PAIXÃO PELA LEITURA
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sábado, 22 dezembro, 2007
A Morte da Razão - Francis Shaeffer

Schaeffer estabelece de imediato a problemática proposta no livro – Se Deus morreu, o homem está morto. Por que está morto?

Deus é o ponto de referência e segundo o ponto de vista universalista, toda raça humana caminha de volta para este ponto. A questão que levantamos é : Será que todos haverão de fazer o caminho de volta?

Schaeffer parece a primeira vista um tanto pessimista. O homem está numa situação de absoluta corrupção (Schaeffer fala como um bom reformado). Este é um dos pontos cardeais da teologia calvinista – Depravação Total. A doutrina da preservação total não aceita o carater autonomo, não há nada que seja autonomo no homem, que não tenha sido prejudicado pelo pecado. Saltar para a razão é um salto para a morte. Aqui Schaeffer usa e abusa do “salto existencial” de Kierkegaard. O homem precisa saltar, mas o único salto garantido é aquele salto em Deus, portanto, não trata-se de um salto no escuro. Não há nem mesmo um salto para a liberdade. Schaeffer não acredita na “liberdade” enquanto uma conquista autonoma do ser humano. Para ele se a liberdade existe, nada mais importa. Mas o salto que se dá pede outro, pois não se chega a liberdade plena. Daí nasce o desespero, pois todo salto que se dá existencialmente se revela improcedente.

A redenção está no salto em Deus, assim saltamos no ponto de partida.

Percebo portanto um certo existencialismo em shaeffer. Nas palavras de shaeffer “não há lugar para a razão, nem ponto de verificação”. Se nichetze declarou: “Deus está morto”, schaeffer com propriedade grita para o mundo – “O homem está morto e a razão consequentemente está morta”. Diante de um quadro tão desesperador só nos resta saltar.

E agora como sempre, alguns fragmentos do texto de shaeffer.

 

Notas de leitura-

Tudo que reflete a beleza se reveste de importância.

Não podemos tratar as pessoas como seres humanos, não podemos vê-las no alto nível da verdadeira humanidade, a menos que conheçamos realmente a sua origem – quem são. Deus diz ao homem quem ele é. Deus nos declara que Ele criou o homem à própria imagem. Portanto, o ser humano é algo maravilhoso.

Não somos infinitos, somos finitos; não obstante, somos plenamente pessoais, somos feitos à imagem do Deus pessoal que existe.Não é uma concepção platônica. A alma não é mais importante que o corpo. Deus criou o homem no seu todo e o homem todo é importante.

Jean-Paul Sartre (nascido em 1905) afirma que a grande questão filosófica é que algo existe e não que nada existe.

A natureza devorou totalmente a graça e o que lhe foi deixado em seu lugar no “andar de cima” foi o termo “liberdade”.

Que é a liberdade autônoma? É a liberdade em que o indivíduo é o centro do universo.

As conclusões que tirou foram estas: se o homem é determinado, então o que é é certo. Se a vida em seu todo é apenas um mecanismo – se isso é tudo o que já – então a moral na realidade não importa.É disso que derivou nosso termo sadismo. O sadismo não é o simples prazer em torturar alguém, fazê-lo sofrer. Implica em que o que é, é certo e o que a natureza decreta em plena força é totalmente próprio e justo.

Estamos vendo como a cultura de nossa época leva a efeito o fato de que, se dissermos aos indivíduos por tempo suficiente que nada mais são do que máquinas; logo, bem logo, isto se lhes evidenciará no agir. É o que se vê em todos os níveis de nossa cultura toda – no teatro da crueldade, na violência das ruas, nos assassinatos nas áreas montanhosas, na morte do homem na arte e na vida.

Quando se concebe a natureza como autônoma, logo acabará ela por devorar a Deus,a graça, a liberdade e, eventualmente o homem.

Há apenas pessimismo quanto ao homem como homem. Mas, em cima, com base num salto não-racional, não-razoável, há uma fé não-racional que dá otimismo. Esta é a total dicotomia do homem moderno. Estão interessados na definição de termos e confinam suas operações ao andar inferior.

Barth admitiu as teorias da Alta Crítica, de sorte que, a seu ver, a Bíblia contém erros, mas a nós nos cumpre crer nela assim mesmo. A “verdade religiosa” é separada e distinta da verdade histórica das Escrituras. Destarte, não há lugar para a razão e nem ponto de verificação. Isto constitui o salto em termos religiosos.

Podemos agora ver, com esta base como os novos teólogos podem afirmar que, embora a Bíblia na esfera da natureza e da história esteja repleta de erros, isso não afeta seu valor.

Não importa que termos adotamos. O salto é comum a toda esfera de pensamento do homem moderno. O homem é forçado ao desespero desse salto porque não pode viver como uma simples máquina. Este é, pois, o homem moderno. É-o conforme se expressa na pintura que produz, na música, na literatura novelesca, nas peças de teatro e na própria religião.

O elemento significativo é que o homem racionalista, humanista, começou afirmando que o Cristianismo não é suficientemente racional. Agora fez ele meia volta, em amplo círculo, e acabou na condição de místico – ainda que místico de um tipo todo especial. É ele um místico sem ter ninguém com que buscar comunhão. Os velhos místicos sempre postularam a existência de Alguém; os novos místicos, entretanto, afirmam que isso não vem ao caso, porquanto o que importa é a fé.

O interessante na atualidade é que, uma vez que o existencialismo e, de modo diferente, a “filosofia de definições” se converteram em anti-filosofias, as verdadeiras expressões filosóficas tenderam a passar para o domínio daqueles que não ocupam as cátedras de filosofia – os novelistas, os cineastas, os músicos de jazz, os hippies e mesmo as quadrilhas juvenis em sua violência. São estas as pessoas que hoje em dia fazem as grandes perguntas e lutam por respostas adequadas em nosso tempo.

Na área da razão o homem está morto e sua única esperança é alguma forma de salto não aberto à consideração da razão. Não há ponto de contato entre esses dois níveis.

Os cristãos evangélicos tendem a esconjurar gente desse jaez e depois se vêem em dificuldades pra compreender o homem moderno, pois que tais vultos são, após tudo, os filósofos da  época. Em larga medida nossas cátedras de filosofia estão vagas ou praticamente inoperantes.

Em outras palavras, os racionalistas não descobriram qualquer espécie de unidade, ou qualquer esperança de solução racional. Portanto, verificamos que Foucault levava o pensamento de Rousseau à sua conclusão lógica: o pólo final em liberdade autônoma é ser doido. Coisa excelente é ser doido, pois então se é livre.

A fé não se submete a desa­fios porque ela pode ser qualquer coisa que se deseje — não há meio de discuti-la em categorias normais

Cristo é Senhor de tudo — de todo o aspecto da vida. É inútil proclamar que Ele é o Alfa e o Ômega, o começo e o fim, o Senhor de todas as coisas, se Ele não é o Senhor de to­da a minha vida intelectual unificada. Serei falso ou estarei confuso se cantar a respeito da soberania de Cristo e preservar determinadas áreas de minha vida inteiramente autônomas. Isto é verdadeiro se é a minha vida sexual que se mantém autônoma;

Qualquer autonomia é improcedente. Uma ciência autônoma ou uma arte autônoma é aberra­ção (se tomarmos ciência ou arte autônomas fora do conteúdo daquilo que Deus nos deu a conhecer)

O fato de que o homem é um ser decaído não quer dizer que não mais seja portador da imagem de Deus. Por decair em rebeldia e pecado, não deixou de ser ho­mem. Pode amar, embora decaído. Seria erro afirmar que somente o cristão é capaz de amar. Ademais, um pintor não-cristão pode, a despeito disso, pintar a beleza. E é porque são ainda capacitados a fazer coisas como estas que manifestam serem ainda expressão da imagem de Deus ou, para dizê-lo em outros termos, que podem afirmar sua qualidade única de "humanidade" como ho­mens.

A Bíblia ensina que, embora o homem se ache irreme­diavelmente perdido, nem assim ele é nada. O homem está perdido porque está separado de Deus, seu verdadei­ro ponto de referência, em razão de real culpa moral. Mas, a despeito deste fato, jamais será como nada. Nisso reside o horror de sua condição de perdido. Que o ho­mem esteja perdido, em toda sua unicidade e maravilha, é trágico.

O Cristianismo é um sistema constituído de um elen­co de idéias que se podem discutir. Não significamos com o termo "sistema" uma abstração escolástica; não nos esquivamos, porém, de fazer uso da palavra. A Bí­blia não exibe pensamentos irrelacionados. O sistema que encerra tem um princípio e se desenvolve desse pon­to de partida em moldes que se não contradizem. O pon­to de partida é a existência do Deus pessoal-infinito co­mo Criador de tudo o mais que existe. Não é o Cristia­nismo apenas uma série vaga de experiências incomuni­cáveis, baseadas em um "salto no escuro", totalmente inverificável. Nem deveriam a conversão (o início da vida cristã) e a espiritualidade (seu crescimento) constituir-se um salto dessa ordem. Relacionam-se ambas firmemente com o Deus que existe e com o conhecimento que Ele nos tem facultado - e ambas envolvem o homem como um todo.

 

 

 



postado por Isaias Rodrigues de Souza as 11:37:33




1 comentários:
Roger:

Oi Isaias,
estamos fazendo uma releitura de "A morte da razão", se quiser passe por lá e deixe sua contribuição. Se quizer participar como colaborador me passe seu E-mail e te envio um convite.

http://morte-da-razao.blogspot.com/

Abrçs fraternos,

Roger

22/09/2008 13:12:47
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