PAIXÃO PELA LEITURA
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sexta, 11 janeiro, 2008
A República - Livros V e VI

Mais uma resenha da obra de Platão “A República” livros v à vii, a mãe de todas as Utopias.

Utopia é aquilo que desejamos que venha a ser, mas é Utopia precisamente por não ter chegado a ser e é preferível que não chegue, pois todas as tentativas de tornar realizada uma utopia chegam deformadas. Veja o caso em que Platão sonha com uma cidade perfeita (algo que só existe no mundo das idéias). Na cidade perfeita os deficientes não tem vez. A cidade perfeita pertence aqueles de raça pura. Lembrou de alguma coisa? Pois bem, Hitler tinha esse mesmo sonho e todos nós sabemos o resultado disso. Utopia só tem valor enquanto combustível para a esperança, pois a perda da esperança consiste na perda de todas as coisas.

Vamos ao que interessa. Fragmentos da leitura de “A República”

Somos de opinião que a boa ou má gerência desses assuntos é de grande, ou melhor de capital importância para a sociedade.(Falando da educação)

Para que pensas que viemos aqui? Disse Trasímaco. – Para buscar ouro ou para ouvir uma discussão?

E quanto ao homem que se ria de mulheres nuas a exercitar seus corpos para os mais nobres fins, esse “colhe verde o fruto de seu riso”, e não sabe nem de que ri, nem o que faz, pois com toda a razão se diz e se dirá sempre que o útil é o belo e o nocivo é o feio.

...é possível que os nossos governantes tenham de fazer uso freqüente da mentira e do engano no interesse de seus governados, e dizíamos, se bem me lembro, que o emprego de tais coisas a titulo de remédio poderia ser útil.

Teremos de inventar algum engenhoso sistema de sorteio para que indivíduos de menos valor, ao se verem mal contemplados, não possam acusar os governantes mas apenas a sua má sorte.

....se quisermos que a raça dos guardiães se conserve pura (frio na espinha)

Ora, o que une não é a comunidade de alegrias e pesares, quando o maior numero possível de cidadãos se rejubile ou se aflija diante dos mesmos acontecimentos felizes ou infaustos?

E o que não desune não é a diversidade dos sentimentos privados, quando as mesmas coisas sucedidas à cidade ou aos seus habitantes fazem com que uns não caibam em si de contentes ao passo que outros mergulham em profunda tristeza?

Como ia dizendo, pois, tanto a comunhão de propriedades como a de famílias contribuem para fazer deles verdadeiros guardiães; não desmembrarão a cidade com pendências em torno do “meu” e do “teu”, arrebanhando cada qual o que houver adquirido sem cooperação de ninguém para sua casa particular, onde tem esposa e filhos próprios e prazeres e dores todos seus, muito ao contrário, pensando todos do mesmo modo sobre os assuntos domésticos, buscarão os mesmos fins e compartilharão tanto quanto possível , os mesmos prazeres e dores.

- Quais são, então, os verdadeiros? (filósofos)

- Os que gostam de contemplar a verdade – respondi.

Mas aqueles que amam a verdade em cada coisa devem ser chamados filósofos ou amantes do saber....

Portanto, a alma esquecida não pode ser incluída entre as naturezas genuinamente filosóficas, é imprescindível que o filosofo tenha boa memória.

As almas fracas nunca serão capazes de grandes ações, quer no bem, quer no mal.

Por certo não ignoras que, dentro da má organização política atual, se alguma coisa se salva e é tal como devia ser, só pode resultar de uma intervenção divina. Isso podemos afirmar sem medo de errar. (na política brasileira principalmente)

Os que pertencem a este pequeno grupo e provaram a doçura e a felicidade de um bem semelhante vêem com suficiente clareza a loucura da multidão e sabem, por outro lado, que nenhum político é honesto, nem existe campeão da justiça a cujo lado possam lutar e ser salvos. É como alguém que tivesse caído entre animais ferozes e não quisesse participar de suas malfeitorias nem tampouco fosse capaz de resistir aos furores de todos eles; percebendo que se expõe a morre antes de haver prestado qualquer serviço à cidade ou a seus amigos, com morte inútil para si mesmo e para os demais, resolve calar-se e tratar exclusivamente de seus assuntos.

Á medida que a vida for avançando e o intelecto começar a amadurecer, intensificarão pouco a pouco a ginástica da alma.

Esta ultima hipótese me parece mais provável, pois não foram poucas as ocasiões em que me ouviste dizer que o mais sublime conhecimento é a idéia do bem, e unicamente por sua associação com ela a justiça e as outras virtude se tornam úteis e benéficas.

E não sabes que todas que todas as opiniões sem conhecimento são defeituosas, ou cegas na melhor das hipóteses? Não negarás, imagino, que aqueles que professam uma opinião reta, mas sem conhecimento, se assemelham em tudo a cegos que vão pelo bom caminho?

 

 



postado por Isaias Rodrigues de Souza as 08:10:24




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