O ano de 1970 me marcou por dois motivos: a seleção brasileira de futebol ganhou o tri campeonato mundial no México com um time inesquecível, e iniciei minha jornada pela adolescência.
Nessa época já se falava em futebol feminino mas como em tantas outras coisas, esse esporte também não era "coisa de mulher". Essa divisão entre "coisa de homem" e "coisa de mulher" era forte e arraigado na população brasileira. Para uma " coisa" ser de mulher era necessário que destacasse, ou, pelo menos, não escondesse a feminilidade e a graciosidade feminina. E temdo esse critério em vista, muitas profissões e atividades foram tendo suas portas fechadas para as mulheres.
Hoje é 30/09/2007 e a seleção feminina de futebol do Brasil acabou de perder a final contra a seleção alemã. Uma pena! Como em muitas outras profissões e atividades, realizadas por mulheres, as atletas do futebol feminino não são reconhecidas e estão sem apoio.
De 1970 a 2007 são passados 37 anos e o pensamento continua o mesmo, apesar das mulheres, em todos os setores, já terem demonstrado que são iguais ou superiores aos homens, derrubando de vez a questão de "coisa de homem" ou "coisa de mulher". O bom profissional encontra o seu lugar, independente de seu sexo. E muitas mulheres que se destacam em suas atividades ganham menos que os homens é porque ainda existe um "machismo", que já está acéfalo, carcomido e cheirando a mofo. Mas as mulheres estão lutando, elas vão abrindo as portas! Vide a seleção feminina de futebol do Brasil!
O que tem a ver coisas de mulher, futebol feminino e o adolescente?
Isso é especialmente pertinente aos adolescentes atuais (ambos os sexos), que antes de tentarem algo que realmente gostam já fecham as suas portas, já desistem. Por causa do pensamento mesquinho e pequeno que diz: "já que tá tudo ferrado mesmo...!"
Na nossa sociedade atual sobra informação (inúteis, supérfluase fúteis) e falta formação, falta orientação (como faltava em 1970) e reflexão a respeito das coisas que realmente importam e que são necessárias, aquelas "coisas" que realmente nos dão sustentação por conterem substrato.
O que os adolescentes procuram? É o que todos perguntam. Mas eles também se fazem essa pergunta! Então, que tem uma possível resposta? Talvez eles mesmo, pois dentro deles está o que realmente gostariam de fazer (e não fazer), do que gostariam de Ser. Mas vejo, que muitos perderam as esperanças, muitos perderam o sentido real do que está acontecendo, muitos se entregam a aventuras passageiras que não lhes trarão esclarecimento algum, muito menos respostas.
O que vejo é que muitos adolescentes se comportam como personagem da musica de MILTON NASCIMENTO: "CAÇADOR DE MIM". Não há problema nisso, pois muitos adultos de hoje se sentiram assim. O grande problema é a falta de perspectiva, a falta de orientação, as oportunidades desperdiçadas, enfim: as portas sendo fechadas pelos próprios adolescentes.
Penso que, talvez, quando os adolescentes passarem a não fechar as portas e refletirem mais descubram a resposta da pergunta. ESPERO QUE ESTA DESCOBERTA NÃO DEMORE 37 ANOS !













