ORLANDO BATISTA DOS SANTOS
ORLANDO BATISTA DOS SANTOS
domingo, 30 setembro, 2007
LIVRO HERÓIS CAIPIRAS


COMO SURGIU O LIVRO

A partir de 1964, o êxodo rural ganhou um forte impulso no Brasil, especialmente nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, regiões antes cafeeiras, onde se apostou sem muito sucesso em outras culturas, o que levou muitos proprietários de terras à decadência e à luta para desfazer o ônus e a responsabilidade sobre a mão-de-obra contratada anteriormente em regime de colonato. Migrando forçosamente para a cidade, muitas famílias conseguiam, de alguma forma, manter os laços de amizade que fora estabelecido ainda no campo, condição fundamental para a manutenção da identidade dessas famílias no novo e pouco conhecido ambiente. Pelo menos foi o que se deu em Birigüi, município do Estado de São Paulo, com o esvaziamento do campo nas décadas de 60 e 70.

Por ocasião das costumeiras visitas entre si, ou encontros casuais, esses ex-colonos trocavam informações sobre a situação de cada conhecido e, via de regra, gastavam boa parte do tempo relembrando fatos daquele passado ainda recente, o que tornavam aquelas visitas bastante prazerosas.

Tudo isso acompanhei com bastante interesse, já que minha família também estava inserida no contexto da migração campo-cidade do município citado. Preocupado com a perda dessas memórias que naturalmente ocorreria com o passar do tempo, resolvi registrá-las, operação que chamei "Heróis Caipiras". Inicialmente, preocupei-me apenas com a coleta de informações de coisas, casos e pessoas da época, além das que eu próprio guardara na condição de testemunha. Depois, com a preparação de um livreto, que uma vez impresso, seria distribuído para que aquelas próprias pessoas tomassem conhecimento. E assim foi feito.

Ao tomarem conhecimento do material houve uma grande manifestação de contentamento daquelas pessoas. A reação foi de uma verdadeira redescoberta dos amigos. Foram telefonemas, encontros e reencontros, motivados pelo surgimento do "livro", material que foi também objeto de admiração pelas gerações mais novas, pessoas que, nascidas já na cidade, apenas ouviam as histórias que os mais velhos contavam sobre a trajetória daquelas famílias quando vivendo no campo. Simultaneamente, percebi que muitas pessoas fora do círculo dos velhos amigos podiam também reconhecer naquele trabalho a trajetória de sua própria família, ainda que em outro tempo e lugar. Foi só então que compreendi a dimensão daqueles relatos.

O caminho seguido até a publicação do livro foi realmente árduo, já que eu não tinha a mínima noção do mundo editorial. Para consolo deste autor, em 2004 o material acabou chegando às mãos do cineasta Anselmo Duarte, que manifestou-se no seguinte tom: "Gostei muito, tanto que li outra vez! E isto acontecerá com todos que lerem Heróis Caipiras". Em outro trecho da carta ele diz: "Quando comecei a ler Heróis caipiras, relia com avidez as primeiras páginas, para satisfazer o meu encanto pela beleza da linguagem usada para descrever ou dialogar os casos, com uma autenticidade incrível. Sentimos a presença dos personagens contando suas próprias histórias. Sim, estou encantado...".

QUARTA CAPA DO LIVRO

É impossível não rir. É impossível não se emocionar.

Humor, poesia e reflexão é o que vamos encontrar em Heróis Caipiras, pitoresca reconstrução da simplicidade do Brasil rural. Tendo sua própria família como ponto de partida, o autor refaz a trajetória de uma comunidade de colonos às vésperas do êxodo rural no final da década de 1960. Com originalidade e leveza, foca exclusivamente o imaginário do homem do campo, e o acompanha quando este é obrigado a ir morar na cidade. Como um álbum, o autor vai mostrando quadro a quadro, fazendo evoluir os elementos da narrativa, na medida em que também evolui sua própria compreensão dos fatos: a rotina prazerosa, às vezes áspera, mas também conflitos socioculturais e os problemas revelados por aqueles que tiveram mais dificuldades para se adaptarem às mudanças.

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postado por 75608 as 09:42:36 #
1 Comentários

Ana Claudia Ventura dos Santos:
Olá, Orlando!
Em outra oportunidade já havia lhe comunicado que montei a sua peça "A Guerra da Água", junto aos alunos do curso de Geografa da Universidade Federal do Tocantins (2007). Na época tive que entrar em contato até por telefone com alguém que não lembro o nome, posto que não era tão fácil encontrar o texto na internet. Fui transferida para a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, para a cidade de Caicó (Seridó) e montei novamente a peça(2010), como sempre adaptando ao rio local com linguagem e sotaque próprios de nossa região. Quero dizer que em ambas oportunidades o resultado foi extremamente positivo. Tanto que elaborei um projeto de extensão para levar às escolas do ensino básico daquela cidade, em 2011. Entretanto, não pudemos efetivá-lo devido greve dentre outros fatores.Gostaria de parabenizá-lo pelo seu trabalho. E dizer que gostaria de continuar seguindo essa trilha/trama...Hoje estou trabalhando na UFRN/Natal.
Sei que não se incomoda, ao contrário, quanto mais difundida a problemática ambiental, notamente o recurso água melhor. Foi o que eu compreende ao ler um pouco de seu grandioso trabalho.
Com respeito e admiração,
Ana Claudia Ventura dos Santos
30/08/2012 17:53:34  

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