O Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde irá fornecer 400 máquinas de distribuição de camisinha no país, até o início de 2009. Para o Colégio Estadual Duque de Caxias, onde o tema educação sexual já é trabalhado há dez anos, a medida só vem contribuir com o trabalho realizado na unidade. Lá, a conversa sobre sexualidade há muito tempo já deixou de ser segredada entre amigos para virar assunto do currículo pedagógico e ser trabalhada interdisciplinarmente. O tema tem tanto destaque que o colégio dedicou uma sala a ele, o cantinho da sexualidade. As ações integram o projeto Sexualidade Humana, que já distribui preservativos aos alunos nas segundas, quartas e sextas-feiras.
Na sala, cartazes informativos e quadros pintados pelos próprios alunos evocam a temática. "Aqui é o cantinho onde eles buscam informações, tiram dúvidas e também onde pegam o preservativo", informa a coordenadora do projeto, a professora de matemática, Lícia Maria dos Santos Rosa. As camisinhas são doadas ao colégio pelo 3º Centro de Saúde da Liberdade e também pelo Grupo Gay da Bahia (GGB).
A proposta é, através da educação sexual, reduzir a vulnerabilidade às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e a Aids. No início do ano é aplicado um questionário para levantar as principais dúvidas dos cerca de 3.600 alunos da unidade e, a partir daí, elas são trabalhadas ao longo do ano letivo.
Para o secretário da Educação, Adeum Sauer, a iniciativa de dedicar um espaço para se falar da sexualidade é muito importante. Ele também destaca que a discussão sobre a temática sexual quebra o tabu que o tema já traz. "Não se fala em educação sexual sem conversa. É preciso mudar esta cultura. O processo de conscientização se dá dessa maneira. É também este o sentido da distribuição de preservativos no âmbito da escola. Não é de apologia ao sexo, mas de sexo com responsabilidade", afirma Sauer.
De acordo com a técnica da Secretaria Estadual da Educação (SEC), Rosa Gaspar, responsável pelo programa Saúde e Prevenção nas Escolas, a educação sexual pode ser trabalhada de duas formas, a curricular formal, de forma transversal e interdisciplinar e também através de projetos sócio-educativos no turno oposto ao que o aluno estuda.
Criatividade - No Duque de Caxias, os estudantes fazem trabalhos artísticos, revista em quadrinho e vídeos sobre sexualidade e, agora, se preparam para montar um grupo de teatro com foco na temática. "Trabalhar a sexualidade ainda é um tabu, mas, aos poucos, a gente vai derrubando as barreiras. É gratificante ver que o número de alunas gestantes tem reduzido", pontuou a coordenadora do projeto.
Mãe de alunos e também estudante do 3º ano do colégio, Raquel Lima diz que é extremamente importante a escola se envolver nesse projeto, ajudando pais e alunos a se prevenirem contra as doenças e até mesmo contra uma gravidez indesejada. "Tem muitos pais que não têm condições de ensinar e ficam com vergonha. O projeto ajuda a prevenir a gravidez precoce e também as doenças venéreas", considera. A estudante do 3º ano, Patrícia dos Santos Silva, 20 anos, também aprova a iniciativa.
"Muitas vezes as pessoas têm preguiça de ir pegar nos postos e tendo na escola facilita. Tem alunos que muitas vezes nem sabe usar a camisinha e aprendem aqui na escola", diz a estudante. De acordo com o professor de Biologia, Jair Moreira Lima, as demandas são constantese as mais diversas possíveis. "Volta e meia recebo perguntas. É aluna que chega dizendo que a amiga transou sem camisinha e o que deve fazer ou então dúvidas sobre as DST´s de menor impacto. Vejo como algo de extrema importância a escola abrir as portas para discutir a questão sexual", afirma.
Estatística - Embora um diagnóstico preliminar aponte que são poucas as escolas que trabalhem a questão de forma sistemática e com continuidade, Rosa Gaspar explica que o Censo Escolar vai apontar precisamente o número e quais são as escolas que têm trabalhado efetivamente com a questão. "Estamos orientando as escolas a cumprirem as Diretrizes Curriculares Nacionais, que aponta que a vida cidadã deve estar dentro da escola através de temas emergentes como educação ambiental, sexual, entre outros", defende, acrescentando que é necessário instrumentalizar os professores para trabalharem com educação sexual.