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segunda, 14 junho, 2010
Os focos da esquistossomose não param de crescer
Os focos da esquistossomose não param de crescer

[8/2/2004] Magalhães, do IB: muitos casos não chegam às autoridades sanitárias.6 de fevereiro - Estudos feitos pela Unicamp, em conjunto com a Secretaria de Saúde deCampinas, revelam que 7% dos moradores do bairro São Domingos(Campinas) estão com esquistossomose. Somente em 2002 foram registrados135 novos casos. É um problema que se arrasta há anos, desde queautoridades sanitárias descobriram um foco na lagoa da Fazenda BoaUnião, naquele bairro.

Para o médico e professor Luiz Augusto Magalhães, do Instituto deBiologia (IB) da Unicamp, o número de pessoas infectadas não temdiminuído nos últimos anos e é extremamente preocupante a existência,ainda, de focos de esquistossomose na região. Mais de 500 pessoas foramatendidas no Centro de Saúde do bairro nos últismo anos, o que refletea gravidade do problema. De acordo com Magalhães, o número pode sermaior, uma vez que muitos casos não chegam às autoridades sanitárias.

Embora raros, nos últimos tempos foram registrados oito casos deparaplegia – paralisia dos dois membros inferiores, freqüentementeassociada à perda de controle do esfíncter devido a uma lesão da medulaespinhal. Dois desses pacientes não apresentaram seqüelas, mas três têmdificuldades para andar e outros três estão utilizando cadeiras deroda. Esta paralisia decorre de infecção pelo Schistosoma mansoni.

André Ribas de Freitas, coordenador do Centro de Saúde do bairro São Domingos, que desenvolve trabalho conjunto com o Instituto de Biologia da Unicamp.
Muitas vezes, os infectados pela esquistossomose não apresentam ossintomas característicos da doença, podendo conviver com ela por váriosanos. "Ela pode provocar fibrose hepática e hipertensão portal, como aformação de 'barriga d'dágua'. Hipertensão que por vezes resulta emhemorragia digestiva e o paciente começa a vomitar sangue", explicaAndré Ribas de Freitas, coordenador do Centro de Saúde do bairro SãoDomingos, que desenvolve trabalho conjunto com o Instituto de Biologia(IB) da Unicamp. É ainda nesta forma que há alterações no fígado, comaumento de seu tamanho (hepatomegalia) e posteriores lesões graves,semelhantes à cirrose.

Segundo Freitas, não se esperava casos com tal gravidade em Campinas, pois o hospedeiro encontrado na cidade é o Biomphalaria tenagophila, pouco eficiente em relação ao Biomphalaria globrata, mais freqüente em Minas Gerais e áreas do Nordeste.

Atualmente, o médico desenvolve pesquisa em nível de mestrado sobreas causas da doença, visando a avaliar a dimensão real daesquistossomose em Campinas. Ele afirma que a Secretaria de Saúde é oórgão responsável pelo tratamento dos doentes e pelo combate aos focosdetectados, explicando que, no entanto, "inexiste um trabalho decontrole dos hospedeiros intermediários, como normalmente se faz com adengue".

Quanto às medidas profiláticas como meio de exterminar os focos, dizque o mais importante é tratar os portadores da moléstia, diminuindo aincidência de vermes e reduzindo a possibilidade de multiplicação. "Émuito difícil matar o hospedeiro intermediário, que é o caramujo". Asmedidas de profilaxia consistem basicamente em ações preventivas peloscentros de saúde, como a educação da população sobre o modo detransmissão da doença.

Contaminação - Geralmente, o indivíduo adquire aesquistossomose banhando-se em pequenos lagos e riachos, onde existemcaramujos de espécies que estão parasitados com o Schistosoma mansoni.A contaminação se dá por meio das larvas liberdas pelos moluscosinfectados, que penetram ativamente na pele do indivíduo e, alialojadas, iniciam um ciclo que se completa em veias do abdômen, quelevam o sangue das paredes do intestino para o fígado. Seguem-se a faseem que o baço aumenta de volume, e a mais grave, de formação de varizesno tubo digestivo, do esôfago até o ânus.

Coleta de moluscos pelo Departamento de Parasitologia (Foto João Carlos Reinné Yokoda, quintanista da FCM)NoInstituto de Biologia, o professor Magalhães estuda o comportamento doverme no molusco (seu hospedeiro intermediário e vetor), por meio dainfecção de camundongos que apresentam um quadro patológico semelhanteao ser humano. Avalia-se no camundongo as lesões no fígado, intestino eem outros órgãos. "Esses estudos contribuem para conhecer melhor adoença, o próprio tratamento e o combate à parasitose no campo", dizMagalhães. Os dados da linhagem isolanda no foco da Lagoa Boa União sãocomparados com os de outras linhagens já estudadas, armazenadas noLaboratório de Parasitologia do IB, originárias de São José dos Campose de Belo Horizonte. Magalhães revela, no entanto, que não existemestatísticas atualizadas sobre a situação da esquistossomose hoje noBrasil, embora seja uma doença sob controle, graças à terapêutica efacilidade de tratamento.

Doença crônica - A esquistossomose é uma doençacrônica de evolução lenta. A fase aguda implica febre, falta deapetite, tosse, dor de cabeça, suor intenso, enjôo e diarréia compequenas quantidades de sangue, os sintomas mais comuns. Nos casoscrônicos graves, leva à hipertensão na veia porta, insufic.iênciahepática e tumores.

O parasita foi descoberto em 1851 pelo médico alemão Theodor Bilharz (1825-1862). No entanto, o descobridor do Schistosoma mansonifoi o cientista brasileiro Manuel Augusto Pirajá da Silva (1873-1961),que morreu antes mesmo que fosse descoberto um medicamento para adoença. O verme causador da esquistossomose intestinal não é nativo doBrasil: chegou por aqui durante o período da escravidão, com osafricanos provenientes de regiões endêmicas.
(Antonio Roberto Fava)



postado por 140696 as 10:48:14




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