
O STF (Supremo Tribunal Federal) retoma nesta terça-feira o julgamento da denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, contra os envolvidos no escândalo do mensalão. Ontem, a Corte abriu processo criminal contra os petistas José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares por corrupção ativa.
Em outras acusações da denúncia do mensalão, o STF já transformou em réu o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), que denunciou o esquema em 2005, o empresário Marcos Valério, os deputados João Paulo Cunha (PT-SP) e Valdemar Costa Neto (PR-SP) e o ex-ministro Luiz Gushiken (Comunicação do Governo). Dos 40 denunciados, 37 já viraram réus.
O julgamento da denúncia entra hoje no seu quinto dia. A expectativa é que seja concluído ainda nesta terça-feira, mas é possível que se estenda até amanhã.
O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) escapou da acusação de peculato --desvio de dinheiro público em benefício próprio-- na semana passada, mas ontem o STF aceitou, por unanimidade, a denúncia por corrupção ativa contra o petista.
"Os elementos expostos estão a indicar crime de corrupção ativa", afirmou o relator do mensalão, Joaquim Barbosa. "Também entendo que há indícios para autoria e materialidade dos fatos", comentou o ministro Carlos Ayres Britto. "Realmente há elementos", disse o ministro Gilmar Mendes.
Na última sexta-feira, os ministros do STF rejeitaram a denúncia por crime de peculato contra Dirceu, Genoino e os ex-dirigentes petistas Delúbio Soares e Silvio Pereira. Segundo o procurador-geral da República, o "núcleo político" integrado por eles tinha objetivos bem definidos.
"Tinha entre seus objetivos angariar ilicitamente o apoio de outros políticos para formar a base de sustentação do governo federal", afirmou Souza no relatório.
De acordo com o procurador, o pagamento de propina para a base aliada teria iniciado em 2003 e prosseguido até 2005.
Confira a lista dos denunciados que já viraram réus e os crimes a que responderão:
João Paulo Cunha - corrupção passiva, lavagem de dinheiro, peculato
Marcos Valério - corrupção ativa (2x), peculato (3x), lavagem de dinheiro
Cristiano Paz - corrupção ativa (2x), peculato (3x), lavagem de dinheiro
Ramon Hollerbach - peculato (3x), corrupção ativa, lavagem de dinheiro
Henrique Pizzolato - peculato (2x), lavagem de dinheiro, corrupção passiva
Luiz Gushiken - peculato
Kátia Rabello - gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro
José Roberto Salgado - gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro
Vinícius Samarame - gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro
Ayanna Tenório - gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro
Simone Vasconcelos - lavagem de dinheiro
Geiza Dias dos Santos - lavagem de dinheiro
Rogério Tolentino - lavagem de dinheiro
Anderson Adauto - lavagem de dinheiro (2x) e corrupção ativa
Paulo Rocha - lavagem de dinheiro
Professor Luizinho - lavagem de dinheiro
João Magno - lavagem de dinheiro
Anita Leocádia - lavagem de dinheiro
José Luiz Alves - lavagem de dinheiro
Pedro Henry - corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro
José Janene - corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro
Pedro Corrêa - corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro
João Cláudio Genu - corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro
Enivaldo Quadrado - formação de quadrilha e lavagem de dinheiro
Breno Fischberg - formação de quadrilha e lavagem de dinheiro
Carlos Alberto Quaglia - formação de quadrilha e lavagem de dinheiro
Valdemar Costa Neto - corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro
Jacinto Lamas - corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro
Bispo Rodrigues - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Antonio Lamas - lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
Roberto Jefferson - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Romeu Queiroz - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Emerson Palmieri - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
José Borba - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
José Dirceu - corrupção ativa
José Genoino - corrupção ativa
Delúbio Soares - corrupção ativa
TEXTO: Folha Online



