Sua Vida
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terça, 02 maio, 2006
O sal e sua saúde


Menos iodo, mais doenças

Essencial para o bom funcionamento da glândula tireóide e outras funções do organismo, o iodo, desde a década de 60, vem sendo adicionado ao sal de cozinha exatamente para suprir as possíveis deficiências do mineral no brasileiro. Só que há um problema. Nos últimos anos a quantidade de iodo colocado no sal vem baixando perigosamente. Segundo dados do professor Antônio Carlos Bianco, do Instituto de Ciências Biomédicas, confirmados pelo Ministério da Saúde, nada menos do que 43% do sal vendido no Brasil não contém as quantidades de iodo exigidas por lei, que são de pelo menos 40 mg por quilo de sal. Das amostras pesquisadas recentemente, pelo menos 12% contêm taxa zero do mineral. Ingerir uma quantidade insuficiente de iodo pode causar sérios danos ao organismo.
O principal deles é o bócio, que é causado pelo mau funcionamento da glândula tireóide. No século passado, descobriu-se que o ser humano, ao ingerir determinadas quantidades mínimas de iodo, está garantindo o bom funcionamento da tireóide. O iodo influi no metabolismo e na atividade dos hormônios da glândula. A falta desse mineral prejudica a produção de tiroxina e triiodotironina. Quando isso ocorre, a tireóide intensifica sua atividade secretora, aumentando de tamanho. É essa hipertrofia que caracteriza o bócio. Por gerar um aumento do tamanho do pescoço, a doença ficou popularmente conhecida como "papo".
No Brasil, o bócio é uma endemia, já que ocorre entre grupos populacionais que possuem fontes insuficientes de iodo. Sua adição à dieta da população é uma questão de saúde pública. As áreas de maior carência são o Centro-Oeste, principalmente em Goiás e no Mato Grosso do Sul, o oeste da Bahia e o nordeste de Minas. Em todo o mundo, pelo menos 1,6 milhão de pessoas sofrem de deficiência de iodo.

Cretinismo
é doença

Cretinismo
é doença

Cretinismo
é doença

Um homem adulto necessita, diariamente, de pelo menos 0,14 mg de iodo, enquanto uma mulher precisa de 0,1 mg. Já as crianças e as mulheres grávidas ou amamentando precisam de um pouco mais. Para caracterizar o bócio endêmico, é preciso que as pessoas consumam menos que 0,075 mg por dia. As principais conseqüências da doença são visíveis. Em um adulto, o bócio causa apatia, falta de disposição, e fadiga. Mas há problemas mais sérios. A falta de iodo durante a gestação e até os três primeiros anos de vida implica em sérios problemas no sistema nervoso da criança, como o mau desenvolvimento do cérebro. As células cerebrais não se multiplicam adequadamente devido à ineficiente produção de hormônios pela glândula tireóide. Dessa forma, a criança acaba sofrendo de uma doença chamada de "cretinismo", um processo que é irreversível. "O cretinismo pode provocar uma disfunção sensorial que, geralmente, se manifesta pela surdo-mudez e, às vezes, pelo estrabismo. Causa o retardamento mental da criança, que fica com um QI abaixo do normal, deficiências de crescimento e, em alguns casos, pode ter espasmos e convulsões", explica Bianco.
A falta de iodo não tem conseqüências imediatas. "Os males provocados só são perceptíveis quando as crianças começam a apresentar os sintomas do retardamento. A idade com a qual o cretinismo, por exemplo, será diagnosticado depende da intensidade da doença", diz o professor. Se ela for pequena, pode aparecer na forma de um mau desempenho na escola. "Se o nível de retardamento -e conseqüentemente, de falta de iodo -for muito alto, a criança nem chega a aprender a andar", afirma Bianco.
Desde a descoberta das propriedades terapêuticas do iodo no organismo, cada país vem estudando a melhor forma para fornecer o mineral à população. Em algumas cidades do Exterior, o iodo é misturado à água. "Na Malásia, ele é colocado em arrozais, já que o arroz é um alimento básico da população. Nos países europeus, nos Estados Unidos e no Brasil o meio mais prático encontrado foi adicionar o iodo ao sal", conta Bianco.

Mudança
na lei

Mudança
na lei

Mudança
na lei

A legislação que obriga as indústrias a colocarem iodo no sal existe desde a década de 60. No começo, as companhias reclamaram, argumentando que o processo poderia encarecer o produto. A solução encontrada pelo governo foi importar o iodo e fornecê-lo gratuitamente às refinarias. Logo, esse trabalho se dividiu em dois: entregar o iodo e fiscalizar sua aplicacão, medindo as porcentagens usadas. O órgão escolhido para esta função foi o Instituto de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde.
Em 1983, foi criado o "Programa de Combate ao Bócio Endêmico". A lei, nessa época, estabelecia como porcentagem obrigatória de 10 a 30 mg de iodo por quilograma de sal. O número de amostras que tinham uma taxa zero de iodo era de 0,92%. Com a continuidade do programa, esse número caiu para 0,26% já em 1988.
Foi a partir da década de 90, no entanto, que o projeto começou a perder sua força. O primeiro sinal foi a queda na quantidade de iodo importada pelo governo. Em 1983, foram compradas 44 toneladas. Em 1991, foram 69,4 toneladas. Três anos depois, no entanto, esse número caiu para 40,7 toneladas. Outro sinal foi o número de amostras coletadas. Em 1989, por exemplo, foram examinadas 85.325 amostras. Em 1993, esse número desceu para 56.322 e, em 1996, apenas 39.946 amostras foram testadas. Em conseqüência disso, a quantidade de sal com taxa zero de iodo aumentou consideravelmente. Esses números alarmaram o governo, que trocou o nome do projeto para "Programa Nacional de Controle dos Distúrbios por Deficiência de Iodo", mudou a porcentagem exigida de 10 a 30 mg para 40 a 60 mg por quilo de sal, e alterou a lei, que passou a proibir as usinas de vender sal sem iodo, mesmo que este não fosse fornecido oficialmente. No entanto, todas essas medidas não foram eficazes, já que, segundo a própria coordenadora do Programa, Yara Pereira Simoni da Silva, em 1996 o número de amostras com taxa zero de iodo foi de 12% e as com taxa de 1 a10 mg foi de 19%. Se pensarmos na legislação antiga, que considera insuficiente uma taxa menor que 10 mg, 31% do sal produzido no Brasil é incorretamente processado. Ao observar a nova lei, que exige um nível de iodo acima de 40 mg, conclui-se que 43% do sal está em situação irregular. Estima-se que o homem adulto consuma 6 a 7 gramas de sal por dia. Se a lei fosse corretamente obedecida, isso significaria 0,72 mg diariamente de iodo, cinco vezes mais que o necessário, o que garante uma boa margem de defesa contra as doenças causadas por deficiência do mineral.

Pesquisas
recentes

Pesquisas
recentes

Pesquisas
recentes

Recentemente, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) fez uma pesquisa em 12 marcas de sal para verificar se as medidas governamentais deram resultado. O instituto recolheu oito amostras de cada marca em São Paulo e Curitiba. As análises laboratoriais foram feitas pelo Centro de Pesquisa e Produção de Alimentos da Universidade Federal do Paraná, com apoio do Ministério de Ciência e Tecnologia. O resultado foi preocupante: três marcas foram classificadas como ruins e quatro como muito ruins. As marcas de melhor dosagem foram a Light Sal e a Diana refinado e as piores, a Lebre e a Biosal grosso (veja quadro nesta página).
Além de professor da USP, Antônio Carlos Bianco é secretário da Sociedade Latino-Americana de Tireóide. Segundo ele, há pouco tempo a entidade também realizou uma pesquisa junto a crianças em idade escolar de 401 municípios brasileiros. Como 30% do iodo, após ser absorvido pelo intestino, é utilizado pela tireóide e o restante é eliminado pela urina, a Sociedade realizou uma pesquisa que mediu o teor de iodo na urina dessas crianças. Do total de municípios analisados, quatro foram considerados moderadamente deficientes: Almas, Arraias e Paraná, em Tocantins, e Cocos, na Bahia. Já outras 116 cidades foram consideradas suavemente deficientes. "Esses dados mostram que 30% dos municípios examinados são áreas de risco para as doenças provocadas por deficiência de iodo", esclarece Bianco. As doenças causadas pela falta do iodo são mais comuns na população que vive longe dos grandes centros urbanos. Essas pessoas, geralmente, recebem um sal de pior qualidade e, para agravar a situação, o produto é estocado e demora para ser consumido. Essa demora diminui a qualidade do sal, porque quanto mais velho ele for, mais baixa é sua taxa de iodo, já que esse mineral evapora.

postado por Gabriela de Oliveira as 02:17:45 #
12 Comentários

thauany:
me ajudou muito
17/09/2012 00:19:49  

bryan:
nossa achei muito bacana ajudou muitoo
20/08/2012 17:40:49  

bryan:
nossa achei muito bacana ajudou muitoo
20/08/2012 17:40:39  

lana:
origada ajudou muito.
31/05/2012 15:02:05  

fran:
obrigada vc me ajudou bastante
18/08/2011 14:25:19  

joyce:
obrigada me ajudou muito. bjinhus
24/06/2011 12:58:29  

Maisa:
Obrigado pelas informações.Elas são excelentes, me ajudou muito!
19/05/2011 14:42:55  

inayane :
foi mto bom essas informaçoes pois tava toda perdida com as perguntas do trabalho de quimica
13/10/2010 11:41:08  

gabi:
muito obrigado pelas informações,pois me ajudaram muito na minha lição.
06/10/2010 18:18:20  

Patrícia:
Excelentes informações !

19/09/2010 15:42:55  

Marta:
obrigado pelas informações me ajudou muitooo
16/09/2010 16:01:58  

rafaela:
Adorei essas informações me ajudou mto no trabalho da escola
02/09/2010 10:07:45  

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