Só PRá VaRiaR
36 horas!

Só prá variar resolvi sair da rotina e disparar. -Fui conferir a grande São Paulo. Saí da minha city as 22hs do dia 24 chegando a Sampa as 06hs da manhã seguinte. Visitei meus eternos amigos: Celma, Mainha, Márcio e Joana  no Bairro da liberdade e me assustei com a exposição do lixo orgânico nas ruas.

-Depois peguei o metrô Liberdade > Itaquera, em seguida um ônibus até Camargo Novo para visitar  outra amiga. 

-Na rua vi mãe gritando com o filho ainda criança: -vc é um pestinha e nunca vai ser nada! -Era Natal em familia, nas ruas dum presente sem futuro.

-Vi pessoas vagando no vazio dum natal com saudades da familia distante, que não sei... se o vazio seria menos vazio se a familia estivesse próxima.

-Vi que São Paulo está morrendo sufocado por uma população que não para de crescer. Cidade abandonada pelo povo, pelos políticos, pela prefeitura.

-Vi pessoas que não acreditam em si mesmas. Que sonham em protestar contra a corrupção,    mas se enterram eternamente em seus pesadelos.

-Vi roupas indo pelas calçadas, entrando e saindo de ônibus. Roupas que vestiam corpos que não sabiam que estavam dentro delas. Corpos que continham pensamentos alimentados da insegurança e do medo, formando um amontoado de seres sintonizando o canal da depressão.

-Senti nas pessoas o que elas sentiam. Deixei meu corpo sentir a trepidação das rodas do ônibus e me embriaguei no barrulho exagerado do motor nas subidas íngremes, tentando capturar a resignação do motorista nesse trabalho estressante e super-aquecido pela rotação do motor.

-Vi barracos amontoados, grudados uns aos outros contracenado com prédios. -Pensei que poderia fotografar aquilo... mas a cena passou rápido, minha mente fotografou.

-São Paulo cresceu desordenamente, sem mãos sábias para desenhar, sem coração sábio para orientar! -Milhões de pessoas das mais diversas regiões e partes do mundo que lutam diariamente contra seus próprios sentimentos.

-Um céu azul que na noite,  não  vê estrelas!  -Um amontoado de seres sozinhos. -Uma desordem que prossegue para o caos. -Uma falsa euforia em meios a rios assassinados pela falta de controle de natalidade e insensatez de pessoas que culpam umas as outras.

-São Paulo: -Cidade amada por tantos e que nunca foi amada, porque fui lá, vi e conferi... é uma cidade abandonada!

-As 20:55hs subi no ônibus de volta, chegando as 6hs do dia 26/12/2006. A depressão também mora aqui mas, com menos medo!

-Na mesmice, uma pessoa vive um dia em 10 anos. Vivi dez anos em 36 horas. (by Mar)

postado por 35927 em 04:46:36 :

4 comentários:Comente este post!
em domingo, dezembro 31, 2006 10:40, JAM escreveu:
Olá Mar, viste uma realidade dos tempos de hoje nas grandes cidades. Muitas pessoas caminham como autómatos, na luta pela vida, outras, simplesmente caminham, sem destino certo a esgadanhar-se pela sobrevivência. O teu post é de grande reflexão sobre o nosso mundo e o que queremos dele no futuro! Bjs do JAM
em domingo, dezembro 31, 2006 10:03, Simone Oechsler escreveu:
Sábias palavras, Marlene,
SP tá um caus, na verdade cidades grandes, como vc mesma disse, super população. Aí vem o stress.

Controle de Natalidade já!

As pessoas vivem o agora e não pensam no futura, é uma pena q aquela mãe no qual vc comentou tenha falado tão duras palavras ao menino. De q ele não ia ser nada na vida.
Cadê o incentivo? Pra q essa criança tenha coragem e lute com suas difículdades? Tomara q ela não tenha levado a sério o q a mãe falou. Tomara q ela prove ao contrário.

Triste o episódio do rio q um dia alimentou toda a cidade e agora está poluido. Qdo as pessoas vão dar valor?
Só o dia q faltar.
É um ditado certo.
As pessoas só dão valor as coisas qdo elas se vão.
É uma pena.

Continue com seu trabalho.
Plantando sementes boas.

Beijos
em quinta, dezembro 28, 2006 04:17, Márcio escreveu:
Ae Marlene...blz?

Então, vejo que São Paulo continua te assustando. Mesmo você que conhece bem esse hospício.

Me senti "homenageado" pelo seu texto..rsrsrsrs.. Sou mesmo uma criatura dessas que você descreveu.

São Paulo é assim, anestesia os sentidos, banaliza o absurdo. Faz dos corações, rochas. Há quem nem perceba que ficou assim. Outros (eu) acabam destruídos por dentro com tanta indiferença e sonham sumir dessa cidade. Quem sabe meu futuro? Se eu não sucumbir a tamanha agressão talvez sobreviva para responder à pergunta.

mili abraços à catarinense, do paulistano amigo.

em quarta, dezembro 27, 2006 09:07, Daniel escreveu:
É maninha...são formigas que trafegam sem parar, Metropoles?
Eu só vejo regressão...vemos pessoas andando sem destino...poluição..e tudo a vista...
Não conseguimos mas ver estrelas
Periferias nascem todos os dias...e nos perguntamos quem são os ignorantes, a população, ou os politicos que estão no poder?

Me deparo com cenas assim todos os dias...e é duro, ter que suportar...
Por isso que sempre escrevo..pra desabafar..assim como vc fez maninha, escrevemos coisas parecidas...por que os problemas são os mesmos..basta ir a alguma capital..

Cuide-se maninha
Bjos

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