Surto
Surto
quarta, 02 novembro, 2005
Meros mortais

Me sento
sobre o sentido
teu cheiro
revela
saudades

tão ternas

num minuto
tenho
teu passo
sobre caminhos apressados
longe
do paraíso
tão perto do céu
ao alcance
do medo
e das mãos
penso em ti perder
num combate rápido
de guerreiros de fogo
cálidos
por desejos
meus lábios
te atraem
te traem
me retraem
e nos versos
tão pertos de mim

teu sentido a sumir
como palavras mortais.


postado por 6715 as 05:17:21 # 2 comentários
Espelho

Só o escuro nos reflete
como almas indiferentes
a dor que o próximo sente

postado por 6715 as 04:58:21 # 0 comentários
Na pele


.

postado por 6715 as 02:11:37 # 12 comentários
domingo, 30 outubro, 2005
Você e eu

Desdém a tua pele que sonha

se encanta nos olhos

de quem ama

Deus da santa

Ingratidão

Na recompensa das linguas cansadas

e das paredes que guardam segredo

Tu tens amor,eu medo


postado por 6715 as 11:20:10 # 7 comentários
sábado, 29 outubro, 2005
As minhas virtudes

Auréola boreal do dolo

Transgredindo o sol do outono

Violando o sono

De um inferno santo

Omite a razão

A noite é rápida

O fogo apaga

A escuridão

O vento urge

A triste voz contundente

Da culpa que faz o inocente

O maior de todos culpados

Sempre se é cego

Quando não se vê o passado

É cinza quando a hora não passa

Falsa promessa

Que exala

Às vezes te olho

Provido de forma

Encontro amor nos teus olhos

Encontro fervor de um garoto

Nos lábios que eu fiz homem

Na mira de um alvo

Estamos a salvo

De apenas nós dois

A noite me corroia a áurea

Visão de um amor pálido

Que a imensidão de desejos aterra

O corpo que a alma encerra

Repousa sobre os braços

Teu leito

Perfeito

Suores

Mortalhas

Encontro à paz absoluta

Conjuga a forte vastidão de saudade

Que padece enferma no peito

Da insônia que atormenta o escuro

Da lembrança que mendiga tristeza

Meu amor só guarda a certeza

Que meu futuro

É tua felicidade


postado por 6715 as 08:53:16 # 1 comentários
Respondes

a

t    s

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postado por 6715 as 03:10:29 # 1 comentários
Retirante

Trazia as unhas sujas de terra

Surgia nos olhos negros

alguns raros segredos
que não ousara contar
trazia nos ombros culpa

desilusão
na fronte a chuva
que não vinha
dentro do corpo a fome
trazia como humilde homem
a bravura dos aguerridos

e o ânimo dos fracos

levava filha crescida
levava recém-nascido
trazia o cansaço da lida
no peito todo amor dessa vida
que aliviava a visão pálida
de um mundo de desafetos
aonde os inocentes são culpados
e morrem assumindo: o incerto

onde crianças aguardam a fome
que à noite as consome
que de dia não some

E mata.


postado por 6715 as 02:56:59 # 21 comentários
Chance

A alma não predestina
Ninguém sabe
Se ainda é tarde
Pra seguir

Constava sigilo

Talhado no barro
Que deforma aterra
Dispersa razão
Entrega
Entre lenços
E sóis
Dispondo a mais
Personagens irreais
Da trama
Sempre não se soube
Se é tão cedo
Pra tecer a verdade
Quem pode polemizar
O pólen
Que a brisa respira

Horas no chão

Ponteiros determinados
Admitindo o futuro
Não é sempre que se vê a inocência
Quando estamos no escuro
Perdidos
Defeitos
No meio da ausência
Num pódio de meias palavras

Sempre tudo se crê
Quando não se crê em mais nada

postado por 6715 as 02:51:29 # 0 comentários
domingo, 23 outubro, 2005
Pavimenta


Pavimenta
Ele com esquadria e cimento
Não agüenta
Todo fardo carregado
[nos seus ombros]
Quando ama quase desiste
De encontrar no meio da agonia
Felicidade
E ele se priva
Se abstém de todo ressentimento
E nas pedras onde habita
Só vê delas sofrimento
E cobiça não ser como os demais
Pavimenta
E tudo que lhe parece importante
Não é digno de seu apreço
E toda sua esperança
Na verdade é medo
Pavimenta
E edifica seu pensamento

postado por 6715 as 03:40:43 # 34 comentários
Medo


.

postado por 6715 as 03:34:43 # 6 comentários
domingo, 16 outubro, 2005
Ele virá


Eu me encontrava
caminhava em idealismos
e palavras
tropeçava em verdades
sonhava
insistia e acordava
alinhavava engolia
e amava
tudo me parecia
nada ao meu alcance
tudo se esquivava
teu corpo se esvaia
tudo me enchia de nada
tudo me cativava
quase nada seduzia
fritava
engolia recebia
pagava
navalhava
matava
na parte que me bastava
era pouco que me cercava
agora é quase nada
focava
esquinas passava
separados
por saias e entradas
por armas e trapaças
a baixo de mim a rua listrada
levantei me e me vi
coberto de sangue

postado por 6715 as 02:15:23 # 0 comentários
Perdão


no necesita que acuerde
ellos no dicen nada
me perdona si yo no fui
un sueño su
no necesita explicarse
yo estaba errada
pero no necesita callarse
ellos no dicen nada
mis versos aún
son suyos
es todo siempre o nada
ni necesita terminar
nuestra caminata
nuestros caminos aún van cruzarse
no necesita dejarme
en esa emboscada
yo sé que voy a vencer
no tiene por qué preocuparse
es todo o aún nada
ni necesita amarse
para verse ahora
tu amor
fue siempre un sueño mi
no necesita que acuerde
yo sé como se mata
pero ni necesita llevarme
que yo estoy bien cansada
de esperar una señal tuya
pero ni quiera olvidarme
no va a dar en nada
pues yo siempre fui un sueño tuyo

postado por 6715 as 12:29:28 # 0 comentários
sábado, 15 outubro, 2005
Vão


Rostos
Postos
Em caixa
Encaixa
O medo
De tê-lo
No peito
Meu leito
De paz

E vozes
Vorazes
Capazes
De mortes
São fortes
Destroem
A mim


postado por 6715 as 04:42:21 # 0 comentários
quarta, 12 outubro, 2005
Aparente


Quando me pareço distante
Aparento ser mais tênue
e ao certo
não sei

Quando grito eu,
Não escuto

E asperamente reflito

Quando o tempo para
A ordem
É memorizar
Alguma forma inútil
De ser feliz ou
De amar

postado por 6715 as 02:51:14 # 0 comentários
Machucar


Que receio teu vai me conter
Em que esquinas que tua alma paira
Em que corações... teus medos
Quando eu vou te ver
Quando te procurar
Pra quando eu ti perder
Pra sempre te encontrar
Que ausência tua
Vou sofrer
Por quanto tempo vou andar
Se só quero você
Só você sei machucar

postado por 6715 as 02:37:14 # 59 comentários
Tempo



Mil luas se passaram
Branqueando teus cabelos
Anjo da misericórdia
Todos os segundos se calaram
Guardavam teus segredos
E meus medos
Que velavam teus dias
Horas
Em que nem o tempo foi teu companheiro
Só lembrança tuas nos restaram
Nos campos perfumados
Na neblina do inverno
Um ritual humanizando o afeto
E habituando o amor
Eu passeio pelo chão cheio de trevas
Pisando nas brasas
Contornando caminhos
Que seriam seus
Suavizando teus erros
Sufocando a verdade
Que fere
Jurando mentiras
Sonhando em rever
A ternura segregada
Que se achava culpada
Por apenas sofrer


--------------------------
Quadro Destino
de Susana Bonet

postado por 6715 as 02:34:34 # 0 comentários
Quase sempre


.

postado por 6715 as 10:01:21 # 1 comentários
Dilema?


.

postado por 6715 as 10:00:02 # 0 comentários
domingo, 09 outubro, 2005
Amor rosa?



____________________________________________AMOR rosa
______________________________________AMOROSA

postado por 6715 as 09:37:33 # 30 comentários
Arte real


GRA(Ç)ASANGR(E)ASANGRASANGRASANGRAsanguesegue

postado por 6715 as 09:28:20 # 20 comentários
Alimento


Alimenta?

postado por 6715 as 09:03:37 # 0 comentários
Convencer

__Com
___O
____N
_____Você
_____vEncer
_______N

________C
_________Eu___________que não doeu
__________R

postado por 6715 as 11:53:30 # 4 comentários
Cotidiano



Meu oficio de pó
Que a noite abomina
Nas nuvens enxergar
Felicidades
Nas noites
Saudades
Eternas
Desponta o breu da madrugada
Serena e triste
Cheia de magoa
Acolhe os amantes
E os desamados
Simplesmente milagre
Multiplica as estrelas
Seres de luz
Que ofuscam as trevas
No terceiro minuto
vens aurora
tens brilho de sobra
os meninos e as noticias
as malicias
da rua desnuda
coberta de pudor
A padaria infesta
E com fermento
E cimento
O cinza aparece
Encoberto pela neblina
Que desprende o cheiro de fumaça
Nas casas
As donas
Regularmente
Cafés,bolos e chás
As feiras lotadas de cores
Raízes e amores
Que amanhã somem
Os soldados etiquetam
O preço de se ter coragem
Todos os segredos estão distantes
De todas as demais verdades
As gravatas entram em cena
Uniformizando as classes
Sujas de barro da criação
E da fadiga da noite
Que atormenta os maridos
E dão sorrisos as mulheres
Uma ultima olhada no espelho
Passar a mão no cabelo
Colocar na cabeça a razão
Se fecha a porta a chave
Se fecha paraíso
Se despede a dor e o sigilo
Se deixa o banquete de sonho
Se veste macacão de operário
A graxa do engraxate
Os anéis pétalas de prata
De doutores que não sabem nada
Os carteiros se valem de selos
Que viajam nos ventos dos correios
Deslumbrados imigrantes
Feitos de céus
E cores
Que esperavam mais
Que trocados
Caminhões,carros
A reação demasiada
A buzina ensurdecedora
Dá lugar a tarde dourada
Feita de sesta
Que alivia
A vitória
A noite assusta
As horas
Que seguem e vão
E vão embora
As sirenes serenam
O silencio
Que silencia
Os pavores da casa
Que descasa
A vontade
De ser
A insônia que regula
O pecado da gula
Intensifica movimento
O ronco dos motores
E dos humanos
E dos bichos do escuro
As luzes iluminam a claridade
Das moças a espera dos rapazes
Que invadem as chances
Que terminam instantes
Os meses curtos
Como calendários de bolsos
Nas carteiras
Vazias
Dos achados e perdidos
Num museu de horrores
Os cães ladram
E alguns mordem
Tudo fica a margem
De um recreio que pausa
O mistério e a miragem
O sol da noite
Esturrica as roupas nos varais
Que varam a madrugada
Vagamente
Desaparece
A fé
Que desvenda o teto
Feito de negro
Onde se escreve com giz de sol
Os cometas e as estrelas cadentes
Se exibem no nada
No quarto minuto
Da aurora
Ressurgi a correria dos amarelos
Que dão lugar aos laranjas da tarde
Ao cinza da noite
A fraca carne
Que se despe com um sorriso de alivio
As nuvens preparam a chuva para serenar
Para alguns rirem
Para outros apenas chorar
De lembrança que umedece as paredes
E enche o chão do banheiro de aflitos
Perdidos pedidos
Que rezam
As velas de sete dias
Que sentenciam a semana
Todos os futuros estão com cadernos
Exibidos a tira colo
Todas as merendas
E a fome para consumi-las
Que dão lugar
As brigas dos casais
Que casam
Separam
E voltam atrás
Nem sempre nessa mesma ordem
Nem sempre pra sempre
Ou jamais
E tudo é nada
E passa
breve


-----------------------
Quadro de Eduardo Roca
Cotidiano

postado por 6715 as 11:32:09 # 0 comentários
Míseros desejos

As línguas cálidas
Flamejam a carne serena
Flutuando no espaço
pecado
sussurra
Eleva a chama de desejos
Que me revigora
De que maneira pode
Nunca sei se devo
Defender de teus ataques
Suprir meus pequenos delírios
Todo teu corpo servido ao café
Cria marcas
Onde antes nada existia
O tempo corroendo as fotos
Os lençóis suados
De carne e cobiça
De fragilidade e força
Dores sem testemunho
E sem culpado
Silêncio

---------------------------
Filme La madre-madonna
Atriz Silvana Mangano

postado por 6715 as 12:16:05 # 0 comentários
sábado, 08 outubro, 2005
Inocência



A urgência dos meus poros
Que soam como melodia
Libertos de uma inocência vigiada
De uma redoma cuidadosamente
Quebrada
Meu prazer torpe no meio da madrugada
Tem dias que nada me resta
Nem os segundos teus ao meu lado
Nem o silêncio das línguas cansadas
Nas sobras das velhas manhãs
Às vezes nem tudo me sobra
Finalizando algo que não estava errado
Frágil como uma criança
De olhos arregalados
Aumenta minha angústia
Só para te encontrar
Pra te ganhar
Eu finjo não ver o mundo que passa
Nem os erros que cometi
Talvez eu seja mesmo assim


-------------------------------
Cartaz do filme
A Época da Inocência

postado por 6715 as 07:11:22 # 0 comentários
Armadura

Armaduras plásticas
Caminhos trocados
Segredos guardados

Se aceira
O mais nobre desejo
Se amargura
Minha doença
Não tem remédio
Minha dor
Não vê cura

E vivo
Partindo
Rendendo
Sumindo

E morro

Dormindo
Nos teus lábios

Onde teus olhos me fazem mergulhar
Num caminho infinito pra me perder
No teu desejo de apenas te amar

postado por 6715 as 07:03:47 # 0 comentários
Negrinha



Nas ancas
daquelas negrinhas
o pavor do patrão
que as via
esculturas escuras
de pecado
ninguém pode conter
o desejo de quem é amado
ninguém pode vender
o que já por mim foi comprado
eu tinha direito
e eu era de seu agrado
e ela tinha medo
de que eu achasse culpado
Ela era morena
amada pelo mulato

O cheiro negro do rosto
que se afetuava em meu gosto
no meio dos meus rebanhos
eu a cobria de sonhos
que nós não iriamos realizar
ela sabia mentir
mas não sabia chorar
ela queria viver
e eu só queria amar
um amor que a sinhá sonhava
enquanto meu sonho cansava
a beleza levemente dourada
ao suor que ela estava banhada
que banhava meus sonhos também

Durante os dias eu a fitava
batendo roupa
anjo que eu não amava
mas me interessava a boca

No meio de seu asco
tu te encosta em meu braço
e me pede te fazer sorrir

mas o destino não sou eu quem faço
e não me atrevo a mentir

uns nascem pra viver
outros pra morrer
por ti


----------------
Quadro de Portinari

postado por 6715 as 06:44:22 # 20 comentários
Calada



Não tema quem arma ciladas
as calunias que por vir estarão
nas demais mentiras e rosas
que de ti fazem questão
empunhando velas ou armas
nada que assegura é concreto
tende somente o medo
rasurando o que estava certo
não venha cego por justiça
nem por nós mova moinhos
dêem mãos aos comedidos
ou braços aos desarmados
e fé aos descrentes
não negues tua graça
tua crença
tua magoa
se calem vozes sombrias
compartilhem do meu abandono
a tristeza que beira calada
o progresso da vida parada

postado por 6715 as 05:10:16 # 7 comentários
Polaroid


Minha passividade diante tudo
Nossas lembranças durante a manhã
Caminho triste e calado
E,
Passamos noites em claro
Imaginando momentos raros
Em que a vida pudesse surpreender
E se tua paz pudesse me envolver
O tempo passava
O sangue se escorria sereno
Sangrou sangrou sangrou
De todas elas foi minha única esperança
Teu corpo banhado em espinhos
E moscas
Tudo me parece estranho
E pulsante
Já vejo você se afastando
Vibrante e precipitada
Jogando sementes de pressa
Germinado amor por ando passa

postado por 6715 as 05:03:34 # 7 comentários
Verdade



A minha verdade não é conivente a todos
Nem a si mesma
Meu amor não requer duvida
Só sutilezas
Meu caminho não vê luzes
Apagadas
Meu lugar é aqui
Meu tempo é agora
Meu passado é vida
Que vive ante hora
Meu tempo é culpado
Meu castigo a forra
Meu perdão lascivo
Minha aflição é corpo
Meu medo é vivo
Razões não me faltam
Amores não sobram
Pra quando nem se sabe amar
Quando o vôo for para o abismo
Meu amor resistirá?

-----------------
Quadro de Manuel López Costa
El abismo

postado por 6715 as 03:36:16 # 1 comentários
 
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