Romulo Textos
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domingo, 13 setembro, 2009
Escorregador

Cores, coisas e ocasiões.
Mudar, sim, alguns dizem que vão mudar o mundo,
outros são meros falantes mudos,
eu não sei o que quero, agora, assim sabe?
Mas daqui a pouquinho eu descubro, é tipo que nem um escorregador,
a gente sabe que vai chegar lá embaixo,
da trabalho subir,
mas  a melhor parte é lá no meio, naquela hora que dá um "Uhhh!"
Sabe?
Quando seus pés vão mais rápido que seus orgãos
e parece que vai tudo sair de lugar,
é meio assim que ando me sentido,
num escorregador, sem saber o que vai ter no meio dele,
deu trabalho a beça pra subir,
não tem sombra gostosa,
está calor, o clube está cheio,
a fila ta imensa, e eu quero segurar o máximo possível aqui,
antes de descer, por que depois vái ser difícil descer de novo,
e experimentar aquela maravilhosa sensação de "Uhhh!"...
Escorrer, sem demais porques, só levar,
á se fosse fácil, a se fosse sempre assim,
se eu nunca me perguntasse,
se nunca tentasse questionar o "inquestionável".
Ah! Se eu não fosse tão curioso,
tão incrédulo, tão duvidoso, malicioso,
especulação?
É... talvez mera indignação,
mas há dias e dias, tem dia que venho no clube e não tem ninguém,
tipo numa terça a tarde, e está tão tranquilo, que dá pra usar o escorregador,
quantas vezes eu quiser, e ainda ficar se equilibrando no meio da gangorra.

Porque paramos de brincar?
Porque a vida quando éramos criança era tão maravilhosa,
mesmo não experimentando nem um décimo do que ela realmente é,
será que a pouca autonômia, a semi prisão de ser criança nos faz ser mais
intensos, profundos e talvez, porque não, mais vivos?
Não sei, mas a gente perde, meio que muito rápido, uma parte de nosso brilho no olhar,
de repente, nos vemos trabalhando, acordando cedo e "dormindo" tarde, comendo mal,
respirando mal, correndo, sim correndo todo o tempo, mesmo sem saber onde o escorregar,
onde vai dar, se fim vai ter, onde chegar, vái descendo.
Conhecemos a depressão, conhecemos o mal, a inveja, a maldade. (Ah! Tantos porques).
Mas de onde vem isso tudo, parece um organismo vivo já, que alguns ao perder tudo que tinham
de bom na infância, simplismente seguem esse lado, mas por que não brincar?
Porque não ser o que você sempre foi,
por que achas que não sobrará nada daquela criança que foras?

Mas que nada, ela está aí dentro de você, vivíssima,
doidinha pra sair, escapulir, e escorregar também.
Só que você não deixa, porque acha que o mundo não deixa,
mas quem é o mundo, com quem você preocupa tanto,
adianta mesmo se pré-ocupar, já vivemos sempre tão ocupados,
deixe a ocupação  chegar pra, só aí, sair do ócio.
Você lembra daquela brincadeira de criança, com tão profunda emoção,
que chega suspirar ao contar a um sobrinho, que sente uma imensa vontade de fazer de novo,
mas porque não faz, tenta, sei lá, de liberdade a sua vida,
pra fazer o que vem a sua mente,
por que tanta reprovação?
É claro que a culpa que preocupa pode não ser toda sua,
mas você tem a chance de se libertar dela toda agora,
sái, pula, dança, não pensa, faz, curte, entra "na vibe",
age, corre, esquece, vive.
Veja o azul, é tão azul quanto aquele azul de 25 anos atrás,
fitro solar faz você sentir saudade da praia,
então vá a praia, se planeje se preciso for,
ou então cancele esse almoço chato de domingo,
largue tudo e vá a praia.
Mostre seu corpo, mesmo ele não sendo o padrão da revista,
mostre o seu corpo não aos outros,
mostre ele pro azul,
deixe ele ficar dourado,
seja menos fantasma,
viva este encanto.
Ouça música, música da "boua",
música boua é aquela música que a gente gosta,
faça tudo isso junto, ou separado,
mas faça.
Sáia do computador, sáia agora mesmo, pare de ler este texto,
vái lá na cozinha, enche um copão de água saboroza,
com aquele gosto tão inconfundível de água.
Tem quanto tempo que você não repara no gosto puro da água,
que ainda podemos apreciar.
"Uhhh!"...

Esse é aquele momento em que você está no meio do escorregador,
quando logo depois do "Uhhh", vem aquela sensação,
que esse "Uhhh" dure o máximo possível,
e ele passa rapidinho,
mas por que não outro "Uhhh",
você tem todo tempo do mundo,
as coisas boas da vida são feitas pra se fazer e refazer.
Não deixe sua vida ser um "Uhhh!" despercebido, que passou tão rápido,
que você nem lembra mais dele.

Quando foi que ficamos tão domesticados?
Quando perdemos nossos dons?
Quando passamos a não mais importar uns com os outros?
Quando a vida deixou de ter tanto valor?
Só porque crescemos tanto, e nos multiplicamos como crocodilos?
Que se dane, somos os mesmos, apenas humanos,
não é tão complexo quanto seu psicólogo diz.
Ele complica, põe termos mais técnicos para te dar mais ocupações,
sendo que o que você precisa é apenas relaxar,
e você ainda continua lendo aqui,
e a praia lá,
alias estou eu a pensar, por que ainda insisto nisso,
porque ainda estou aqui,
você nunca vái me ouvir,
quem ouvi, não é verdade,
parece que ouvimos tanto quando criança,
que agora simplismente nos tornamos surdos.
Surdos falantes mudos semi-cegos,
quase-sem-tato cheios de tatoos,
e inapreciadores de coisa alguma.

Agora se você não concorda comigo, em coisa alguma,
ótimo, que bom pra você, aliás, que bom pra todo mundo né?
Se fossemos mais desconcordantes descordariamos mais de nosso comodismo acomodado,
e quem sabe nossa vida seria um Uhhh continuuuho.
Um sonhUHHH...

Dal Tunico.

postado por 27098 as 10:12:42 #
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