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quarta, 24 janeiro, 2007
Horário prejudica aluno e professor
Horário prejudica aluno e professorTurno curto limita debates em sala e as aulas de artes e esportesBruno Paes MansoPara ensinar assuntos espinhosos em matemática, história ou ciências, o professor precisa trabalhar com inquietações que os alunos levam para a sala de aula. Fazendo o paralelo com a realidade do estudante, fica mais fácil ensinar. 'O turno curto limita o professor, que não consegue trabalhar as dúvidas do aluno. Ele fica preso ao cronograma escolar e deixa as discussões de lado', afirmou a professora Angela Soligo, coordenadora do curso de Pedagogia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Os prejuízos para o estudante não se limitam ao ensino formal. Por causa dos turnos de quatro horas, matérias importantes como inglês, música, esportes e educação artística perderam peso na grade escolar. 'Não são matérias acessórias.
Elas ajudam na formação do caráter, da disciplina e no gosto artístico', afirmou a professora Maria Luiza Marcílio, autora do livro
História da Escola em São Paulo e no Brasil.
Maria Luiza conta que, na década de 50, por causa do rápido crescimento da população em São Paulo, as escolas chegaram a ter seis turnos de uma hora e meia e até aulas intercaladas.
As turmas tinham aula dia sim, dia não. A situação só mudou em 1996, com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que estabeleceu o mínimo de quatro horas diárias para a carga horária. 'Vejo essa mudança como uma etapa
para chegarmos ao período integral, que é recomendado pelos organismos internacionais.' Secretária da Educação na gestão Marta Suplicy, Maria Aparecida Peres elogiou a iniciativa da Prefeitura e disse que ela seria prioritária em um eventual segundo mandato da petista. Ela acredita que o outro grande desafio das escolas é a melhoria na qualidade do ensino. 'Pode-se avançar bastante em cima do que já existe.' Aparecida afirmou que a cidade tinha 90% das escolas com três turnos no começo da gestão Marta. O porcentual, segundo ela, caiu para 70% no fim do mandato. A ex-secretária elogia também a retomada dos investimentos nos Centros Educacionais Unificados (CEUs). 'Acho importante que os bons projetos sejam reconhecidos.' Voz dissonante, o professor da Unicamp Ezequiel Theodoro da Silva acredita que as sucessivas mudanças de orientação no ensino têm atrapalhado mais que ajudado. Theodoro alegou que elas têm desestabilizado as escolas, que não conseguem mais se programar. Para ele, a eliminação do terceiro turno deve ser feita a partir de debates com as famílias de alunos, já acostumadas aos atuais horários de estudo. 'Escolas atendem à comunidade, que passará a ter que adaptar sua rotina para se enquadrar nas mudanças. As transformações são violentas e desestruturam a rotina escolar', disse. 'A escola precisa se assentar e deixar de viver tantas mudanças para construir uma identidade. Deixem as escolas em paz para que seja possível ensinar.' ?

? Mais informações, pág. C4


postado por paulo alexandre cordeiro de vasconcelos as 07:06:29




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