sábado, 23 janeiro, 2010
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| Espiral é livro minimal |
Em Espiral de Luiz Otávio Oliani, o mais será sempre menos
Por Rogério Salgado*
Vivemos numa época de correrias, onde seres humanos não encontram tempo para ler. Por isso o melhor da modernidade poética é enxugar poemas, ou seja, mais será sempre menos.
Em Espiral (Editora da Palavra) Luiz Otávio Oliani usa e abusa do minimalismo. Sua poesia é restrita a poucas palavras e muitas reflexões. Vejamos: “quando eu me for/ficarão as palavras/- aprendizado em surdina/no fundo do peito/dos ancestrais/entre lírios e versos/lição guardada:/engenho fincado à terra” . Sua poesia fala com a consciência dos sábios quando diz: “não serei o poeta do passado/embora dele me alimente/canto o presente/que Drummond não vê/nada de serafins/cartas de suicida/- os homens aterraram/a palavra amor/num canteiro de obras/as mãos desunidas/traduzem:os espinhos/inda sufocam as flores” . Também há a filosofia dos grandes poetas: “inútil viver/o que será pó/o tempo é madeira batida/a alimentar cupins” . numa interligação poética, responde a um antigo poema de Patrícia Blower, afirmando: amar, verbo transitivo?/amar é verbo de ligação/entre dois sujeitos”.
Luiz Otávio Oliani cursou Letras e Direito. Consta em mais de trinta antologias de literatura. Participação intensa em eventos literários, jornais, revistas do País e do exterior. Recebeu mais de 50 prêmios. Publicou em 2007 Fora de órbita (Editora da Palavra) com orelhas de Teresa Drummond e prefácio de Igor Fagundes; livro recomendado pelo Jornal de Letras, editoria dos acadêmicos Arnaldo Niskier e Antonio Olinto, em outubro de 2007. Em 2008, teve o poema "Teresa" musicado por Maury Santana no CD Música em Poesia, volume 1. " Luiz Otávio Oliani é um poeta dos melhores que surgiram neste final de século XX e início de XXI. Escreve com sabedoria e lucidez, dessas que atingem o leitor em cheio, levando-o a pensar e repensar. Por isso Espiral é um livro que merece ser lido por quem gosta de poesia de qualidade. E quem diz: “no dicionário/a palavra vale/o que é/fora dele/cabe ao poeta/o sentido/que a mão lhe dá” e encerra com “(...)/escrevo/porque sou instrumento/da palavra que Deus sopra/em meus ouvidos” merece mais do que respeito: merece admiração.
Contatos com a Editora: helenaortiz22@gmail.com . Contatos com o autor: oliani528@uol.com.br *Poeta e jornalista
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postado por Lecy Pereira Sousa as 02:15:58

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