PAIXÃO PELA LEITURA
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sexta, 08 fevereiro, 2008
Monadologia de Leibnz

Esta é a principal obra ou pelo menos a que retrata melhor a filosofia de Gottfried Wilhelm von Leibniz, Filósofo e cientista alemão.

A monadologia é um discurso metasifico acerca das mónades (susbtancias simples – atomos que compoem toda natureza). Monadologia na filosofia de Leibniz é o estudo das substancias simples.

Por tratar-se de um discurso metafísico (as monades são unidades metafisicas) a monadologia tende a ser uma obra teológica, pois  nela,  Deus é a susbtancia simples originária donde todas as mónades são criadas ou derivadas. A partir daí o filosofo alemão passar a discorrer acerca dos atributos de Deus, ser perfeito e por isso totalmente distinto da sua criação.

Leibniz fala especificamente de tres atributos da divindade – Potência, conhecimento e vontade. Estes mesmos atributos serão encontrados nas mónadas (contigência) como meras imitações, isto é, num grau de imperfeição, em Deus porém absolutamente infinitos ou perfeitos. É essa  perfeição que coloca o universo em ordem, pois para o filososo alemão “não há nada de inculto, de esteril, de morto no universo”.

A teologia de Leibniz (a postura já não é mais filosófica) é  Teísta, pois nela, Deus é um ser pessoal disposto a entrar em sociedade com as suas criaturas. Deus é um ser que busca relacionar-se com suas criaturas num nivel de paternidade. Já não somos apenas criaturas, somos filhos do Deus que decidiu ser nosso Pai.

Acho que é isso. Agora deixo voces com os fragmentos da Monadologia de Leibniz.

Notas:

29  — Porém, o conhecimento das verdades necessárias e eternas é o que nos distingue dos simples animais e nos faz possuir a RAZÃO e as Ciências, elevando-nos ao conhecimento de nós próprios e de Deus. E é o que se chama em nós Alma Racio­nal ou Espírito.

30  — É também pelo conhecimento das verdades necessárias e pelas suas abstracções que nos elevamos aos ACTOS REFLEXIVOS, que nos fazem pensar no que se chama Eu e a considerar que isto ou aquilo existem em nós. E é assim que pensando em nós pensamos no Ser, na Substância, no simples e no composto, no imaterial e no próprio Deus, concebendo que aquilo que é limitado em nós é nele ilimitado. E estes Actos reflexivos for­necem os objectos principais dos nossos raciocínios. (Teod., Prefácio).

37  — E como todo este DETALHE envolve ainda outros contingentes anteriores ou mais detalhados, dos quais cada um tem ainda necessidade de uma Análise semelhante para lhe confe­rir razão, nunca mais se avança na análise; e é preciso que a razão suficiente ou última esteja fora da seqüência ou SÉRIES deste detalhe dos contingentes por mais infinito que ele possa ser.

38  — E é assim que a última razão das coisas deve estar numa substância necessária, na qual o detalhe das mudanças não esteja senão eminentemente, como na origem: e é o que chamamos Deus. (Teod., § 7).

39 - Ora, esta substância sendo uma razão suficiente de todo este detalhe, o qual está igualmente ligado por todo o todo o lado, NÃO HÁ SENÃO UM DEUS E ESTE DEUS BASTA.

41  — Donde se segue que Deus é absolutamente perfeito, não sendo outra coisa a perfeição senão a grandeza de realidade positiva tomada rigorosamente, excluindo os limites ou restrições nas coisas que as têm. E onde não há limites, isto é, em Deus, a perfeição é absolutamente infinita. (Teod., § 22, Prefácio, § 4).

42  — Segue-se igualmente que as criaturas têm as suas perfeições a partir da influência de Deus, mas que elas têm também as suas imperfeições a partir da sua própria natureza, incapaz de ser sem limites. Porque é nisto que elas são distintas de Deus. (Teod., §s. 20, 27-30, 153, 167, 377 e ss.).

43  — Ê igualmente verdade que em Deus está não somente a fonte das existências, mas ainda a das essências, enquanto reais, ou o que há de real na possibilidade. E isto é assim porque o Entendimento de Deus é a região das verdades eternas ou das idéias de que se dependem, e sem ele nada de real haveria nas possibilidades; e não somente nada de existente, mas tão-pouco nada de possível. (Teod., § 20).

44  — Porque é necessário que, se há uma realidade nas Essências ou possibilidades ou nas verdades eternas, esta realidade seja fun­dada em algo de existente e Actual; e, consequentemente, na Existência do Ser necessário, no qual a Essência implica a Existência ou no qual basta ser possível para ser Actual. (Teod,, §s. 184-189, 335).

47  — Assim, só Deus é a Unidade Primitiva ou a substância simples originária, da qual todas as Mónadas criadas ou derivativas são produções; e nascem, por assim dizer, por Fulgurações contí­nuas da Divindade de momento a momento, limitadas pela receptividade da criatura, à qual é essencial ser limitada. (Teod., §s. 382-391, 398, 395).

48  — Há em Deus a POTÊNCIA, que é a fonte de tudo, depois o CONHECIMENTO, que contém o detalhe das idéias, e enfim a VONTADE, que faz as mudanças ou produções segundo o princípio do melhor. E isto é o que corresponde, ao que nas Mónadas criadas faz o Sujeito ou a Base, a Faculdade Perceptiva e a Faculdade Apetitiva. Mas em Deus estes atributos são absolutamente infinitos ou perfeitos; e nas Mónadas criadas ou nas Enteléquias (ou perfectihabies, como Hermolaus Barbarus traduziu esta palavra) não são senão imitações à medida da perfeição que contêm. (Teod., §s. 7, 149, 150; § 87).

55  — E é esta a causa da Existência do Melhor, que a Sabedoria fez conhecer a Deus, que a sua bondade o fez escolher e que a sua potência o fez produzir.

(Teod., §s. 8, 78, 80, 84, 119, 204, 206, 208, Resumo 1a Obj., 8.a Obj.).

64  — Assim, cada corpo orgânico de um vivente é uma Espécie de Máquina divina, ou de um Autômato Natural, que ultrapassa infinitamente todos os Autômatos artificiais, porque uma Má­quina feita pela arte do homem não é Máquina em cada uma das suas partes. Por exemplo: o dente de uma roda de latão tem partes ou fragmentos que já não nos são algo de artificial e não contêm mais nada que indique da Máquina relativa­mente ao uso a que a roda era destinada. Mas as Máquinas da Natureza, isto é, os corpos vivos, são ainda Máquinas nas suas menores partes, até ao infinito. É isto que faz a diferença entre a Natureza e a Arte, isto é, entre a Arte divina e a Nossa. (Teod., §s. 134, 146, 194, 483).

67  — Cada porção de matéria pode ser concebida como um jardim pleno de plantas.e como um lago pleno de peixes. Mas cada ramo da planta, cada membro do Animal, cada gota de seus humores é ainda um tal jardim ou um tal lago.

68  — E embora a terra e o ar interpostos entre as plantas do jardim ou a água interposta entre os peixes do lago não sejam plantas nem peixes, eles os contêm ainda, as mais das vezes de uma subtilidade imperceptível para nós.

69  — Assim, não há nada de inculto, de estéril, de morto no universo, não há caos nem confusão senão na aparência, mais ou menos como num lago à distância no qual se veria um movi­mento confuso e buliçoso, por assim dizer, de peixes no lago sem discernir os próprios peixes.

72  — Assim, a alma não muda de corpo senão pouco a pouco e por graus, de modo que não é nunca despojada instantaneamente de todos os seus órgãos; e muitas vezes há metamorfose nos animais, mas nunca há Metempsicose nem transmigração das Almas; também não existem ALMAS completamente SEPARADAS nem Gênios sem corpo. Só Deus está inteiramente separado. (Teod., §s. 90, 124).

77  — Assim, pode dizer-se que não somente a Alma (espelho de um universo indestrutível) é indestrutível, como ainda o pró­prio animal, ainda que a sua Máquina pereça freqüentemente em parte e abandone ou receba despojos orgânicos.

83 — Entre as várias diferenças que há entre as Almas ordinárias e os Espíritos, das quais já analisei uma parte, há ainda esta: que as Almas em geral são espelhos vivos ou imagens do uni­verso das criaturas mas que os Espíritos são ainda imagens da própria Divindade ou do próprio Autor da natureza, capazes de conhecer o Sistema do Universo e de o imitar em algo atra­vés de escantilhões arquitectónicos, cada Espírito sendo como uma pequena divindade no seu domínio. (Teod., § 147).

84 — É o que faz que os Espíritos sejam capazes de entrar numa Maneira de Sociedade com Deus, e que Ele seja relativamente a eles não somente o que um inventor é à sua Máquina (como o é Deus relativamente às outras criaturas), mas ainda o que um Príncipe é a seus súbditos e mesmo um pai a seus filhos.

85 — Donde é fácil de concluir que a reunião de Todos os Espíritos deve constituir a Cidade de Deus, isto é, o mais perfeito estado possível sob o mais perfeito dos Monarcas. (Teod., § 146; Resumo, 2.a Obj.).

87  — Do mesmo modo que acima estabelecemos uma Harmonia perfeita entre os dois Reinos Naturais, um o das causas Eficientes, outro o das Finais, devemos ainda assinalar uma outra harmonia entre o reino Físico da Natureza e o reino Moral da Graça, isto é, entre Deus considerado como Arquitecto da Máquina do universo e Deus considerado como Monarca da cidade divina dos Espíritos. (Teod., §s.  62, 74,  118, 112,  130, 147).

88  — Esta Harmonia faz que as coisas conduzam à graça pelas próprias vias da natureza, e que este globo, por exemplo, deve ser destruído e reparado pelas vias naturais e nos momentos em que o requer o governo dos Espíritos, para castigo de uns e recompensa de outros. (Teod., §s. 18 e ss. 110, 244, 245, 340).

89  — Pode dizer-se ainda que Deus como Arquitecto satisfaz em tudo a Deus como Legislador e que, assim, os pecados devem arras­tar consigo a sua pena segundo a ordem da natureza e em vir­tude da própria estrutura mecânica das coisas; e que do mes­mo modo as belas acções atrairão as suas recompensas por vias mecânicas relativamente aos corpos, ainda que isto não possa e não deva sempre acontecer imediatamente.

90  — Enfim, sob este governo perfeito não haverá boa Acção sem recompensa nem má sem castigo; e tudo deve resultar para bem dos bons, isto é, daqueles que não se encontram descontentes neste grande Estado, que confiam na providência após terem feito o seu dever e que amam e imitam como é devido o Autor de todo o bem, alegrando-se na consideração das suas perfeições segundo a natureza do verdadeiro PURO AMOR, que nos faz gozar com a felicidade do que se ama. É o que faz tra­balhar as pessoas sábias e virtuosas em tudo o que parece con­forme à vontade divina presumida ou antecedente e satisfazer--se, todavia, com aquilo que Deus faz efectivamente acontecer por via da sua vontade secreta, conseqüente ou decisiva; reconhecendo que, se pudéssemos entender suficientemente a ordem do universo concluiríamos que ela ultrapassa todos os desejos dos mais sábios e que seria impossível torná-lo melhor do que ele é, não somente para o todo em geral mas ainda para nós próprios em particular, se nos submetemos como é devido ao Autor de tudo, não só como ao Arquitecto e à causa efici­ente do nosso ser, mas ainda como a nosso Mestre e à causa Final que deve constituir todo o objecto da nossa vontade e o único que pode fazer a nossa felicidade. (Teod., § 278; Prefácio).

 



postado por Isaias Rodrigues de Souza as 12:28:13




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