Suite das Letras
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terça, 20 outubro, 2009
Trilhas da vida

O homem é o sal da terra

 

Foi no Parque Ecológico de Contagem, sentado num banco de madeira que eu pude acabar de ler o livro de poesias “Trilhas” do poeta Rogério Salgado. O livro é uma das publicações de 2009.

 

Virgilene Araújo, poetisa e esposa de Rogério(foto abaixo), foi quem fez o trabalho de pesquisa, seleção de poemas e apresentação do livro que, segundo ela, contém cerca de 70 por cento da obra do poeta publicada até o momento.

 

Ao final da leitura um sentimento de profunda melancolia alargou-se em mim. Acho bastante difícil alguém ser poeta sem destilar suas dores e desilusões em sua obra por mais técnica que ela seja. O ator vende aquilo que ele não é, o dramaturgo e o roteirista criam situações que eles não vivenciam, mas um poeta curtido na humanidade não consegue mentir na poesia, isso quando conseguimos ler as entrelinhas. Não custa nada tentar.

 

Garanto que busquei o tempo todo o aspecto cômico na poética de Rogério Salgado, não que a função vicinal da poesia seja provocar o riso, embora os poetas não deixem de ser clowns nesse mundo. Encontrei o sarcasmo e a ironia dos quais eu sou um usuário literariamente falando. Encontrei o homem erótico sem frescura ou pedantismo. Encontrei o menino homem diante das indagações do mundo e daquelas perdas que qualquer homem comum precisa experimentar ao longo de uma existência. Isso quando esse homem não perde a paciência e se perde também diante da incompreensão alheia entre um verso e outro. Torquato Neto, Ana Cristina César dentre outras figuras ímpares. O mundo de mazelas sociais que o poeta, na maioria das vezes, não consegue modificar com seus versos repletos de insatisfação. O mundo/país da pilantragem política institucional. O mundo do Natal carregado de hipocrisia comercial. Encontrei o poeta que destila seu fel, seu mel, seu prazer e rodopia em sua dor no lago das horas. Encontrei o homem que se expressa como bem entende, embora mal entendido em seu cabedal de liberdade. Qualquer semelhança com um herói  urbano não será mera coincidência.

 

Sobre o livro “Trilhas”? Pois é, trata-se de uma poética  demasiada humana. Deve ser esse o motivo da minha comoção sem conhaque.

 

Lecy Pereira Sousa

Fundador da Academia Contagense de Letras - ACL


postado por 12542 as 06:17:13 #
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