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quinta, 20 outubro, 2005
Como fazer propaganda sem dinheiro?

Um dia eu resolvi fazer uma agência de propaganda sem dinheiro, sem clientes, sem equipe, sem computadores e sem móveis. De quebra decidi também que não aceitaria contas de cigarro, do governo e de bebidas alcoólicas destiladas. Embora sem dinheiro eu compreendi que sem fazer propaganda eu nunca iria conquistar o meu primeiro cliente e aí resolvi usar a mídia mais barata e a única que eu podia pagar: o telefone. Liguei para todos amigos falando da nova agência, das idéias inovadoras que pretendia implantar no setor e que tinha uma outra grande vantagem em relação as outras agências - tinha eu. Mandei uma carta para os principais jornais convocando para uma coletiva relacionada com o lançamento de uma nova agência de propaganda. Só apareceu um jornalista que ficou tão admirado de eu ter convocado uma coletiva para uma empresa que só tinha um funcionário (eu), que resol veu colocar uma notinha no seu jornal. Aí comprei 50 exemplares e mandei para diretores de marketing de 50 empresas e fiquei esperando. Três companhias telefonaram e eu consegui o primeiro cliente. Peguei metade dessa receita minguada e tive a sorte de conseguir contratar os serviços da Madia & Associados, que tinha uma assessoria de imprensa. O trabalho de Francisco Alberto Madia de Souza foi brilhante. Conseguiu outros jornalistas que concordaram em me ouvir sobre o projeto de uma agência que venderia inteligência ao em vez de vender serviços, e eles publicaram notas em seus jornais. De novo comprei dezenas de exemplares de cada um deles e fui enviando para empresários e gerentes de marketing. Quando consegui a segunda conta publiquei um anúncio com o título "Algumas coisas que a gente aprendeu gastando um bilhão de dólares dos outros" e uma foto comigo e mais duas pessoas. A equipe já se constituía de cinco pessoas incluindo o motorista. O próximo cliente pagou a conta da propaganda. Alguns anos depois esta agência chamava Talent, já era uma das 20 maiores do Brasil. Hoje somos um grupo que além da Talent compreende outra agência, a QG. Se eu não tivesse pensado em me comunicar mesmo sem ter dinheiro, provavelmente não teria tido sucesso porque existe uma lei que vale para todas as empresas, da General Eletric ao pequeno fabricante de calçados: ninguém vai te procurar se não souber que você existe. De cada dez empresas que são abertas no Brasil, 40% fecham no primeiro ano e só uma consegue chegar ao quinto ano de existência.

Tirando-se os casos específicos de grande incompetência ou despreparo do empresário que abriu a empresa, a esmagadora maioria dos insucessos é em razão de dois fatores: incompetência de gestão e incapacidade de comunicação com o mercado. Nos estudos que temos feito sobre desenvolvimento de empresas, seus sucessos e seus fracassos aparece com surpreendente freqüência o insuc esso de empresas que fizeram bons produtos a um preço conveniente, que os consumidores estavam desejosos de comprar, mas nunca compraram porque não sabiam que eles existiam. Ninguém deseja o que não conhece, ninguém compra o que não deseja. Como conseqüência, o não conhecimento por parte dos consumidores de uma empresa ou produto implica via de regra na sua condenação à morte. Eu tinha um amigo que era um executivo muito bem sucedido. A sua paixão, porém, era cozinhar, e como ele cozinhava bem. Convite para jantar em sua casa era uma festa e era freqüente ele ser convidado para preparar os jantares nas casas de seus amigos. Essa paixão era tão grande que um dia ele largou tudo e abriu um restaurante. O local era ótimo, a decoração agradável e a comida soberba. Mas logo fechou. Tão frustrante foi a experiência, que encomendou uma pesquisa para saber por que todos aqueles amigos que adoravam sua comida não apareceram. A resposta foi desconcertante. Uma parte não sabia que ele havia aberto um restaurante e os que sabiam, em sua maioria, não iam lá porque não lembravam. Não importa a qualidade do produto, o preço e a disposição potencial que o comprador tem em adquiri-lo. Se você não lembrar constantemente que o seu produto existe, ele não vai desejá-lo. O nosso cérebro possui uma memória imediata no arquivo de longo prazo. Se você não estiver na primeira categoria, dificilmente na hora que alguém quiser um produto na área em que você trabalha irá lembrar de procurá-lo. Tanto faz se você for médico, advogado, agência de propaganda, revendedor de automóvel ou fabricante de computador. Aí a razão da propaganda ser indispensável para se desenvolver um negócio. Mas, se a empresa está começando, onde arranjar dinheiro?

Qual é a lição que se pode tirar disso? É que a primeira condição para ser notado é ser interessante. A chatice é um único defeito de caráter que ninguém perdoa. Se você fabrica jeans isso não é uma notícia. No entanto se colocar a Gisele Bündchen dentro de um deles, você vira notícia. Mas como é que eu vou conseguir fazer isso se eu não tenho dinheiro? Será que você não conhece alguém que seja amigo dela e ofereça esse anuncio em nome dele. Se ela aceitar talvez você possa colocar uma nota no jornal dizendo que a Gisele usa jeans da marca que ganhou de presente. Ridículo, pois tem um fabricante de jeans no Brasil que está fazendo um enorme sucesso por ter focado seu marketing em pessoas famosas e artistas americanos. Se criar alguma coisa de novo, diferente, que seja interessante, não esqueça que a mídia tem de preencher todos os dias o seu tempo na televisão ou no rádio e suas páginas nos jornais e revistas. Dedique uma parte da sua receita para contratar um relações públicas. Toda vez que sair uma notícia sobre sua empresa ou seu produto para seus clientes potenciais, não apenas o consumidor, mas também a revenda ou os influenciadores de opinião, estabeleça boas relações com a mídia, crie material interessante. Algo como: "Vamos fazer um guarda-roupa para todas as ocasiões com apenas seis peças". No caso de você ser fabricante de roupas. Ou um folheto, se você fabrica material esportivo. "Como tornar-se um atleta olímpico". Na medida que tiver receita, reserve uma parte dela para fazer comunicação. O lema central é "seja interessante". Publicidade chata e irrelevante é um privilégio apenas para ser desfrutado por empresas muito grandes, algumas multinacionais ou propaganda do governo que podem se dar esse luxo porque tem muito dinheiro para investir. Mas empresas em crescimento têm que ser interessantes para continuar crescendo.


Julio Ribeiro - Gazeta Mercantil - 03/08/2005

postado por Leonam Severo as 11:20:00 0 comentários
quarta, 05 outubro, 2005
Desejo

Nesse momento me deu aquela vontade de escrever entende?
As vezes fico pensando nos mecanismos complexos de se desenrolam dentro de nossa cabeça. Desejo, vontades incontroladas, ou nem tanto, mas que de certa forma acabamos fazendo ou tomando determinada atitude levados pelo impulso, por exemplo: quando comecei a escrever esse texto não tinha a menor idéia do que iria sair, nem sabia sobre o que escrever, foi daí que pensei nessa coisa de "vontade".

Eu tenho vontade de pintar quadros, essa vontade vem e passa, e até agora não realizei.Fico por enquanto, só na vontade. Ainda vou pintar belas telas com meus desenhos imaginário e coisas que vem e vão nos pensamentos, acho importante coloca-los pra fora. bom até agora enrolei bastante e esse texto está ficando bem meia boca... ah... mas tudo bem, amanhã penso em outra coisa e coloco aqui. vou fazer assim sem planejar nada, apenas escrevendo o que vem na cabeça, como estou fazendo agora.
Isso é realização de desejo? acho que sim. Estava com vontade de escrever e aqui estou... e você que está lendo até aqui deve ter achado esse texto interessante... ou leu só por que é meu amigo e não quer me deixar sem graça quando eu te perguntar se leu.

Mas voltando a parte de desejo na propaganda... eu já falei deste desejo nesse texto?... acho que não mas era sobre isso que eu queria falar. Então.. é o seguinte... mesmo que você não esteja pensando em pedir um big mac pelo delivery do Mcdonalds, mas está com uma fome enrustida ,tipo aquela que vc ainda não sabe que está entende?.. então, bem nessa hora vc vê o comercial na TV ou então olha pro lado e percebe que tem um folheto bem ali em cima da mesa... com belas fotos e um numero de telefone... é só ligar e em poucos minutos o motoboy está tocando sua campainha e te trazendo aquele amburgão. Mais uma graninha pro bolso do Ronald Mcdonald. que aproveitou seu desejo incubado e o tranformou em realidade.

Bom... vou ficando por aqui... reflete ae sobre isso que te falei e faz um comentário ok?
até mais, abraço

postado por Leonam Severo as 07:59:13 0 comentários
sexta, 09 setembro, 2005
O HOMEM DA TELEVISÃO

Vejo o homem pela televisão, mas esse homem eu não vejo nas ruas, não vejo por aqui. Não vejo toda esta raiva, todo este poder de mudar o mundo. Não, não vejo por aqui este brilho no olhar, não vejo esta paixão sólida, não consigo ver sempre finais felizes. Não vejo tanta mentira, nem tanta verdade, o choro ou o riso.
Vejo pessoas que se escondem de si mesmas, se vestem de perfeitas, pessoas que se enchem de razão sem a ter. Vejo pessoas que matam e outras que são mortas. A corrida do dia-a-dia, que acaba em nada, e se repete no outro e no outro. Vejo crianças adultas e adultos crianças, um cachorro que late para o rabo e o homem que o copia. Vejo o medo e a coragem em variações pequenas de tempo. Vejo e nunca entendo. Vejo sim, a intolerância e a arrogância, a sede de vingança, mas também vejo a esperança, a persistência e a dignidade.
Mas não posso ver o homem da televisão aqui. Homem esse que copia a realidade às avessas, que nada muda aos nossos olhos, mas que nos muda a todo tempo. Sai daí homem covarde, não podemos com você aí, você nos faz um poço de contradição.
Não sei, mas prefiro pensar que a televisão é uma caixa de luz. Muitos disseram coisas da televisão, mas a TV nem lhes respondeu. Não posso conversar com algo assim, mas posso escutá-la e vê-la. Amanhã vou me trancar em casa com um revólver na mão, numa sala onde monitores me mostrem todas as câmeras. Vou ficar assim o dia inteiro porque a violência aumentou. Ah, não! Na hora do jornal eu vou prestar bastante atenção, vai que estatísticas me mostrem que a violência diminuiu... aí posso passear à noite.
Para quê existem programas educativos e reflexivos? Eu prefiro descansar, morro de preguiça. Mas mesmo assim a TV me ensina a andar, mostra-me com viver. E se a programação é idiota, é isto que sou, e se a luz acabar, terei que pensar... Deus me livre!

felipe ramos

postado por Leonam Severo as 03:15:47 1 comentários
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