seixos da poesia
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quarta, 16 janeiro, 2008
POEMA DO DEPOIS

                  POEMA DO DEPOIS

 

 

 

 

  E depois...

    depois dos abadás?

  E depois...

     depois das plumas e paetês?

  E depois...

     depois das bocetas degustadas?

  E depois...

     depois das bananas chupadas?

  E depois...

     depois da euforia passada?

  E depois...

     depois do vermelho despontando no frontal horizonte?

  Do vermelho dos juros do Banco...

  Do vermelho que canta a trova do despejo que se aproxima...

  Do vermelho que toca a dramática balada do avolumar duma

                                      Jovem

                                                           Barriga...

  Do vermelho no estouro do limite do dinheiro de plástico...

  Do vermelho que irrompe a periferia, levando consigo o amargo:

                                                               O amargo sabor do 

                                      Ocaso...

  Do vermelho da responsabilidade que se materializa num cordão

                                       Umbilical

                                                              Cortado...

  Do parasita vermelho do HIV continuamente a devorá-lo...

                                        E depois...

       depois do vermelho da vida que escapa? Escapa ao deixar o

        corpo para inundar o chão de plasma...

  E depois...

     depois do servo Irãnio?

 

 

 

 

 E depois...

      depois da conquista do Negro Ouro em solo maometano?

 E depois...                            

    depois de mostrar aos mandarins quem é que manda?    

 E depois do presente?

 E depois do efetivo de ferramentas assassinas...

                  Dos soldados do rentável sistema de baixo?

 E depois das carícias...da decepção...das certezas...do amor.

                  Das promessas?               

 E depois do passado?

 E depois do futuro: o que haverá de nós sobrado?

 E depois do nada ecoado?

 E depois das cinzas da fogueira?

 E depois de tudo apagado?

 E depois do mar de silêncio?

 E depois da supernova?

 E depois do enterro?

 E depois do pairar do crepúsculo?

 E depois do teatro dos vampiros?

 E depois do olhar do mendigo?

 E depois da aurora?

 E depois, como continuar a seguir o caminho?

 E depois, como se achar em um mundo perdido?

 E depois do agora?

 E depois do depois do agora?

 E depois do depois do amanhã?

 E depois do depois do depois?   

 

JESSÉ BARBOSA OLIVEIRA


postado por 86135 as 01:16:13 #
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