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sexta, 22 agosto, 2008
O CÓDIGO DA VINCI

Assim que terminei de assistir o filme pensei que seria interessante ler o livro de Dan Brown. Não por “O Código da Vinci” ser uma preciosidade literária, mas para compará-la ao filme. Acabei ganhando um exemplar da minha filha. É uma edição belíssima toda ilustrada com um papel brilhante. Só por estas características já vale a pena tê-la. Mas, como literatura, não passa de uma colcha de retalhos, onde Brown é mais um costureiro que um escritor. Apresenta capítulos curtos, quase que como roteiros de cinema, com um ritmo arrastado contrastando com o estilo rápido. Uma questão que deve ser comentada são as citações de obras de arte do renascentista Leonardo Da Vinci para fincar a trama ao mesmo tempo que tenta ilustrar a obra, esse quesito não a qualifica como boa literatura, como nos faz crer algumas resenhas, isso demonstra unicamente bom conhecimento de arte por parte do autor, o que nem de longe o torna bom escritor. A leitura do romance só se sustenta devido a uma enxurrada de enigmas desvendados página a página numa junção de episódios seqüenciados, enfocando demasiadamente o enredo em detrimento de uma possível análise psicológica das personagens. O amontoado de clichês se refere a uma cinematográfica intriga policial, uma “implacável” perseguição a dois suspeitos de assassinato: O professor de Havard Robert Langdon e a criptógrafa Sophie Neveu, neta do curador do Louvre Jacques Saunière assassinado no início da ficção, casal este que protagoniza a história e tenta a um só tempo desvendar um segredo milenar – guardado a sete chaves por sociedades secretas como os Templários e o Priorado de Sião e de conhecimento também do Vaticano que teme a sua revelação aos fiéis – e provar sua inocência. Da metade do livro adiante, porém bem antes do epílogo, é possível descobrir o tal segredo milenar, quem é o vilão que a distância manipula seus títeres e todos os outros “problemas” sugeridos ao longo da trama. Há ainda os antagonistas: o vilão cognominado “o mestre”, que só revela sua verdadeira identidade nos previsíveis momentos finais da história. Na verdade, trata-se de uma leitura de entretenimento direcionada a um público leitor iniciante e nada exigente, e atribuir maiores qualidades ao livro é superestimá-lo. Em outras palavras O Código Da Vinci não passa de literatura pré-fabricada e vendida a um amplo mercado consumidor ávido por uma leitura fácil, vazia e efêmera. No caso de Dan Brown ele parece se utilizar moldes muito semelhante para tecer seus livros. Por outro lado, Não podemos negar que toda a polêmica em torno da questão: ser ou não ficção, só a tornou mais desejada das obras literárias deste início de século.

 



postado por Miriam Fajardo as 06:22:07
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