Romulo Textos
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sexta, 23 fevereiro, 2007
Mente Imponderável

Aqui já sem dor, o grave da música não sinto mais.
A tristeza parece mais sufocar, apertar, mas não existe mais dor.
Na verdade apenas sei que estou sufocando, mas não sinto também.
É estranho, mas talvez seja apenas outra forma de sentir, não sei.
Não sei porque eu não vejo, mas para que ver se não existe nada, tudo se foi.
Ir, algo que seria bem vindo. Mas não posso mais andar.
E não tem ninguém também para me carregar, mas também se tivesse não me veriam,
estou invisível.
O pior é que não sei como sei essas coisas, e não há ninguém para explicar.
Nâo posso nem protestar, nem gritar!
Como que sei que isso aqui tudo está errado? Que esta desequilibrado, desestruturado?
Estranho.
Isso sei que sou, um estranho, que se ausentou do lugar que deveria sempre estar.
Lugar, só queria ter um agora, qualquer um.
Um, nem sei se sou "um" mais ou se são apenas pedaços de mim perdidos por dimensões desconhecidas.
Desconhecido é meu destino, é meu amanhã, alias será que existe isso nisso que chamo de  estou"?
Será que realmente estou em algum lugar?
Será que existe algo, alguém, outrem além deste também?
Ontem não é mais antes de hoje, ontem é algo que tento fazer acontecer, mas nenhum dia se passa mais, não consigo sentir mais o tempo passar.
será que isso aqui é o que chamam de alma, ou será que sou um desalmado?
Ou será que é o princípio da vida ou do universo? Ou será que sou uma espécie de Deus,
ou formulação de tal coisa?
O engraçado é sentir-se desatado do corpo, assim livre do meio das matérias.
As vezes "sinto" como se fosse sentir algo, mas percebo que era apenas uma ilusão.
Uma alusão da minha mente tentando me ludibriar, fingindo que sou capaz de sentir.
Apenas mais uma brincadeira dela para comigo.
Se é que existe mente nesse meio completamente psicodélico e surreal.
Aqui posso ser o que quiser e não serei nada.
Posso querer o que quiser e não terei nada.
Nada, alias, é a palavra que mais bem descreve "isso".
Nada, vazio, desabitado, oco, vácuo, desocupado, esgotado, fútil e inútil.
A não ser por uma pequena, quase imperceptível, sensação de uma espécie de contato com um corpo quente.
Opa!
Não? Pareço ter sentido algo agora, que isso sinto como se existisse calor.
Algo faz meus olhos arder, olhos, espere eu tenho olhos.
Nossa é a luz do sol, sol, nossa eu vejo, eu vejo o sol, ou o que sobrou dele, ou de mim.
Espere sinto mais, sinto meu tórax se contraindo e relaxando, será que posso respirar?
Espere mexi. Mexi um dos meus dedos indicadores, agora minha mão, acho que posso sentir formas agora, mas espere minha mão está tão áspera, que será? Aparentemente uma substância mineral? Areia talvez.
Agora sinto meu dorso, nossa também sinto dor muita dor, minha cabeça dói em demasia,
sinto uma dor no coração que parece irradiar por todo meu corpo.
Pelo menos estou num lugar macio, mas que também parece áspero.
Sinto minha boca, nossa esta murcha e seca. Sinto sede. Muita sede.
Espere. Existe um objeto próximo a mim, deixe-me ver se consigo reconhece-lo.
Acho que é uma garrafa ou algo similar.
Existe algo em seu interior, provavelmente um fluido, mas não consigo identificar se é água.
Ahhh, que se dane, preciso molhar minha boca.
Ahhh, não é água! Mas eu quero um pouco mais.
Nossa! (derrepente sinto uma espécie de tristeza e abatimento mais ou menos profundo causado pelo afastamento de lugares, pessoas ou coisas que amo e pelo desejo de as tornar a ver).
Quero um pouco mais...
...
Aqui já sem dor, nem o agudo da música não sinto mais...


Por,
Romulo Petri Birschner - 27/03/2006

postado por 27098 as 11:04:45 #
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