
Não seio o que ela fazia às 23hs daquela terça-feira num ponto de ônibus da avenida Raposo Tavares. Talvez estivesse ali esperando uma condução para casa após alguma daquelas intermináveis festinhas e calouradas da Universidade de São Paulo.
O ponto estava cheio de gente e ela lá com uma cara um tanto quanto ocupada. De repente, estaciona um coletivo apressado e a massa se desfaz. Um a um vão subindo aliviados, a maioria e logo todos.
A cada pessoa que tomava seu destino naquele esperançoso expresso da meia-noite transformava seu rosto ocupado em um receio e ao que de pronto num olhar amedrontado pela repentina solidão que se intensificava com aquela garoa fina e gelada que a escuridão expirava.
Medo. Ela estava notadamente guiada pelo assombro de ficar sozinha naquele canto ermo da esquecida cidadania empinada paulistana.
-Dá o dinheiro! Grita um maninho que na companhia de um comparsa a ameaça com uma suposta faca no moletom.
Ela ficou em pânico, entregou tudo, bolsa, carteira e implorou por sua vida. Nem havia tanto dinheiro em sua carteira e era bem possível que não houvesse uma faca na mão daquele ameaçador distúrbio social.
Como ela parecia prever aquele assalto, seu senso de culpa começou a causar uma espécie de nó na sua concentração. Os bandidos percebendo o suor frio e o aspecto de choque da garota devolveram o dinheiro da condução e pediram calma.
Aquele pedido de calma surgiu como um signo verbal afetivo e misturou-se a embriagues sensacional daquela situação limítrofe.
Os dois elementos já iam se encaminhando para a fuga quando ela grita:
-Hei, vocês podem ficar comigo até o ônibus chegar? Estou com medo, aqui é perigoso! §
Lucas Limberti
*Baseado em fatos reais
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