
Engraçado. Tenho escrito pouco aqui. Não é por falta de assunto. Só o Lost está mais imprevisível e cheios de novos rumos que minha vida.
Mas quando li o último comentário do texto sobre a maior arma de destruição em massa do mundo, o catolicismo, refleti por uns dias sobre a importância de compartilhar.
Nas vezes em que não escrevo é pq não consigo pensar que minha vida possa ser importante. Muita gente sofre mais, causa mais, se diverte mais, sei lá. Mas outro dia tava pensando sobre grandes detonadores de mudanças comportamentais na minha vida. Muitos deles foram textos, frases ou livros escritos por alguém que não deixou de compartilhar sua visão da vida. Talvez o que eu escrevo aqui. O que compartilho da minha experiência de vida possa ser um detonador pra alguém. E isso me motivou a falar de uma atitude que precisa ser compartilhada.
Não tive afinidade com a cidade de Manaus. Não tenho nenhuma saudades do lugar. Mas deixei um grande amigo lá. O Léo. E um grande amigo vale até mais que um ano num lugar que vc não gosta. Não tem preço um grande amigo. Ganhava bem lá e poderia ganahr mais se ficasse. Consegui pagar sempre em dia a pensão do meu filho, comprei home theatre, carro zero, fiz muito sexo com duas mulheres ao mesmo tempo, tive apoio e ganhei respeito profissional. Mas quero compartilhar com você a maravilha que é jogar tudo pro alto em nome do amor. Saí de Manaus sem nada certo. Sem segurança, sem nenhuma perspectiva de emprego em lugar nenhum. Tinha marcado a mudança e não sabia pra que cidade mandava o caminhão até horas antes deles começarem a embalar tudo que comprei com o dinheiro que ganhei nesses anos. Mudança não é novidade pra mim. Já morei em muitos lugares, mas sempre com um emprego me esperando antes da partida. Dessa vez não. Decidi viver minha vida pra mim. Um gesto louco numa vida onde o grande objetivo é a segurança. Abandonei essa ingrata. Resolvi ficar o mais perto possível do meu filho fazendo o que eu gosto: rádio ou TV. Me animei de ver gente como o Datena, Lula, Murilo Benício Xuxa, Banda calipso, e tantos outros sem nenhum talento ou genialidade que têm empregos que rendem uma boa grana e pensei: esses seres conseguem emprego, pq eu não?
Isso me fez perder o restinho de medo que corajosamente tentava sobreviver nesse meu ser cansado do mundo.
Sempre que via meu filho tinha data pra “devolve-lo” pra mãe. Isso tornava aflitivo o tempo que passava com ele.
Mais uma vez entra um grande amigo.
Outro deles que fiz em BH, o Bruno. Me ofereceu a casa pra que eu não pagasse hotel e fui pra lá com a Denise e meu filho durante o carnaval. Moramos ali na casa dele com todo conforto por alguns dias memoráveis, sem pressa, sem data, sem pressão e sem aflição. Isso e mais a percepção do valor incomensurável da amizade que deixei lá e das de BH -outras pessoas muito queridas como o Tchuris, o Gringo (tatuador) e o cabeça me ofereceram a casa já foram meus primeiros prêmios pela coragem de ter decidido abandonar o conforto material e a segurança.
Deixei minha linda lá e fiz uma viagem pra SP, pra acertar tudo por aqui ( casa, trabalho, etc) com meu baixinho. A mãe dele sempre carinhosa e compreensiva me dando todo o apoio nessa jornada. Inclusive sem nem me pressionar com a pensão que vai faltar por um tempo me deixou a vontade com meu filho. Emprestando até o carro para que eu pudesse sassaricar com o baixinho por BH. Chegando aqui a overdose de amor por parte de minha mãe, pai e irmão me fez sentir ainda mais vencedor, mesmo sem ter ganho nada materialmente. E foram aparecendo mais amigos. Daniel, Omar, e outros que vão na sua velocidade aparecendo foram, com seus gestos, frases e atitudes me dizendo: “ isso. Viu como vale a pena ir atrás da sua felicidade sem olhar pra trás? “
Tudo pra isso pra chegar no principal dessa história.
Os dias com meu filho.
A gripe mais forte que tive foi minha amiga me mostrando o lado mais carinhoso de meu filho que, como um pai, ficou do meu lado e me dizia coisas que eu nem imaginava que um menino de 3 anos dissesse. Fiquei conhecendo meu filho de verdade. Não desgrudei dele. Dei banho, escovei dente, coloquei na cama, abracei, contei histórias, expliquei, conversei, montei quebra cabeça e fiz coisas que a segurança não me deixou fazer por muitos meses. Nem vou tentar descrever o que é a sensação de ser pai diário. De sair de casa pra alguma reunião de emprego, abrir a porta e ter aquele ser te esperando feliz e plenamente satisfeito.
Mesmo com todas as conversas de emprego dando em nada e com o susto com os preços dos aluguéis, nunca fui tão feliz. Nunca fiquei tão satisfeito em não ter nada além de um grande amor.
Por isso escrevi. Larga tudo agora e seja lá o que for seu grande amor: um mergulho, uma outra carreira, uma mulher, um homem, qualquer coisa. Vai lá. E foda-se com toda força sua segurança. Não preocupa com nada. Teus amigos vão ficar muito felizes em te ajudar a ser corajoso.















