Frio o suficiente para usar o moleton preto. Mas escuro o bastante para continuar com sono.
Isso afeta meu humor, enquanto a vida pelas ruas começa a despertar. Não nos mendigos esticados pelas calçadas, enrolados em seus cobertores imundos. Ou nos jovens, esticando a noite na saideira do bar de posto.
Porém, já é dia para os tios e tias em suas caminhadas. E no som mais intenso de motores, que sepulta o silêncio daquilo que, outrora, era madrugada. É feriado, mas alguém tem que fazer o mundo girar, e os bons trabalhadores vão cumprir essa tarefa.
Eu vou com eles. Só estou com preguiça disso tudo. Fica mais fácil quando se tem um caminho determinado para seguir. E nem precisa ser de tijolos amarelos. Um em que as pessoas não se cansem das outras por serem bondosas demais. E você possa dizer: “essa é a $%#* do meu caminho e é por ali que eu vou seguir”.
Mas, não, você fica perdido feito uma barata tonta e é assim que deve ser. Só não reclame, senão ficará amargo e as pessoas vão gostar ainda menos de você. E faça a maldita cirurgia nas pernas, para que elas não fiquem com varizes horrendas. E enriqueça, para ter filhos saudáveis e mimados. E seja simpático. Não seja sonso.
Nem o andar de barata tonta é livre de “faça” ou “não faça”.
Liberdade só existe em nome de bairro e de praça.
O sono realmente %#$* com meu humor.
