quinta, 20 dezembro, 2007
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| Do testamento ao requiem |
É uma daquelas horas em que tudo perde o charme. Uma espécie de recaída do materialismo brutal que me espreita a cada obstáculo não vencido. E que me acolham as ruas, os prédios e as pessoas que eu nem conheço, porque não há mais nada. É lógico e racional: se não consigo fazer com que sentimentos sobrevivam, foda-se! vou olhar para tudo o que não sente e fazer disso minha muleta. Aliás, que parte disso tudo é culpa minha? Eu fui egoísta. Sou ainda.
Tem, sim, alguma coisa queimando aqui dentro, mas não irei compartilhar. E, se isso me custar os olhos da cara, danem-se os olhos, os sonhos, as ambições, as carências e as carícias. Não moverei mais um dedo sequer para tentar provar qualquer coisa que seja. Fiquem longe as promessas! Eu sei que, no fim, algo dará errado. E, paradoxalmente (mas nem tanto), o egoísmo prova-se altruísta: com meu afeto bloqueado, cabe às pessoas bem resolvidas continuarem se amando e garantindo, novamente, o bom funcionamento de todo o plano sentimental.
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postado por gauche as 04:09:00

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