
foto: Denise Mustafa BONECAS DA BARRA no DIÁRIO DO NORDESTE Bom, quando fiquei sabendo que os meus garotos iam ter uma matéria no jornal, eu fiz questão, como produtor e como fã, de ter acesso imediato ao que seria tal lance. Inicialmente, não obtive nada do material que seria publicado pelo Diário do Nordeste, e, visto que sou paranóico e extremamente desconfiado (diga-se, de passagem, principalmente com Glauco King - que havia sido o procurado para responder à repórter), pensei em algumas coisas que pudessem prejudicar tanto a imagem da banda, quanto o meu trabalho como publicitário dela - afinal, era a primeira vez em que teriam uma matéria inteira só pra eles (nas ocasiões anteriores, apenas apareciam como exemplos de reportagem). Mas minhas nóias logo sumiram quando vi o resultado na segunda-feira passada, onde foi mostrada uma Bonecas da Barra incrível e cheia de excelentes influências, como ela é e como deve ser. Claro que foi sugestão minha as fotos serem na Ponte da Barra, não haveria local mais propício para uma sessão profissional. Até duvidei que a equipe do jornal concordasse por conta do péssimo acesso, mas no final foi tudo bem e as fotos ficaram excelentes, provando que as Bonecas são da Barra do Ceará, assim como o Céu é do Condor. Depois que li, re-li e divulguei exaustivamente a matéria, por fim tive acesso ao rascunho da entrevista dada por Glauco King à jornalista Juliana Colares, que tinha feito perguntas boas e que, não fosse o possível limite de espaço que o jornal lhe deu, teria esclarecido ainda mais o universo das Bonecas. E olha que nem sabia que eu tinha sido citado pelo Rei (risos)! De qualquer forma, tanto ela, quando a fotógrafa Denise, estão de parabéns! E Viva La Barra! Se vocês não conferiram a matéria no caderno Zoeira, aqui vai o link: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=470574 Logo abaixo, publiquei as respostas da maneira como Glauco King as respondeu no dia anterior à sessão de fotos. Lembrando sempre que os créditos, tanto da entrevista, quanto da matéria publicada no site e no jornal do Diário do Nordeste, são da Juliana Colares, e não meus! 1) Como e quando surgiu a banda Bonecas da Barra? Por que esse nome? A idéia veio quando decidimos preencher o tempo fazendo algo que amávamos, no caso o rock n' roll. Ficávamos muito instigados quando líamos sobre os rockstars como Mick Jagger, Elvis Presley, John Lennon, com o estilo de vida deles, na forma como existiam loucamente e tocavam rock n' roll. A guitarra do Chuck Berry, o piano do Little Richard, aquele estilo de dança e de som, aquilo tudo nos maravilhava. Isso sem falar no estilo visual do Bowie, do New York Dolls e de todas aquelas coisas bizarras. Nossa vida era muito tediosa, sabe? Precisávamos de um pouco desta loucura! Adotamos o nome de "Bonecas da Barra" por dois motivos: o primeiro, que parece bem óbvio, é por nossa influência pelos Dolls, claro, e o segundo por sermos todos da Barra do Ceará, e por querermos falar daqui, assim como o grande Luiz Gonzaga falava do seu sertão. Acho que quando a coisa tem bases verdadeiras, mais reais, ou simplesmente mais sinceras, fica bem mais interessante. 2) Qual a proposta e porque se diferencia das outras bandas? A proposta é tocar e cantar o que vemos, o que sentimos, nos divertir e divertir as pessoas! Se a casa nos dá uma hora de show, que seja sessenta minutos de fuga de todos os problemas, de todas as frustrações amorosas, de todos os empregos perdidos, que seja uma hora apenas de diversão, de farra, de barulho, de dança e de rock n' roll no volume máximo! Não importa se você é hetero ou homo ou bissexual, caia na pista e mande ver! Dance até se esbaldar, porque esses cinco travestis só vão descer do palco quando tiverem certeza de que não agüentam mais! 3) Como define o som? Principais influências? Como dizem os mais antigos: "é apenas rock n' roll" (rs). Bem, cada integrante traz muitas influências pro conjunto! É realmente muitas bandas! Mas, em comum, gostamos das coisas antigas, como Rolling Stones, Beatles, Elvis Presley, Chuck Berry. Também a rapaziada glam como o David Bowie, New York Dolls, Iggy Pop and The Stooges. O blues do Howlin' Wolf, do Muddy Waters e da Memphis Minnie. E pode-se dizer que o Johnny Thunders é o máximo para nós! 4) Qual o objetivo da banda, quando ela se traveste com roupas de mulher (igual o extinto grupo americano New York Dolls) para compor toda uma performance? Que adereços e peças costumam usar? Fazem muito sucesso (com o público feminino, o masculino ou vice-versa? kkk) Bem, é como venho dizendo, somos adeptos do slogan: "diversão e rock n' roll". Às vezes, sôa até um pouco inconseqüente, mas é o que se pode esperar de 5 rapazes como nós. (risos) Gostamos de chamar a atenção, de fazer "enxame" e de cair na farra! Nos shows, usamos vestidos, perucas, sutiãs, calcinhas, camisolas, maquiagem e toda a parafernália traveco n' roll! (risos) Pode-se dizer que nosso público é bem "democrático". Nos nossos shows, tanto as meninas quanto os caras caem na dança, pulam, gritam e curtem! Acho que é porque todo mundo, independente do sexo (ou da opção sexual), gosta de dançar até se acabar numa festa e de uma boa bagunça! Todo mundo tem o direito de se divertir e estamos ali pra isso! 5) Aposto que esse visual deve render muitas piadinhas, não é? Sobre isso, vc tem alguma história inusitada para contar? É, todo show sempre escutamos gracinhas, mas geralmente são apenas brincadeiras, nunca fomos diretamente agredidos por estarmos vestidos como garotas. Sempre tem um cara que grita: "cachorra!" ou "safada!" (risos). E, claro, sempre tem uma gatinha que grita "lindas!" ou "gostosas!" (risos). Achamos engraçado, sabemos lidar com isso na esportiva, afinal é festa, todo mundo se diverte e nós mesmos tiramos onda uns com os outros por causa das roupas, somos muito brincalhões também. Bem, pode-se dizer que a situação mais inusitada que passamos foi há um mês, quando fomos tocar numa igreja da Barra do Ceará, num evento católico. O público estava curtindo, todo mundo dançou e pulou, mas o padre não viu muita graça naquilo e mandou acabar com a festa, fazendo sinal de enforcamento pro rapaz do som, pedindo pra cortar minha voz (risos)! As outras bonecas morreram de rir depois do show, mas eu achei aquilo o máximo, me tornei fã do padre depois daquela atitude dele, afinal ele tinha que defender a honra da paróquia (risos). 6) Já lançaram algum disco ou estão em processo de gravação? Previsão de lançamento? Bem, pode-se dizer que o nosso principal pecado com nosso público é não ter lançado ainda nenhum material oficial. Mas um grande amigo nosso, o Jusça, que também trabalha na parte publicitária conosco, editou um cd demo com várias músicas da gente, tiradas de algumas gravações que realizamos há alguns meses. Tem na internet, todo mundo pode acessar e escutar à vontade! Por enquanto, não temos uma previsão para o lançamento do primeiro disco. Eu entendo a cobrança dos fãs, mas peço só mais um pouco de paciência, porque esse disco vai sair, sim, e é pra eles! 5) Acredito que tenha sido difícil conhecer e reunir pessoas com os mesmos gostos musicais, na Barra do Ceará, ainda mais com influências de grupos oriun dos do glam rock e do pré-punk. Quais as principais dificuldades que a Bonecas, ou uma banda cearense com um som mais underground, enfrenta? Olha, felizmente, eu tive a sorte de encontrar pessoas que se interessam em escutar bandas, em conhecer artistas que nem sempre estão tão em evidência, em procurar material e compartilhar uns com os outros. É um lance de amigos mesmo, sempre estamos emprestando material de bandas que curtimos pra todos conhecerem. Por exemplo, eu e o Rafael Sobral (o baterista) ultimamente temos trocado altos discos de funky e soul dos anos 70 e 80, tipo Jimmy Bo Horne, Funkadelic, Kool and The Gang, Tim Maia, Marvin Gaye, essas coisas. É o mesmo esquema com o restante da banda, um empresta algum cd ou dvd pro outro conhecer e assim vai indo. 6) Em relação ao processo de composição, quais os temas predominantes nas letras? Por quê? Bem, eu faço a maioria das músicas e isso vai muito de acordo com o que eu sinto naquele instante. Não tenho inteligência, então faço tudo com o sentimento, com a paixão quase cega! As letras falam muito do que me rodeia, seja fisicamente ou psicologicamente. E é tudo muito de verdade, eu não consigo fantasiar ou criar temas totalmente imaginários, confesso que não sei fazer isso, e até admiro quem consiga! Eu falo do que vejo e do que sinto, falo da Barra do Ceará, das minhas frustrações e diversões, falo de garotas (por sinal, todas de verdade - os nomes citados nas nossas faixas são de garotas reais que conheço e moram todas na Barra). Isso sem citar os arranjos, a roupagem musical essencial que as outras bonecas fazem nas músicas! 7) Momentos marcantes da trajetória da banda (Já participaram de grandes shows, festivais? Já fizeram turnês? Abriram para bandas famosas? Prêmios?) Na verdade, estamos começando agora, ainda nem lançamos nada oficial, o que nos atrapalha em muitas ocasiões! Mas já tocamos em vários eventos grandes da cena local, estamos sempre fazendo shows, tanto no nosso bairro, quanto na cidade. Vez por outra, "invadimos" a mídia também, já aparecemos na televisão, tocamos em rádio e agora vamos aparecer no jornal com você. Um dos shows que mais gostamos foi no ERECS (Encontro Regional de Estudantes de Ciências Sociais), na primeira metade desse ano, quando começamos a tocar para um público de mais ou menos 30 pessoas e, depois de alguns minutos, estavam mais de 600 dançando, sendo que ainda houve vários amigos nossos atrasados que não conseguiram entrar porque o limite tolerado pela segurança do evento não permitia mais que aquele número de gente. Posso citar nossas apresentações na Barra do Ceará, na extinta avenida J, que lotava tanto que obrigava dezenas de pessoas à ficarem curtindo do lado de fora, isso sem falar nas que entravam e gritavam coisas do tipo: "Bonecas da Barra" ou "Rei da Barra". Isso nos deixa muito felizes e acho que o nosso maior prêmio é saber que essas pessoas gostam do que fazemos e se divertem tanto quanto a gente! 8) Qual a expectativa da banda para o Festival Panela Rock? Estamos contando os minutos, porque esse evento vai ser importante, não só para nós, como para toda a cena! Estamos conversando com o Talles sobre a possibilidade de entrarmos para o selo Panela Discos, e a negociação já está bastante avançada. Estamos que nem macacos excitados! (risos) 9) O que vcs estão preparando para a performance? Vai ter alguma cover? Por acaso, New York Dolls ou David Bowie (citar qual música)? Muita diversão, muita bagunça e, principalmente, muito rock n' roll! É hora da Barra do Ceará subir no palco e sujar a cidade de purpurina! Chega desse tédio de ficar em casa sonhando com o emprego ou o carro ou a namorada dos outros (risos), é hora de dançar até se acabar, como nossos avôs faziam! Quanto ao repertório, não temos nenhum cover incluso, mas faz parte dos nossos planos tocar algo dos Stones ou do Johnny Thunders muito em breve. 10) Projetos Futuros? Bem, pode-se dizer que o nosso futuro é as Bonecas da Barra. Não vivemos mais sem isso! O rock n' roll nos seduziu de uma forma que não conseguimos mais nos ver sem estar no palco, sem estar tocando ou estando, de uma forma ou de outra, envolvidos neste amor selvagem de instrumentos e vozes! Nossos planos são gravar e lançar um disco, cair na estrada e mostrar um pouco do que aquele bairrozinho simples e esquecido sempre quis mostrar, de soltar o grito por ele, de expressar a nossa casa, que esteve fechada e silenciosa por tanto tempo, de também cantar o que as pessoas sentem, falar de amor, de frustrações, de coisas estranhas, de tudo! - As Bonecas da Barra se apresentam no primeiro sábado de outubro (dia 06/10), às 17 horas, no Panela Rock, que será realizado no Ginásio Poliesportivo da Parangaba. E a entrada estará custando: R$ 3,00 (meia) / R$ 6,00 (inteira) Link's: http://www.bandasdegaragem.com.br/bonecasdabarra (mp3) http://www.flogao.com.br/asbonecasdabarra (fotos) http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=28212026 (comunidade)
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DEAD LEAVES
Costumo dizer que rock n' roll é pra quem merece. E eu mereço! Por isso, estou dando início à esse novo blog, voltado para o que há na nossa cena (que, diga-se de passagem, cambaleia, mas não cai - e, se cai, levanta ressaquiada no outro dia!). Sim, andam comentando cá e lá sobre essa "cool wave" que anda tirando o sono de muitos músicos de Fortaleza. Mas aqui nós somos bonzinhos! Afinal, como dizia James Holland, "música vai ser sempre música, até que eu fique paranóico ou surdo". Bem, deixe-me falar hoje de uma excelente banda, que vem mostrando um instigante rock n' roll há três anos, mas que, convenhamos, mostrou totalmente quem é e o que veio mandar pelos ares a partir do ano passado, com a entrada das meninas no line-up e o aperfeiçoamento natural em decorrência do tempo. A Dead Leaves surgiu em 2004, inicialmente integrada pelo guitarrista João Luiz, o baterista Humberto Kelvin, o baixista Luís Eduardo e o vocalista George Alexandre. Lançaram um material de estúdio intitulado Live Sessions, que, embora a qualidade da gravação seja razoável, provou o espírito visceral e o inegável rock n' roll tão presente nos rapazes que o faziam. Faixas como “Lalala” e “Spoots Of Blood" são de encantar (tanto que faria o lendário Cícero Magerlânio produzir um videoclipe desta última, com a banda ainda na sua primeira formação). Porém, a Dead Leaves ainda não havia mostrado tudo. No ano de 2006, com a entrada da baixista Lara Viana e de uma segunda guitarrista, Ana Clara, a banda chutaria de vez o pau da barraca com músicas novas (particularmente, "Free Floating" resume bem essa atual e devastadora fase). Sim, uma banda jovem, mas que bate forte no tambor e ensurdece deliciosamente os ouvidos de quem ama a coisa feita à moda antiga. Quem vai ao show da Dead Leaves e tem a oportunidade de vê-los em offstage, encontra três rapazes e duas moças simples, calados e, à primeira vista, tímidos. Mas deixe que essa garotada empunhe seus intrumentos e deixe também que esse tal de George Alexandre segure um microfone e aí sim você vai ter a prova do que falo em termos de rock n' roll. E, pra inaugurar o que há de ser uma verdadeira jornada de entrevistas com os mais diversos músicos, produtores e expectadores do nosso querido cenário, nós, do Portal Barra, convocamos ele, o guitarrista da Dead Leaves, João Luiz, para nos contar um pouco da sua banda e nos falar da cena local e de assuntos até inusitados, como as piadas "apimentadas" do vocalista George Alexandre com o pessoal do Forgotten Boys e uma suposta "paixão" da baixista Lara pelo Julian Casablancas (cuidado, Serjão!).
PORTAL BARRA - Vivemos numa cena decadence avéc elegance de causar inveja à qualquer Lobo. Pra você, a Dead Leaves don't need friends*? O talento vale mais que o contato? Qual a política da banda à respeito disso? JOÃO LUIZ - Nós não temos uma política. Essa é meio que a marca da Dead Leaves. Nós não nos preocupamos com certas coisas. Temos amigos de outras bandas, frenquentamos os shows e gostamos de outras bandas, mas não fazemos amizades por questão de contatos. Tendo ou não lugar pra tocar, nós continuaríamos fazendo música juntos, mesmo porque ninguém tem muito pra fazer da vida. Somos uma banda bastante casual. As coisas acontecem meio por acidente.
*nota: "don't need friends" é um trecho da canção "Ain't Got a Friend", da Dead Leaves, e está presente no set-list de Live Sessions
Ouve-se muitas reclamações do atual cenário alternativo. Na sua opinião, o que falta pra chacoalhar um pouco a cena alencarina? Visto que empolgação e gás não faltam em bandas como a própria Dead Leaves, o que você acha que anda acontecendo? Na verdade, não sei se você está falando com a pessoa certa pra discutir esses assuntos. Estou aqui sentado pensando no que te dizer à respeito do cenário alternativo da cidade, mas não passo lá muito do meu tempo pensando nisso. Acho que sou parte do problema (risos). Quer dizer... teoricamente, são pessoas como eu que teriam que estar buscando soluções e tomando atitudes para resolver certos problemas, falta de espaço para apresentações ou o que for. Mas muito disso envolve questões burocráticas com as quais eu simplesmente não sei ou gosto de lidar. Acho que há muita coisa boa aqui, mas nós mesmos não saímos do nosso caminho pra dar apoio a essas coisas. Isso falta até no nível mais simples de ir pra um show, ouvir a música, gostando ou não.
Vocês participaram de edições antológicas de festivais verdadeiramente underground's. Inclusive no próprio Rock na Avenida J e na primeira festa OVNI. Pra você, a emoção de dividir palco com bandas "perigosas" como Reimosos e Bonecas da Barra é a mesma com Forgotten Boys e outros "cachorros maiores"? Não senti muita emoção por dividir o palco com o Forgotten Boys. Fiquei foi com medo de tocar no equipamento deles. Minha lembrança em relação a isso é do George ficar gritando durante o show "quem quer dar a bunda pro Forgotten Boys?". Foi bom tocar nesse show. Mas não penso nisso como um "show importante" . Prefiro dividir o palco com a Kohbaia, por exemplo. E sinto a mesma coisa tocando com Forgotten Boys tocando no bar da esquina... ou na garagem lá na avenida J. Lembro de shows muito bons, mas não tem muito a ver com o tamanho do evento. Na verdade, me sinto bem mais à vontade tocando no Centro Aquariano ou no Londre's Bar do que no Hey! Ho!. É menos preocupação, você só se diverte.
Não seria novidade citarmos a tão famosa ousadia do George. Mas confesso que no show do Forgotten Boys (realizado neste ano, no Hey! Ho! Rockbar) ele surpreendeu. Qual foi a sua reação naquele memorável momento? Bom... eu já estou acostumado com o George. E, no fundo, era só uma piada. Uma boa piada! Ri bastante. Depois do show, sugeri que mudássemos o nome da nossa música "Strokes Are The New Backstreet Boys" para "E Fodam-se Os Forgotten Boys". Nada contra os caras. Eles parecem normais. Até gosto de uma música ou outra. And The Strokes Are The New Backstreet Boys? Curto Strokes, não tanto quanto a Lara, mas gosto. Também é só uma piada. Tava assistindo aquele clipe deles de "You Only Live Once"... acho que é essa a música... e eles investem muito no trato da imagem cool e na boa pinta dos caras. Lembrei das velhas boy bands. Não que tenha muito a ver. É só esse detalhe. A Lara mesmo é apaixonada pelo Julian Casablancas (risos). A música é ótima! E como foi a experiência com o grande Cícero Magerlânio? Poxa, o Cícero foi um cara que ajudou muito a gente. Na época em que começamos, éramos ainda mais sem-noção do que somos hoje. E o Cícero fez acontecer muitas coisas. Ainda devo alguns agradecimentos à ele. Ele até mesmo consolou o George depois do trágico fim do show de estréia da Dead Leaves lá no falecido Ritz Café.
Me fale desse show, homem! Não foi propriamente a estréia. Nós já tinhamos tocado no Maria Bonita abrindo pra Caco de Vidro, mas lá foram somente 4 músicas. Foi o primeiro show de verdade, com direito à 40 minutos e tudo. Ninguém conhecia aquele espaço. Não éramos freqüentadores. Lembro que achei um espaço muito legal. Um tanto estranho, é verdade. Não conseguia entender porque uns caras lá estavam usando casacos de couro e óculos escuros. O show foi tosco, o que depois acabou virando nossa trademark. Na época, era um som bem mais cru, mais rasgado. Achei normal. O detalhe é que tinha pouca gente e inicialmente todo mundo ficou parado olhando pra cara do George, sem muita empolgação. O George, morto de chapado, ficou logo pertubado, esqueceu letras, errou algumas coisas, o que hoje nós ainda fazemos. Erramos, e é normal. Mas, naquele dia, ele ficou louco, quis acabar logo o show. Nem tocamos tudo que tínhamos combinado e ele saiu correndo do palco, foi lá pra fora se lamentar. Nós, uns amigos e o Cícero, que era um completo desconhecido na época, o consolamos. Depois descobrimos que o público curtiu o som, apesar de tudo. Acho que foi aí que aprendemos que não tem problema ser tosco. Atualmente, quais os planos da Dead Leaves? Vão lançar um novo disco? Me fale o que estão aprontando pra nós. É, estamos gravando. Mas as gravações estão um pouco emperradas. Tivemos que recomeçar tudo, porque estávamos num lance de gravar os instrumentos todos separados e tal, um lance bonitinho e ajeitadinho demais pra gente. Vamos regravar tudo, numa sessão só. E planos... bom... shows, queremos shows. Fico empolgado com as gravações e tal, tem 2 músicas novas gravadas que são demais: "Jesus Don't Touch My Baby" e nossa musiquinha "Gótica". Isso me deixa muito empolgado! Estamos tentando ser um pouco mais "profissionais", digamos, no sentido de que, às vezes, é meio vexante quando pedem uma foto de divulgação e nem isso nós temos. Então, algumas coisas básicas nós só agora estamos começando a resolver. E isso tudo é muito bom, mas queremos é tocar! Shows, shows e shows! Pode ser na cobertura do apartamento do vizinho do Beto ou na varanda da casa do Vidal. Apareceu qualquer show, estamos tocando. Isso é meio estranho. Brincamos entre nós que somos a banda tapa-buraco da cidade. Quando tem uma festa e falta uma banda, sempre chamam a gente pra substituir. Pode parecer meio queimação de filme ser tapa-buraco, mas acho que ninguém da banda se importa. Até gostamos!
Muito obrigado pela entrevista, Johnny! Boa Sorte aí pra Dead Leaves e que, como diria o glorioso Caetano Filho, continue fazendo esse "rock n' roll para vencer vencedores". Valeu. Abraço. - A Dead Leaves se apresenta sábado, dia 25 de agosto, no MOVA-CE (Cantinho Acadêmico – av. 13 de Maio, Benfica, em frente à Praça da Gentilândia). Também terá o show das bandas Espace e Drama. A partir das 20 horas. Couvert: R$ 2,00.
Clipe de "Spoots Of Blood (Pop Song)", da Dead Leaves: http://www.youtube.com/watch?v=csx7jeZDes0
Mp3 da Dead Leaves: http://www.tramavirtual.com/artista.jsp?id=11350
Blog da Dead Leaves: http://thedeadleaves.blogspot.com/
Comunidade da Dead Leaves: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=13344257
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