Dr. Valdinar Monteiro de Souza
Dr. Valdinar Monteiro de Souza
sábado, 26 dezembro, 2009
O quinto dia do Natal

Natal de 2009. Terminou há pouco o show especial de Natal, de Roberto Carlos, a que assistimos pela tevê. É noite de 25 para 26 de dezembro e estou em casa, após, juntamente com a mulher e filhos, ter almoçado com minha mãe, duas irmãs, cunhados, sobrinhos e outros parentes, bem como, ao entardecer, ter visitado a Praça Duque de Caxias e a Orla Sebastião Miranda, para contemplar, sob os eflúvios da brisa e na companhia de várias pessoas conhecidas e desconhecidas, o Rio Tocantins. Visitei também a residência dos irmãos de fé Lúcio Virgínio Ribeiro e Joaninha Batista Ribeiro, da Igreja Presbiteriana do Brasil, minha denominação.

Ontem, como fazemos há alguns anos, a deliciosa ceia na casa dos amados João Carlos Rodrigues e Paulina, membros da Igreja Cristã Evangélica. João Carlos é, para mim, desde Xinguara, amigo mais chegado do que um irmão. A despeito da saudade de pessoas que estão longe e por isso não posso abraçá-las física e demoradamente como queria, estou feliz. Não as tenho fisicamente, mas, com efeito, as tenho no coração. Meu Natal foi, sim, cheio de Luz (assim mesmo, propositadamente com inicial maiúscula)!

Das conversas durante o almoço, minha decisão de, a propósito da passagem de Natal, registrar em crônica uma história familiar. Foi em fevereiro ou março de 1981, ano cada vez mais longínquo, e em Xinguara, lugar de muita saudade. Dentre os livros do caçula dos meus tios maternos, Hiram Monteiro da Silva, que li naquele ano, um do gênero policial de cujo título não me lembro, como tampouco me lembro do nome do autor. Sei apenas que era um livro de contos policiais, de vários autores.

De um dos contos, de cujo título e autor também me esqueci e já não consigo me lembrar, guardei na memória um bilhete enigmático de um dos personagens – um repórter que fazia jornalismo investigativo – para a namorada. Salvo meu engano, dizia: “Malone: Se algo me acontecer antes de você chegar, lembre-se do quinto dia do Natal.” E algo lhe aconteceu, sim, antes que ela chegasse: ele foi assassinado! Mas ela, que também fazia jornalismo investigativo, ao chegar à cidade e encontrar o bilhete, entregou-se de corpo e alma a uma intrincada, perigosa e perseverante investigação, até descobrir o assassino do namorado e os motivos do crime.

Muito instigante: um conto de mistério e de ação ao mesmo tempo. Achei o máximo, pois, romântico sonhador, gosto da literatura policial como gosto de ficção científica. Também tenho predileção por texto literário que tem bilhetes ou cartas. Gostei tanto que, grávida em São Domingos do Araguaia, minha irmã Marinalva, escrevi a ela, pedindo-lhe que, se fosse menina, lhe desse o nome de Malone. Não era menina a criança e recebeu o nome de João Belizário de Souza Neto, em homenagem ao avô materno, nosso pai; mas, na gravidez seguinte, sim. Nasceu, então, minha sobrinha Malone.

Contei-lhe a história faz pouco tempo: sabedora de que eu lhe escolhera o nome, pediu-me explicações, uma vez que na escola, na primeira vez que o professor ou a professora faz a chamada, invariavelmente, pergunta quem é o Malone. É isso que dá não conhecer literatura, pois Malone é nome feminino bem comum entre os povos de língua inglesa, que pode ser adotado no Brasil, a meu ver, sem qualquer prejuízo, dada a sua grafia.


postado por Dr. Valdinar Monteiro de Souza as 04:20:33 #
4 Comentários

Valdinar Monteiro de Souza:
Interessante essa particularidade do seu nome. Já vi outras pessoas assim só com dois nomes, quando normal para nós, brasileiros e portugueses, é o nome ser de três ou mais partículas. No seu caso, ainda mais curioso, conforme o Ir.'. já explicou.
Valeu, Pod.'. Ir.'.! Muito obrigado pela leitura do blogue e, especialmente, pelos ricos comnetários. Feliz Ano-novo!

30/12/2009 15:50:33  

Afonso Mauro:
Caro Ir:. Valdinar M. de Souza,
Foi com imensa satisfação que li seu comentàrio sobre o livro de "contos policiais" e leva-nos ao pré-nome de Malone, que você, fez questão de gravar, como homenagem ao ator do livro, numa das suas sobrinhas. Nome pouco conhecido, não há dúvida que surgirão comentários; isso parte da nossa cultura.
O meu caso, é quase parecido. O meu nome completo é AFONSO MAURO, só. Estranho nê?, principalmente porque MAURO, no Brasil é pré-nome. Mas, na europa, em especial, na Itália, é sobrenome; e lá, os recém nscidos não levam o sobrenome da mãe. Você não pode imaginar o quanto isso me tem causado aborrecimento, pois muitos nãose conformam que eu tenha só dois nome e como sobrenome MAURO. E me perguntam, SÓ? E eu respondo, não, neu mone não tem Só, é simplesmente Afonso Mauro, e aí preciso mostrar todos meus documentos para convencê-los... pensam que, pela mimha idade (82 bem vividos, graças a Deus), estou caducando. É facíl?
Obrigado pela deferênccia
Um Ano Novo com muita paz, saúde e amor
Afonso Mauro

30/12/2009 12:11:54  

Valdinar Monteiro de Souza:
Caríssimo irmão Prof. Gerson:

Muito obrigado! Interessantíssimo, como sempre, seu comentário. Vou ver se resgato o livro, quando for à casa do meu tio, que ainda mora em Xinguara. Tenho, contudo, pouca esperança de encontrar o livro; faz muitos anos que o li e meu tio está doente (problemas psiquiátricos).

Quanto ao mais, parabéns, meu irmão, pela sua fé ("que não vem de vós, é dom de Deus"), pelo seu bom gosto e refinada cultura!

Abraço-o no Senhor da Seara!
26/12/2009 23:03:36  

Professor Gerson:
Caro Dr. Valdinar:

E assim, com Roberto Carlos ( rs) passamos mais um Natal.
Pena não se lembrar do nome do romance policial com a personagem Malone.
Por falar em Malone, lembrei-me da grande atriz Doroty Malone ( americana) que atuou em filmes com Rock Hudson.
Sempre confundi as duas Dorotys, a outra é Lamour, que encantou minha geração em papéis nos filmes de Tarzan!
Seu Natal foi mais interessante que o meu (rs). Não, o meu também foi bom. Há anos que não via as ruas de São Paulo sem trânsito ( parecia uma cidade do Interior).
Consegui ir à padaria sem olhar pelos dois lados da rua antes de atravessar.
Claro que participar do Culto de Hinos Tradicionais na noite de Natal em minha Igreja Presbiteriana foi o verdadeiro Natal.


Grande abraço.
26/12/2009 21:50:35  

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