Todos ficaram indignados ao tomarem conhecimento sobre a agressão sofrida pela brasileira Paula de Oliveira, na Suiça no dia 13/02/2009 imposta por neonazistas, e que além de sofrer cortes nas pernas abortou os gêmeos que esperava em razão da violência do ataque. Mas esse "fato" tornou-se uma farsa após o depoimento da brasileira ao Procurador Geral da Justiça. Aí todos ficaram perplexos e, talvez, mais indignados.
Algumas pessoas, provavelmente pais de alunos na escola pública, ao tomarem conhecimento que aproximadamente 3500 professores tiraram nota zero na prova realizada pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo devem ter passado pelos sentimentos de indignação, perplexidade e, talvez, até indiferença. O que há de comum nessas duas situações?
Pode haver outras, mas o que pretendo destacar é o imediatismo das reações das pessoas (algumas decerto) mas que tornou-se rotina de tão comum e para alguns tornou-se normal.
Primeiro julga-se. Imaginem, um bando de neonazistas atacando uma gestante! Imaginem o seu filho tendo aula com um professor que zerou uma prova!
No caso da brasileira, após a queda da farsa, devem ter ocorrido os sentimentos de lamento, remorso, mais perplexidade e até indignação. Mas tudo isso, receio, acontece por causa de nosso imediatismo diante de uma notícia, porque primeiro julgamos e depois perguntamos o que aconteceu. Na primeira versão já é emitido um juízo e, na maioria das vezes, sem sabermos se é ou não sensacionalismo. E será que há alguma outra maneira de reagirmos?
Para emitirmos uma resposta adequada é necessário que haja uma investigação mais profunda, mais apurada sobre o assunto em questão, é necessário responder questões que não estão evidentes, mas cujas respostas possibilitarão encontrar um caminho mais adequado e mais coerente.
Na situação dos professores nota zero, lanço uma pergunta (há outras): Qual o motivo de tantos professores temporários? Uma informação adicional: no dia 20/02/2009 saiu na Folha Online* que " Pelo menos um em cada cinco professores da rede estadual de ensino no Brasil é temporário". Também saiu que essa média é superada em 7 Estados, inclusive São Paulo onde o índice chega a 43%.
Ao contrário de muitos, que já estão achando que estou defendendo os "professores nota zero", mas mas é simplesmente darmo-nos o direito de obtermos mais informações, obtermos todas as versões possíveis e assim possamos, com critério, separar os fatos das fraudes e manipulações e então emitir um ponto de vista mais equilibrado, coerente e próximo da realidade e dos fatos. Portanto, é um convite para a reflexão. E para ajudar vou fazer minhas, as palavras escritas pelo jornalista Francisco Viana em sua coluna do dia 22/02/2009, "A utilidade de uma farsa"**, a respeito da cobertura feita pela mídia (em geral) no caso Paula de Oliveira.
" Vive-se o presente perpetuo. Não se olha para trás ou para os lados para entender a história, entender os contextos. Não se desconfia das primeiras versões. E os fatos? (...) No caso de Paula, não se deve incorrer no erro de considerá-la uma vilã. É preciso avaliar os fatores profundos que levam uma pessoa a agir assim. (...) A interpretação de fundo. A recusa do espetacular. A aceitação da complexidade do real."
"(...) Tudo vira mercadoria, as notícias, as reputações, os acontecimentos. Se Paula errou, erraram também todos aqueles que acreditaram nas evidências sem verificar o que acontecia nos bastidores da aparente realidade. A falsificação foi a tônica desse triste espetáculo."
"Vivemos uma cultura do imediatismo. Se age primeiro para pensar depois. O grande tribunal da opinião pública muitas vezes julga anes de verificar as provas reais. Cede-se facilmente a manipulação.
* http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u507126.shtml
**http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3591619-EI6783,00-A...
Algumas pessoas, provavelmente pais de alunos na escola pública, ao tomarem conhecimento que aproximadamente 3500 professores tiraram nota zero na prova realizada pela Secretaria Estadual da Educação de São Paulo devem ter passado pelos sentimentos de indignação, perplexidade e, talvez, até indiferença. O que há de comum nessas duas situações?
Pode haver outras, mas o que pretendo destacar é o imediatismo das reações das pessoas (algumas decerto) mas que tornou-se rotina de tão comum e para alguns tornou-se normal.
Primeiro julga-se. Imaginem, um bando de neonazistas atacando uma gestante! Imaginem o seu filho tendo aula com um professor que zerou uma prova!
No caso da brasileira, após a queda da farsa, devem ter ocorrido os sentimentos de lamento, remorso, mais perplexidade e até indignação. Mas tudo isso, receio, acontece por causa de nosso imediatismo diante de uma notícia, porque primeiro julgamos e depois perguntamos o que aconteceu. Na primeira versão já é emitido um juízo e, na maioria das vezes, sem sabermos se é ou não sensacionalismo. E será que há alguma outra maneira de reagirmos?
Para emitirmos uma resposta adequada é necessário que haja uma investigação mais profunda, mais apurada sobre o assunto em questão, é necessário responder questões que não estão evidentes, mas cujas respostas possibilitarão encontrar um caminho mais adequado e mais coerente.
Na situação dos professores nota zero, lanço uma pergunta (há outras): Qual o motivo de tantos professores temporários? Uma informação adicional: no dia 20/02/2009 saiu na Folha Online* que " Pelo menos um em cada cinco professores da rede estadual de ensino no Brasil é temporário". Também saiu que essa média é superada em 7 Estados, inclusive São Paulo onde o índice chega a 43%.
Ao contrário de muitos, que já estão achando que estou defendendo os "professores nota zero", mas mas é simplesmente darmo-nos o direito de obtermos mais informações, obtermos todas as versões possíveis e assim possamos, com critério, separar os fatos das fraudes e manipulações e então emitir um ponto de vista mais equilibrado, coerente e próximo da realidade e dos fatos. Portanto, é um convite para a reflexão. E para ajudar vou fazer minhas, as palavras escritas pelo jornalista Francisco Viana em sua coluna do dia 22/02/2009, "A utilidade de uma farsa"**, a respeito da cobertura feita pela mídia (em geral) no caso Paula de Oliveira.
" Vive-se o presente perpetuo. Não se olha para trás ou para os lados para entender a história, entender os contextos. Não se desconfia das primeiras versões. E os fatos? (...) No caso de Paula, não se deve incorrer no erro de considerá-la uma vilã. É preciso avaliar os fatores profundos que levam uma pessoa a agir assim. (...) A interpretação de fundo. A recusa do espetacular. A aceitação da complexidade do real."
"(...) Tudo vira mercadoria, as notícias, as reputações, os acontecimentos. Se Paula errou, erraram também todos aqueles que acreditaram nas evidências sem verificar o que acontecia nos bastidores da aparente realidade. A falsificação foi a tônica desse triste espetáculo."
"Vivemos uma cultura do imediatismo. Se age primeiro para pensar depois. O grande tribunal da opinião pública muitas vezes julga anes de verificar as provas reais. Cede-se facilmente a manipulação.
* http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u507126.shtml
**http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3591619-EI6783,00-A...













