Após ler e ouvir comentários de vários articulistas e colegas, sinto-me na obrigação de também tecer alguns comentários. Não sobre o filme em si, ou sobre a excelente atuação do Wagner Moura.
O filme fala sobre corrupção e violência policial, sobre o submundo, sobre ONGs e sobre os "riquinhos" e também dos aproveitadores. Mas sobretudo fala sobre o sistema ( o que é o sistema?). Então fala-se apenas sobre os vilões? O capitão Nascimento é um vilão?
Esse é mais um tema do filme: o senso-comum. A polícia é violenta e corrupta (vilão), as ONGs querem apenas fazer um serviço social (mocinho), e os "riquinhos" querem apenas se divertir (vilão ou mocinho?). E as pessoas de bem (que existem) ficam no meio desse triângulo sem saber o que fazer (vilões ou mocinhos), também tentando sobreviver ao sistema(o que é esse sistema?)
O sistema social funciona como uma engrenagem e quando uma peça não se encaixa é colocada a sua margem (assassinos, ladrões, estupradores, traficantes, drogados, prostitutas, minorias raciais e sexuais, desempregados, etc). Mas elas continuam a ter um contato com as outras partes da engrenagem, se influenciando mutuamente. "Eu estou fora mas quero entrar, como não me deixam crio o meu mecanismo e me aproveito das falhas do outro (nada é perfeito!). Eu estou dentro e não quer sair, mas vou dar uma voltinha no outro sistema e me aproveitar das falhas de ambos". E suregem os aproveitadores.
E a escola com isso? A escola está inserida no sistema original sendo uma de suas peças mais importantes pois está em contato íntimo com os 2 mecanismos citados acima. Tudo ou quase tudo que ocorre no macrocosmo se repete na escola (microcosmo). E surgem os aproveitadores, de ambos os lados, atuando nas falhas do macro e micro, influenciando negativamente aqueles que querem uma oportunidade no sistema original.
Mas o sistema original não é cheio de falhas? Sim, que devem ser combatidas por pessoas, instituições, etc (peças) que queiram realmente melhorar esse sistema e o acesso as suas oportunidades, e não por aproveitadores que apenas se satisfazem com o seu status no sistema (seja qual for) que está alimentando.
Hoje a educação não consegue fornecer respostas (qualquer uma). Se por um lado a educação privada virou um comércio sem critérios, a pública perdeu a sua identidade faz décadas. Pessoas e instituições bem intencionadas criam subterfúgios que funcionam como estatísticas oficiais, criam-se programas que em sua maioria não atingem o objetivo por que não se conhece a realidade dentro da escola. E os reais e verdadeiros atores da educação não são sequer escutados, quanto mais recebidos. Embora haja exceções pontuais.
A escola pública hoje recebe pessoas que não estão acostumadas a raciocinar tanto dentro de uma matéria específica quanto, principalmente, sobre assuntos diversos. Isso ocorre por diversos motivos: desinteresse, familia desestruturada, falta de compromisso e de respeito entre outros. Apenas alimentam o senso-comum, sem reflexão, sem questionamentos que estimulem a procura de respostas. E alimenta também, principalmente, os especuladores, os aproveitadores que solapam uma das peças mais importantes e mais frágeis do mecanismo: a educação.
"Mas esse mecanismo original não é cheio de falhas, incorreções e comete uma série de injustiças? Então vamos substituí-lo!" É verdade! Mas qual o outro sistema? O da tropa de elite, ou a dos criado pelos aproveitadores? Qual deles é o mais justo, que comete menos incorreções e injustiças? O que mata a sangue-frio, ou o que tortura ao longo do tempo?Aquele que não faz qualquer tipo de cobrança, ou aquele que sempre cobr
Precisamos tomar cuidado, pois a tropa de elite, a corrupção, a ignorância e a violência existem em todos os níveis da sociedade, pois ela as criou por intermédio de seus erros e falhas. MAS QUEM É A SOCIEDADE?













