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quinta, 02 novembro, 2006
LER E ESCREVER: “ Toda a força no Primeiro ano”


Desafio e sedução como resposta

Em um diálogo na sala dos professores escutei um comentário acerca da função do professor dentro da escola que acima de tudo me fez pensar na validade do projeto “Ler e Escrever” da prefeitura de São  Paulo não só como um mecanismo de alfabetização nas primeiras séries, mas com um objetivo maior, que pensa na escola como um todo, discutindo sua estrutura e o papel de cada personagem que contribui para que aquele espaço seja um caldeirão de futuros homens.

Em uma das eternas reclamações comuns à sala dos professores, uma das professoras se levanta, lava as mãos e em um ato de pseudo-heroísmo conclui a discussão dizendo que o problema da educação está nos pensadores da mesma que não encontram uma resposta para os problemas do dia-a-dia. E foi taxativa em dizer: “Nós professoras somos meras EXECUTORAS”.

Tal comentário me instigou ainda mais a encontrar respostas, inclusive que atendiam a auto-indagações sobre qual era meu papel ali. E só de pensar a respeito desta colocação me vi avesso ao que disse a professora. A remissão de seus pecados atribuindo a outrem a responsabilidade de uma solução é uma prática que descaracteriza por completo não só o professora, mas toda a estrutura da escola que é um espaço de reflexão e construção do conhecimento por excelência.

Bom, olhei para aquilo como alguém que pensa na educação e encontrei ali um dos seus maiores problemas. Já que eu considerava minha presença ali, não como de um mero executor, me coloquei na posição de alguém que está refletindo sobre a alfabetização no projeto “Ler e Escrever” e, com toda educação, expus para ela que se quisesse, então, seguir um ponto de vista de um pensador da educação que começasse simplesmente repensando o seu papel. §

Lucas Limberti
O Programa Toda força ao 1º. Ano – TOF cria condições adequadas para que todos os alunos leiam e escrevam já ao final do 1º ano do Ciclo I - para isso, a SME/DOT coloca junto a cada professor do 1º ano um auxiliar de ensino, que será um estudante universitário de Pedagogia ou Letras, para ajudar o professor na alfabetização. http://www.prefeitura.sp.gov.br/portal/a_cidade/noticias/index.php?p=7831

Resposta

QUIZ INTERATIVO (25/10)

-  Descubra "quem" falou "o que" sobre as cotas nas universidades  - 

1-C

2-B

3-A

4-E

5-D

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"Os textos aqui publicados podem sem utilizados para outros fins desde que se respeite autoria"


postado por Lucas Limberti as 12:43:00 #
7 Comentários

Bianca:
Lucas,
com (muito) atraso estou escrevendo para relatar a experiência positiva que tive na sala de aula em que estagiei no Programa Ler e Escrever.
Após ouvir o relato das suas experiência com o desafio e a sedução na reunião final do Programa na FEUSP, tive a oportunidade de colocar em prática esse modo de trazer as crianças para o conhecimento.
A atividade proposta pela professora era ler, em duplas, as instruções de um jogo chamado "Jogo da escalada" e depois jogá-lo. Percebi que uma das duplas estava entediada, fazendo outras coisas, desinterassada.
Foi então que me aproximei deles, peguei a folha das instruções e deu-se o seguinte diálogo:
"Não vão jogar?"
"Não, é muito chato, tia!", "Eu não sei ler não!"
"Ah, mas como não sabe? Dá aqui pra mim essa folha que eu vou ler: 'Jogo da escalada - esse jogo foi feito para ser jogado apenas por Lucas e Isabela, outros jogadores não serão aceitos'"
Lucas (curioso): "Ah, mentira, não tá escrito isso não!"
Isabela: ri
Eu: "está sim, lê aqui!"
Lucas pega a folha da minha mão e começa a ler. Leu o texto todo, pausadamente, até o final, para depois concluir:
"É mentira, não tem Lucas nenhum aqui! Nem Isabela."
:)

quarta, dezembro 20, 2006 10:33 

Martha:
oi Lucas tudo bem???
assisti a sua participação no congresso do projeto ler e escrever, achei muito interessante o jeito que vc falou sobre o projeto, o modo como vc tratou as crianças, faço parte do projeto e estou te contatando para podermos trocar informaçoes, metodos para a aprendizagem das crianças...obrigada....tudo de bom pra vc!!!
quinta, dezembro 07, 2006 02:19 

Thays Oliveira:
Bom dia, Lucas!! Tudo bem?
Assisti ao seu seminário na sexta-feira lá na UNISAL, achei muito bacana o seu tema.
Parabéns!!! Acredito na educação e acredito também que precisamos de educadores assim, que façam a diferença.
Abraços
Thays

segunda, dezembro 04, 2006 12:18 

Ailton Pereira:
Boa posição de idéias, Lucas... É estranho, porém, o que hei de aqui escrever: infelizmente as escolas estão "deseducando aos alunos", não fazendo que eles canalizem toda a energia que possuem para refletir o mundo. É só cópia na lousa para dar uma escapada da postura que deveriam ter, a de educadores... Embora seja duro agüentar uma séries, como as do Ensino Fundamental, não estando muito longe as de Ensino Médio, tenho certeza de que vale a pena lutar.
terça, novembro 07, 2006 02:22 

Denis S. Carvalho:
Oi Lucas,

Me chamo Denis, curso Letras na USP e participei do TOF.

Achei muito legal sobre o que escreveu acerca do TOF.
Dentre as várias experiencias marcantes desse período, também me questionei bastante dobre os papeis no campo do ensino. Isso inclui os pais, as famílias e, claro, professores, coordenadores, diretores, agentes, ESTAGIARIOS e outros membros da escola.
Fiquei numa sala de julho ate outubro. A professora com quem trabalhei já havia perdido a maioria das práticas, nao tinha controle sobre os alunos (para mim reflexo da postura, da personalidade, do comprometimento, sem esquecer dos anos de magisterios acumulados, etc.) e eu, diante da responsabilidade de cumprir um papel de colaborar positivamente para os anos iniciais de apredizagem daquela turma, e sem auxilio metodologico - minha professora nao permitiu que aplicasse nenhuma proposta do TOF - nos resta usar de um bom senso, criatividade e algum conhecimento teórico. Até me identifiquei com sua fala na reunião final lá na FE, em que voce relatou que apertava a mão dos alunos estimulando algum exercício.
Quanto aos papéis na escola, acho que a elaboração nao deve vir apenas de um senso subjetivo. Acho que a escola para poder dar mais do que ela pode, tem que ser antes de apenas uma escola, num raciocínio do óbvio.
Senti que mesmo numa condição caótica, a aprendizagem ocorre em algum nivel. Senti que os alunos se comprazem com o aprender e que as vezes chamam a sua atenção na intenção de serem conduzidas, elas querem um norte.
Legal poder compartilhar essas experiências.
Nao sei se estarei disponível no dia 1º de dezembro para ir a UNISAL mas de qualquer forma desejo-lhe um bom congresso.
Abraços
Denis
segunda, novembro 06, 2006 11:40 

Amanda Fraga:
Oi tu já és professor? (Só curiosidade!!!)
domingo, novembro 05, 2006 08:56 

Joelle Monet:
Lucas,
Sou uma apaixonada pela educação mas sobretudo apaixonada por uma pequena faceta, bem própria dela, que é a capacidade de transformação. Infelizmente a maioria dos professores (maioria sim!) desconhece o poder que tem nas mãos, a influência que pode gerar sobre seus alunos e leciona como se estivesse brincando no quintal de casa com uma lousa, ensinando bonecas...É uma pena que novas mentes tenham, ainda, que se deparar com mestres assim. Penso que sua colocação foi pontual, espero realmente que ela(e outros) reflita. Fica difícil pensar em qualidade na educação com "empregados" assim, não acha?...Esta professora É uma mera empregada.
Enquanto isso, outros mestres se desdobram tentando arranjar soluções para "formar", "resgatar" meninos que passaram o ano em mãos como as dela.
É um sacerdócio. Disto não tenho dúvidas.
Boa caminhada!
sábado, novembro 04, 2006 08:37 

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