O RANZINZA, pq reclamar é viver!
O RANZINZA, pq reclamar é viver!

terça, 10 julho, 2007
Por dentro Pró-Vida

Trancrevo aqui uma reportagem feita por Dagmar Serpa, que sai na revista Marie Claire N. 68, novembro de 1996. Copiado diretamente do site www.ateus.net, no link http://www.ateus.net/artigos/charlatanismo/o_enigma_da_piramide.php


Poucas vezes osegredo funcionou tão bem como a alma de um negócio. O Pró-Vida cercasua atuação de mistério. Apresenta-se como uma escola filosófica dedesenvolvimento mental, mas não divulga métodos e conteúdo dos cursos.Quem quiser saber mais deve literalmente pagar para ver. Ou melhor,ingressar no quadro de alunos. É o que constato no primeiro telefonema,após receber de Marie Claire a missão de desvendar osbastidores desse enigmático grupo. Quando começo a freqüentar o cursoBásico, descubro que não se trata apenas de uma escola filosófica àsvoltas com as velhas interrogações do espírito humano – quem somos, porque vivemos, para onde iremos. Em muitos pontos, as aulas se assemelhamaos cultos da Igreja Universal do Reino de Deus e afins. De maneiramais sutil, o Pró-Vida também envolve, incute idéias, desperta culpas,cobra dízimos. Não falta nem mesmo a revelação da existência de umparaíso na Terra.

Alguma vez na vidavocê ouviu falar que “um mundo melhor” existe aqui e agora? Paradesfrutá-lo, basta entrar para o Pró-Vida e conviver com os “irmãos” dogrupo. E não são poucos os que fazem essa opção. Chegam a abandonaroutras atividades para marcar presença constante nos cursos, prestartrabalho voluntário e integrar definitivamente o rebanho de eleitos. Acomparação é quase inevitável: o Pró-Vida atua como uma versão maiselaborada da igreja do bispo Edir Macedo. Dirige-se à classe média altae, portanto, utiliza meios mais complexos de persuasão. O discurso dosmonitores é articulado. No lugar de trechos bíblicos, supostasreferências científicas. De Einstein a Freud e Jung, proliferamcitações que procuram emprestar credibilidade aos ensinamentos.

Antesde descobrir esses e outros detalhes, tive de passar por uma entrevistapara ser aceita no seleto rebanho. Durante a conversa não revelei,claro, minhas intenções jornalísticas. Criei uma pequena mentira. Disseser uma publicitária em busca de sucesso profissional. Admito queestava um pouco amedrontada. Se soubessem ler pensamentos, como de fatosugerem, descobririam a farsa. Mas a história convenceu e fui aprovadacom a garantia de que, ao final do curso, teria mudanças radicais naminha vida. Que tipo de mudanças? “Você verá os resultados”,desconversou uma educada monitora na faixa dos 50 anos.

Amanutenção do suspense tem finalidade. O Pró-Vida funciona como umgrupo “iniciático”, segundo a classificação do antropólogo JoséGuilherme Magnani, professor da Universidade de São Paulo. “É a mesmaestrutura de sociedades como a maçonaria e a rosa-cruz”, ele compara.“Nessas organizações, há sempre um segredo mantido pela lealdade dosadeptos. É preciso passar por etapas para ter acesso a certas dimensõesdo grupo”. Quer dizer, para conhecer o referido “segredo”, é necessárioprosseguir na iniciação – o que no Pró-Vida significa pagar mais e maiscursos. Como a meta é conquistar adeptos selecionados, de preferênciaos financeiramente saudáveis, a propaganda é dirigida. O Pró-Vidamantém uma página na Internet e promove divulgação boca-a-boca – alunosde cursos avançados levam parentes, amigos e conhecidos. Outraferramenta publicitária é um adesivo para ser colado no vidro do carro.O anúncio traz uma frase que confirma o teor enigmático utilizado pelogrupo: “Se você já estiver preparado, uma força maior o levará aoPró-Vida”. Quem ler – e não conseguir segurar a curiosidade – irátelefonar.

Logo no primeiro dia,percebo que o marketing do mistério funciona. Cerca de 60 pessoasdesembolsaram R$ 350,00 para “aprender a utilizar melhor o cérebro”. Aprocura é tamanha que a organização promove de dois a quatro cursosiguais a este por mês – não só em São Paulo, mas também em váriascidades do país e em Buenos Aires, na Argentina. Faço uma conta rápida,considerando a presença mínima de 50 alunos em cada um deles, econstato que o Pró-Vida deve faturar pelo menos de R$ 35 mil a R$ 70mil reais por mês só com essa fonte. E os cursos não são a única formade ganhar dinheiro. O clube de Campo, situado em Araiçoiaba da Serra,no interior de São Paulo, é outro negócio bastante rentável.

 

É Proibido Anotar

O adesivo de propaganda e o crachá de identificação
O adesivo de propaganda e o crachá de identificação da repórter no curso: promessas de um mundo melhor.

Umanova sede do Pró-Vida em São Paulo está funcionando desde agosto.Erguido nas imediações da Marginal Pinheiros, o prédio ostenta umavistosa pirâmide em sua fachada e abriga os cursos ministrados nacapital paulista. Substituiu outras duas sedes, situadas nos bairros deMoema e Vila Olímpia. Fiz o Básico na casa da Alameda dos Nhambiquaras,em Moema, pouco tempo antes da inauguração do prédio da Marginal. Noprimeiro dia, uma segunda-feira, chego 30 minutos antes do horárioestipulado. A aula estava marcada para começar às 20:30. Procuro umlugar vago entre as cadeiras enfileiradas, que  acomodam homens emulheres com idades e profissões variadas. Há médicos, engenheiros,professores, estudantes, publicitários, empresários, donas de casa. Etambém crianças e adolescentes (maiores de 9 anos podem freqüentar ocurso).

Enquanto espero, conversocom uma colega. Ela namora um “avançado” do Pró-Vida e está lá porinsistência dele. Tem 24 anos e é muito falante. A aula começa comatraso – o que se repete todos os dias. A monitora fala longamentesobre as agruras do mundo moderno, as guerras, as doenças, as drogas.Fico olhando os rostos atentos e percebo que três alunos avançadosestão sentados em posição estratégica para assistir a platéia. Sinto-mevigiada. Tento decifrar o que estariam observando. Nessa primeira aula,a monitora garante que aquela semana mudará a nossa vida e promete algodo tipo: satisfação “garantida ou seu dinheiro de volta”.

Durantea minha maratona de “desenvolvimento mental”, ouvi ensinamentos sobre ofuncionamento do cérebro, sono, poderes das pirâmides, energia, aura efenômenos de levitação e materialização. Participei de sessões derelaxamento e pratiquei exercícios comandados pela monitora. Mas,nesses tempos de farta literatura esotérica, cursos de auto-ajuda aosborbotões e familiaridade com anjos, achei que nada poderia ser vistocomo novidade.

O entusiasmo dosmeus colegas, no entanto, confirmou não ser essa a opinião da maioria.Boa parte parecia estarrecida. Mas será o conteúdo que conquista osalunos ou a forma como ele é transmitido? Para se ter uma idéia, somosinstruídos a “sentir” o que está sendo falado. Não temos autorização defazer qualquer anotação. O professor do Departamento de PsicologiaSocial da Universidade de São Paulo, Esdras Guerreiro Vasconcellos,explica por que esse detalhe é tão importante, “O ensinamento daprimeira noite é internalizado no nível da consciência, mas uma partese perde. Na noite seguinte, outra leva de conhecimentos éinternalizada da mesma forma e só uma parte fica – e assimsucessivamente”, afirma. Como nossa memória possui capacidade limitada,segundo o professor, a internalização torna-se um processoinconsciente. Com um agravante: o curso compacto não oferece tempo paraelaborar o aprendizado. Conclusão: “A pessoa guarda essencialmenteaquilo que tem valor emocional”. Em conversas durante os intervalos,percebo que muitos chegam ao Pró-Vida em busca do genérico “algo mais”.Ou estão embalados por crises conjugais, dificuldades profissionais,estresse acumulado.

A aula deterça-feira trata do sono e sonhos. Freud e Jung, os mais badaladosestudiosos do tema, não são esquecidos. O bê-a-bá das teorias de ambosfaz parte do menu de ensinamentos do dia. Depois, aprendemos aprogramar nosso cérebro para acordar no horário desejado, lembrar dossonhos ou ter um sono revitalizante. Basta, antes de adormecer, emestado de relaxamento, emitir uma ordem objetiva para ele. Assim, se euordenar que “quero acordar às 7 horas”, despertarei. Se só possuoquatro horas disponíveis para dormir, devo apenas dizer com firmeza ameu cérebro que acordarei disposta e descansada. E ponto final.

 

Contrabando de Einstein

Aaula de quarta-feira é anunciada como especial e ansiosamente aguardadapor todos. No encerramento da noite anterior, somos avisados de queteremos um grande dia. Receberemos um ensinamento, cunhado de “chave deprata”, que nos ajudará a abrir portas da felicidade. Durante aexplicação, descobrimos que a “chave” em questão leva o nome pomposo de“Verdade Suprema e Absoluta ao nível da Consciência Humana”. Masrapidamente verifico que o resumo da ópera é menos sofisticado eequivale à difundida idéia de que a energia do pensamento tem poderosaforça. Todos são instruídos a fazer “tela mental” para o que quiserem.Em outras palavras, quem almeja um carro novo precisa, em primeirolugar, determinar marca, cor e detalhes. Depois, imaginar-sedesfrutando da supermáquina, no velho estilo Lair Ribeiro. Se conseguir“eliminar conflitos” – do tipo “será que mereço?”–, vai obter o quepretende. Para convencer sobre a veracidade dessa sabedoria, a aulainclui exemplos de pessoas que alcançaram o desejado. Até mesmo aequação de Einstein – E=mc² – entra na dança, numa tentativa de provarque a energia do pensamento é capaz de materializar desejos.

Naquelemomento, suspeito que a teoria de Einstein foi retirada de seucontexto. O professor do Instituto de Física da USP Luiz Carlos deMenezes confirma minhas suspeitas. “É uma interpretação rastaqüera daciência”, critica o físico. Ele explica que é possível transformarmatéria em energia e vice-versa, desde que sejam observadas“determinadas leis de conservação”. E conclui: “Não desprezo outrasformas de conhecimento que não sejam a dos cientistas. Mas tenho grandedesconfiança desse contrabando de conceitos. Você pode usar a fórmulade Einstein até para vender pasta de dentes”.

Anoite da grande apoteose é marcada para sexta-feira. Teremosdemonstrações de cura. Alunos avançados promovem uma sessão rápida deimposição de mãos. No melhor estilo Doril, a dor de cabeça de um colegasimplesmente sumiu. Outro garante que se livrou do incômodo no estômagoe uma terceira sente a inflamação na garganta aliviada. Lembronovamente dos cultos da Universal com suas curas, mas o pior ainda estápor vir. Chegou a hora e a vez de despertar culpas e induzir todos afazerem uma auto-avaliação. “Classifique-se”, ordena a monitora. Elasugere que cada um faça uma auto-avaliação do seu estágio de evolução.A “evolução” pregada pelo Pró-Vida, grosso modo, significa migrar doreino “mineral”, formado pelas pessoas menos evoluídas, passar pelointermediário mundo “vegetal” e atingir o grupo dos “animaissuperiores”. Esses últimos, segundo eles, são aqueles que praticam “aajuda verdadeira” e tratam os outros como “irmãos”.

Osúltimos momentos da aula reservam mais surpresas. Faremos um exercíciopara sentir a chamada “harmonia universal”. Estamos relaxados quando amonitora começa a ler um texto escrito pelo fundador do Pró-Vida, omédico Celso Charuri. O texto descreve o ser evoluído como aquele que“conhece-se a si mesmo, tal qual é, e conhece a Deus”. Enquanto isso,uma fita mal gravada, com chiados de fundo, embala a catarse com aversão instrumental do tema da Disneylândia – “Para ser feliz é precisover / Este céu azul na imensidão... / Há um mundo bem melhor” etc.Muitos não seguram as lágrimas.

Osábado promove mais catarse. A monitora nos conduz a um casteloimaginário, onde encontraremos o chamado “guardião” ou o “eu maior”.Cada um pode enxergar a imagem que bem quiser. Durante o “encontro”,alguns choram e posso ouvir os soluços. No final, todos os alunoscontam o que viram. O campeão absoluto das citações é Jesus Cristo.houve até quem mantivesse contatos imediatos com “um monge”, “umoriental” ou “um hindu”. Da minha parte, confesso que não vi nada.

Namanhã de domingo, estou esgotada. Na reta final da maratona, somosorientados a praticar tudo o que aprendemos nas aulas. Fazemosexercícios “parapsicológicos” em duplas. Imaginem, por exemplo, que meucompanheiro fará minha mão levitar. Depois, eu repetirei a dose com amão dele. Na hora, abro discretamente um dos olhos para conferir se meucolega já eliminou a força gravitacional. Vejo que sim e voususpendendo vagarosamente minha mão para que ele se sinta feliz esatisfeito.

O destaque da manhã éa sessão de clarividência. Funciona mais ou menos assim: uma das partesda dupla entra em alfa (pratica o relaxamento) e a outra cochicha onome de alguém de seu rol de amigos, acompanhado de idade e endereço.Quem ouviu não conhece a pessoa, mas deve visitá-la mentalmente edescrevê-la – e, quem sabe, falar algo sobre sua personalidade. Torcipara que, pelo menos isso, desse certo. Tive uma clarividência? Claroque não. Quase todos, entretanto, garantem que obtiveram êxito. E quemerrou a descrição contou com o apoio do companheiro e da monitora paraarriscar uma adaptação convincente do que “viu”. Exemplo: se a“clarividente” enxergou uma morena, e ela é loira, chutavam: mas seráque ela não pintou o cabelo? Pior: mas será que não pensa em mudar acor? E assim por diante. Cada um relata sua história, os outros batempalmas e dão nota dez.

Um mês maistarde, tenho a oportunidade de repetir o Básico. Os interessados emprosseguir na “iniciação” necessitam cumprir esse procedimento.Precisam assistir de novo às sete aulas e registrar oficialmente apresença. Desta vez, contabilizo mais de cem novatos, além de cerca de200 “repetentes”. Desde o primeiro momento, percebo que o discurso éigualzinho. Mudou o monitor, mas as aulas continuam as mesmas. Como noprimeiro Básico, muitas perguntas ficam sem resposta porque são assuntode cursos mais avançados. Um colega pergunta por que a pirâmide azul émais indicada para auxiliar curas. A resposta: “Isso você vai saber noAvançado 1”. Nem todos, porém, chegarão lá. No terceiro dia derepetição, constato a desistência da jovem publicitária, que foi minhacolega na primeira vez e era uma das mais entusiasmadas. Ao mesmotempo, outro colega, um empresário de 33 anos, confidencia que não temcerteza se prosseguirá. Passou a fase da empolgação. Um dia, atébrincou comigo que estava se sentindo “na igreja do Edir Macedo”.

 

Dízimos Para Treinar o Cérebro

Detalhe da placa do departamento de recolhimento de dízimos
Detalhe da placa do departamento de recolhimento de dízimos.

Aquelesque resistem à provação de assistir a todas as aulas novamente – epermanecem entusiasmados – estão fisgados e prontos para se matricularno Avançado 1. E, aí, o céu pode não ser o limite. “Desde o Básico, oaluno vai sendo envolvido aula após aula. Colocam em sua cabeça queharmonia e amigos só se encontram ali. Você acaba se convencendo de queé mais do que os outros”, explica a ex-integrante Elza Aparecida deCastro. Conforme informações de ex-adeptos do grupo, depois do Avançado1, vem o curso Introdução. Ambos custam igualmente R$ 350 e sãoseguidos dos Avançados 2 ao 7. Para ser promovido, é preciso passar poruma espécie de comissão julgadora, que escolhe os “eleitos”. Por isso,muitos adeptos permanecem anos no mesmo curso e não são autorizados aseguir adiante. Os que atingem os três últimos níveis são identificadospor um crachá com o símbolo “4/”, que significa “avançados quatro emeio”. Do seleto grupo fazem parte basicamente diretores, conselheirose monitores.

A exemplo de diversasseitas evangélicas, o Pró-Vida também recolhe dízimo. Não existe umapressão escancarada para doar dinheiro como nos cultos da IgrejaUniversal, onde pastores aos berros lembram aos fiéis que “Deus querdar, mas o demônio segura a carteira”. O convencimento é sutil. Quemcolocar os pés na escola será contemplado por uma frase de pretensoefeito sugestivo: “O privilégio de ser nas mãos de quem dá”. Essamensagem, assinada pela Central Geral do Dízimo e seguida pelo númerode uma conta bancária está estampada nos crachás recebidos pelosalunos, nas paredes e até na página da Internet. O lucro, em últimaanálise, é o sabor predominante nesse caldeirão que mistura psicanálisecom neurolingüística, princípios de física com jargões de auto-ajuda,retórica evangélica com estrutura de maçonaria, parapsicologia comficção científica.

 

Uma Escola de Repetentes

“Fiquei dez anos barrada no mesmo curso. Diziam que faltava pouco para passar para a próxima etapa” Júlia P. Oswald, 56 anos

“Entreipara o Pró-Vida em 1981. Fui para inscrever meu filho que tinha 15 anose se interessava por esses assuntos. Acabei me inscrevendo também e fizo Básico, o Avançado 1 e a Introdução. Fiquei lá durante 11 anos. Pordez, permaneci barrada no mesmo curso. Passava por avaliações e falavamque ainda não estava preparada para seguir adiante. Diziam ‘faltou sóum pouquinho’. E eu me culpava: ‘O que será que ainda nãoenxerguei?’ Meu filho não continuou. Ele dizia: ‘Mãe, este é um esquemapara manipular as pessoas’.

Em1987, adquiri um chalé no Clube de Campo Pró-Vida. Algumas pessoasvendiam casa, carro, jóias, tudo para comprar aquele módulo. Só com otempo fui percebendo que estava dentro de uma empresa. Em 1992, passeia freqüentar uma escola de uma ex-discípula. Eles descobriram e meexpulsaram por isso. Pagaram cerca US$ 5 mil para eu devolver o módulo.Mais tarde, soube que ele já estava vendido para outra pessoa por US$25 mil.

No Pró-Vida, osalunos se sentem presos. Não tem gente que vai para umbanda ou para aIgreja Universal do Reino de Deus? Ali, o fanatismo é o mesmo. Osmonitores passam a idéia de que, se você se desligar do grupo, você sedesliga da ‘força’. Conheci mulheres que deixaram de cuidar dos maridose dos filhos para viver enfiadas lá dentro. Tive de fazer terapiadurante um ano e meio. Foi o que me salvou.”

 

O Processo de uma Dissidente

“Não queria mais fazer parte de uma organização que não usa com seus semelhantes os princípios que prega” Elza Aparecida de Castro, 58 anos

Madrugadade 10 de outubro de 1992. Elza Aparecida de Castro, hoje com 58 anos,dormia em seu chalé do Clube de Campo Pró-Vida em Araçoiaba da Serra,interior de São Paulo, onde morava desde novembro de 1998. Acordada porvolta das 2h30 com vigorosas batidas na porta, levantou-se assustada.Deparou com três membros do Pró-Vida – uma conselheira, uma secretáriae um segurança. A comitiva queria argüi-la sobre seu contato com umadissidente do grupo, que montou outra escola em moldes semelhantes. Oirmão de Elza, também integrante do Pró-Vida, era o autor da denúncia.Naquela época, Elza já havia descoberto que “o mundo melhor não eraali”.

Desde que sematriculou no Básico, em janeiro de 1982, Elza envolveu-se totalmentecom a organização. Afastou-se de amigos que não pertenciam ao Pró-Vida.Depositou mensalmente 10% de tudo que ganhava, como guia de turismo, naconta da Central do Dízimo. Em 1985, adquiriu o título de ‘sóciopatrimonial’ do Clube de Campo. Estava realizando o sonho de morar maisperto dos “irmãos” do grupo. O custo final do chalé, concluído em 1987,foi CZ$ 220 mil, “o equivalente a um Monza zero-km”. Ela recebeu aschaves em uma cerimônia na qual outros 53 “quase” proprietários tambémtomaram posse de seus respectivos chalés. “Quase” porque quandorecebiam as chaves assinavam um “documento comum de doação”, com o qualganhavam apenas o direito de uso. Quem saísse do Pró-Vida deveriadevolver o chalé. Em novembro do mesmo ano, Elza foi morar em seupedacinho de paraíso, já que um filho estava casado e o outro pensavaem casar logo.

Naquelamadrugada de 1992, quando foi subitamente acordada, seu paraíso ruiu.Elza disse à representante do Pró-Vida que não queria mais fazer parte“de uma organização que não usa com seus semelhantes os princípios queprega”. Ela conta, por exemplo, que precisou descarregar a sua mudançasozinha porque não deixaram o filho entrar no clube. O motivo: ela nãopodia receber ajuda de quem não fosse sócio. Elza devolveu o crachá,mas recusou-se a assinar um documento de devolução da casa. Procurou umadvogado e desde então vem brigando na Justiça para receber, em valoresatuais, o correspondente ao chalé e à quantia gasta com a aquisição dotítulo, em torno de US$ 50 mil, segundo o recurso da apelação. Seuadvogado alega no processo que o “documento comum de doação” não temvalor legal porque não foi lavrado em cartório. Mesmo de posse de umamedida liminar garantindo o direito de ir e vir a seu chalé. Elza foiimpedida de entrar no clube em setembro do ano passado.

Seganhar na Justiça, Elza estará provando que o clube, criado em 1979como associação sem fins lucrativos, transformou-se em uma galinha dosovos de ouro. Com suas atuais 622 unidades, ele funciona como uma fontede rendimentos em progressão geométrica, conforme as denúncias: adiretoria se dá poderes para realizar expulsões aleatórias e revenderos chalés por um preço até três vezes superior.

Arepórter telefonou seis vezes para ser atendida por uma secretária doPró-Vida, que se apresentou como “Bia”. Na última tentativa, asecretária afirmou que o grupo não iria responder às acusações. Areportagem ainda localizou, pela lista, o telefone da casa de um dosdiretores da organização, José Antonio Demargos. “Podem publicar o quequiserem, não damos entrevista”, encerrou Demargos.



postado por 65833 as 10:31:40
3 comentários:

Bruna:
Ouro Preto??? Hahahahahahahaha
17/07/2007 17:22:24
Andre:
vai dar a bunda pros gringos e sai daqui pq nao queremos gente que mora aqui e valoriza mais os outros
17/07/2007 17:20:09
Carlos:
seu antipatriota de merda
se vc nao se respeita, foda-se, mas respeite o cristo redentor. Toma vergonha nessa sua cara e valorize o pais que vc vive ou sai daqui, pq tenho certeza que voce nao faz falta......
Vergonhoso......
17/07/2007 17:19:02
Comente este post
Início
Perfil
65833
Meu Perfil

Meus Links
>> Blog Grátis
Criar Blog
Manta Absorvente de Óleo
Hoteis

Palavras-Chave
>> Pró-vida
>> Charlatanismo
>> Psudociência

Favoritos
Não há favoritos.

adicionar aos meus favoritos


Colaboradores do Blog


Comunidades
Não há comunidades.

Posts Anteriores
>> O CHARLATANISMO DO PRÓ-VIDA

Arquivos
2007, 01 setembro
2007, 01 julho

8962 acessos
CRIAR BLOG GRATIS   
..