
Esse texto oculta um sentido ansioso, para não dizer maníaco.
Como se convoca alguém a tecer esperas? A construir distrações, a arranjar o corpo, aconchegar o pensamento, para ainda assim suportar ao que insuportável se faz na medida do que imediatismos nos invadem??
Essa composição se adianta sobre as mais fugidias situações, que de corriqueiras se tornam maçantes. Basta o avançar em flecha das tropas nervosas que ocupam o peito, que aceleram as mãos e invadem a incapacidade do sujeito tolerar a palavra aguardar. Como compreender isso?? Tvez não haja tmpo para entender, pois cm tanta pressa e tantas palavras é melhor resumirmos tdo isso e dizermos: XEGA!!! "Kero isso pronto e acabado agora!!"
Espera é palavra anti operante, pois como algo q vem de fora, invade a ação com sua definida expressão de "es". Aquela que relegamos a tudo que se perde em valor e ato, visto ser adequado o colóquio de es a quem/que foi e já não é mais.
Pode-se catalogar a espera? Talvez ela esteja em conluio com o tempo e mais talvez por isso suas formas variam num sem cessar. Mas sempre ocultando seu desmedido posto fastigante.
O prazer que demora; a festa que faz fila; o filho q não telefona; o presente que não pode ser aberto antes da meia noite; a grávida que informe não sabe se ama ou espera pela perfeição que lhe cabe ao seu pedaço que virá; o carro que não anda; a luz que não acende; a memória que não é suficiente; o entrave das burocracias; a superposição dos dias aos que tentam à margem acompanhar a rede dos enforcados e engravatados que "produzem"; a lua cheia que leva 23 dias para voltar; as dores; as angústias; a fome; o tempo; a morte. Tudo pode ser dimensionado por essa instancia que se ocupa do tempo e um tanto de subjetividade.
Não haver tempo é quando necessário se faz paciência, mas sendo abatido pelo desejo de se adiantar!
Dois amados que se amam, porém afastados por um ambulatorial plantão que vela pela urgência de outros; distantes por uma ocupação menos óbvia como a traição conjugal; assentados em seus postos por uma distância geográfica; afastados ainda pelas horas que sustentam o tempo que resta a informar a notícia de que novos vêm chegando; ou distantes pela decisão que poderá findar a distância entre os dois e talvez aumentar um vazio;...
A espera é feminina, mas o levante que a faz arrebatadora é o desconcerto.
Penélopes.... sim, talvez ainda hoje muitas respondam por esse lugar. O lugar do aguardar, do suspender e até mesmo do reconstruir. Talvez seja assim que ocorre a reconciliação. Mas a reunião de nós mesmos com o que preservamos e amamos. Se a espera é eterna é a criação que faz advir nossos mais inventivos passatempos. E nisso, os bordados podem ser feitos e realinhados de diversas formas, cores, texturas e tamanhos.
Esperas... ou seria:
- Espera!!!
Ela se torna impostiva diante das urgências. Mas surge então um carro som na rua que desenha as calçadas por onde a fila se expande, situando a espera na exposição que a desfere e maltrata. E vem chegando uma quantia de novidades, a criação, as possibilidades, as inventividades. Todos fortemente atados ao tempo, à memória, ao lugar e à disponibilidade de como crisálida se rasgar em vida.
Talvez espera queira dizer sofrimento às almas mais adiantadas.
Talvez paciência possa ser alinhada a perder o tempo que se consome na espera e nisso poder estar. É tão bom tentar figurar a linha que intercede os nossos e os deles, ou seja, aquilo que nos separa e opera no que nos faz espera.













