PAIXÃO PELA LEITURA
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terça, 11 dezembro, 2007
Wittgenstein e Heidegger

Notas de Leituras – 3 obras filosóficas

Olá pessoal.

Ultimamente ando me dedicando à leitura de obras filosóficas como parte de um programa de introdução à filosofia. Quero tecer alguns comentários breves sobre cada leitura e destacar como sempre os fragmentos destas leituras.

                                

Investigações Filosóficas de Ludwig Wittgenstein

Wittgenstein - Filosofo contemporâneo que se dedicou à linguagem (epistemologia), discípulo de Bertrand Russel na Universidade de Cambridge. Suas ultimas palavras no leito da morte foram: “Digam a todos que tive uma vida maravilhosa”. Para ele a filosofia existe para elucidar conceitos e libertar-nos do “enfeitiçamento” do entendimento causados pela linguagem.

Vejamos alguns Fragmentos de Investigações Filosóficas –

A filosofia é uma luta contra o enfeitiçamento do nosso entendimento pelos meios da nossa linguagem.

“nome” – e procuram apreender a essência da coisa deve-se sempre perguntar: essa palavra é usada de fato desse modo na língua em que ela existe? Nós reconduzimos as palavras do seu emprego metafísico para seu emprego cotidiano.

Os resultados da filosofia consistem na descoberta de um simples absurdo qualquer e nas contusões que o entendimento recebeu ao correr de encontro às fronteiras da linguagem. Elas, as contusões, nos permitem reconhecer o valor dessa descoberta.

A representação panorâmica permite a compreensão, que consiste justamente em “ver as conexões”. Daí a importância de encontrar e inventar articulações intermediárias.

Um problema filosófico tem a forma – “Eu não sei mais nada”

Não é tarefa da filosofia resolver a contradição por meio de uma descoberta lógico ou lógico-matemática. Mas tornar visível o estado da matemática que nos inquieta, o estado anterior à resolução da contradição. (E com isto se elimina uma dificuldade)

A filosofia simplesmente coloca as coisas, não elucida nada e não conclui nada. Como tudo fica em aberto, não há nada a elucidar. Pois o que está oculto não nos interessa.

Pode-se chamar também de filosofia o que é possível antes de todas as novas descobertas e invenções.

Só podemos evitar a injustiça ou o vazio de nossas afirmações na medida em que apresentamos o modelo como aquilo que ele é, ou seja, não como objeto de comparação – por assim dizer, como critério – é não como pré-juizo, ao qual a realidade deva corresponder. (O dogmatismo no qual tão facilmente caímos ao filosofar.)

Uma tal reforma para determinadas finalidades práticas, o aperfeiçoamento da nossa terminologia para evitar mal-entendidos no uso prático é bem possível. Mas esses não são os casos com que temos algo a ver. As confusões com as quais nos ocupamos nascem quando a linguagem pór assim dizer, caminha no vazio, não quando trabalha.

Não há um método da filosofia, mas sim métodos, como que diferentes terapias.

 

O que é Metafísica de Martim Heidegger

Confesso que esperava ler um texto que buscasse elucidar de forma definitiva (quanta ingenuidade) o termo “Metafísica”. Na verdade Heidegger trabalha um problema metafísico – O ser e o nada. Alguém diria que aí temos dois problemas. Heidegger vê o ente descobrindo-se enquanto ser na manifestação do nada. Neste caso o “nada” não pode ser visto enquanto negação do ser, uma vez que o nada nadifica e é nesta nadificação que o ente se descobre enquanto ser. Mas quando se dá esta nadificação? Na angustia, responde Heidegger. Angustia, não enquanto ansiedade, mas um momento raro de suspensão. O ente se encontra suspenso dentro do nada (esta é a definição do nada – Uma suspensão do ser). Uma vez tendo passado pela experiência da nadificação o ente se descobre ser e  encontra o real.

A leitura é bastante interessante. Vou deixá-los alguns fragmentos desta leitura.

Este acontecer é possível e também real — ainda que bastante raro — apenas por instantes, na disposição de humor fundamental da angústia. Por esta angústia não entendemos a assaz freqüente ansiedade que, em última análise, pertence aos fenômenos do temor que com tanta facilidade se mostram. A angústia é radicalmente diferente do temor. Nós nos ate­morizamos sempre diante deste ou daquele ente determinado que, sob um ou outro aspecto determinado, nos ameaça. O temor de... sempre teme por algo determinado. Pelo fato de o temor ter como propriedade a limi­tação de seu “de’ (Wovor) e de seu “por” ( Worum), o temeroso e o medroso são retidos por aquilo que nos amedronta. Ao esforçar-se por se libertar disto — de algo determinado —, toma-se, quem sente o temor, inseguro com relação às outras coisas, ist‘

Estamos suspensos” na angústia. Melhor dito: a angústia nos sus­pende porque ela põe em fuga o ente em sua totalidade.o é, perde literalmente a cabeça.

Somente continua presente o puro ser-aí no estremecimento deste estar suspenso onde nada há em que apoiar-se.

A angústia nos corta a palavra. Pelo fato de o ente em sua totalidade fugir, e assim, justamente, nos acossa o nada, em sua presença, emudece qualquer dicção do “é”. O fato de nós procurarmos muitas vezes, na es­tranheza da angústia, romper o vazio silêncio com palavras sem nexo é apenas o testemunho da presença do nada.

Ser-aí quer dizer: estar suspenso dentro do nada.

Este estar além do ente designamos a transcen­dência.

Com isto obtivemos a resposta à questão do nada. O nada não é nem um objeto nem um ente. O nada não acontece nem para si mesmo nem ao lado do ente ao qual, por assim dizer, aderiria, O nada é a pos­sibilidade da revelação do ente enquanto tal para o ser-aí humano. O nada não é um conceito oposto ao ente, mas pertence originariamente à essência mesma (do ser). No ser do ente acontece o nadificar do n O estar suspenso do ser-aí no nada originado pela angústia escon­dida transforma o homem no lugar-tenente do nada. Tão finitos somos nós que precisamente não somos capazes de nos colocarmos originaria­mente diante do nada por decisão e vontade próprias. Tão insondavel­mente a finitização escava as raízes do ser-aí que a mais genuína e profunda finitude escapa à nossa liberdade.

O estar suspenso do ser-aí dentro do nada originado pela angústia escondida é o ultrapassar do ente em sua totalidade: a transcendência.

Metafísica é o perguntar além do ente para recuperá-lo, enquanto tal e em sua totalidade, para a compreensão.

A metafísica antiga concebe o nada no sentido do não-ente, quer dizer, da matéria informe, que a si mesma não pode dar forma de um ente com caráter de figura, que, desta maneira, oferece um aspecto (eidos).

Ela não é uma dis­ciplina da filosofia “acadêmica”, nem um campo de idéias arbitrariamente excogitadas. A metafísica é o acontecimento essencial no âmbito de ser-aí. Ela é o próprio ser-aí. Pelo fato de a verdade da metafísica residir neste fundamento abissal possui ela, como vizinhança mais próxima, sempre à espreita, a possibilidade do erro mais profundo. E por isso que nenhum rigor de qualquer ciência alcança a seriedade da metafísica. A filosofia jamais pode ser medida pelo padrão da idéia da ciência.

Na medida em que o homem existe, acontece, de certa maneira, o filosofar.



postado por Isaias Rodrigues de Souza as 04:44:52




1 comentários:
Rômulo:

Um problema filosófico tem a forma – “Eu não sei mais nada”

Frase socrática ou não socrática? Eis a questão...
O princípio da sabedoria: Sei que nada sei. O conhecimento é liberdade e ao mesmo tempo prisão. Dicotomia ou dilema? Nos libertemos então para que na prisão venhamos a desfrutar deste momento de ócio a seguir o exemplo de Henry David Thoreau ao escrever "A Desobediência Civil". Não podemos contar de forma alguma com a prisão da mente a exemplo de Nietzsche que não nos mostrou a forma empírica de ser um "Espírito Livre" do qual defendia erroneamente!


Abraço pai,

Rômulo Silva





12/12/2007 15:26:05
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