
O luto
O Varal do Infinito declara luto verso ao recente desaparecimento de Luciano Pavarotti e Pedro de Lara por considerar que os palhaços e os cantores de ópera nunca deveriam morrer.
Pedro de Lara, o incansável turrão cômico e filósofo popular, durante toda sua vida e por 26 anos no Show de calouros do programa Silvio Santos na TVS, atual SBT, buscou na vaia seu maior aplauso. A vaia era sinal de que alcançara seu objetivo de incomodar, protestar, o que para muitos teóricos é a essencial função da arte. E pra quem não sabia o jurado pernambucano revelado por Chacrinha e nascido em 1925 era também astrólogo.
Luciano Pavarotti, a caricatura da Itália, nascido na cidade de Modena foi um apreciador do melhor da pasta e do vinho do seu país. O tenor é considerado maior cantor de ópera de seu tempo e grande interprete das obras de Donizetti, Puccini e Verdi.
Ambos vítimas do mesmo algoz.
O algoz
O cantor e o palhaço tiveram a mesma causa mortis: o câncer.
Palavra indigesta que amargura. Palavra que tomara Deus e a Ciência valha apenas para o trópico e para o signo.
Vinicius de Moraes dizia em nome de seu amigo Jayme Ovalle que “o câncer é a tristeza das células”. E por que nossos heróis da alegria e do entretenimento entristecem?
Deve ser porque a doem com tanta força que se esquecem de guardar para si. Mas é assim, não tem jeito, por isso são eternos e desfilam em homenagem de luto póstumo no infinito do varal. §
Lucas Limberti
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