DR. J.R.MANTEY (Citado nas página 1158 e 1159 da Tradução Interlinear do Reino, edição de 1969) - "Uma tradução chocante. Obsoleta e incorreta. Não é nem erudito nem razoável traduzir João 1:1 'a Palavra era um deus'."
Verdade? Então o que podemos dizer do que escreveu o trinitariano Murray J. Harris?
"Concordemente, do ponto de vista somente da gramática,[QEOS HN hO LOGOS]poderia ser vertido"a palavra era um deus,...." -Jesus As God, 1992, p.60.
Afinal, quem demonstra ser “nem erudito nem razoável”? Infelizmente, o Dr. J. R. Mantey. É óbvio que Harris rejeita esta tradução de João 1:1, mas não por causa da gramática ou erudição, mas por causa do que ele acredita ser a teologia de João. Assim, com esta crítica tão severa, Dr. Mantey demonstrou falta de razoabilidade, e principalmente faltou à verdade.
DR. BRUCE M. METZGER da universidade de Princeton (Professor de Língua e Literatura do Novo Testamento) - "Uma tradução horripilante... errônea... perniciosa...repreensível. Se as Testemunhas de Jeová levam essa tradução a sério, elas são politeístas".
Com que base ele afirmou isto? Ele escreveu: “"As a matter of solid fact, however, such a rendering[re"and the Word was a god" in the NWT]is a frightful mistranslation. It overlooks entirely an established rule of Greek grammar which necessitates the rendering "...and the Word was God."
Aqui a regra de gramática a que se referia é a conhecida “regra de Colwell”. Mas o erudito Harris, já citado acima afirmou, volto a citar: " Concordemente, do ponto de vista somente da gramática,[QEOS HN hO LOGOS]poderia ser vertido"a palavra era um deus,...."
Conforme tem sido reconhecido a regra de Colwell não pode ser usada como regra dogmática, mas apenas uma tendência geral. Note a seguinte citação: "So that while the canon[Colwell's rule]may reflect a general tendency it is not absolute by any means; after all, it takes no account of relative clauses of proper nouns like that in[ho theos agape estin,"the God love is." -1 John 4:8]. Moreover, he[Colwell]is the first to admit the lack of objectivity in his method of counting: he professes to include only definite nouns among his anarthrous predicates and the degree of definiteness is extremely difficult to assess".-A Grammar of New Testament Greek, James Hope Moulton, Nigel Turner, Vol.III, Syntax, 1963, p.1.
Assim Metzger, melhor, abusa da regra de Colwell de forma errada. De facto a Comissão de Tradução do Novo Mundo rejeitou a regra de Colwell, em João 1:1, mas não de forma errada. O que levou Metzger a usar a regra de Colwell de forma cega, foi a sua visão teológica, e não qualquer regra gramatical.
DR. SAMUEL J. MIKILASKI, de Zurique, Suiça - "Esta construção anartra (usada sem o artigo) não significa que o artigo indefinido 'a' significa em inglês. TRaduzir a frase 'a Palavra era [um] deus' é monstruoso".
Se é “monstruoso” traduzir João 1:1 como “e a Palavra era um deus” como Mikilaski encarou o que disse C. H. Dodd:
"If a translation were a matter of substituting words, a possible translation of [QEOS EN hO LOGOS]; would be, "The Word was a god". As a word-for-word translation it cannot be faulted, and to pagan Greeks who heard early Christian language,[QEOS EN hO LOGOS]might have seemed a perfectly sensible statement, in that sense["signifying one of a class of beings regarded as divine"-Dodd, ibed).....The reason why it is unacceptable is that it runs counter to the current of Johannine thought, and indeed of Christian thought as a whole."-Technical Papers for The Bible Translator, Vol 28, No.1, January 1977.
É claro que Dodd rejeita a tradução que diz que a Palavra era “um deus”. Mas não é por causa da construção gramatical do grego. É a sua opinião sobre o que ele pensou que era a “teologia de João” e o “pensamento cristão”, a sua visão teológica de Cristo e não a gramática do grego. Eu não partilho esta opinião trinitária do que o Evangelho de João e o resto da Bíblia afirmam sobre a pessoa e a natureza de Deus e seu Filho.
Dr. Paul L. Kaufman, de Portland, Oregon: "Com seu erro de tradução em João 1:1, as Testemunhas de Jeová demonstram um abismal desconhecimento das regras básicas da gramática grega".
Bem parece que é o Dr. Paul L. Kaufman que tem que recordar a regras de gramática do grego bíblico.
DR. CHARLES L.FEINBENG de Portland, Oregon: "Os tradutores das Testemunhas de Jeová evidenciam uma ignorância abissal dos princípios básicos da gramática do Grego na sua tradução errônea de João 1:1".
Contudo, Dr. Jason BeDuhn (da Universidade de Arizona) em relação ao apêndice da Kingdom Interlinear que dá a razão para a TNM favorecer a tradução de João 1: como dizendo que a Palavra não era “DEUS” mas “um deus”, afirmou: "In fact the KIT[Appendix 2A, p.1139]explanation is perfectly correct according to the best scholarship done on this subject.."
E os acima citados, Murray J. Harris, C. H. Dodd e J. Beduhn colocam seriamente em questão esta afirmação. Será que esta afirmação de Charles Feinberg é baseada no seu entendimento dea gramática grega usada por João 1:1? Não posso dizer, apenas por esta breve citação sua. Se é então lamento a sua falta de exatidão gramatical. É apenas uma opinião sem provas e acima de tudo gramaticalmente inexata.
DR. JAMES L. BOYER de Winona Lake, Indiana: "Nunca ouvi falar, nem li sobre algum erudito em Grego que concordasse com a interpretação desse versículo conforme insistida pelas Testemunhas de Jeová... Nunca encontrei um deles que tivesse qualquer conhecimento da língua grega".
Bem, se calhar ele não anda muito atento àquilo que os eruditos em grego têm escrito e falado sobre o assunto. Deveria ouvir e ler mais.
DR. WALTER MARTIN - "A tradução 'um deus' ao invés de 'Deus' é errônea e não tem apoio em nenhuma boa erudição do Grego, antiga ou contemporânea, e é uma tradução rejeitada por todos os reconhecidos eruditos da língua grega, muitos dos quais nem mesmo são cristãos, e dos quais não pode se afirmar honestamente serem preconceituosos a favor da versão sustentada pelos ortodoxos".
Citar Walter Martin neste caso, não resulta muito bem. Parece que o seu estudo de grego não parece ser muito profundo. Lembra-se da citação do Dr. BeDunh que realmente estuda e ensina grego? Apesar de não ser Testemunha de Jeová afirmou que "In fact the KIT[Appendix 2A, p.1139]explanation is perfectly correct according to the best scholarship done on this subject.."
DR. WILLIAM BARCLAY da Universidade de Glasgow, Escocia - "A distorção deliberada da verdade por esta seita é vista nas suas traduções do Novo Testamento. João 1:1 é traduzido "a Palavra era [um] deus', uma tradução que é gramaticalmente impossível. É abundantemente claro que uma seita que pode traduzir o Novo Testamento assim é intelectualmente desonesta".
Gramaticalmente impossível? Contudo, eruditos como Murray J. Harris, C. H. Dodd e J. BeDuhn e outros que poderiam ser citados afirmam que é gramaticalmente possível.
Outro erudito que afirmou o mesmo foi o Rev. J. W. Wenham no seu bem-conhecido The Elements of New Testament Greek, escreveu numa nota de rodapé: "In ancient manuaquinaums which did not differentiate between capital and small letters, there would be no way of distinguishing between Qeos('God') and qeos('god'). Therefore as far as grammar alone is concerned, such a sentence could be printed: qeos estin o' Logos, which would mean either , 'The Word is a god', or, 'The Word is the god'."(footnote 2, page 35, Cambridge University Press, 1987 reprint.)
Wenham escreveu ainda: "The interpretation of John 1:1 will depend upon whether or not the writer is held to believe in only one God or in more than one god." Eu acredito que João poderia ter afirmado que a Palavra “era um deus”, porque no Antigo Testamento, até mesmo os anjos são chamados de “deuses”. Sim, João como judeu acreditava em “mais do que um deus”, em seres divinos, muito superiores aos humanos, que estavam diante de Deus e o serviam na Sua Corte Celestial (Veja Salmo 8:5; 82:1; 138:1) Mas, assim como João, temos que adorar o único DEUS verdadeiro, ou aquele a quem se deve adorar. Mas a Palavra não era este único Deus verdadeiro (“hO QEOS”, literalmente “o D/deus”) conforme João nos informa, pois a Palavra estava COM Deus. Esta tradução de João 1:1 está assim de acordo com o contexto que informa que a Palavra estava com O Deus, distinta deste, mas ainda assim da sua semelhança: divina, um deus.
O que é mais interessante, é que Barclay, 20 anos após esta declaração, dizendo "a Palavra era [um] deus', uma tradução que é gramaticalmente impossível afirmou exatamente o contrário.
No seu livro 'William Barclay-Ever Yours," editado por C.L.Rawlings(Dunbar 1985), pag. 205, após fazer alusão à tradução comum (conforme encontrada na Versão Rei Jaime), ele afirmou: "You could translate, so far as the Greek goes: 'the Word was a God';.."
Afinal era gramaticalmente possível!!!
Esta contradição/correção de si mesmo indica quem foi “intelectualmente desonesto” nos anos 1950.
Dr. Ernest C. Colwell da Universidade de Chicago: "O predicado definido nominativo tem artigo quando ele segue o verbo; e não tem o artigo quando ele precede o verbo ... esta declaração não pode ser considerada como estranha no prólogo do evangelho, o qual atinge seu clímax com a confissão de Tomé: 'Senhor meu e Deus meu' - João 20:28"
"Colwell's rule has been abandoned [in connection with John 1:1 at least,] by those who know their Greek."-Professor BeDuhn. Lá se vai mais uma citação desmoronando.
Dr. J. Johnson da Universidade do Estado da California, Long Beach: "Não há qualquer justificação para traduzir THEOS EN HO LOGOS para 'o Verbo era um deus'. Não há um paralelo sintático com Atos 28:6, onde há uma declaração em discurso indireto, e João 1:1 é direto ... Eu não sou cristão, muito menos trinitariano"
Mas Actos 28:4 é um paralelo sintático. J. BeDuhn diz sobre Actos 28:4 como paralelo de João 1:1: "Acts 28:4, which is a perfect choice, and shows how this qualitative sense for the anarthrous predicate nominative before the verb works."
Dr. Eugene A. Nida, chefe do Departamento de Traduções, American Bible Society: "Com respeito a João 1:1, há é claro uma absoluta confusão por que a Tradução do Novo Mundo foi aparentemente feita por pessoas que não levam a sério a sintaxe do Grego"
Pelo que afirma o Prof. J. BeDuhn isto não é verdade. Nem outros eruditos concordam apesar de serem trinitaristas, e de não concordarem com esta tradução por razões teológicas, mas não gramaticais.
Dr. B. F. Wescott (cujo texto Grego - Não a parte em Inglês - é usado na Kingdom Interlinear Translation): "O predicado (Deus) estando enfaticamente primeiro, como em IV.24. É necessariamente sem o artigo. Não há idéia de inferioridade de natureza sugestionada pela expressão, a qual simplesmente afirma a verdadeira deidade do Verbo"
Esta declaração de Wescott, baseia-se no seu entendimento de João 1:1, segundo a sua perspectiva trinitarista. Citar alguém que interpreta o texto, que vai para além da simples tradução, não contribui muito para este debate.
Não me alongarei mais nestas citações, visto que para estas existem muitas outras,até mesmo de trinitaristas, que revelam que não existe qualquer impedimento de ordem grammatical em João 1:1, para traduzir como “um deus”.
Existem sim, séculos e séculos de teologia extra-bíblica que criou esta doutrina monstruosa (desculpe a força de expressão), que conduziu à alteração da percepção de DEUS = 1 PESSOA a DEUS = 3 PESSOAS DIVINAS.
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