Yendis Asor Said
Yendis Asor Said

terça, 25 janeiro, 2011
eterno esquecimento

ETERNO ESQUECIMENTO

 

Reduntou em silêncio todo meu pensamento

Caí obstante a busca pelo meu sofrimento

Já não abstrato minha vida triste.

Foi ao divino, caiu em terra, já não mais a visto

Ó rebitância insignificante de meus atos

Não há prudência, estou perdendo-me nos fatos

Apesar de serem rosas e lírios, para mim, espinhos.

Estamos juntos, eu e você, eu... sempre sozinho

A chuva cai, e o espírito da natureza,

A chuva cai, de ansia, de alegria, de tristeza.

Sou como a chuva, eu me caí neste caminho

Caí por ti, caí por Deus e pelo vinho

Chamam- se de santos e a mim de pecador

-Não terá santa! Não ela. Ela tem valor

Eu sei! Eu sei... E sei também de meus pecados

Lhes asseguro, eu tenho amor e um mar viado.

És pecador! Dizem. Com segurança.

És um demônio, diabo, és mau, não és criança.

Eu já passei pelo deserto das emoções

Quando cheguei não tinha tu, só os caixões.

Morreu e foi para os deuses minha alegria

Morreu, não só tu, também a minha fantasia

Agora morto relevo todo o entendimento

Se sofro é pouco, deseja tanto, esquecimento

 



postado por Yendis Asor Said as 11:24:10 10 comentários
yendis versus

VS. SIS, PIT, ORIS

 

Maravilhado por esferas triunfaisda humanidade vejo o semblante da dor...

Oh! Tristes pensamentos infortúnios! Meus sorrisos perecemao ar, este ar, esta tenencial paradisíaca, estes demônios íntimos e secretosna claridade da noite em meu pensamento...

            Os diassaturnais e angustiantes que perpassavam em minha saudade, esta voluptuosacaridade promiscular fecundada em mim, a vejo dia a dia claramente.

            Eu estavaerrado! Frase clara em meio a deturpadas linhas sagradas e defragadas como emrecíproca culpa admitida...

            Os anjosfalharam, não me guardaram,  não meprotegeram dos infernais falermos santos do coração...

            Por maisque me protegesse deste lírio infernal de loucura e ódio etéreo, em meu sanguesorria o manifestar de lágrimas dolorosas a perda...

            Ó força,embrenhada nos mármores de minha alma, quando, ó Loucura, junto com a Forçaverem vós, algumas lágrimas como sangue, desceram destes olhos para ventura doutrosolhos tristes alentem meu espírito comtemplativo.

            Ó Fortuna!Ó Fortuna! Esquiva! Má! Dolente! Sinistra! Fraca e Covarde em sua atitude. Sejavós pelos olhos maibrandes, sejacriminalizada, seja culpada por todo meu delírio por mais que não seja.

            Ao vagarpelo infinito de meu ser, pelas doces formas amargar e saborosar, sob a ilusãodo íntimo pecado da dor sobrevoando como nevoa o sentir único do abrigo, oaliviar dos sonhos angustiantes e desnecessário a alma morta. Vagando nodelírio vejo-me como em transfiguração sismitrificada de um pecante àsantidade.

            Toda amorte anunciada Serpa rejeitada pelo delírio. Dentro de minha alma formam-sesantos de barro e deuses de ouro e por mais que sinta o pecado, não possonegar, não posso destruir pela negligência de meu corpo estiolado.

            Ó! Minhacondenação, elevar solidões panteístas às alturas, acima do conhecimento. Sereu, o unificador da promiscuidade Darwiana, ou do sentido supremo do nirvana,eu no simplefim milimétrico da matemática, ouquem sabe em sonho elevando niilismo toda acrença no futuro murmurioso e flamejando chamado vida, eterna e sangrentavida...

            Talvezassim depois da perda, acho conforto as tuas dores, aos teus passos, aosinfernos e a minha longa e vazia vida.



postado por Yendis Asor Said as 11:19:20 0 comentários
domingo, 21 novembro, 2010
TEORIA DA NUDEZ II

A TEORIA DA NUDEZ II

 

Em um bar da cidade, encontraram-se Yendis e Vinícius.

 

YENDIS: — Olá Vinícius! Como anda? O que tem feito de novo?

 

VINÃCIUS:  — O de sempreYendis, muito trabalho, sempre muito a que fazer!

 

YENDIS: — Essa é nossa vida, essa vida corrida em que vivemos,o tempo nos castiga cada vez mais, e se reparar, verá que não sobra tempo nemmesmo para nós.

 

VINÃCIUS:  — É, vivemoscorrendo atrás do tempo.

 

YENDIS: — Quer tomar algo, uma cerveja?

 

VINÃCIUS:  — Sim,obrigado.

 

YENDIS: — Hoje o tempo é que nos convida para descansar.

 

VINÃCIUS:  — Hoje ésábado, Yendis.

 

YENDIS: — Sim, mas mesmo nesse dia há milhões de pessoas quenão têm descanso, nem hoje nem dia algum.

 

VINÃCIUS:  — É, a vida écruel para muitos, mas se lembra naquele dia na praça em que me prometeu falarmais sobre sua teoria? Lembra? Aquela da nudez?

 

YENDIS: — Esperto amigo veio com suas voltas para chegar ondequeria. Sim, me lembro da promessa e de lhe contar mais sobre o assunto, se éque agora quer    

ouvir mais sobre isso ou aproveitar o sol e tomar uma cerveja.

 

VINÃCIUS:  — Podemosfazer isso ao mesmo tempo.

 

YENDIS: — Sempre acumulando tarefas, né Vinícius? Não sabe quepara tirar proveito das coisas deve senti-las ao máximo?

 

VINÃCIUS:  — Sim,Yendis, tem razão, mas diga-me então sobre sua teoria. Por que esse medo em quenós vivemos? Tem algum motivo isso?

 

YENDIS: — Vinícius, já reparou porque animais mal-tratados seretraem como se estivessem sendo castigados? Crianças quando apanham fazem amesma coisa, fechando-se no seu mundo. Nós porque crescemos tomamos váriasatitudes, umas diferentes das outras, mas pelo mesmo motivo, a agressão quesofremos dia-a-dia, ou por exploração familiar, empregatícia ou por pressão daspessoas envolta. Nos retraímos como animais, e, às vezes, nos revoltamosperdendo o equilíbrio, o que é chamado distúrbio bipolar, ou uma ou outracoisa, mas pelo mesmo motivo: a não-aceitação do mundo envolta ou por nósmesmos.

 

VINÃCIUS:  — Mas isso sóacontece quando alguma sofreu algum tipo de dor, não é? E nas pessoas normais,digo, as que não tiveram grande sofrimento?

 

YENDIS: — Você, caro Vinícius, conhecealguma pessoa que tenha chegado a idade adulta sem nenhum

constrangimento? Você conhece alguém que não tenha tido algumaexperiência de infelicidade?

 

VINÃCIUS:  — Talvezhaja.

 

YENDIS: — Crê que algum adolescente tenha passado pelapuberdade sem experimentar a dor do conhecimento e do desconhecido?

 

VINÃCIUS:  — É,realmente, olhando por esse lado, não consigo ver alguma pessoa assim, mas hápessoas que sofreram somente um pouco enquanto há outras que sofreram muito, enessas primeiras, por esse pequeno sofrimento – se assim podemos chamar oscontratempos que passaram – não se retraíram, essa passaram ilesas para a idadeadulta.

 

YENDIS: — Esperto amigo, fala com a astúcia de monge tibetano!Mas, você consegue medir a dor de uma alfinetada em uma pessoa? E de uma pessoapara a outra? Teria diferença a mesma alfinetada? Conseguiria medir osofrimento dessas duas pessoas?

 

VINÃCIUS:  — Acho queseriam iguais.

 

YENDIS: — Crê? Quanto de sangue pingará de cada um? Quantaslágrimas caíram de seus olhos?

 

VINÃCIUS:  — Astuciosoamigo, sabe que não há como saber.

   

YENDIS: — Você acha que um homem  forte sentiria uma picada de agulha?

 

VINÃCIUS:  — Creio quenão.

 

YENDIS: — E um fraco homem?

 

VINÃCIUS:  — Essesentiria.                                   

                                                                          

YENDIS: — O homem forte choraria?

 

VINÃCIUS:  — Claro quenão, uma vez que não tenha sentido.

 

YENDIS: — E o fraco, esse choraria?

 

VINÃCIUS:  — Esse sim,pois sentiu a dor.

 

YENDIS: — Então a mesma alfinetada foi sentida diferente poreles, não é?

 

VINÃCIUS:  — Por Zeus,Yendis! Está correto. Mas me diga, por que as mulheres se sujeitariam a sercomo nós?

 

YENDIS: — Amigo, vivemos em um mundo que busca o interesse detodos, da população. Mas na mídia televisiva é mostrado um outro mundo, ummundo de conquistas, de perfeições, de iguarias: é como se ordenassem para quetodos busquem isso.

 

VINÃCIUS:  — Mas o queas mulheres e nós, homens, ganharíamos se alcançássemos tudo o que nos émostrado?

 

YENDIS: — Nada. O desejo é sempre infinito. O que prometem comisso é a felicidade, mas essa felicidade é passageira.

 

VINÃCIUS:  — Mas então,não são só as mulheres que buscam a felicidade, mas todo ser humano!

 

YENDIS: — Sim, mas a felicidade é um estado de espírito.Alguns a consideram como prazer de comprar, de possuir, de beber, mas no fim detudo isso passa e o que fica é somente nós mesmos.

VINÃCIUS:  — Mas comoa sua teoria beneficiaria esse ser, que você mostra tão corruptível?

 

YENDIS: — Imagine um desejo específico. Depois, imaginetodos a sua volta realizando este desejo, inclusive você. Como se sentiria?

 

VINÃCIUS:  — Seriaestranho.

 

YENDIS: — Seria porque o desejo é pessoal. Eliminando-osobraria somente nós mesmos, com todas as nossas imperfeições, da mesma formaos outros. Na minha teoria, se fossem abolidos os desejos íntimos, não sófísicos, assim como a roupagem que carregamos, seria um grande passo em buscada felicidade, como já fazem os índios amazonenses.

 

VINÃCIUS:  — Masnecessitamos do desejo para poder viver, senão, o que nos moveria?

 

YENDIS: — O desejo o qual o falo é o desejo de se comunicarcom seu semelhante, de interagir. Esse desejo deve ser cultivado. Devemoseliminar o falso desejo, o que leva a acreditar em aparências e nos matadia-a-dia. O desejo da posse. Eliminando-o nós voltaríamos a ser nós mesmos, eassim aceitaríamos os outros, pois assim também eles seriam. Devemos, além de eliminaras nossas vestimentas, como também destituir nossa armadura, essa quecarregamos e que nos cansa. A distância, a discórdia, o desdém, o ódio, e todotipo de vaidade que nos pesa, estaremos nus de corpo e alma, principalmente dealma.

 

VINÃCIUS:  — Você nãoacha que se

                           

 

acontecesse de sua teoria estar em prática não haveria umadesordem geral?

 

YENDIS: — Não. No princípio, tudo de novo não é aceito, masquando percebemos as vantagens, solvermos nossos próprios desejos e assimconseguiremos viver conosco mesmo e com os outros, que também sentiram essadiferença. Cairá a roupagem da vergonha em nós.

 

VINÃCIUS:  — Eu melembro de quando disse que a vergonha não existia. Como ela poderia cair se nãoexiste?

 

YENDIS: — Realmente perspicaz amigo, ela não existefisicamente, é mais como uma fantasia criada por nós, para explicar motivos, aoinvés de aceitá-los. Assim sendo, ilusão criada por nós, de nós mesmos deve-sefazer sua destruição, destituindo-a de nosso pensamento para assim tomarmosrédea de nós mesmos e depois do convívio humano.

 

VINÃCIUS:  — Você achaque só o fato de estarmos nus nos liberta dessa sua chamada “vergonhaâ€?

 

YENDIS: — Não, caro amigo, mas já é um caminho a sepercorrer, pois ao meu ver, quem não enxerga esse mundo de egoísmo, de desejode posse, não tem nenhum caminho a sua frente, só imitam uns aos outros.

 

VINÃCIUS:  — Você nãoacha que com isso não haveria uma promiscuidade entre as pessoas?

 

YENDIS: — Amigo, essa promiscuidade já existe entre nós; sónão há vê quem não quer abrir os olhos, pois, quem os tem aberto, enxerga essavaidade em todos.

 

VINÃCIUS:  — Então,segundo você, Yendis, vivemos em uma loucura?

 

YENDIS: — Sim, e é pior do que isso, pois se reparar, osloucos não têm consciência de que estão loucos. Nós não temos consciência dotamanho de nossa loucura, mas a conhecemos, intimamente e convivemos com elacomo por acordo.

 

VINÃCIUS:  — Comoassim? De que loucura está falando?

 

YENDIS: — O egoísmo, a avareza, a sujeição, o descaso, avergonha (já dita anteriormente), e tantas outras coisas que temos dentro denós, e fingimos como atores para todos envoltos, sempre nos mostrando homenspuros e honrados.

 

VINÃCIUS:  — Mas issoestá como disse, dentro de nós, também estará a alegria, a bondade, o amor etodas as coisas boas?

 

YENDIS: — Sim, existe essa dualidade em nós e devemos semprereprimir uma e cultivar a outra, mas com a consciência de que a temos dentro. Oque acontece é que nós, no mais puro egoísmo, sempre estamos querendo o nossobem, não nos importando com o bem dos outros, e no fim, o que precisamos é denós mesmos e dos outros, do convívio.

 

VINÃCIUS:  — Mas játemos esse convívio, e ainda queremos consumir.

YENDIS: — Nós, às vezes vivemos uma vida inteira semconhecer o nosso vizinho. Você acha que isso é convívio?

 

VINÃCIUS:  — Por Zeus,não!

 

YENDIS: — Então, talvez agora entenda que conviver édiferente de convívio.

 

VINÃCIUS:  — Mas,Yendis, a sua teoria traria esse convívio?

 

YENDIS: — Sim, porque o medo é o nosso maior inimigo, asaparências formas de vida inúteis. Com minha teoria em prática não haveriaaparências nem medo, seria como Adão e Eva no Paraíso.

 

VINÃCIUS:  — Mas,Yendis, no Paraíso houve a tentação.

 

YENDIS: — Ela sempre existirá, mas se soubermos quem somosde verdade, nos conhecermos plenamente, não haveria o que temer.

 

VINÃCIUS:  — Sim,agora compreendo. Mas queria continuar essa conversa sobre se conhecer?

 

YENDIS: — Depois, caro amigo, agora eu quero apenasdesfrutar desse sol, dessa vista e dessa cerveja gelada.

 

VINÃCIUS:  — Comoqueira, Yendis.

 

 

 

 

 



postado por Yendis Asor Said as 12:39:11 10 comentários
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