
Na mesa da vida veio até mim uma jovem com rosas a vender. Neguei. Estava
acompanhado do amor. Dividia a ceia informal com o calor de minha mulher e a
negação daquela oferta de humor comprado, de rosas tristes e açucaradas por
desodorante barato.
Havia comigo algo além, um trunfo incidental que secou a saliva insistente do
sentimento enlatado.
Havia o frescor do sublime em perfume áureo. Meu botão vermelho escuro
orvalhado carregava algum espinho e nenhum ornamento plástico.
O vinho, a rosa e o tango eram rubros como meu amor triste. Ela, a rosa que
roubara, superou a gramática.
Te digo eufórico, Peter Pan embebido de orgulho frente ao ardil da façanha:
- Só eu era capaz daquilo!
Em furto piscar eu era Rei, Casanova, Neruda e Che Guevara descompassado em
pausa veloz.
Uma flor nasceu em mim.
Linda. Eterna.
Roubada.§
Lucas Limberti
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