Cisne Negro chega à "idade da razão" e rememora sua trajetória
Cisne Negro chega à "idade da razão" e rememora sua trajetória GEISA AGRICIO Da Redação

Divulgação Fruto da Terra, de 1999, tem coreografia de Itzik Galili ASSISTA A TRECHOSA chegada dos 30 anos é comumente dada como a vinda da idade da razão. O marco traz implicitamente um momento para refletir sobre o passado, passá-lo a limpo e pensar o futuro com uma ótica embasada na maturidade. E como a arte imita a vida, a Cisne Negro Companhia de Dança comemora a data rememorando seu repertório, resgatando os momentos marcantes da sua trajetória e se reformulando na contemporaneidade depois de fincar suas tradições.
O início das celebrações das três décadas de carreira da companhia paulista idealizada pela diretora Hulda Bittencourt acontece nesta sexta-feira (13) com a temporada especial dos espetáculos "Fruto da Terra", do israelense Itzik Galili, e "Mozartíssimo", com coreografia de Gigi Cacileanu - em cartaz em sessões conjuntas até domingo no Sesc Pinheiros - e o lançamento do livro comemorativo "Cisne Negro: 30 Anos de Dança" (Retrato Editora), assinado pela pesquisadora Cássia Navas.
"Queríamos publicar o livro desde os 25 anos, e só agora, aos 30, conseguimos realizar esse sonho. Estou muito emocionada com esse momento, importante não só para a companhia como a para a dança do Brasil. A emoção é tanta, que convoquei o cardiologista para comparecer esta noite", vibra Hulda Bittencourt.
A obra pontua o nascimento do grupo, que proporcionou à companhia tornar-se uma referência da dança contemporânea brasileira ao agregar novos valores e ter como princípio a flexibilização das linguagens estéticas da dança nacional até então.
O livro traz ainda detalhes sobre momentos importantes da carreira do Cisne Negro como a primeira turnê internacional, os coreógrafos que fizeram história na companhia, o estabelecimento da sede na Rua das Tabocas, os talentos nacionais que passaram pelo grupo como intérpretes, entre outros episódios.
Divulgação Gigi Cacileanu assina a criação de Mozartíssimo, de 1991 A idade da razão
Ao somar ao corpo de baile do já bem estabelecido Estúdio de Ballet Cisne Negro o diálogo com estudantes Faculdade de Educação Física da USP, Hulda Bittencourt fincou, desde a criação em 1977, a principal raiz do grupo: o hibridismo, que foi essencial para a sua evolução e reconhecimento ao longo dos anos.
Hulda reconhece ainda como elementos marcantes da companhia o investimento em formação de platéia, a educação de novos talentos e o ecletismo buscado pela mescla de parceria com diferentes coreógrafos, não optando pela residência de criadores.
"Chegamos a essa tal idade da razão. É a época que aprendemos com erros que cometemos, revemos os tantos acertos que foram lindos e já nos conhecemos o suficiente para reconhecer o que dar certo. Vejo que o futuro é seguir a linha de investir em novos talentos, nos valores nacionais e manter a postura democrática de aproximação a qualquer platéia, de Nova York a Moçambique, do Theatro Municipal ao Anhangabaú", conta a diretora citando a próxima apresentação em praça pública da companhia, no próximo dia 25, no Vale do Anhangabaú durante a Virada Cultural.
Revisita ao repertório
Ainda revivendo os pontos altos da sua carreira, a trupe seleciona dois dos mais relevantes espetáculos de seu repertório. "Fruto da Terra", de 1999, coreografado pelo israelense Itzik Galili, representa a vida no campo, a comunicação e o relacionamento entre grupos de trabalhadores, que mesmo em meio a tensões e conflitos vivem em harmonia. Com música de Mercedes Sosa, tem grande impacto visual com tratamento do artista plástico Ascon Nijs.
Já "Mozartíssimo", composto em 1991, faz uma leitura moderna e arrojada da obra de Mozart. A Criação de Gigi Cacileanu é baseada na "vida de artista ambulante" de Mozart e em sua afinidade com trupes de saltimbancos. Na coreografia bailarinos armam diferentes espaços, com uma dezena de cubos que se dispersam e se empilham uns sobre os outros.
Além de Itzik Galili e Gigi Cacileanu, assinaram coreografias para o Cisne Negro nomes como Vasco Wellencamp (Portugal), Michael Bugdahn e Patrick Delcroix (França), Janet Smith e Mark Baldwin (Inglaterra), Ana Maria Mondini, Dany Bittencourt, Denise Namura, Tíndaro Silvano, Mário Nascimento e Rui Moreira (Brasil), Júlio Lopes e Luis Arrieta (Argentina) e Victor Navarro (Espanha).
Um dos referenciais nacionais de pesquisa cênica e rigor técnico, a companhia já apresentou trabalhos nas principais cidades do Brasil e em países como Inglaterra, Estados Unidos, Canadá, Espanha, Uruguai, Argentina, Alemanha, África do Sul, Moçambique e Chile.
Cisne Negro: "Fruto da Terra" e "Mozartíssimo" QUANDO: 13 a 15/04, sexta (somente para convidados) e sábado, às 21h; domingo, às 18h ONDE: Sesc Pinheiros (Rua Paes Leme, 195, São Paulo). Informações:(11) 3095.9400. QUANTO: R$ 7,50 a R$ 15
by uol http://diversao.uol.com.br/ultnot/2007/04/13/ult4326u118.jhtm
|