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domingo, 16 setembro, 2007
EDUCAÇÃO: “A dor que deveras sente”


 Pacto, ritual e sedução.

O efeito de encantamento da poesia pretende criar uma relação de sedução através de estímulos sensacionais. Os leitores que apreendem o significado das palavras, reproduzem certo tipo de resposta e, na maioria dos casos, atribuem juízo de valor, à respeito da emoção do poeta e não do eu – lírico. E este é o segredo de um profissional que despende duras horas de trabalho imerso na fabricação de idéias e emoções se valendo de um honesto fingimento, de um blefe milimetricamente planejado. Cria um “eu” que ao particularizar sua emoção por meio de técnicas específicas se universaliza.

O educador enquanto mola propulsora do conhecimento deve se valer destas premissas poéticas para a criação de um pacto, previamente planejado, que traga (ou leve) ao aluno para a sensação de seu blefe, para a “poesia” de sua disciplina.

No entanto, surgem indagações sobre como seduzir, motivar e desafiar alunos imersos num contexto em que a preocupação com a quantidade de conteúdo e informação sobrepõe-se à formação, mediados por professores predominantemente reprodutores.

Cabe ao professor identificar este contexto em que está inserido e ir na contramão do pensamento engessado que nega as transformações que a reflexão sobre ato de ensinar proporcionam.

O ritual consiste em estabelecer um pacto propulsor do ato de aprender, criar e refletir. No entanto, deve-se ficar atento ao caráter contraditório do pacto e não tomá-lo como uma verdade absoluta e sim como um ponto de partida para atenuar automatismos coercivos, sobretudo quanto à disciplina. Neste caso, o pacto deve ser uma construção coletiva que estimule e dê sustentáculo para a convivência criativa entre as instâncias em sala de aula.

O árduo trabalho de planejamento por parte do professor deve se dar em um ambiente consistente e previsível, para que a reflexão e a mudança de planos sejam possibilidades previamente consideradas, como um ator que ensaia veementemente os mecanismos de improvisação nas artes dramáticas.

O blefe milimétrico e planejado do poeta em seu verso deve ser tomado como exemplo para o planejamento, ou melhor, fabricação das aulas com ações técnicas de aproximação às realidades discentes para apropriar-se de elementos que os motivem e a partir da sedução (fingimento sensacional) desafiá-los para obter o complexo, o imprevisível e o mutável. §

Lucas Limberti

Foto: Lucas Limberti - Título: Poesia da cor livre

Leia também - LER E ESCREVER: “Toda a força no Primeiro ano”

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postado por 35821 as 01:51:59 #
5 Comentários

Cláudia:
E é bom que professor tenha sempre um espaço de "compartilhar" idéias, experiências e principalmente emoções para que o engessamento não venha nas entrelinhas do dia-a-dia, difícil, apesar de fascinante. Um espaço, entre pares e afins, "desafins" também e por que não? Espaço que possa alimentar e o ideal, e esculpir o real.
segunda, outubro 29, 2007 09:37 

Marina Rodrigues:
A "Educação" precisa ouvir estas palavras.
D.I.C.A.!!!!
segunda, outubro 08, 2007 02:46 

Lucciana Marya:
Desculpa o desabafo..mas dá difícil de engolir o espetáculo "Renan"..
Bj
segunda, setembro 17, 2007 09:37 

Lucciana Marya:
Eis a arte da sedução..
Não apenas na sala de aula como na classe da vida, onde os assitentes são tão alienados que se deixam seduzir pelo teatro da política, das imagens e modismos gerados pela mídia em geral..
No país do improviso, o que há de se esperar a não ser pós-graduados e mestrados nesta arte?! rs..
Linda imagem!!!
Baci
segunda, setembro 17, 2007 12:28 

reca:
jaca,

enxergo, assim como você, a sala de aula como um espaço de produção de conhecimento. E que o seja feito com o apoio de todo acervo cultural que temos. A poesia/ música é a minha área de maior interesse dentro de sala; é o ritmo penetrante da troca curiosa de experiências e saberes que partem dos olhos atentos de lá e cá. Um universo de expansões, não?


braços
domingo, setembro 16, 2007 02:12 

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nas secas mãos do poeta.
Ávido descubro segredos de rodapé.
Ondas furtivas que remetem ao ainda.
Quanto mais se descobre,
mais sinto os respingos de suor
cobertos pelo convite do que virá.
Tramo planos e junto pistas
para destravar o universo
e vê-lo girar, solto, hipnótico,
ao meu alcance.
As cores aladas que se projetam
dos abissais limites de minha retina
são resposta calada do grito do mundo.
Dos sons almejo sinfonias
Das cores, arco-íris.
Do ouro, alquimia.
Do amor refuto.
Lucas Limberti


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