomata e se sobressaiu bem como líder militar. Quando os escravizadores portugueses atacaram o exército do reino de seu irmão, N'zingha foi enviada para negociar a paz. Com habilidade surpreendente e tato político ela se impôs, apesar do fato de seu irmão ter matado uma criança dela. Mais tarde ela formou seu próprio exército contra os portugueses, e empreendeu uma guerra durante quase trinta anos. Estas batalhas viram um momento sem igual na história colonial quando N'zingha aliou sua nação aos os holandeses, fazendo assim a primeira aliança européia africana contra um opressor europeu. N'zingha continuou com sua considerável influência entre seus assuntos, apesar de estar em exílio forçado. Por causa de seu apelo pela liberdade e seu direcionamento para trazer a paz ao seu povo, N'zingha permanece ainda hoje como um forte símbolo de inspiração.


    postado por E. M. Nações Unidas as 01.08.06 # 22 comentários
    segunda, 31 julho, 2006
    AS ÁFRICAS QUE COLOREM A CULTURA DO BRASIL 2


    O MACULELÊ

    O Maculelê é uma dança, um jogo de bastões remanescente que tem origem Afro-indígena; foi trazida pelos negros da África para cá e aqui foi mesclada com a cultura dos índios cumbis que aqui já viviam.

    A característica principal desta dança é a batida dos bastões uns contra os outros em determinados trechos dos cantos cadenciados acompanhados pela forte batida do atabaque. Esta batida é feita quando, no final de cada frase da música os dois dançarinos cruzam os porretes batendo-os dois a dois.

    Os passos da dança se caracterizam pelos saltos, agachamentos, cruzadas de pernas, etc. As batidas não cobrem apenas os intervalos do canto, elas dão ritmo fundamental para a execução de muitos trejeitos de corpo dos dançarinos.

    O Maculelê tem muitos traços marcados que se assemelham a outras danças tradicionais do Brasil como o Moçambique de São Paulo, a Cana-verde de Vassouras-RJ, o Bate-pau de Mato Grosso, o Tudundun do Pará, o Frevo de Pernambuco, etc.

    Dentro da história da escravidão no Brasil, o Maculelê era a dança que os escravos praticavam no meio dos canaviais ou nas senzalas, com cepos de cana nas mãos para extravasar todo o ódio que sentiam pelas atrocidades e investidas dos feitores. Eles diziam que era dança, mas na verdade era mais uma forma de luta contra os horrores da escravidão e do cativeiro. Os cepos de cana substituíam as armas que eles não podiam ter e os pedaços de pau que, por ventura, não encontrassem na hora.

    Enquanto "brincavam" com os cepos de cana no meio do canavial, os negros entoavam músicas que evidenciavam o sofrimento. Porém, eles as cantavam nos dialetos que trouxeram da África para que os feitores não entendessem o sentido das palavras. Assim como a "brincadeira de Angola" camuflou a periculosidade dos movimentos da capoeira, a dança do Maculelê também era uma maneira de esconder os segredo desta dança que, em realidade, era um jogo, uma luta de defesa onde os negros se defendiam com largas cruzadas de pernas e fortes porretadas que atingiam principalmente a cabeça ou as pernas do oponente, de acordo com o abaixar e levantar do lutador com os porretes em punho, pulando de um lado pro outro dificultando o assédio do oponente.

    Atualmente o Maculelê é considerada uma dança do acervo da cultura popular muito admirada nas apresentações dos grupos capoeiristas, principalmente, nas festas de Nossa Sra da Purificação em Santo Amaro, na Bahia e na festa de São Benedito, em alguns municípios do Espírito Santo.

    Para se preservar a questão da herança cultural e os costumes, os integrantes do grupo de Maculelê devem estar vestidos a caráter, com trajes em tecido de algodão cru ou confeccionados com fibras de palmeira ou bananeira.


    postado por E. M. Nações Unidas as 31.07.06 # 2 comentários
    CANDOMBLÉ - A CRENÇA AFRO-BRASILEIRA HERDADA DAS NAÇÕES ANCESTRAIS


    A FORMAÇÃO DE UMA CRENÇA  AFRO-BRASILEIRA

    INTRODUÇÃO

    Em 1830, algumas mulheres negras originárias de Ketu, na Nigéria, e pertencentes a irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, reuniram-se para estabelecer uma forma de culto que preservasse as tradições africanas aqui no Brasil. Segundo documentos históricos da época, esta reunião aconteceu na antiga Ladeira do Bercô; hoje, Rua Visconde de Itaparica, próximo a Igreja da Barroquinha na cidade de São Salvador - Estado da Bahia. Desta reunião, que era formada por várias mulheres, uma mulher especial ajudada por Baba-Asiká, um ilustre africano da época, se destacou. O motivo principal desta reunião era estabelecer um culto africanista no Brasil, pois viram essas mulheres, que se alguma coisa não fosse feita aos seus irmãos negros e descendentes, nada teriam para preservar as ancestralidade e as origens do "culto de orisá", já que os negros que aqui chegavam eram batizados na Igreja Católica e obrigados a praticar, assim, a religião católica. Porém, como praticar um culto de origem tribal, em uma terra distante de sua Ìyá Ìlú Àiyé Èmí, ou a mãe pátria terra da vida, como era chamada a África, pelos antigos africanos? Primeiramente, tentaram fazer uma fusão de várias mitologias, dogmas e liturgias africanas. Este culto, no Brasil, teria que ser similar ao culto praticado na África, em que o principal quesito para se ingressar em seus mistérios seria a iniciação. Enquanto na África a iniciação é feita muitas vezes em plena floresta, no Brasil foi estabelecida uma mini - África, ou Ilê de Orisás, a casa de culto teria todos os orixás africanos juntos. Ao contrário da África, onde cada orixá está ligado a uma aldeia, ou cidade por exemplo: Sangô em Oyó, Osun em Ijesá e Ijebu e assim por diante.

    A ORIGEM DA PALAVRA CANDOMBLÉ

    Este culto da forma como é aqui praticado e chamado de Candomblé, não existe na África. O que existe lá é o culto à orisá, ou seja, cada nação africana cultua um orisá e só inicia elegun ou pessoa ligada aquele orisá. Portanto, a palavra Candomblé foi uma forma de denominar as reuniões feitas pelos escravos, para cultuar seus deuses, porque também era comum chamar de Candomblé toda festa ou reunião de negros nas senzalas no Brasil. Por esse motivo, antigos Babalorixás e Ialorixás evitavam chamar o "culto dos orisás" de Candomblé. Eles não queriam com isso serem confundidos com estas festas. Mas, com o passar do tempo a palavra Candomblé foi sendo incorporada e passou a definir um conjunto de cultos vindo de diversas regiões africanas. A palavra Candomblé possui 2 (dois) significados entre os pesquisadores: Candomblé seria uma modificação fonética de Candonbé, um tipo de atabaque usado pelos negros de Angola; ou ainda, viria de Candonbidé, que quer dizer ato de louvar, pedir por alguém ou por alguma coisa.

    AS NAÇÕES DO CANDOMBLÉ NA FORMAÇÃO DO CULTO AOS ORIXÁS

    Como forma complementar de culto, a palavra Candomblé passou a definir o modelo de cada tribo ou região africana, desta forma: Candomblé da Nação Ketu, Candomblé da Nação Jeje, Candomblé da Nação Angola, Candomblé da Nação Congo e Candomblé da Nação Muxicongo.

    A palavra Nação entra aí não para definir uma nação política, pois Nação Jeje não existia em termos políticos. O que é chamado de Nação Jeje é o Candomblé formado pelos povos vindos da região do Daomé e formado pelos povos Mahin e os grupos que falavam a língua iorubá, entre eles os de Oyó. Abeokuta, Ijesá e Ebá  vieram constituir uma forma de culto denominada de Candomblé da Nação Ketu. Ketu era uma cidade igual as demais, mas no Brasil passou a designar o culto de Candomblé da Nação Ketu ou Alaketu. Os iorubás, quando guerriaram com os povos Jejes e perderam a batalha, se tornaram escravos desses povos, sendo posteriormente vendidos ao Brasil. Quando os iorubás chegaram naquela região sofridos e maltratados, foram chamados pelos fons de anagô, que quer dizer na língua fon, piolhentos, sujos entre outras coisas. A palavra com o tempo se modificou e ficou nagô e passou a ser aceita pelos povos iorubás no Brasil, para assim definir as suas origens e uma forma de culto. Na verdade, não existe nenhuma nação política denominada nagô. No Brasil, a palavra nagô passou a denominar os Candomblés também de Xamba da região nordeste, mais conhecido como Xangô do Nordeste. Os Candomblés da Bahia e do Rio de Janeiro passaram a ser chamados de Nação Ketu com raízes iorubás. Porém, existem variações de Nações como Candomblé da Nação Efan e Candomblé da Nação Ijexá. Efan é uma cidade da região de Ijesá próxima a Osobô e ao rio Osun. Ijexá não é uma nação política, é o nome dado aos que nasceram ou viveram na região de Ijesá, que caracteriza esta Nação no Brasil e que tem Osun como a sua rainha.  Da mesma forma como existe uma variação no Ketu, há também no Jeje, como por exemplo, Jeje Mahin. Mahin era uma tribo que existia próximo à cidade de Ketu. Os Candomblés da Nação Angola e Congo foram desenvolvidos no Brasil com a chegada desses africanos vindos de Angola e Congo. A partir daí, muitas formas surgiram seguindo tradições de cidades como Casanje, Munjolo, Cabinda, Muxicongo e outras. 

    A verdade é que o culto nigeriano de orixá, chamado de Candomblé no Brasil, foi organizado por mulheres para mulheres. Antigamente, nos primeiros Ilês de Candomblé, não era permitido aos homens entrar na roda de dança para os orixás. Mesmo os que tornavam-se babalorixás tinham uma conduta diferente quanto à roda de dança. Desta forma, a participação dos homens era puramente circunstancial. Daí ter que se inserir no culto vários cargos para homens, como por exemplo, os cargos de ogans (batedores de atabaques). Hoje a palavra Candomblé no Brasil, define o que chamamos de Culto Afro-Brasileiro.


    postado por E. M. Nações Unidas as 31.07.06 # 0 comentários
    A CRENÇA ANCESTRAL QUE ORIGINOU A DIVERSIDADE NOS CULTOS AFRO-BRASILEIROS


    O culto afro-brasileiro acompanha quase toda a História do Brasil sob as várias formas que suas diferentes origens determinaram. O Candomblé e a Umbanda são os mais conhecidos.

    Com a proibição de práticas religiosas pelos senhores, a complexidade das diferentes etnias e o conseqüente sincretismo dos deuses dos escravos com os santos católicos, cresceu a diversidade do fenômeno.

    Esse problema cresceu ainda mais com a disseminação desses cultos nos grandes centros urbanos, o que propiciou o aparecimento de novas formas de sincretismo.

    O culto afro-brasileiro toma o nome de Pajelança na Amazônia, Babacuê no Pará, Tambor-de-Mina no Maranhão, Xangô em Alagoas, Pernambuco e Paraíba e Batuque no Rio Grande do Sul, Afoxé na Bahia e Catimbó em todo Nordeste.

    Os cultos nagô ou iorubá cultuam os orixás. Os jeje cultuam os voduns. Os bantos são um grupo linguístico que tem muitas religiões de acordo com a experiência religiosa dos antepassados de cada grupo. Há muitos que cultuam Zâmbi. Os adeptos do Omolocô angolano cultuam Zâmbi e os bakuros. Outros angolanos conhecem os inkices. Todos estes cultos sustentam a memória de seus povos e a fé nos mitos de origem e nas forças da natureza; cultuam seus reis, heróis e guerreiros e vários reverenciam os ancestrais do Brasil: os caboclos.

    São típicos nos cultos afro-brasileiros a dança, os tambores, os pontos cantados, o transe e a iniciação dos novatos.

    A dança e a música, nas culturas africanas, são funcionais, destina-se, via de regra, a cumprir deveres religiosos, não apenas de culto, mas propiciatórios, para facilitar as diversas atividades, da guerra, da caça, da agricultura etc, para celebrar ritos de passagem; em suma, está associada à vida do homem em todas as suas manifestações. Em certos casos exige máscaras ou adornos especiais. A condição de escravo impedia o negro na América de realizar todos esses deveres com suas divindades. O negro na América tinha pouco tempo e muitas vezes nenhuma liberdade para cantar e dançar. A reinterpretação que fez, estabelecendo o sincretismo religioso, não foi apenas oriunda de pontos de contato e semelhanças na invocação dos santos católicos e de todos seus Deuses, mas, por igual, um instrumento claro de defesa.

    No Brasil, os cultos afro-brasileiros só começam a ter existência depois da Abolição da Escravatura, em 1888, embora vigiados, perseguidos pelo preconceito e ultrajados pela polícia.

    O culto afro-brasileiro é menos verbal, é mais gesto, dança, musicalidade, oferta, é mais transe. Não cumpre um ritual escrito em livros litúrgicos; pois o próprio encontro com os orixás ou com os antepassados determina, em boa parte, a seqüência do culto. Há muito respeito nesse momento. Há ali o comportamento religioso de uma comunidade celebrante.

    Durante os cultos, diante das entidades incorporadas, o povo negro guarda a memória da África e da escravidão, seus símbolos de resistência e a consciência da dignidade.

    O Candomblé das diversas "nações" africanas é o paradigma dos cultos de origem africana em todo o país. É a religião afro-brasileira que mais fielmente preserva as tradições dos antepassados e a menos permeável às transformações sincréticas, embora cultue secundariamente entidades assimiladas, como os caboclos e os pretos velhos. Predomina na Bahia e tem muitos seguidores no Rio de Janeiro.

    O ritual do Candomblé pode ser considerado, do ponto de vista musical, um oratório dançado, uma festa, também chamada “ordem de xirê” (brincadeira, na língua ioruba). Cada entidade - orixá - tem suas cantigas e suas danças específicas. O canto é puxado, em solo, pelo pai ou mãe-de-santo e é seguido por um coro em uníssono, formado pelos filhos-de-santo. Da cerimônia participam três instrumentos básicos na convocação dos orixás: os djembes, o agogô e o piano-de-cuia (aguê); a estes se acrescentam um adjá (no Candomblé das nações do grupo jeje-nagô) e um caxixi (nos ritos do grupo angola-congo). 
    Tal como se encontra na Bahia, esse Candomblé, que pode ser considerado mais ou menos ortodoxo, na realidade já se apresenta como um resumo de várias religiões trazidas pelos negros da África e incorpora ainda elementos ameríndios, do catolicismo popular e do espiritismo. 

    A Umbanda é religião sincrética que se originou do intercâmbio entre os escravos, os índios e o colonizador. A Umbanda mistura os orixás, a crença e a sabedoria indígenas, o catolicismo e o espiritismo e tem como filosofia a caridade e a cura. Grande quantidade de terreiros ou barracões de Umbanda estão no estado do Rio de Janeiro e Espírito Santo. A Umbanda é também praticada em terreiros encabeçados por um pai ou mãe-de-santo, que preside às cerimônias, auxiliado por um cambono. Os cânticos denominam-se pontos e, como no candomblé, têm a função de chamar a entidade, que se incorpora nos filhos-de-santo, ou cavalos. Correspondentes às nações do Candomblé, as linhas de Umbanda são diversas: linha do Congo, linha do Cabinda, linha da Costa. Como no Candomblé, os orixás se comunicam diretamente com as pessoas em poucas oportunidades; preferem fazê-lo por intermédio de entidades intermediárias, os pretos velhos ou caboclos, pela sabedoria de sua ancestralidade.

    O Xangô, ainda que com características próprias, é a versão local, em Pernambuco, Paraíba e Alagoas, do Candomblé baiano. Provavelmente porque nestas regiões se concentrava um grande número de escravos “filhos de Xangô”. Xangô é também a denominação, em língua africana, do orixá jeje-nagô das tempestades, raios e trovões, cultuados em vários estados do Brasil. O ritmo do Xangô é fortemente marcado por instrumentos percussivos. A dança se caracteriza pelo aspecto guerreiro, com os braços em ângulo reto e as mãos viradas para cima.

    O Tambor-de-Mina manifestação popular pela qual é conhecida a religião que os descendentes de negros africanos de origem jeje e nagô trouxeram para o Maranhão. Mesclado a outras sobrevivências litúrgicas, o Tambor-de-Mina caracteriza-se por uma série de cantos do ritual Angola-Congo do Candomblé acompanhados por três tambores, uma cabaça, um agogô e um triângulo de ferro. 

    Os rituais tem lugar em casas de culto conhecidas como Ilê de Mina Jeje. É uma religião de possessão, onde os iniciados recebem entidades espirituais cultuadas pelo seu pai de santo em rituais conhecidos como tambor.

    Mediante o toque dos instrumentos, os iniciados, em grande parte mulheres, vestidas com roupas específicas para o ritual, dançam e incorporam as entidades espirituais. Em São Luís, duas casas de culto africano deram origem a esta forma de manifestação da religiosidade dos negros: a Casa das Minas e a Casa de Nagô. A Casa das Minas foi fundada por negras trazidas do reino do Daomé (hoje Benim), habitado por negros Mina. Nesse terreiro são recebidas entidades espirituais denominadas voduns. A Casa de Nagô, também fundada por descendentes de africanos, deu origem aos demais terreiros de São Luís, onde são recebidas entidades caboclas de origem européia ou nativa.

    O Candomblé-de-Caboclo é manifestação própria da cidade de Salvador e municípios vizinhos, na Bahia, o Candomblé-de-Caboclo é uma espécie de candomblé nacionalizado, que toma por base a filosofia do Candomblé jeje-nagô. Trata-se de exemplo nítido do sincretismo religioso popular no Brasil. Registram-se nele influências indígenas e mestiças, resumindo-se os hinos especiais de cada encantado ou caboclo, cantados em português, a uma declaração de seus poderes sobrenaturais.

    O Babaçuê é a versão local, em Belém PA, do rito jeje-nagô do Candomblé baiano, o Babaçuê se assemelha em muitos pontos ao Candomblé-de-caboclo. Canta-se e dança-se ao ritmo de três abadãs (tambores), um xequeré (cabaça) e um xeque (chocalho de folha-de-flandres). Os hinos denominam-se doutrinas e podem ser cantados em dialeto iorubá ou em português, segundo os espíritos com que se relacionam. Uma variedade desse rito, o batuque, tem suplantado o Babaçuê nos dias atuais.

    A Pajelança (Amazonas, Pará, Piauí, Maranhão) tem como elemento gerador genuinamente o índio. As curas são levadas a efeito pelos pajés, verdadeiros “xamãs” indígenas. O instrumento básico de pajelança é o maracá, instrumento sagrado do pajé. As cerimônias acompanham-se sempre de cantos e danças para divertir os espíritos. Os cantos são melodias folclóricas conhecidas; as danças, exercícios mímicos, com rugidos e uivos imitativos dos animais invocados. Há inúmeras diferenças rituais na Pajelança, sendo mais característica nas rurais a pureza dos traços ameríndios, enquanto nas urbanas se registra uma mescla de elementos africanos, do catimbó, do espiritismo e do baixo catolicismo. Na pajelança urbana quem celebra os ritos é o pai-de-santo e não o pajé.

    Uma versão da Pajelança é a encantaria piauiense e maranhense fortemente aculturada com o catolicismo popular. Na encantaria, os crentes repetem várias vezes certa quadra rogatória de purificação, após o que o pai-de-santo dança em volta da guna (forquilha central da sala), no centro de um círculo formado por todos os dançantes, que giram sobre si mesmos da direita para a esquerda, em torno do mestre, que entoa cantos (aié) para que algum moço (espírito) se aposse de seu aparelho (filho ou filha-de-santo) e cante sua doutrina, dançando em transe.

    O Afoxé é uma dança cortejo ligada ao Candombé, conhecida como Candombé de Rua, típica do carnaval baiano. Após os ritos religiosos nos terreiros, onde são evocados os orixás, o grupo sai para a rua, entoando canções com palavras em língua iorubá. Para marcar o ritmo são usados instrumentos como agogõs, atabaques e xerequês. Entre os afoxés, o mais conhecido popularmente é o Filhos de Gandhi, cujos integrantes se vestem de branco e azul, com turbantes na cabeça. O primeiro afoxé baiano foi organizado em 1895 pelos negros nagôs e desfilou com roupas e objetos de adorno importados da África.

    O Catimbó, cuja origem e prática podem ser encontradas em todo Nordeste, parece ser a magia branca européia, chegada via Portugal, aculturada com elementos africanos, da crença indígena, do espiritismo e do baixo catolicismo. Nele se registram cantos de linhas, mas sem nenhum instrumento musical nem bailado votivo.

    O Batuque estruturou-se no século XIX, no Rio Grande do Sul e, hoje, segue fundamentos, principalmente das raízes da nação Ijexá, proveniente da Nigéria, e dá lastro a outras nações como o Jeje do Daomé, hoje Benin, Cabinda Angolano e Oyó, também da região da Nigéria. O Batuque surgiu como diversas religiões afro-brasileiras praticadas no Brasil, tem as suas raízes na África, tendo sido criado e adaptado pelos negros no tempo da escravidão. Um dos pioneiros do Batuque foi o Príncipe Custódio de Xapanã. O nome do culto foi dado pelos brancos, sendo que os negros o chamavam de Pará. É a junção de todas estas nações que se originou esta cultura ancestral conhecida como Batuque.


    postado por E. M. Nações Unidas as 31.07.06 # 0 comentários
    quinta, 27 julho, 2006
    A PRESENÇA DA RAÍZ AFRICANA NA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA


    As matrizes africanas que contribuíram para moldar a cultura e a música brasileira são aqui discutidas. Das congadas ao samba, passando pelos afoxés e blocos afros como o Olodum e a Timbalada, a presença de elementos musicais e religiosos provenientes da África é marcante na nossa história, como ainda hoje se evidencia nas escolas de samba e nos sambas-enredo. Mas atualmente também se constata uma progressiva desafricanização da música popular brasileira, principalmente no samba.

    Desafricanização, como sabemos, é o processo por meio do qual se tira ou procura tirar de um tema ou de um indivíduo os conteúdos que o identificam como de origem africana. Acreditamos que a música popular brasileira, de raízes tão acentuadamente africanas, seja vítima de um processo de desafricanização ainda em curso.

    A cultura brasileira e, logicamente, a rica música que se faz e consome no país estruturam-se a partir de duas básicas matrizes africanas, provenientes das civilizações conguesa e iorubana. A primeira sustenta a espinha dorsal dessa música, que tem no samba a sua base. A segunda molda, principalmente, a música religiosa afro-brasileira e os estilos dela decorrentes. Entretanto, embora de africanidade tão expressiva, a música popular brasileira, hoje, distancia-se cada vez mais dessas matrizes e toma o rumo para uma globalização tristemente enfraquecedora.

    Dos tambores das senzalas ao samba: a matriz bantu

    No Brasil os tambores das nações bantu e iorubana se misturaram nas senzalas e foram ganhando formas diversas, ritmando as cantorias da umbanda e do candomblé. Os rituais afro-religiosos nos legaram os jongos, afoxés, cantigas de capoeira, sambas de roda e caxambus, bem como os congos de Minas Gerais e Espírito Santo.

    Nos primeiros anos da colonização, as ruas das principais vilas brasileiras assistiam às festas de coroação dos “reis do Congo”, personagens que projetavam simbolicamente em nossa terra a autoridade dos muene-e-Kongo, com quem os exploradores quatrocentistas portugueses trocaram credenciais em suas primeiras expedições à África subsaariana.

    Esses cortejos de “reis do Congo”, na forma de congadas, congados ou cucumbis (do quimbundo kikumbi, festa ligada aos ritos de passagem para a puberdade), influenciados pelas procissões católicas do Brasil colonial e imperial, constituíram, certamente, a velocidade inicial dos maracatus, dos ranchos de reis (depois carnavalescos) e das escolas de samba – que nasceram para legitimar o gênero que lhes forneceu a essência.

    Sobre as origens africanas do samba o vocábulo teria nascido de dois verbos da língua iorubá: san, pagar, e gbà, receber. O vocábulo é, sem dúvida, africaníssimo.  Não é iorubano, mas legitimamente bantu.

    Samba, entre os quiocos de Angola, é verbo que significa “cabriolar, brincar, divertir-se como cabrito”. Entre os bacongos angolanos e congueses o vocábulo designa “uma espécie de dança em que um dançarino bate contra o peito do outro”. E essas duas formas se originam da raiz multilinguística semba, rejeitar, separar, que deu origem ao quimbundo di- semba, umbigada – elemento coreográfico fundamental do samba rural, em seu amplo leque de variantes, que inclui, entre outras formas, batuque, baianada, candombe, coco, calango, lundu, jongo etc. Há também muitos indícios de que foi dos sembas que surgiram as salsas centro-americanas e daí o carimbó do Norte brasileiro.

    Responsáveis pela introdução, no continente americano, de múltiplos instrumentos musicais, como a cuíca ou puíta, o berimbau, o ganzá, o afoxé, o balafon e o reco-reco, bem como pela criação da maior parte dos folguedos de rua até hoje brincados nas Américas e no Caribe, foram certamente africanos do grande grupo etnolingüístico banto que legaram à música brasileira as bases do samba e a grande variedade de manifestações que lhe são afins.

    Dentre as danças do tipo batuque ou samba, todas elas trazem, no nome e na coreografia, evidências de origem banta, apresentando muitas afinidades e expressão coreográfica muito apreciada nas regiões angolanas de Luanda e Benguela.

    Da Pequena África do samba para as cordas do violão da bossa - nova

    Os batuques festivos herdados de Angola e Congo certamente já se achavam no Brasil havia muito tempo. E pelo menos no final do século XIX eles já tinham moldado a fisionomia do nosso samba nos morros do Rio de Janeiro e nas áreas rurais.

    Com a inserção da comunidade baiana, na Cidade do Rio de Janeiro, na região conhecida historicamente como “Pequena África” – espaço sócio-cultural que se estendia da Pedra do Sal, no morro da Conceição, nos Bairros da Saúde e Santo Cristo e nas cercanias da atual Praça Mauá, até a Praça Onze, o samba começa a ganhar feição urbana. Nas festas dessa comunidade a diversão era o choro – uma cadência mais dolente, conjunto musical composto basicamente de flauta, cavaquinho e violão e o samba rural ou o samba de quintal, ou ainda conhecido como samba de raiz, batido na palma da mão, no pandeiro, no prato-e-faca e dançado à base de sapateados, peneiradas e umbigadas. Foi aí  então que surgiram, como numa reação química em cadeia, outras formas musicais – o samba de breque, o sincopado, o samba-canção, aliados à culinária afro-descendente, uma diversidade que veio dar origem ao samba urbano carioca. E esse samba só começou a adquirir os contornos da forma atual ao chegar aos bairros do Estácio e de Osvaldo Cruz, aos morros, para onde foi empurrada a população de baixa renda quando, na década de 1910, o centro do Rio sofreu sua primeira grande intervenção política e urbanística. Nesses núcleos, para institucionalizar seu produto, então, foi que, organizando-o, legitimando-o e tornando-o uma expressão de poder, as comunidades negras cariocas criaram as Escolas de Samba.

    Na segunda metade dos anos cinqüenta, o samba foi sendo ritmado nas cordas dos violões, resultando no samba-bossa nova, com influência harmônica do negro jazz tradicional.

    E no vasto folclore brasileiro com seu infinito número de danças, cantos e ritmos, apareceram, no Estado do Rio de Janeiro, o calango, o congo, o jongo e a ciranda, de raízes essencialmente negras.

    Portanto, quase todos os ritmos e gêneros que fazem a música popular brasileira de consumo de massa se originam do samba ou com ele tem uma certa afinidade.


    postado por E. M. Nações Unidas as 27.07.06 # 22 comentários
    terça, 25 julho, 2006
    A FÉ CRISTÃ QUE CANONIZOU NEGROS


    A vida na África antes dos europeus era muito diferente dos dias atuais,  muito dos povos africanos viviam em grandes civilizações, tinham religiões e culturas próprias, viviam em cidades ou em aldeias conforme suas tribos, a vida religiosa era o fator mais importante nas comunidades africanas, sacerdotes eram muitas vezes chefes e reis em determinadas tribos e nações devido a sua influência.

    As principais características das várias nações e povos africanos eram: a religiosidade, a vida comunitária, a música, a dança, e a arte. Pouco sabe dos primórdios dos povos africanos, o que sabemos veio através da oralidade, passado de gerações a gerações e por estudos arqueológicos.

    Até mesmo antes das Cruzadas e das Missões Cristãs terem chegado à África, muitos povos, principalmente os do norte do continente - Egito, Líbia, Sudão, Etiópia e Tunísia já conheciam o cristianismo; muitos já eram até adeptos.

    O próprio Jesus Cristo foi levado, em fuga, pela sua famíla para o Egito, logo após o seu nascimento. A Etiópia tinha um relacionamento muito íntimo com o judaísmo desde os tempos de Moisés e da Rainha de Sabá, nisto veio o surgimento dos judeus negros que foram seguidores de Moisés ou serviam àquela rainha.

    A Rainha Candace da Etiópia, apesar de não ter se convertido ao Cristianismo, apoiou na conversão de muitos do seu povo, inclusive na conversão de um de seus guerreiros de confiança que acabou se tornando um dos primeiros missionários de origem africana. Mas infelizmente esse encontro da África com o Cristianismo foi sufocado pelos interesses da Cristandade e pelo Islamismo radical, fato este que contribuiu para que muitos povos perdessem a sua identidade ancestral e organização com a escravização, a exploração, a segregação étnica e a colonização.

    Contudo a fé cristã na África não parava de crescer e iam surgindo em cada canto as Irmandades Negras com o intuito de divulgar os ensinamentos do Evangelho de Cristo num continente em decadência, naturalmente, preservando e respeitando a identidade e a cultura de todos os povos.

    Tais irmandades sobreviveram depois dessa cristianização, graças aos feitos de seus líderes negros que fizeram do cristianismo na África algo novo e, em sua essência, uma doutrina pura e perfeitamente contextualizada com as culturas locais.

    Embora a África fosse um continente de diversidade étnica, cultural e religiosa, o continente teve como reconhecimento a canonização desses líderes negros que se converteram ao Cristianismo.

    A África passa a cultuar não só a fé em Alá e nos Orixás como também nos Grandes Santos Negros que ela mesma gerou:

    São Benedito, Santa Josephina, Santa Mônica, Santo Antônio de Categeró, São Elesbão, São Melquíades, Santa Felicidade, Santa Perpétua, Santo Moses, São Cirilo de Alexandria, Santo Agostinho, Santo Atanásio, São Frumêncio, Santo Antão, São Cipriano, São Saturnino e outros.

    No Brasil, da fé cristã e da devoção dos negros na época da escravidão foi gerada a Santa Escrava Anastácia que operou vários milagres, porém ainda não foi canonizada, mas é louvada nas Paróquias de Nossa Senhora do Rosário.

    Já a maior devoção do povo brasileiro está centrada nos milagres operados pela imagem misteriosa da santa negra enegrecida Senhora de Aparecida, encontrada por três humildes pescadores em 1917, no leito do Rio Paraíba do Sul, no Vale do Paraíba, aonde todos os anos milhares de brasileiros vão em romaria à sua Basílica.

    São Benedito também passou a fazer parte da devoção dos brasileiros e, inclusive, está presente no nosso folclore com celebração religiosa de origem afro-brasileira; a festa, no mês de outubro, é marcada pela apresentação de danças folclóricas como o congo, o samba de roda, a umbigada, o pastoril, o jongo, o caxambu, a ciranda e o maculelê, dependendo da região onde ela é celebrada.


    postado por E. M. Nações Unidas as 25.07.06 # 1 comentários
    A METÁFORA DO PRECONCEITO E AS CONOTAÇÕES DA PALAVRA "NEGRO"


    Será que isso é “coisa de pele”?

    Em uma sociedade preconceituosa, o negro é visto como ser inferior, primitivo, retardado, delinqüente, perverso, desonesto, tolo, possuidor de maus instintos, sujo, irresponsável, preguiçoso, incapaz, etc. Esses preconceitos tornam-se traços semânticos das palavras preto/negro que vão sendo reproduzidos em inúmeras metáforas que utilizam essa cor.

    As metáforas que utilizam signos que representam a cor negra, introjetam inconscientemente até mesmo no falante de afro-descendência o preconceito racial/social. Essas metáforas fazem parte de nosso sistema conceitual e seu uso intenso faz com que o falante incorpore, e passe a considerar como seus, os valores preconceituosos que permeiam a linguagem.

    A interpretação da metáfora está ligada às idéias de denotação e conotação, ou seja, à significação com valor REFERENCIAL e à significação associada a valor EMOCIONAL. Assim:

    “O dia hoje está negro” teria como sentido denotativo um dia sem sol, com nuvens escuras e como sentido conotativo ou metafórico, um dia cheio de problemas, aborrecimentos ou tensões.

    “Ele é um negro de alma branca” está produzindo um enunciado falso, pois não se atribui cor à alma. No entanto, a intenção da metáfora é dizer outra coisa, como, por exemplo, "ele é um negro que possui qualidades próprias das pessoas brancas".

    "A situação está preta", descreve uma idéia real, mostra que alguma coisa não está bem, está adversa, ruim, etc. A idéia implícita "negro é ruim, adverso", no entanto, é falsa, preconceituosa, introjetada em nossas mentes, como se fosse um atributo da palavra negro.

    “Isso é trabalho pra negro” enfatiza-se aí a escravidão, a desigualdade, a exclusão e o racismo através da palavra negro.

    “O diabo não é tão preto como se pinta” associa a palavra preto à figura e ao comportamento demoníaco.

    “A fome é negra” utiliza a palavra "negro" para enfatizar o desespero e a desolação com o problema da fome.

    Vocabulário que carrega preconceitos

    câmbio negro: comércio ou transação ilegal.

    mercado negro ou câmbio negro: comércio ilegal.

    prejuízo preto: prejuízo imenso.

    caixa-preta: falta de transparência.

    lista negra: relação de coisas ou pessoas consideradas prejudiciais.

    humor negro: humor que choca pelo uso de elementos mórbidos ou macabros

    magia negra: bruxaria.

    peste negra: doença que assolou a Europa na Idade Média.

    ovelha negra: pessoa ou entidade que se destaca pelo mau procedimento.

    besta negra: inimigo, problema de difícil solução.

    asa negra: pessoa que prejudica ou embaraça um grupo com freqüência.

    língua negra: vala que despeja esgoto no litoral ou nos mananciais.

    mancha negra: vergonha.

    lado negro: lado ruim, negativo.


    postado por E. M. Nações Unidas as 25.07.06 # 1 comentários
    SABEDORIA DE CARÁTER POPULAR: COLETÂNEA DE PROVÉRBIOS AFRICANOS - PARTE 2


    1. "Quando um  rei tem conselheiros bons, seu reino é pacífico".

    2. "Não chame o cachorro com o chicote em sua mão".

    3. "Sem vingança, os males do mundo um dia serão extintos".

    4. "A igualdade não é fácil, mas a superioridade é dolorosa".

    5. "O conhecimento é como um jardim: se não for cultivado, nada pode ser colhido".

    6. "O vento não quebra um bambu que se dobra".

    7. "Um peixe grande é pego com isca grande".

    8. "Um camelo não zomba da corcunda de outro camelo".

    9. "Uma filha tola ensina sua mãe como carregar as crianças".

    10. "A esperança é o pilar do mundo".

    11. "O conhecimento não é a coisa principal, mas as ações".

    12. "Não importa quato longa seja a noite, o dia virá certamente".

    13. "Quando a lua não está cheia, as estrelas ficam mais brilhantes".

    14. "Não pise no rabo do cachorro e ele não o morderá".

    15. "O coração do homem sábio encontra-se quieto como a água límpida".


    postado por E. M. Nações Unidas as 25.07.06 # 1 comentários
    segunda, 24 julho, 2006
    AS ÁFRICAS QUE COLOREM A CULTURA DO BRASIL 1


    Mostraremos nesta seção, semanalmente, toda a diversidade da herança cultural africana no patrimônio cultural e folclórico brasileiro de afrodescendência que mantém vivos a chama e o elo da ancestralidade.

    MARACATU DE NAÇÃO

    Dança típica do Nordeste, principalmente de Pernambuco. Maracatu é uma dança com batuque, no qual um grupo de adeptos das religiões afro-brasileiras da linha Nagô saem fantasiados às ruas para fazer saudações aos orixás, em um cortejo carnavalesco onde reis, rainhas, damas de honra, príncipes, princesas, índios emplumados e baianas cruzam as ruas dançando, pulando e passando de mão em mão a calunga, boneca de pano enfeitada presa num bastão que encarna a divindade dos orixás, recebendo em sua cabeça os axés e a veneração do cortejo. O ritmo frenético que acompanha o maracatu originou-se das Congadas, cerimônias de escolha e coroação do rei e da rainha da "nação" negra.

    Ao primeiro acorde do maracatu, a rainha ergue a calunga para abençoar a "nação". Atrás vão os personagens, com chapéus imensos, evoluindo em círculos e seguindo o cortejo, recitando versos ou toadas com que evocam histórias regionais.

    Seu início e fim são determinados pelo som de um apito. O tirador de loas é o cantador das toadas, que os integrantes respondem ou repetem ao seu comando. O instrumental, cuja execução se denomina toque, é constituído pelo gonguê, tarol, caixa de guerra e zabumbas.

    Na linguagem popular, a palavra maracatu é empregada para expressar confusão; desarrumação; fora de ordem. É também interessante ressaltar que na África não existe nada parecido com o nosso maracatu.

    Acesse o site e veja os vídeos:

    http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=1805

    http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=791


    postado por E. M. Nações Unidas as 24.07.06 # 53 comentários
    quarta, 19 julho, 2006
    DA ÁFRICA AO BRASIL, A HOMOGENEIZAÇÃO DAS DIVERSIDADES


    Para se entender aspectos da cultura brasileira, devemos considerar os costumes e as heranças originadas a partir de muitas das práticas ancestrais africanas que aqui foram deixadas pelos escravos e por seus descendentes. Sabemos que no processo da diáspora africana para as Américas, as práticas e os costumes culturais sofreram diferentes formas de ressignificação e reelaboração, de modo que não podemos afirmar a permanência de uma autêntica e, portanto, pura, cultura africana no Brasil.

    Com relação às ressignificações das práticas, estas não podem ser entendidas sem que seja pensada a condição dos muitos homens e mulheres que para o Brasil vieram como cativos. A adaptação de suas crenças, línguas, de seus usos e costumes à nova terra que doravante iriam habitar, deve ser entendida como tentativa de manter a inteligibilidade de um mundo “novo”e, ao mesmo tempo, complexo, em que muitas de suas tradições foram refeitas, deixando umas de existir e outras assumindo novas identidades, agregadas a outros modos e costumes. As práticas a que chamamos de ressignificadas e reelaboradas, também podem ser definidas como as heranças deixadas pelos escravos africanos e que compõem o acervo cultural brasileiro. Estas heranças são compostas das contribuições de homens e mulheres de diferentes culturas africanas, somadas a outras tantas que já existiam na América, sejam trazidas pelos europeus, sejam as dos grupos indígenas.

    É necessário desmistificar a idéia de que a África possui uma universalidade. A África é um caldeirão de grande diversidade; é um berço de várias culturas com muitas diferenças nos aspectos lingüísticos, religiosos, culturais ou étnicos.


    postado por E. M. Nações Unidas as 19.07.06 # 8 comentários
    DOM OBÁ - PRÍNCIPE DO POVO, HERÓI DOS DESVALIDOS NAS RUAS DESTA PEQUENA ÁFRICA


    Nos meados do século XIX a cidade do Rio de Janeiro se tornou a maior metrópole africana do hemisfério ocidental.  Uma grande comunidade negra que revelou como as identidades étnicas de "Nação", criadas pelo tráfico negreiro, eram capazes de ser recriadas pelos africanos a partir da correlação de forças e conquistas dentro deste próprio quilombo urbano.

    Este era o tempo em que viveu Cândido da Fonseca Galvão, ou melhor, Dom Obá II D'África, um líder popular afro-brasileiro das ruas do Rio, pioneiro do movimento da negritude e da luta pela igualdade racial no Brasil, que atuou no período de transição da escravidão para a Abolição.

    Filho de africanos forros, brasileiro de primeira geração, era, ao mesmo tempo, por direito de sangue, príncipe africano, neto, ao que tudo indica, do poderoso Aláàfin Abiodun, o último soberano a manter unido o grande império de Oyó na segunda metade do século XVIII.

    Dom Obá (que quer dizer "rei" em iorubá) nasceu na Vila dos Lençóis, no sertão da Bahia, por volta de 1845.

    D. Obá se alistou e lutou na Guerra do Paraguai (1865-70), de onde saiu oficial honorário do Exército brasileiro, por bravura. De volta ao país, fixou residência no Rio, onde era tido pela sociedade de bem como um homem meio amalucado, uma figura folclórica e era, ao mesmo tempo, respeitado e reverenciado como um príncipe real por escravos, esfarrapados, libertos e homens livres de cor que viviam nesta África carioca.

    Amigo pessoal do Imperador D. Pedro II, assumiu papel histórico importante no processo de Abolição, pois era o elo entre as elites do poder monárquico e a massas populares.

    Dom Obá desenvolveu um pensamento alternativo da sociedade e do próprio processo histórico brasileiro. Talvez pelo conteúdo mesmo de suas idéias, talvez por sua linguagem crioula, dosada com alguns toques de iorubá e mesmo latim. Apesar de seu discurso ter parecido opaco, incompreensível para a elite letrada da época, abolicionistas e a camada popular compartilhavam de suas idéias, que brotavam de dentro das quitandas.

    O Príncipe Dom Obá, independentemente de sua linhagem monárquica, tinha posições política bem definidas em prol da igualdade e da justiça social. Contrariou as filosofias evolucionistas e etnocêntricas da ciência com relação ao processo de miscigenação brasileira.

    O príncipe ensinou ao negro a orgulhar-se de sua cor e, por não acreditar em superioridades, era "amigo dos” brancos “ e de todos aqueles que tinham a sensatez de compreender que o valor não está na cor.

    Na verdade, para Dom Obá, não parece existir exatamente uma "questão racial", mas uma questão de cultura, de informação, de desconhecimento. Portanto, o seu desconsolo com esta nova África, onde ainda há quem cultive as tolices  do preconceito e da desigualdade.

     

    "Sou conservador para conservar o que for bom e liberal para reprimir o preconceito e a injustiça social", disse Dom Obá, um Cidadão Negro Brasileiro.


    postado por E. M. Nações Unidas as 19.07.06 # 0 comentários
    LENDA DA TRADIÇÃO ORAL NAGÔ


                             A Criação do Mundo num Encontro de Amor

                                                          (lenda Iorubana)

    Contam três princesas Iorubás - Ya Calá, Ya Detá, Yá Nassô - que muito antes da Terra surgir, existiam no grande Universo duas grandes dinastias - Ifé (considerada pelos Iorubás "O Berço do Mundo") e Oyó.

    Os reis destas dinastias – Odudua em Ifé e Oraniyan em Oyó - foram divinizados por Olorum – o  Senhor Supremo de Orum (o Universo) .

    Nas duas cidades, a lenda conta que os dois líderes chegaram da morada de Olorum, trazendo uma substância escura e desconhecida, fornecida pelo Senhor Supremo e a jogaram sobre as águas primitivas formando um pequeno monte de terra sobre o qual pousou uma galinha com penas preto-azuladas e cintilantes, com pintas brancas por todo o corpo que, ao ciscar, espalhava  um monte de terra para Odudua,; originando Ifé e outro monte para Oraniyan; originando Oyó – reinos do céu onde se tornaram governantes absolutos.

    E enquanto Odudua e Oraniyan reinavam, Olurum tomou uma importante decisão – a de criar o mundo.  Ordenou, então, a Obatalá, seu filho guerreiro, que rendesse a Bará os tributos devidos e não perdesse tempo e partisse com a missão de criar um mundo onde todos os seres vivessem em perfeito equilíbrio, de acordo com Suas leis.

    Olorum entrega a Obatalá o cajado da criação, porém, por causa de sua pressa, parte desprezando o Legbará. Durante o trajeto, parou para beber um pouco de vinho de palmeira e, embriagando-se, adormeceu e perdeu-se do seu destino.

    Oduduá, a divina senhora, aproveitando-se da situação, foi ao encontro de Obatalá, que estava num sono profundo, seduziu-o e, apoderando-se de seu mágico cajado, ela começou a transfiguração física da Terra que, no começo, era uma porção de matéria líquida.

    Oduduá jogou cinco galinhas d'angola sobre ela e mandou que elas começassem a ciscar para espalhar a terra e formar os continentes.

    Mas só existia a terra, Oduduá soltou então pombos brancos e assim nasceu o céu e formou-se o ar.

    De um camaleão dourado surgiu o elemento fogo e, com os caracóis, foi formado o grande mar salgado e os rios.

    Esses animais foram então associados aos deuses, cada qual com sua simbologia. As galinhas d'angola se tornaram as Iaôs, sacerdotizas dos rituais, os pombos brancos representavam Oxalá, o orixá-rei, o camaleão, os orixás do fogo e dos elementos da terra - Xangô, Iansã e Ogun e os caracóis, os reis do mar e dos peixes Olokum e Iemanjá.

    E assim, depois desse encontro de amor de Oduduá e Obatalá, nasce a vida na Terra - a África, a Mãe de todos os seres, o primeiro reino do mundo onde mais tarde as três princesas reinariam com a missão de perpetuarem esta história da Criação.

     


    postado por E. M. Nações Unidas as 19.07.06 # 1 comentários
    terça, 18 julho, 2006
    OUTROS HERÓIS DE NOSSA GENTE


    Em OUTROS HERÓIS DE NOSSA GENTE uma das professoras de História trabalha com seus alunos, tendo como ponto de partida o vídeo "Heróis de Todo o Mundo", a pesquisa da biografia de outros personagens importantes no contexto da história da afro-descendência no Brasil.

    Tendo como gancho a biografia de personagens tais como: Castro Alves, Xica da Silva, Cartola, Dona Ivone Lara, Martinho da Vila, Benedita da Silva, Milton Nascimento, João do Pulo, Pelé, MV Bill, Alcione e outros; os alunos produzem, em discurso indireto, um texto onde contam fatos curiosos e marcantes da vida dessas pessoas que contribuíram para a história e aidentidade cultural do nosso país.


    postado por E. M. Nações Unidas as 18.07.06 # 0 comentários
    NO RUFAR DOS TAMBORES


    INSTRUMENTOS MUSICAIS DE ORIGEM AFRICANA

    Afoxé: Idiofone tradicional do Brasil, de origem africana, constituído por uma cabaça rodeada por miçangas (que podem ser de materiais diversos), ligadas por uma espécie de rede. Quando o executante as raspa contra a superfície da cabaça, produz o seu som característico. O afoxé moderno tem uma configuração e materiais diferentes da tradicional tornando-se mesmo mais resistente do que as cabaças naturais.

    Agogô: Idiofone tradicional de metal que entrou no Brasil por via africana. É constituído por duas campânulas de metal, percutidas por uma vareta do mesmo metal. O agogô de metal é utilizado nas danças de origem africana e similares (capoeira, e candomblé, por exemplo).

    Arghul: Aerofone de palheta simples constituído por dois tubos muito freqüente no Norte da África.

    Balafon: Xilofone artesanal (constituído por placas de madeira ordenadas, de diversos tamanhos) e com cabaças de ressonância por baixo, tem diversos nomes conforme a região e o país africano: bala, balo, kponimbo, madimba, kundu, marimba, valimba, endara, shijimba, silimba, medzang, dyomoro, rongo, mbira mutondo, mbila, timbila, balangui, akadinda, kalanba, ilimba, baza, dimba, madimba, dipela, elong, dzil.

    Bendir: Membranofone com origem no Norte de África, designadamente em Marrocos. É uma espécie de tamborim, com cordas esticadas no interior, junto à pele.

    Berimbau: Instrumento de percussão em forma de arco retesado por um arame e uma pequena cabaça de ressonância, levado de África para o Brasil, onde é muito utilizado na "capoeira", que representa de modo especial. A corda percute-se com uma pequena vara.

    Caxixi: Instrumento tradicional brasileiro usado na "capoeira", é constituído por um cesto de vime em forma de chocalho encerrado no fundo uma cabaça que contém sementes.

    Chiquitzi: Palavra shangana (Moçambique) que designa um chocalho de mão constituído por uma caixa feita de caniço fino e sementes ou pequenas pedras no interior. Trata-se de um instrumento essencialmente tocado por mulheres e em festas de casamento.

    Conga ou Atabaque: Membranofone muito utilizado nos ritmos do Caribe e no Candomblé. É um tambor alto com sonoridade grave, de altura regulável. Pode ser tocada com os dedos e as mãos.

    Cuíca: Instrumento de fricção de origem bantu, tradicional do Brasil muito usado no Carnaval. Aparentemente é um tambor, mas tem uma varinha encostada à pele, no interior. É a fricção da vara que produz.

    Djimba: Xilofone nativo do Congo.

    Djembe: Membranofone de origem africana da Guiné, pertencente à família dos tambores de taça. Tem um corpo de madeira esculpido em forma de cálice, com esticadores a toda volta.

    Ganzá: Instrumento musical de percussão, semelhante a um chocalho, originalmente feito de gomos de bambu grosso com sementes em seu interior, hoje, geralmente e feito de folha-de-flandres em forma cilíndrica, contendo em seu interior pedaços de chumbo ou seixos.

    Ghaita: Aerofone de palheta dupla do Norte de África usado pelos encantadores de serpentes. Al ghaita ou al ghaida designa um instrumento semelhante ao surnay, uma espécie de oboé usado em dias festivos.

    Kalangu: Membranofone africano.

    Kalimba: Instrumento africano de carácter religioso constituído por cerca de 22 a 28 placas metálicas sobre uma pequena caixa de madeira, tocadas com os dedos do executante. Instrumento muito importante na África sub-saariana.

    Korá: Cordofone africano do Senegal com caixa de cabaça e pele esticada, com braço de madeira, duas pegas e cordas de nylon dedilhadas.

    Lira Africana: Cordofone dedilhado, é um instrumento tribal muito antigo e construído de modo bastante rudimentar.

    Quissanga: Instrumento angolano constituído por pequenas barras de metal de diversos tamanhos, presas a uma base de madeira e tocadas pelos dedos polegares.

    Reco-reco: Idiofone tradicional com formas muito variadas, pertence à família dos idiofones de raspagem, dentro do grande grupo dos instrumentos de percussão. Uma vara de madeira mais fina raspa a parte que tem cordes ou saliências, produzindo-se um timbre muito característico. Há reco-recos de madeira, de metal e mistos.

    Senza: Instrumento feito de lâminas de metal. Este tipo de idiofone está espalhado um pouco por toda a África.

    Ud: Também chamado barbat, é cordofone dedilhado originário do Norte de África, com braço curto e caixa de ressonância em forma de pêra, sendo as costas abauladas.

    Uffataha: Flauta africana.


    postado por E. M. Nações Unidas as 18.07.06 # 5 comentários
    segunda, 17 julho, 2006
    GALERIA DOS POETAS AFRICANOS


    "PRESENÇA AFRICANA"

    Autora: Alda Lara (Benguela, Angola)

              E apesar de tudo,
              ainda sou a mesma!
              Livre esguia,
              filha eterna de quanta rebeldia
              me sagrou.
              Mãe-África!
              Mãe forte da floresta e do deserto,
              ainda sou,
              a Irmã-Mulher
              de tudo o que em ti vibra
              puro e incerto...

              A dos coqueiros,
              de cabeleiras verdes
              e corpos arrojados
              sobre o azul...
              A do dendém
              nascendo dos abraços das palmeiras...

              A do sol bom, mordendo
              o chão das Ingombotas...
              A das acácias rubras,
              salpicando de sangue as avenidas,
              longas e floridas...

              Sim!, ainda sou a mesma.
              A do amor transbordando
              pelos carregadores do cais
              suados e confusos,
              pelos bairros imundos e dormentes
              (Rua 11!...Rua 11!...)
              pelos meninos
              de barriga inchada e olhos fundos...

              Sem dores nem alegrias,
              de tronco nu e musculoso,
              a raça escreve a prumo,
              a força destes dias...

              E eu revendo ainda, e sempre, nela,
              aquela
              longa história onconsequente...

              Minha terra...
              Minha, eternamente...

              Terra das acácias, dos dongos,
              dos colios baloiçando, mansamente...
              Terra!
              Ainda sou a mesma.
              Ainda sou a que num canto novo
              pura e livre,
              me levanto,
              ao aceno do teu povo!


    postado por E. M. Nações Unidas as 17.07.06 # 0 comentários
    domingo, 16 julho, 2006
    ÁFRICA - CELEIRO DE REALEZA, AVENTURAS E CONQUISTAS 1


    Não é de hoje que a África sempre fascinou quem longe dela estava. Impérios grandiosos e de riqueza indefinida seduziram nações e embalaram seus sonhos de conquista. Sacralizada terra de divindades poderosas que atravessaram o oceano para acompanhar seus filhos dispersos por terras desconhecidas, pátria do misterioso Preste João ou da sedutora Cleópatra. Essa África mitológica de reis e rainhas oferece uma viagem fascinante de realeza, conquistas e aventuras.

    Portanto, periodicamente, tendo como ponto de partida o símbolo da Diáspora Africana, dedicaremos esta seção aos  monarcas  que fizeram da África uma terra rica em histórias e imaginário, reinventados da memória ancestral.

    NEFERTITI - A RAINHA DA PAZ

    Rainha Nubia de Egito (1292 - 1225 A.C.)
    Uma das muitas grandiosas rainhas da Núbia, Nefertiti é anunciada como a rainha que se casou para a paz. O matrimônio dela com o Rei Ramsés II do Egito, um dos últimos grandes faraós egípcios, começou estritamente como um movimento político, com o poder sendo compartilhado entre dois líderes. Isso não só se transformou em um dos maiores casos de amor na realeza da história, mas colocou um fim na guerra dos 100 anos entre Núbia e Egito. Mesmo até hoje, um monumento permanece em honra da Rainha Nefertiti. Na realidade, o templo que Ramsés construiu para ela em Abu Simbel, é uma das maiores e mais belas estruturas construidas para honrar uma esposa e celebrar a paz.

     


    postado por E. M. Nações Unidas as 16.07.06 # 0 comentários
    A ALQUIMIA RÚSTICA - A HERANÇA DA SABEDORIA ANCESTRAL PELA TERAPIA DAS ERVAS E DOS AMULETOS


    A medicina rústica africana chegou ao Brasil com a sabedoria e a ancestralidade dos povos sudaneses e bantos que através da tradição secular contribuíram muito na medicina popular com seus tratados alquímicos e manipulações artesanais de elementos da própria Mãe Natureza.

    Dentre muitos desses elementos, buscaram principalmente no encanto das ervas, raízes, folhas e sementes, misturados às práticas rituais e religiosas, a terapia e a cura para muitos males, inclusive os do espírito.

    Além disso, trouxeram também, como reminiscência, a magia dos banhos de purificação, gorduras animais para fricções, ungüentos aquecidos, grande volume de macerados e infusões, cataplasmas, vomitórios, purgatórios, defumação médica e espiritual, banhos quentes, tônicos, suadouros, sarjaduras e emolientes, afrodisíacos, vermífugos e grande variedades de temperos e aromas.

    A medicina rústica africana poderá ser entendida como um corpo de conhecimentos e práticas médicas, que se desenvolveu numa dinâmica própria, com base na sabedoria dos ancestrais.

    Trata-se de uma medicina sincrética, que envolve componentes herdados da medicina dos antepassados que vão sendo reinterpretados e adequados às realidades do presente, somados a elementos resultantes de  influências indígenas e européias.

    Com a chegada ao Brasil dos primeiros africanos de origem banto e sudanesa, oriundos de regiões localizadas abaixo do Equador, começaram os contatos destes com os indígenas, que foram passando seus conhecimentos sobre as plantas nativas e os papéis que as mesmas desempenhavam em seus rituais religiosos e de cura. A partir dai os negros passaram a usá-las, também, em suas reuniões religiosas.

    Pode-se considerar que as plantas empregadas na medicina popular e nos sistemas de crenças afro-brasileiros desempenham duplo papel: religioso e terapêutico.

    É tal a importância das plantas nesses sistemas de crenças, que sem elas, certamente tais religiões não existiriam. 

    E é exatamente o preto-velho curandeiro que, a partir do século XVII, já influenciado pelo sincretismo religioso quem vulgariza o uso das ervas nas rezas, benzeduras, defumatórios e banhos de purificação e na medicina folclórica do Brasil; todos estes artifícios aliados aos passes, orações, além dos bentinhos, medalhas, patuás, crucifixos, escapulários colocados junto aos doentes. Tradição e herança culturais que se preservam até os dias de hoje.

    Nos rituais afro-brasileiros as plantas desempenham papéis específicos dentro dos mesmos, visto que tais papéis sugerem estar estreitamente relacionados com os princípios ativos presentes nas plantas, os quais são responsáveis pelas atividades biológicas desencadeadas após serem consumidas. Nessas situações as plantas de ação psicoativa podem estar relacionadas com os transes de possessão, embora saibamos que outros elementos estão presentes, tais como o som dos atabaques, a dança, o canto, as palmas repetidas, elementos esses que se interagem envolvendo os participantes e propiciando aos médiuns as incorporações a que estão sujeitos.

    É, portanto, somente sob a ótica da Etnofarmacobotânica e da Etnofitoterapia que poderemos compreender o papel das plantas e os seus significados na Cultura Popular Brasileira.

    LINK:


    http://www.narueji.hpg.com.br
    Belo site de Narueji com lindas fotos de ótima qualidade sobre folhas que são utilizadas no Candomblé e/ou na medicina popular.


    postado por E. M. Nações Unidas as 16.07.06 # 0 comentários
    O PORTUGUÊS - A FLOR DO LÁCIO QUE FOI SEMEAFRICANIZADA


    O Português no Continente Africano

    A Língua Portuguesa foi levada ao continente africano devido ao advento das Grandes Navegações e à Expansão do Comércio Marítimo nos séculos XV e XVI. Imposta como língua do colonizador em Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, ela conviveu sempre com uma imensa diversidade de línguas nativas, que servem, efetivamente, como instrumento de comunicação na vida diária das comunidades tribais dessas regiões.

    Em Angola e Moçambique, onde o português se implantou mais fortemente como língua falada, ao lado de numerosas línguas nativas, fala-se um português bastante puro, embora com alguns traços próprios, em geral arcaísmos ou dialetalismos lusitanos semelhantes aos encontrados no Brasil. A influência das línguas negras sobre o português de Angola e Moçambique foi muito leve, podendo dizer-se que abrange somente o léxico local.

    Nos demais países africanos de língua oficial portuguesa, o português é utilizado na administração, no ensino, na imprensa e nas relações internacionais. Nas situações da vida cotidiana são utilizadas também línguas nacionais ou crioulos de origem portuguesa. Em alguns países verificou-se o surgimento de mais de um crioulo, sendo eles, entretanto, compreensíveis entre si.

    Essa convivência com línguas locais vem causando um distanciamento entre o português regional desses países e a língua portuguesa falada na Europa, aproximando-se em muitos casos do português falado no Brasil.

    Em Angola

    O português é a língua oficial de Angola. Em 1983, 60% dos moradores declararam que o português é sua língua materna, embora estimativas indiquem que 70% da população fale uma das línguas nativas como primeira ou segunda língua.

    Além do português, Angola abriga cerca de onze grupos lingüísticos principais, que podem ser subdivididos em diversos dialetos (cerca de noventa). As línguas principais são: o umbundu, falado pelo grupo ovimbundu (parte central do país); o kikongo, falado pelos bakongo, ao norte, e o chokwe-lunda e o kioko-lunda, ambos ao nordeste. Há ainda o kimbundu, falado pelos mbundos, mbakas, ndongos e mbondos, grupos aparentados que ocupam parte do litoral, incluindo a capital Luanda.

    Talvez em razão dessa variedade lingüística original, o português acabou por se tornar uma espécie de língua franca, que facilitava a comunicação entre os diversos grupos. Em contato com as línguas nativas, o português também sofreu modificações, dando origem a falares crioulos, conhecidos como pequeno português, ou popularmente, como pretoguês.

     Em Cabo Verde

    O português é a língua oficial de Cabo Verde, utilizada em toda a documentação oficial e administrativa. É também a língua das rádios e televisões e, principalmente, a língua de escolarização.

    Paralelamente, nas restantes situações de comunicação (incluindo a fala quotidiana), utiliza-se o cabo-verdiano, um crioulo que mescla o português arcaico a línguas africanas. O crioulo divide-se em dois dialetos com algumas variantes em pronúncias e vocabulários: os das ilhas de Barlavento, ao norte, e os das ilhas de Sotavento, ao sul.

    Na Guiné-Bissau

    Em 1983, 44% da população falava crioulos de base portuguesa, 11% falava o português e o restante, inúmeras línguas africanas. O crioulo da Guiné-Bissau possui dois dialetos, o de Bissau e o de Cacheu, no norte do país.

    A presença do português em Guiné-Bissau não está consolidada, pois apenas uma pequena percentagem da população guineense tem o português como a língua materna e menos de 15% tem um domínio aceitável da Língua Portuguesa. A zona lusófona corresponde ao espaço geográfico conhecido como "a praça", que corresponde à zona central e comercial da capital (Bissau).

    A situação se agrava devido ao fato da Guiné-Bissau ser um país encravado entre países francófonos e com uma comunidade imigrante expressiva vinda do Senegal e da Guiné (também conhecida como Guiné-Conakri). Por causa da abertura à integração sub-regional e da grande participação dos imigrantes francófonos no comércio, existe presentemente uma grande tendência de as pessoas utilizarem e aprenderem mais o francês do que o português. Há aqueles que defendem que, atualmente, o francês já é a segunda língua mais falada na Guiné, depois do crioulo.

    Em Moçambique

    Moçambique está entre os países onde o português tem o estatuto de língua oficial, sendo falada, essencialmente como segunda língua, por uma parte da sua população.

    De acordo com dados do Censo de 1980, o português era falado por cerca de 25% da população e constituía a língua materna de pouco mais de 1% dos moçambicanos. Os dados do Censo de 1997 indicam que a percentagem atual de falantes de Português já é de 39,6%, que 8,8% usam o português para falar em casa e que 6,5% consideram o português como sua língua materna. A vasta maioria das pessoas que têm a língua portuguesa como materna reside nas áreas urbanas do país, e são os cidadãos urbanos, principalmente, que adotam o português como língua de uso em casa. No país como um todo, a maioria da população fala línguas do grupo bantu. A língua materna mais freqüente é o emakhuwa (26.3%); em segundo lugar está o xichangana (11.4%) e em terceiro, o elomwe (7.9%).

    Nas Ilhas de São Tomé e Príncipe

    Em São Tomé fala-se o forro, o angolar, o tonga e o monco (línguas locais), além do português. O forro (ou são-tomense) é um crioulo de origem portuguesa, que se originou da antiga língua falada pela população mestiça e livre das cidades. No século XVI, naufragou perto da ilha um barco de escravos angolanos, muitos dos quais conseguiram nadar até a ilha e formar um grupo étnico a parte. Este grupo fala o angolar, um outro crioulo de base portuguesa, mas com mais termos de origem bantu. Há cerca de 78% de semelhanças entre o forro e o angolar. O tonga é um crioulo com base no português e em outras línguas africanas. É falado pela comunidade descendente dos "serviçais", trabalhadores trazidos sob contrato de outros países africanos, principalmente Angola, Moçambique e Cabo-Verde.

    A ilha do Príncipe fala principalmente o monco (ou principense), um outro crioulo de base portuguesa e com possíveis acréscimos de outras línguas indo-européias. Outra língua muito falada em Príncipe (e também em São Tomé) é o crioulo cabo-verdiano, trazido pelos milhares de cabo-verdianos que emigraram para o país no século XX para trabalharem na agricultura.

    O português corrente de São Tomé e Príncipe guarda muitos traços do português arcaico na pronúncia, no léxico e até na construção sintática. Era a língua falada pela população culta, pela classe média e pelos donos de propriedades. Atualmente, é o português falado pela população em geral, enquanto que a classe política e a alta sociedade utilizam o português europeu padrão, muitas vezes aprendido durante os estudos feitos em Portugal.

    Outras Regiões da África

    A influência portuguesa na África deu-se também em algumas outras regiões isoladas, muitas vezes levando à aparição de crioulos de base portuguesa:

    Ano Bom, na Guiné Equatorial

    Em Ano Bom, uma ilha a 400 km ao sul de São Tomé, fala-se o ano-bonense, bastante similar ao são-tomense. Tal fato explica-se por haver sido a ilha povoada por escravos vindos de São Tomé.

    Casamança, no Senegal

    O crioulo de Casamança só se fala na capital, Ziguinchor, uma cidade fundada por portugueses (seu nome deriva da expressão portuguesa cheguei e chorei). Está na área lexical do crioulo Cacheu, na Guiné-Bissau.


    postado por E. M. Nações Unidas as 16.07.06 # 21 comentários
    sábado, 15 julho, 2006
    A ÁFRICA NO CARNAVAL 2007


    A África será tema de três grandes Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro no Carnaval 2007.

    Confira os enredos:

    GRES Beija-Flor de Nilópolis: "Áfricas - Do Berço Real `a Corte Brasiliana"

    GRES Unidos do Porto da Pedra: "África do Sul - Preto e Branco à Cores"

    GRES Acadêmicos do Salgueiro: "Candaces - Rainhas da África"


    postado por E. M. Nações Unidas as 15.07.06 # 0 comentários
    AS CORES DA CULTURA - A ÁFRICA EM TELAS


    Trabalho de Produção Artística de uma das turmas da sexta série, desenvolvido por uma das professoras de ´Matemática, juntamente com o suporte do professor da Sala de Leitura.

    O ponto de partida para esta produção foi a exibição dos Vídeos "Nota Dez - África" e "Como as Histórias Se Espalharam Para o Mundo". A professora de Matemática orientou os alunos no trabalho das formas e combinações de cores na retratação de cenas do cotidiano da cultura africana.


    postado por E. M. Nações Unidas as 15.07.06 # 3 comentários
    sexta, 14 julho, 2006
    CULINÁRIA AFRICANA - O MANJAR DOS DEUSES COM UM GOSTINHO BEM BRASILEIRO


    A DIVERSIDADE DA CULINÁRIA AFRICANA

    A culinária africana combina os frutos e vegetais tradicionais com a caça e pesca exóticas que apenas neste continente podem ser encontradas. A África é um continente muito diverso internamente, contendo desde o mais árido deserto às florestas subtropicais, passando pelos longos vales até às mais elevadas cadeias montanhosas. A culinária africana reflete, em larga medida, a própria diversidade do continente, constituindo uma síntese das cozinhas nativas, da gastronomia de origem colonial portuguesa, britânica e holandesa, assim como de alguns aspectos da culinária asiática. É extremamente difícil classificar aquilo que é a culinária africana, de tão diverso que é o próprio continente. Entre os pratos nativos dos safáris no Quênia, as refeições dos restaurantes de Joanesburgo, de influência francesa e britânica, o Doro Wat Etíope, os cozidos de coco e peixe de Nairobi e os temperos de influência portuguesa usados nas culinárias moçambicana e angolana, muitas são as diferenças, e há apenas uma certeza: todas fazem parte do acervo culinário africano. Na região norte de África, desde Marrocos ao Egito, a culinária é determinada pela predominância da religião muçulmana, com todas as restrições impostas pelo alcorão, mas a base é carnes de frango, cabrito, cordeiro, cereais (trigo, aveia, grão-de-bico e lentilha), frutas ressecadas (passas, tâmaras, damasco), castanhas, mel, vegetais (berinjela, pepino, repolho) e azeite de oliva. Já noutras regiões africanas, podemos encontrar determinadas características comuns às várias culinárias nativas, como é o uso de bolbos e tubérculos, que está para as culinárias nativas como o arroz para a Ásia. Os pratos à base de bolbos e tubérculos mais utilizados são o Inhame, a mandioca e a mandioquinha, e são normalmente acompanhados de cozidos que podem conter carnes vermelhas ou vegetais. Também os frutos secos (amendoins e uma enorme variedade de castanhas, nozes e outros frutos secos) parecem ser uma constante, assim como a melancia. Na Nigéria e nas zonas costeiras da Zona Oeste africana as malaguetas são muito utilizadas, juntamente com peixes marinados em gengibre, tomate e pimenta de caiena, cozidos em óleo de amendoim. No Senegal a lima é rainha, juntamente com ingredientes como o alho, chalotas e marinadas, onde entram muitas vezes o óleo de coco e o óleo de amendoim, assim como frutos tropicais. A culinária Etíope é, provavelmente, a mais isolada de todas as cozinhas africanas, contendo as mais imaculadas receitas tribais. A carne crua é bastante usada, sobretudo em casamentos. Um dos pratos mais conhecidos é uma variante de bife de antílope ou búfalo com molho tártaro, onde se usa o Berbere, uma pasta de malagueta picante. O Doro Wat (galinha cozida com cebola, tomate, salsinha e ovos cozidos) é muito popular, tal como a injera (massa de pão redondo de grandes dimensões). A África do Sul constitui um autêntico melting pot, não apenas social e étnico, mas também culinário. Á culinária Bantu nativa, os colonizadores holandeses e britânicos juntaram inovações como os grelhados mistos, e os franceses introduziram a cultura da vinha. Os indianos do império colonial britânico introduziram os curries, os dals, as sopas de lentilhas e ervilhas. Apenas nas regiões mais remotas e isoladas se conseguem saborear os pratos nativos tradicionais e sem quaisquer deturpações. Nas regiões de savana, a dieta é à base de leite, soro de leite e coalhada, cozidos de legumes verdes, ervilhas, feijões e cereais, assim como de inhame, mandioca e batata doce, bem como de sementes de baobá e ovos. Na extensa região leste da África, que inclui nações como o Quênia e o Uganda, a influência européia é bem menor. São também usados os bolbos e tubérculos, assim como o sorgo. Tribos como os Masai, por exemplo, dão uma importância extrema ao gado, sinal de riqueza e instrumento de troca. A sua carne não é comida, mas o seu sangue e o leite são altamente apreciados. Em países como Angola e Moçambique as influências portuguesas foram muito fortes e duradouras. Especiarias, técnicas de assados, cozidos e marinadas, foram todas introduzidas pelos portugueses, que transformaram as simples culinárias nativas em pratos aromáticos e saborosos. Os portugueses trouxeram para estes países os citrinos, as pimentas, as malaguetas, o tomate, os ananases, bananas e o porco doméstico. Em Moçambique são muito usados o cajú, a castanha, o amendoim, a folha de mandioca, o palmito, o peixe, a galinha, o camarão, a lagosta, o piripiri, o dendê e pratos com malagueta.

    A INFLUÊNCIA DA CULINÁRIA AFRICANA NO BRASIL

    Os Africanos quando foram trazidos para o Brasil, já eram dotados de uma vasta sabedoria na culinária e introduziram na culinária brasileira alguns dos produtos que podemos destacar como marcantes – o leite de coco, a pimenta malagueta, o gengibre, o milho, o feijão preto, as carnes salgadas e curadas, o quiabo, o amendoim, o mel, a castanha, as ervas aromáticas e o azeite de dendê que é, sem dúvida, uma das maiores contribuições para a comida brasileira, indispensável na confecção de inúmeros pratos típicos do Brasil e nas oferendas aos Deuses dos cultos afro-brasileiros, como o vatapá, o caruru, o abará, o abrazô, o acaçá, o acarajé, o bobó, os caldos,  o cozido, a galinha de gabidela, o angu, a cuscuz salgado, a moqueca e a famosa feijoada - fruto da adaptação do negro às condições adversas da escravidão que com sobras de carnes juntamente com a sabedoria da culinária africana adaptaram-se aquela situação resultando num dos pratos típicos mais apreciados em todo o país. Não podemos deixar de mencionar os pratos doces à base de ovos, coco e milho – canjica, mungunzá, quindim, pamonha, angu doce, doce de coco, doce de abóbora, paçoca, quindim de mandioca, tapioca, bolo de milho, bolinho de tapioca, etc.

    A cozinha negra fez valer os seus temperos, os verdes, a sua maneira de cozinhar. Modificou os pratos portugueses, substituindo ingredientes; fez a mesma coisa com os pratos nativos da terra; e finalmente criou a cozinha brasileira, descobrindo o chuchu com camarão, o quibebe ensinando a fazer pratos combinados com camarão seco, ovos, coco, castanhas e a usar as panelas de barro ou ferro, as terrinas de jacarandá, a peneira de palha, o pilão e a colher de pau.

    Os iorubanos ou nagôs, os jejês, os tapas e os haussás, todos sudaneses islamitas e da costa oeste também, fizeram mais pela nossa cozinha porque eram mais aceitos como domésticos do que a gente do sul, como o povo de Angola, a maioria de língua bantu, ou do que os negros cambindas do Congo, ou os minas, ou os de Moçambique, gente mais forte, mais submissa e mais aproveitada para o serviço pesado das lavouras e dos engenhos.


    postado por E. M. Nações Unidas as 14.07.06 # 36 comentários
    quinta, 13 julho, 2006
    RAÍZES AFRICANAS


    As origens (suas raízes) da cultura material e não-material afro-brasileiro está associada à época do tráfico de escravos africanos para o Brasil do século XVI até a segunda matade do Século XIX.

    Os povos africanos trazidos para o Brasil são originários de diversas regiões da África:

    África Ocidental - Yorubás (Nagô, Ketu, Egbá), Jejes (Ewê, Fon), Fanti-Ashanti (conhecidos como Mina), povos islamizados (Peuhls, Mandingas e Haussás);

    África Central - Bantos: Bakongo, Mbundo, Ovimbundo, Bawoyo, Wili (conhecidos como Angolas, Congos, Benguelas, Cabindas e Loangos);

    Sudeste da África Oriental - Tongas e Changanas entre outros (conhecidos como Moçambiques).

    Estes povos trouxeram consigo para o continente americano seus costumes, crenças, línguas (hoje de uso litúrgico como o yorubá, o bakongo e o kimbundo), léxicos incorporados no nosso falar (línguas bantos), danças, ritmos, instrumentos musicais, culinária bem como seus deuses e seus ritos de culto.

    Mesmo dispersos no território brasileiro e, por vezes misturados para não se rebelarem (fazendo jus ao ditado "dividir para reinar"), retiveram uma parte de sua cultura original para conservar sua identidade de grupo dominado. Por vezes, esta identidade constituiu mesmo um fator importante para resistir à escravidão. É o exemplo dos quilombos que existiram no Brasil-colônia dos quais o mais célebre foi o Palmares comandado por Zumbi. O Quilombo era uma instituição política dos guerreiros jagas ou yagas da Angola, termo que designava tanto a casa sagrada onde se realizavam as cerimônias de iniciação, como o campo de guerra e mais tarde o acampamento de escravos fugidos.

    Algumas formas de organização permaneceram ou pelo menos conservaram uma certa identidade com as suas raízes culturais africanas. É o caso das religiões denominadas afro-brasileiras como o candomblé nagô, angola-congo, mina-jeje, ritos diversos do que se convencionou chamar de "nações" conforme suas origens étnicas na África. Por vezes, sincretizaram com outras religiões como a umbanda. Mesmo quando grupos de escravos se converteram ao catolicismo e adotaram rituais de devoção a santos padroeiros e protetores de negros como São Benedito, Santa Efigênia e Nossa Senhora do Rosário, como nas congadas, moçambiques ou cabindas, mantiveram danças, ritmos, tambores e outros símbolos e mesmo uma certa dimensão do culto aos ancestrais.

    É realmente inegável  a herança cultural africana em nossa gente e essa influência não pode ser entendida se não voltarmos às origens, isto é, à história africana, desde os seus primórdios. Hoje é perceptível um ar de reparação a uma injustiça: desta forma se estará "resgatando" nossa herança e identidade africana, tão longamente escamoteada por uma historiografia etnocêntrica que resumia a figura do africano a um escravo submisso amarrado no tronco.

    A  África possui um verdadeiro significado simbóloico para as multidões de afro-descendentes residentes nas antigas colônias. Essa indivíduos, via de regra, nunca puseram os pés em solo africano, mas vêem o Brasil como a matriz de um vasto patrimônio cultural brasileiro herdado das várias etnias africanas que para cá foram trazidas. Tal patrimônio engloba a língua, a música, os instrumentos, a dança, os utensílios, o artesanato o misticismo, a idumentária, os rituais, a culinária, o folclore, as festas, os folguedos, a linguagem corporal, a oralidade e a maneira de viver - herança chamada de "africanidade", que deu ao Brasil um colorido todo especial, com raízes africanas. Este imaginário comum nas suas origens são aspectos de uma história cultural a ser preservada, valorizada e conhecida pelo presente.


    postado por E. M. Nações Unidas as 13.07.06 # 22 comentários
    PRODUÇÕES DA OFICINA DE MÁSCARAS AFRICANAS

    Este trabalho plástico foi desenvolvido pelo professor de Sala de Leitura, seguindo as etapas abaixo:

    1. Exibição do Vídeo Nota Dez: África.
    2. Pesquisa na WEB: "O Simbolismo das Máscaras Africanas".
    3. Bate-papo sobre as pesquisas
    4. Trabalho de moldagem.
    5. Trabalho de recorte e colagem na confecção das máscaras africanas.


    postado por E. M. Nações Unidas as 13.07.06 # 516 comentários
    O SIMBOLISMO SAGRADO DAS MÁSCARAS AFRICANAS


    O significado das máscaras é muito difícil de ser compreendido pelos não-africanos, justamente porque nelas residem muitas fantasias, misticismo e magia que exprimem o modo de pensar de muitas sociedades tribais africanas.

    Esses significados variam de um grupo étnico para outro, onde uma só máscara pode ter significados variados.

    Uma pessoa que não tenha sido iniciada nos rituais secretos das máscaras não conhece o seu significados. Muitas podem ser vistas apenas por aqueles que tenham sido iniciados nesse respectivo conhecimento. Mulheres e crianças são freqüentemente excluídas das cerimônias sagradas onde certas mágicas aparecem. Há até uma crença de que a visão não autorizada de uma cerimônia de consagração de máscaras pode trazer doenças, desgraça e morte para aqueles que violarem as regras ritualísticas.

    A máscara simboliza uma transformação mística; quem a veste incorpora o ser que ela representa.

    Na região oeste da África, elas têm importantíssima função, por exemplo, nas festas de iniciação, aparições públicas de sociedades secretas, nos rituais de casamento, nascimento, morte e feitiçaria e nas celebrações das colheitas.

    Elas podem purificar, proteger ou assombrar, transmitindo mensagens dos espíritos para as pessoas e acompanham os homens na guerra, na caça e nos trabalhos no campo.

    A função das máscaras juntamente com os trajes sagrados é fixar a atenção de todos na energia de um espírito.


    postado por E. M. Nações Unidas as 13.07.06 # 24 comentários
    quarta, 12 julho, 2006
    CURIOSIDADES DA SABEDORIA ANCESTRAL DE AFRO-DESCENDÊNCIA


    A MAGIA DOS AROMAS

    Segundo a sabedoria dos antigos, a Mãe Natureza nos presenteia todos os dias com a beleza de suas flores e frutos. Além disso, nos proporciona seus aromas maravilhosos, porém para extrairmos sua essência mais secreta e mágica, devemos ter um dom especial e assim conciliar seus valores e benefícios materiais e espirituais com todos os seus encantos. O simbolismo do banho não é só de purificação, mas de regeneração por causa do contato com as forças de transição - mudanças, destruições, reconstruções, recriações.  O perfume usado, no dia-a-dia, em banhos, nos traz uma gama de lembranças, pensamentos, energias, etc.

    As essências mais usadas são: rosas - para o bem-estar do corpo e da mente; benjoim - para atrair o bem; cravo e canela - para afastar energia negativa; arruda - para afastar mal-olhado e quebranto; guiné - para abrir caminhos.

    Estas essências naturais funcionam como um campo magnético de proteção e energia vital.

    A DEFUMAÇÃO

    Ato de Purificação do ser, o objeto e o ambiente, através da fumaça expulsa o negativo, através de aromas, ervas e essências. Utilizado nas celebrações ritualísticas.Quando o defumador se desfaz no ambiente, mistura-se com o éter atmosférico. É sentido pelos espíritos.O aroma desperta certos centros nervosos dos médiuns, fazendo que esses centros vibrem de acordo com as irradiações fluídas dos orixás.


    postado por E. M. Nações Unidas as 12.07.06 # 0 comentários
    terça, 11 julho, 2006
    "A COR DA CULTURA": CAPACITAÇÃO DE UM DOS GRUPOS DE PROFESSORES DA NAÇÕES


    Após a reunião de apresentação do Projeto "A Cor da Cultura" e do conteúdo do Kit,  foi relizado no dia 20 de abril de 2006, o primeiro encontro para a capacitação do grupo de professores que participaram de breves oficinas dinamizadas segundo as propostas dos Valores Civilizatórios do Projeto "A Cor da Cultura".


    postado por E. M. Nações Unidas as 11.07.06 # 1 comentários
    CONTO DA TRADIÇÃO ORAL AFRICANA 1


    MAHURA - A MOÇA TRABALHADEIRA

    Origem: Moçambique

    Quando Olorum criou o universo, o céu e a terra viviam juntos e em perfeita harmonia: as gotas de chuva se juntavam às águas das cachoeiras, o vento e a brisa eram companheiros inseparáveis e propiciavam um belo espetáculo formando mosaicos de folhas secas e gravetos, os homens compartilhavam a vida e não havia distinção de credo e cor, pois todos faziam parte de uma única raça: a humana.

    Um dia, a terra achou que havia chegado a hora de ter um filho e deu à luz uma bela jovem na aldeia Okulo a quem deu o nome de Mahura, que significa moça trabalhadeira.

    Mahura cresceu depressa e logo desenvolveu suas aptidões: trabalhava incansavelmente e com muita disciplina. Durante o dia, cuidava dos ciclos da natureza e, quando o sol se punha, sentava-se ao chão perto de um enorme pilão que usava para triturar raízes, sementes e cascas que serviriam para fazer a tintura colorida que tingia a palha e o algodão que vestia a sua tribo.  Só que o pilão que Mahura usava era mágico e, quanto mais usado, mais crescia e, como a jovem era alimentada pelo trabalho, mais vigor empreendia na sua labuta.

    Tanto o pilão cresceu que começou a machucar o céu que no início gemia baixinho; mas, não conseguindo suportar as dores causadas pela mão-de-pilão de Mahura, passou a reclamar.

    - Céu, sobe mais um pouquinho! - pedia a moça.

    Com isso, o céu foi se distanciando, distanciando, se tornando cada vez mais inacessível até chegar a ponto das nuvens não poderem mais brincar livremente e as gotas de chuva não conseguirem mais manter o solo úmido e fértil que foi ficando fraco e pobre. As frutas não mais brotavam nas árvores como flores em buquê e a tristeza tomou conta de tudo.

    Também Mahura ficou infeliz e resolveu pedir desculpas ao céu que estava tão inatingível e não ouviu suas lamúrias. Então, a jovem resolveu ofertar um presente, retirou uma pepita dourada do leito de um rio dando-lhe o nome de Sol e, de uma caverna escura, retirou uma pedra redonda e reluzente à qual batizou de lua.

    Atirou os presentes bem para o alto, um de cada lado do céu como um pedido de desculpas que aceitou as oferendas, mas preferiu ficar lá em cima, pois era mais seguro.

    Assim contaram, assim lhes contei: se dúvida tiverem do causo aqui narrado, olhem à noite para o céu. As estrelas que virão brilhando nada mais são do que as cicatrizes deixadas pelo pilão de Mahura.

    Um


    postado por E. M. Nações Unidas as 11.07.06 # 0 comentários
    CRENDICES E SUPERSTIÇÕES AFRICANAS


    1.    Para preservar do mal olhado, as mães usam figas no bracinho das crianças.

    2.    Quando nascem dois gêmeos, o que nasce primeiro é feliz, o outro não.

    3.     Para curar menino gago, deve-se bater com uma colher de pau na cabeça dele, três vezes, três sextas-feiras seguidas.

    4.     Para espantar maus espíritos e afastar mazelas, banho de arruda macerada.

    5.     Pé de coelho atrás de portas e janelas para não deixar entrar má-sorte ou mal olhado.

    6.     Uma virgem ao apontar para o arco-íris terá sete filhos após casar-se.

    7.     Usar artefatos de búzios traz boa sorte e riqueza.

    8.     Defumações com cascas de alho e alho seco para proteção contra mazelas, mal-olhados e palavras maldizentes.

    9.     Pitar cachimbo à meia-noite para espantar assombrações e espíritos do mal.

    10.  Ir aos funerais de branco é pedir luz e paz para o espírito do que se foi.

    11.  Nas festas dos orixás usar sempre a cor preferida deles.

    12.  Matar a cobra e dar um nó é proteção contra os inimigos.

    13. Todos em família devem, ao amanhecer, despertar cantando desejando o bem e a felicidade.

    14.  Fazer oferendas aos Deuses para realização dos desejos.

    15.  Dançar para os Deuses para adquirir saúde, felicidade e fartura.

    16.  O pai deve sempre dividir o primeiro pão com todos os presentes à mesa; isso atrai fartura.

    17.   Para uma colheita farta, amarra-se espigas de milho no tronco do baobá.

    18.  Com as cinzas de uma fogueira, cobre-se os ninhos no galinheiro para que as aves ponham ovos grandes e saudáveis.

    19.  Soltar sete pombas brancas durante sete domingos seguidos para trazer casamento ou boa sorte.

    20.  Para abençoar a nova casa, lavá-la com uma mistura de água limpa, mel, arruda e erva – da – guiné.

    21.  No sétimo dia após o nascimento, o bebê não pode sair de casa, para não pegar o "mal-de-sete-dias".

    22.  Guardar o umbigo do bebê que cai, pois, se um rato comê-lo, o bebê vira ladrão.

    23.  Jogar areia pra cima às seis da tarde faz a areia transformar-se em gotas de chuva para acabar com a seca.

    24.   Assoviar à noite é chamar a morte.

    25.  Quebrar uma moringa cheia é falta d’água e comida na certa.

    26.  Após o ritual de um casamento, os pais dos noivos espalham grãos pela casa deles para que tenham fertilidade e fartura.

    27.  Dar de frente com um sapo à sua porta, morrerá alguém em sua família.

    28.  Usar presas de animais em colares protege da morte.

    29. Quando se recebe um visitante, dê-lhe de comer e beber. Os deuses se sentem agradecidos.

    30.   A virgem que comer o último pedaço ou bocado, nunca se casará.

    31.  Para tirar encosto, usar galhos de arruda nos sapatos e nos bolsos durante a lua minguante.

    32.  Jogar sal no fogo afasta as pessoas indesejáveis.

    33.  Deixar cair a colher de pau, depois de mexer o mingau, é desgraça na família.

    34.  Tomar banho da primeira chuva após a longa seca traz longevidade.

    35.  A virgem que dormir de bruços em noite de lua cheia ficará estéril.

    36. Garras de caranguejo na porta de entrada afasta a inveja.

         


    postado por E. M. Nações Unidas as 11.07.06 # 6 comentários
    ORALIDADE - UMA HERANÇA PARA SE MANTER AS TRADIÇÕES


    OS CONTADORES DE HISTÓRIAS

    “A tradição africana vive da palavra. São as palavras cantadas que ensinam, são as palavras contadas que criam os valores e motivam para o trabalho, para a luta ou para a festa; são palavras vivas na boca dos velhos contadores de histórias, recriando o mundo à medida da imaginação e da arte. Uma herança viva da ancestralidade”.

    Através das histórias se conserva a sabedoria e o conhecimento através de gerações. A narração oral da história foi aspecto essencial para que se conservasse a tradição dos mitos e das lendas das culturas tribais e nativas.

    Os contadores de história criam um vínculo, uma ponte entre os ensinamentos tradicionais e o momento presente, mantendo a herança da identidade que serve de suporte para as tradições culturais, étnicas e religiosas.

    Há muito tempo na África, todas as comunidades e culturas tribais tinham seus contadores de histórias - homens, tradicionalmente; mas havia também mulheres. Os requisitos principais para ser um contador de histórias era dedicar-se a conhecer as histórias de sua comunidade, dos seus ancestrais, da mitologia, da cosmologia e, naturalmente, ter dons espirituais e de oratória aceito pelos Anciões.

    Todo contador de história na África não só tem que tornar o ato de contar histórias um hábito de diversão, mas também, através delas, ensinar as crianças e os jovens a aplicar os ensinamentos dessas histórias em sua própria vida e a perpetuar as tradições da oralidade. 


    postado por E. M. Nações Unidas as 11.07.06 # 1 comentários
    SABEDORIA DE CARÁTER POPULAR: COLETÂNEA DE PROVÉRBIOS AFRICANOS - PARTE 1


    1) "Numa luta entre elefantes, o prejudicado é o capim".

    2) "Galo, não sejas tão orgulho! Afinal, tua mãe foi apenas uma casca de ovo".

    3) "A união do rebanho obrigo o leão a ir dormir com fome".

    4) "Ninguém experimenta a profundidade de um rio com os dois pés".

    5) "Nunca se esqueça das lições aprendidas na dor".

    6) "O tolo tem sede no meio de água".

    7) "Uma mentira estraga mil verdades".

    8) "Um inimigo inteligente é melhor que um amigo estúpido".

    9) "Quando o rato ri do gato, há um buraco perto".

    10) "Ao construir uma casa, se um prego quebra, você deixa de construir, ou você muda o prego?".

    11) "Para quem não sabe, um jardim é uma floresta".

    12) "É melhor ser amado que temido".

    13) "O machado esquece, a árvore recorda".

    14) "A zebra que chega cedo bebe da água limpa".

    15) "Aquele que não cultiva seu campo, morrerá de fome".

    OUTROS PROVÉRBIOS EM BREVE!


    postado por E. M. Nações Unidas as 11.07.06 # 0 comentários
    O ELO ALÉM DAS HERANÇAS CULTURAIS


    A ligação entre o Brasil e a África está muita além da inegável herança africana, que pode ser sentida nas mais diversas manifestações culturais do povo brasileiro, seja na religião, na culinária ou na música. É muito mais que isso: a África está presente na própria constituição do povo brasileiro. Se há certos traços capazes de caracterizar um povo, não pode haver dúvidas de que o povo brasileiro não seria o que é sem que o espírito da Mãe África habitasse o seu corpo.

    Seria de se esperar que povos irmãos e que compartilham muitas mazelas sociais estivessem mais unidos e mais cônscios de suas origens. Mas não é o que se verifica. As imagens que nos chegam da África são imagens de um povo sofrido e doente, sempre em guerra e desunido, incapaz de viver em paz, como se as agruras dos africanos não tivessem sido provocadas por aqueles que hoje apenas assistem a tudo de forma omissa.

    Esquece-se da África rica. A África que nutriu a cultura brasileira com o que ela tem de melhor. Esquece-se da África que hoje luta pela paz e que tem a indústria e o comércio em franco crescimento. Esquece-se da África que hoje pode andar de mãos dadas com o Brasil.

    É de suma importância o intercâmbio desses dois povos, visto que os africanos tiveram grande influência na base estrutural da cultura do povo brasileiro, os afro-descentendes caminham para um conhecimento mais profundo de suas origens e uma construção mais sólida de cidadania, buscando assim a verdadeira democracia, deixando de lado o tratamento desigual.

    Objetivando, assim a interação dos dois continentes, para que minimize o desequilíbrio social, este projeto busca a difusão de informações e conhecimentos entre os brasileiros e os africanos.


    postado por E. M. Nações Unidas as 11.07.06 # 21 comentários
    segunda, 10 julho, 2006
    UM ELO DE HISTÓRIA E CULTURA , UMA HERANÇA, UMA IDENTIDADE


    Deixamos de lado a narrativa do sofrimento pela escravidão e o horror do cativeiro e do açoite para enfatizar o avesso dessa história: a África como um momento de memória viva e como o ponto de retorno para o resgate das nossas heranças genéticas e ancestrais fortemente presentes de norte a sul do Brasil se manifestando nas mais diferentes formas culturais.

    Samba, capoeira, candomblé e feijoada são alguns dos símbolos de origem ancestral presentes na cultura afro-brasileira. Essas manifestações são frutos de longa luta por autonomia e reconhecimento cultural travada pelo negro que, apesar de longos quatro séculos de resistência, não ficou passivo diante de sua nova condição. Ao contrário, por meio de sua produção cultural, soube conquistar espaços num processo dinâmico na luta pela justiça social e pelo resgate de suas raízes e dignidade no processo de reinvenção de sua identidade étnica e cultural, fazendo surgir nesta terra mulata outras pequenas Áfricas ricas em afoxés, batuques e batucadas, candomblés, capoeiras, caxambus, congadas, reisados, jongos, maculelês, maracatus e sambas que fazem tecer o fio da gênese e da ancestralidade que volta a unir os dois mundos que um dia foi único pelas mãos de Obatalá.

     

    (Pelo Prof. Nilton B. Filho)


    postado por E. M. Nações Unidas as 10.07.06 # 5 comentários
    ÁFRICA-BRASIL: UM ELO DE HERANÇA ANCESTRAL


    APRESENTAÇÃO
    Projeto de mídia educativa de valorização da cultura e das tradições afro-brasileiras e da promoção da igualdade racial. O projeto visa práticas positivas, valorizando, dentro da sociedade, a história deste segmento sob um ponto de vista afirmativo, divulgando a Cultura Afro-Brasileira, discutindo os maiores problemas enfrentados e abordando algumas soluções refentes à questão racial.
    Nós, professores e alunos da E. M. Nações Unidas abraçamos este Projeto e dedicamos este Weblog aos amantes ou simpatizantes da cultura negra e a todos aqueles que têm interesse em entrar na luta contra o preconceito e valorizar ainda mais a herança africana dentro do contexto da nossa IDENTIDADE histórico-cultural e o importante papel do afrodescendente dentro da Cidadania Brasileira..
    Este espaço será destinado à postagens de artigos com pesquisas, curiosidades culturais, produções dos alunos e fotos de eventos ou atividades relacionadas ao desenvolvimento do projeto.
    Esperamos estar assim contribuindo para um país que esteja mais consciente do significado de JUSTIÇA, IGUALDADE e CIDADANIA.

    postado por E. M. Nações Unidas as 10.07.06 # 43 comentários
     
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