A fragmentação das identidades
O mundo contemporâneo é por si só um universo de provocações e questionamentos que colocou em xeque muitos ideais e preceitos. Talvez, a identidade cultural seja um desses aspectos que entraram na pauta de maneira inevitável. A globalização, a circulação ágil de informações e o avanço da tecnologia estreitaram os vínculos, subverteram as fronteiras e criaram uma situação em que não é mais possível pensar em pureza quando se fala de cultura, mas, sim, de hibridez. As identidades – sejam elas de raça, classe, gênero, etnia, nacionalidade – estão fragmentadas, o lugar fixo de referência já não existe mais, daí a crise identitária do sujeito contemporâneo. Essa nova condição está exposta em muitos vieses da vida cultural, política e social. Na tentativa de repercutir as discussões a esse respeito, esta edição abre suas páginas para artigos que relacionam o problema identitário com outras questões não menos importantes: a perigosa aproximação entre identidade e nacionalismo, a construção dos estereótipos, os reflexos das identidades fragmentadas no cinema e na arte contemporânea.